Apesar da Informática ser a minha "habilitação" profissional e laboral, não posso deixar de referir o excelente texto publicado hoje no Público, dessa referência cultural e intelectual que é o Dr. António Barreto.
António Barreto "reflectiu" sobre a visita de Bill Gates a Portugal.
O governo criou um autêntico "show of", um verdadeiro carrocel de feira, com direito a foguetes e bombos. Música também não faltou.
Como não faltaram as condecorações, as reuniões, as vénias e "beija-mãos" e as palestrar selecciondas.
Como refere António Barreto (e para quem vive a informática mais ou menos atentamente) sabe que, pela evolução tecnológica, social e cultural dos tempos, a realidade da banda larga aconteceria a qualquer momento, com ou sem a intervenção espalhafatosa e propagandista que se assitiu.
Todas as escolas primárias, ou melhor, do primeiro ano do primeiro ciclo do ensino básico, em Portugal, têm acesso à internet por banda larga. Feito histórico do ponto de vista tecnológico.
Como tal facto reflecte um país cultural e intelectualmente mais desenvolvido e próximo dos padrões europeus, o investimento feito e todo o circo montado na visita do homem mais rico do planeta (como se na vizinha espanha ou na distante alemanha ou suécia - referências industriais europeias - tal "carnaval" fosse igualmente exibido), vamos, a partir desta data, ter, por este país fora, escolas primárias aquecidas no verão - com cantinas - com água potável e condições de higiene - com telhados que não deixem passar a chuva - com recreios onde se brinque em segurança - com transportes escolares que minimizem o drama do encerramento, algumas vezes indescriminado, de escolas - com materiais didáticos e livros suficientes e em condições.
Escolas onde os Professores se sentissem motivados - onde os alunos aprendessem a ler e a escrever correctamente português - onde a matemática não fosse um 'papão' ilógico - onde as notas a português, matemática e física não fossem tão medíocres.
Um ensino onde os manuais, muitas vezes erróneos e pouco rigorosos, não vivessem ao sabor editorial e onde os programas e os métodos de ensino fossem ajustadamente revistos e rigorosamente planeados.
Desta forma sim... o Ensino seria uma grande banda larga de desenvolvimento.
Num País que vive amargamente a incapacidade financeira de investimento racional, também a "Ota" chegou ao ensino via banda larga.
Que raro conceito de prioridade e desenvolvimento integrado.
Até lá, resta-nos fazer Ctrl-Alt-Delete ou Restart.
Excelente Dr. António Barreto.