19 novembro 2011
Hoje é dia...
26 julho 2011
Critérios esquisitos e difíceis de compreender.
17 julho 2011
Crise?! Onde?!
13 abril 2009
Um país diferente
23 março 2009
Santa Trapalhada
Santa Trapalhada.
Esta não pretende ser uma crónica a favor ou contra o aborto.
Este é apenas um artigo que reflecte, na qualidade de católico, a preocupação pelo distanciamento da Igreja às coisas dos homens, da vida e da sociedade.
No fundo, o afastamento da Igreja do Mundo de hoje.
Durante a semana passada, a temática centrou-se nas declarações (extemporâneas) do Arcebispo de Olinda e Recife (Brasil) que, numa primeira reacção excomungou a mãe e toda a equipa médica (mais tarde, ninguém seria alvo de qualquer pena canónica) que optaram pela interrupção de uma gravidez de 15 semanas numa criança de nove anos de idade.
Primeiros os factos…
Uma criança de nove anos de idade, era, por diversas vezes, violada pelo padrasto desde há três anos até à semana passada, quando a menina deu entrada num hospital queixando-se de dores de barriga. Diagnóstico: gravidez de 15 semanas, gémeos. A mãe nada sabia.
Segundo a equipa médica, a criança, com apenas 33 quilos de peso e 1,36 m de altura, de constituição física muito frágil, resultado de um ambiente de clara pobreza e condições degradantes de vida, corria sérios e declarados perigos de vida com o avançar da gravidez, bem como a probabilidade da gravidez ter um "final feliz".A lei brasileira contempla a interrupção da gravidez, em dois casos concretos: violação e risco de vida. A menina incluía-se nas duas vertentes.
Ao ter conhecimento da interrupção da gravidez (autorizada pela mãe, depois da orientação médica), o Arcebispo brasileiro "decretou" (superando as competências do Conselho Brasileiro da Igreja Católica) que "todas as pessoas que aprovaram, autorizaram ou participaram no acto, com excepção da criança, estavam excomungados da Igreja". Mesmo que tão grave pena seja, ainda hoje, algo que a maioria dos católicos não percebe e não consegue entender as suas consequências.
Depois a análise…
É de exaltar a defesa do princípio da Vida, por parte da Igreja. Revela preocupação pelo ser humano, pela sua dignidade e pelo seu valor. Assim deveria ser para todos nós.
Mas qual das vidas?! E a dignidade e qualidade do futuro de uma criança de nove anos que sofreu todas estas fatalidades?!
O que será mais grave?! A possibilidade de interromper o futuro de uma menina de nove anos (o perigo de vida iminente no prolongar da gravidez) ou a interrupção de uma gestação que o mais provável seria a sua não concretização ou uma complexidade imprevisível no seu fim?! De que vida, falamos nós?!
Porque não se "apressou" o Bispo a condenar o padrasto, por tão macabro e abominável acto?!
É que é nestas incoerências e inconsistências que a Igreja se afasta, cada vez mais, dos homens. Porque se afasta das suas vidas, das suas emoções, das suas necessidades.
Como disse o Arcebispo, D. José Cardos Sobrinho, numa das entrevistas à Comunicação Social, "a lei dos Homens não pode estar acima da Lei de Deus". Acho que nem os Homens isso pretendem. O problema é quando a "lei de Deus" se afasta de tal maneira dos Homens e das suas vidas, que deixa de fazer qualquer sentido e deixa de ter razão existencial. Porque a Igreja sem os Homens e sem servir os Homens, esvazia o sentido da sua missão.
Daqueles Homens que Cristo sempre acolheu: os doentes, os moribundos, os mais desprotegidos, os ladrões, as prostitutas, … Ah! e as CRIANÇAS.
E em relação às crianças, a Igreja tem muitos telhados de vidro.
19 março 2009
Dor que dói e se sente
Publicado na edição de hoje do Diário de Aveiro
Sais Minerais
Dor que dói e se sente...
Aveiro não passou indiferente à tragédia da semana passada: a morte de um bebé de poucos meses.
Mesmo, como é o meu caso, sem se conhecer pessoalmente a família e o bebé. Algo que, neste casos, se torna, inclusive, irrelevante.
Aliás, não seria de esperar outra reacção, dada a natureza humana favorável a contextos trágicos que agitem os sentimentos e as emoções dos indivíduos.
Mas se é inquestionável alguma ansiedade humana pela tragédia ou pela dor alheia, não é menos verdade que, na maioria dos casos, as reacções nem sempre são serenas, homogéneas ou desprovidas de um "dedo acusador".
É comum e típico da nossa sociedade as vozes "justiceiras", os julgamentos em "praça pública", a reprodução de conceitos morais e éticos.
Então o que aconteceu, em Aveiro, em relação á tragédia que envolveu o pequeno João Pedro, de 9 meses.
Tão simples quanto isto: a antítese do paradigma.
Por outras palavras, o reconhecimento público de uma tragédia sem explicação racional, a solidariedade colectiva com a dor de uma família que perde, impensadamente, a "razão" da sua vida, o sofrimento de um pai que vê o mundo desmoronar sobre si mesmo.
Aveiro sentiu um gélido sentimento de incredibilidade e de solidariedade (mais compaixão do que pena), sem se preocupar com acusações, culpabilidades ou racionalidades.
A tragédia aconteceu… ponto final.
Muitos sentiram um acrescido sentimento de preocupação redobrada para com os seus (amigos, filhos, família).
Muitos demonstraram um exemplar respeito no silêncio, no cuidado com as palavras, na solidariedade.
Basta avaliar a cautela com que a imprensa (nomeadamente a local) noticiou e exerceu a sua função informativa, os comentários de pesar na blogoesfera local ou nas conversas informais e de circunstância.
Tudo podia ser diferente, se seguida a norma e o padrão dos comportamentos.
Mas, acima de tudo, Aveiro demonstrou um enorme respeito pela dor de quem, independentemente da razão subjacente, perdeu tragicamente um filho.
Os aveirenses souberam mostrar dignidade, que é algo que a sociedade actual, há muito, perdeu.
E quem é Mãe ou Pai sabe e sente o que tudo isto significa.
Ao sabor da pena…
01 dezembro 2008
Um olhar...
Um olhar...
(...)
Normalmente, vem-nos à imaginação a monstruosidade dos factos e a tentativa de percepção dos nossos actos na eventualidade dos crimes ocorrerem com aqueles que nos são próximos. E o nosso consciente não consegue encontrar raciocínios lógicos que nos devolvam respostas para justificar os actos, principalmente pela fragilidade e realidade indefesa das vítimas.
As Crianças (e os idosos) merecem, por parte da sociedade e nas mais diversas áreas, um olhar diferente…
Daí que este processo tenha uma revolta acrescida.
Excluindo o envolvimento mediático dos “arguidos” (não cabe aqui qualquer julgamento público, pelo que eventuais condenações apenas pertencem à responsabilidade da decisão judicial), o que parecia ser a aplicação exemplar dos princípios fundamentais da justiça, face à dimensão social e política dos factos, transformou-se num descrédito, na indiferença e na decepção (para muitos acumulada com um sentimento de revolta). Demasiado tempo, demasiados factos paralelos, a hábil capacidade dos advogados para o contorno da lei e o atraso sucessivo do processo (recusas, recursos, excesso de testemunhos, incompatibilidades com os magistrados, etc).
Além disso, se nalguns casos o mediatismo da informação pode parecer incoerente e abusivo, convém não esquecer que fora os media, através do papel do jornalismo de investigação, que despoletaram toda a situação.
Durante décadas os gritos de angústia e revolta de muitas crianças foram sucessivamente silenciados, à custa de uma imagem irreal e incongruente da Instituição (ou de partes e de algumas realidades da mesma), do tráfico de influências e do peso das redes criminosas (ao caso, da pedofilia).
Às crianças e às vítimas “olhou-se” pouco (excepto o período de provedoria de Catalina Pestana, após 2002 e o trabalho da equipa de psicólogos de Pedro Strech). Onde estão? Como estão?
E as perguntas sucedem-se.
Se não fosse o papel do jornalista, que através de um exemplar jornalismo de investigação, trouxe para a esfera pública o que a esfera privada e secreta escondeu ao longo de muitos e muitos anos, qual seria a realidade de hoje na Casa Pia? Uma realidade das nove hora às dezoito horas e outra, bem distinta, à noite?! Alguma vez o pesadelo de muitas crianças e jovens terminaria?
Apesar de todo o mediatismo envolto no processo, há, segundo notícias e entrevistas recentes, alguma continuidade nos casos de abusos sexuais e pedofilia. Não há forma de pôr fim a este “inferno”?
Será que as crianças (ou algumas) da Casa Pia nasceram para sofrer assim tanto?!
E onde está a responsabilidade moral, social e política de quem, ao longo de muitos anos, “encobriu” tão sórdida realidade?
A justiça até pode colocar um fim a um processo arrastado ao longo de seis anos. O que muitos colocam em dúvida, é se a justiça estará preparada e capacitada para fazer justiça. Pelas crianças da Casa Pia.
Ao sabor da pena…
23 novembro 2008
Processo Casa Pia

Links para o histórico no Portugal Diário:
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10 outubro 2007
Pela justiça e pelas crianças II - "Remake"
No seguimento do post anterior, é, independentemente de polémico e incoerente, um acto de coragem o que a ex-provedora da Casa Pia vem revelar, ou pelo meno já revelou nesta primeira parte da entrevista ao "Sol".07 outubro 2007
Pela justiça e pelas crianças
Como poderemos tratar com justiça, eficácia e consistência os assuntos dos outros (estrangeiros - caso Madie), se não sabemos, não queremos ou temos medo e vergonha de tratar dos nossos (Rui Pedro - Rui Pereira - Sofia Oliveira - etc).E após tanta polémica, tanto sururu político e social, tenta vergonha nacional, tanta perseguição à blogoesfera, há quem tenha a coragem de não deixar morrer o que a justiça tem o dever de cuidar e tratar.
Para ler este fim-de-semana e no próximo, no semanário "Sol", a entrevista à ex-provedora da Casa Pia: Dra. Catalina Pestana.
Poderá trazer ou não questões novas ao processo e ao tema, mas pelo menos revela a coragem de não deixar "morrer" mais 20 ou 30 anos uma realidade degradante num estado de direito, democrático e livre e que se diz (ou alguns dizem) moderno, europeu e avançado.
Mesmo correndo o risco de violar o segredo de justiça. Ou não...
Pela justiça!
01 outubro 2007
RTP Serviço Público
Só é pena não haver outra moderadora. Mas vale a pena o esforço...

A razão da lei vs a emoção do coração.
28 setembro 2007
Volte face
E no meio de tanto “ruído”, o essencial do caso continua a parecer querer ser escondido ou “adormecido”.
O centro do processo deveria ser ainda a pequenina Madie da qual pouco ou nada se sabe; a irresponsabilidade dos pais no abandono, mesmo que temporário, de uma criança de pouco mais de 3 anos continua irrelevante; as constantes tentativas de desacreditação do trabalho de uma das melhores polícias de investigação, como é a PJ portuguesa, não são inocentes; a subserviência dos meios de comunicação portugueses face aos britânicos, quer ao nível da isenção jornalística, quer em defesa do nosso país e da própria PJ é gritante; são, no mínimo, estranhos a posição e o comportamento dos pais de Madie na qualidade de arguidos, comparativamente com a sua condição de testemunhas, nomeadamente na sua relação com a justiça portuguesa… Já não é importante, independentemente das circunstâncias, o apuramento da verdade e a descoberta do que aconteceu à criança?
Pelo menos, o caso serviu para motivar e redobrar os esforços dos familiares das crianças portuguesas desaparecidas (como referi aqui em 31 de Maio - “E os outros…”) que, por serem portugueses, não viverem no AllGarve, terem menos posição social, menos capacidade financeira e logística, não tiveram o apoio, empenho público e mediatismo necessário para encontrarem as suas crianças e adolescentes.
Mas nem por isso deixaram de lutar… e agora de forma conjunta uniram esforços na constituição da Associação Portuguesa de Crianças Desaparecidas (www.ap-cd.pt) com o objectivo de manter viva a esperança, apesar do tempo, do reencontro dos seus filhos.
31 maio 2007
Então e os outros...
Post-its e Retratos
E os outros...
Amanhã celebra-se mais um dia Internacional da Criança.
Nestas coisas das celebrações pontuais e efémeras fica sempre a sensação do vazio estrutural e estratégico que questões importantes e essenciais deveriam merecer outra atenção e envolvimento.
Por outro lado, é relevante referir que falha igualmente, nesta alturas, um mediatismo necessário à projecção da temática, a que não pode ser alheia a responsabilidade do papel da comunicação social.
Há 28 dias desapareceu, numa pacata localidade algarvia, uma criança inglesa (Madeleine McCann) de apenas 4 anos de idade, sem que até hoje se tivessem encontrado responsáveis ou devolvido a criança ao seio familiar.
Independentemente de podermos questionar a negligência dos seus pais, pelo facto de a terem deixado sozinha enquanto foram jantar, o que não podemos deixar de referir é o triste “circo” montado em volta do caso.
É inquestionável que qualquer vida humana que se encontre em perigo ou que desapareça, principalmente a mais indefesa (como uma criança de 4 anos), merece todo o nosso respeito, bem como todo o esforço possível para a resolução da sua situação.
Mas então o que poderá ser colocado em causa neste caso, que, infelizmente, começa a ser banal nos dias de hoje?
Primeiro, o facilitismo dos seus pais e a inconsciência de se deixar uma criança de 4 anos abandonada em casa.
Segundo, a mediatização do caso pela comunicação social que não soube ter, em nenhum momento, uma racionalidade que se exigia, nem um respeito por um número de crianças portuguesas que há mais de 16 anos continuam desaparecidas, para desespero das suas famílias.
No caso concreto da comunicação social portuguesa é lamentável que a paixão e o sentimentalismo tenha ultrapassado o rigor jornalístico lógico, numa tentativa de gerar audiência e da concorrência com a imprensa estrangeira. Lamentavelmente, a imprensa lusa nem sequer se preocupou em defender uma honra nacional ou, eticamente, a verdade dos factos quando foi, estupidamente, colocado em causa, pela imprensa britânica, o trabalho da Polícia Judiciária. Como se o reino de Sua Majestade fosse exemplo em situações idênticas.
Se o caso se passasse num outro local qualquer de Portugal que não o Algarve, se a criança fosse de outra nacionalidade (portuguesa, africana, de um país do leste) ou se os seus pais fossem de condição simples, humilde e sem recursos, qual seria o mediatismo e a cobertura jornalística? Já para não referir os recursos que seriam colocados para a resolução da situação.
Se o Algarve não fosse turisticamente dependente da comunidade britânica residente e visitante, a pequena Madeleine teria a mesma projecção? Se o desaparecimento da criança tivesse ocorrido em território inglês, a comunicação social britânica (e a portuguesa) teria tido o mesmo espírito sensacionalista?
Que o digam as famílias e a memória dos casos do Jorge Sepúlveda (1991) - Cláudia Sousa - José Teles (1998) - Rui Pedro (1998) - Rui Pereira (1999) - Sofia Oliveira (2004) - Ana Santos.
Onde esteve a comunicação social, o empenho das entidades públicas, o apoio da comunidade local, regional ou nacional? Restam às famílias destas crianças a esperança e a memória, frias e cruas.
Depois, é racional e óbvio que qualquer pai e mãe encontrem todas as formas e recursos que possuam e tenham disponíveis para reaver os seus filhos. É também compreensível que a comunidade se envolva emotivamente em casos desta natureza, principalmente com crianças tão pequenas. É pois, natural, todas as movimentações e manifestações que se desenvolveram.
Mas já não me parece tão racional e lógico que a atitude não seja idêntica (pelo menos) para com todas as outras crianças e os outros casos portugueses. Quantas reacções opostas foram demonstradas em outros casos que ocorreram em Portugal, ao ponto de os primeiros juízos a serem formulados serem no sentido de se criticarem os pais, de os julgarem na praça pública, de se afirmar que “o mais certo era terem vendido a criança” ou expressões semelhantes, como muitas que foram ouvidas, por exemplo, aquando do desaparecimento do bebé do Hospital de Penafiel. Ah pois! Os pais em causa não eram médicos, eram portugueses e muito pobres, claro…
Por outro lado, como católico, apraz-me verificar a preocupação que a comunidade cristã (local e nacional) colocou no caso da Madeleine.
Irrita-me profundamente, como crente, que, em relação às crianças portuguesas que mencionei e que, ao fim de 16 anos, continuam desaparecidas, não se tenham acendido as mesmas velas e efectuado as mesmas vigílias ou orações. É que como católico ainda acredito que também delas é o “Reino dos Céus”.
E já agora, como português, devolvam o Algarve a Portugal.
01 março 2007
Incredibilidades.
25 janeiro 2007
Um País de Emoções
Post-its e Retratos
Emoções nacionais…
Os portugueses são um povo feito de emoções.
Faz parte de uma identidade nacional muito característica.
Podemos parecer egoístas, fechados, individualistas, mas quando “toca a rebate”, na hora de demonstrar solidariedade ou de defender causas carregadas de enormes cargas emocionais, esquecemos o mundo e “vamos à luta”.
De tal forma que, nestes últimos dias, esquecemos o país em que vivemos: já não nos lembramos dos aumentos dos preços, das taxas de juro, da contestação social, da OPA ou da eucaristia da direcção de finanças... Até conseguimos relegar para segundo plano a campanha do próximo referendo, o apito dourado e já nem há memória para recordar o processo Casa Pia. E quantos se aperceberam que o Presidente da Nação foi a Goa?
De tal forma que, nestes últimos dias, as conversas nos cafés, nos locais de trabalho, em família, já não se centram no orçamento camarário e nas respectivas tricas partidárias, na lei das finanças locais, no Beira Mar luso-espanhol, nas árvores do Parque ou no Hospital D. Pedro.
Não…
Hoje o país tem um nome: a pequenina Esmeralda.
A comunicação social tem actualmente uma posição socializadora privilegiada, uma capacidade de provocar efeitos no receptor, em função de uma determinada realidade que é entendida como “apetecível” à sociedade.
Daí que não se estranhe que o país pare. Se emocione. Crie convicções e posicionamentos mais ou menos estruturados e colectivos.
A capacidade socializadora dos media para moldar comportamentos, surtiu os seus efeitos.
Neste caso particular, pelos seus meios e pelo seu mediatismo, a televisão assume um papel predominante.
Todos somos juízes, advogados, psicólogos, pedopsiquiatras e, inclusive, jornalistas através da capacidade nata de transmitir mensagens e notícias.
Todos assumimos os nossos papéis de pais, mães, filhos, educadores.
Colocamo-nos, muitas vezes irracionalmente, de um dos lados da “barricada”. Por uma consciência de maioria, por um posicionamento do lado minoritário, por convicção forte ou… porque sim, simplesmente.
Assumimos a força das leis. Assumimos a contestação às leis, por distantes dos nossos sentimentos.
Curiosamente somos tudo.
Infelizmente não assumimos o papel de criança. Ou melhor da criança. Mais concretamente, desta criança - a Esmeralda.
Desde os pais biológicos, aos de afecto, passando pela justiça, pelos media, por todos nós.
Há neste processo, uma falta de dignidade gritante para com uma criança de apenas 5 anos de idade.
Sem capacidade e maturidade de assimilar toda esta carga emotiva, mas que ao mesmo tempo se vê envolta num turbilhão de sensações que não compreende mas que, obrigatoriamente, vive. Ao mesmo tempo que se vê privada das suas rotinas, da sua estabilidade emocional e afectiva.
Seja qual for o desfecho final deste processo, que futuro é reservado para a Esmeralda?
Há nesta nossa desmedida ânsia pelo sensacionalismo, uma preocupante irracionalidade e renúncia da realidade.
Esquecemo-nos dos milhares de casos de processos de adopção e das suas dificuldades (essencialmente burocráticas), felizmente longe dos “holofotes” do mediatismo.
Por outro lado, um mediatismo que deixa para segundo plano e com uma projecção minimalista, realidades como a pedofilia, os maus-tratos infantis, a violência psicológica ou as crianças mortas por familiares ou pelos próprios progenitores.
É este um país que se emociona e se move em torno de uma causa. Mas que, simultaneamente, adormece e fica anestesiado, em tantas outras situações semelhantes e reais, por força da ausência ou diminuição da carga emotiva e da mediatização.
Para a Esmeralda e milhares de outras crianças, pede-se e espera-se que possam ser felizes. Por elas, para a sociedade e para o futuro do País.
Para este, espera-se que “acorde” rapidamente.
11 dezembro 2006
Serviço Público Gratuíto
Departamento de Psicologia e Educação
A 14 de Dezembro 2006 (quarta-feira) o Doutor Mário Cordeiro virá a Aveiro, integrado na 5ª edição da Pós-Graduação da Psicologia da Infância e da Adolescência do ISCIA, de que será também docente, para apresentar o seu último livro e realizar uma conferência intitulada NASCER – o antes e o depois.
O lançamento do livro "O Grande Livro do Bebé" será feito a partir das 20:30Hm, no Hall do Anfiteatro do Parque de Feiras e Exposições de Aveiro. A conferência terá início pelas 21:00Hm, havendo, no seu final, nova sessão de autógrafos.
Esta Conferência destina-se a todas as mães e pais, em especial aos casais à espera de primeiro filho e às mães grávidas, assim como a todos quantos trabalham profissionalmente com grávidas, nascituros e recém-nascidos. A entrada é livre.
O Dr. Mário Cordeiro e o ISCIA de Aveiro terão muito prazer com a vossa presença no próximo dia 14, quinta-feira!

01 junho 2006
1 de Junho da Pequenada.
14 abril 2006
Paroquianismo Justiceiro
No entanto, a minha condição de Pai e de educador/formador de jovens, dá-me responsabilidade para não deixar passar em claro o provincianismo e o paroquianismo do acordão judicial produzido sobre o caso de Setúbal e da legitimidade no uso de "violência" na educação infantil.
Parece-me óbvio que, salvo algumas excepções que confirmam a regra e que não têm que ser tomadas como exemplo, não existe Pai, Mãe, Avô ou Avó que neste rectangulo luso já não tenha dado um "palmadita", repito "palmadita", no rabiosque do(a) filho(a) ou tenha usado alguma forma de castigo (não ver tv, ir para a cama mais cedo) como correcção para alguma regra educacional que tenha sido quebrada.
Querer negar este facto é utópico e "tapar o sol com a peneira".
Quere fazer disto um acto licito (legislativo e jurídico) não faz qualquer sentido.
Querer igualar ou substituir a acção familiar e paternal, pela acção educativa institucional é no mínimo irracional.
Fazer crer que a educação de uma criança que infelizmente a vida transporta-a para além dos conceitos tidos como normais, de uma criança que exige cuidados especiais e atenção especializada é igual à educação das crianças que, felizmente, são rotuladas de normais é duma insensibilidade atroz e desmedida.
Que se ilibe judicialmente a funcionária pela pressão que as suas tarefas exigem (embora deva ser retirada do exercício daquela actividade), pela carga horária a que estava sujeita, pela falta de acompanhamento e, provavelmente, de formação adequada, ainda consigo perceber.
Que se justifique os actos como legítimos e lícitos, tranformando a violência física e psicológica com um instrumento educacional de uma criança... só em Portugal.
É o mesmo que afirmar que a rigidez educacional dos meus bisavós era exemplar. Que a violência a que muitos alunos estavam sujeitos, no processo de aprendizagem no ensino primário antigo, fez deles verdadeiros estudantes e intelectuais é irreal.
Educar tema uma vertente correccional, não tem que ter uma vertente violenta.
É a justiça que merecemos.
26 fevereiro 2006
E SE
Será que sim ou que não?! Poderá ou não?! Verdadeiro ou falso?! Real ou imaginário?!
As questões relacionadas com a infelicidade humana, provocaram, desde sempre, um certo irracionalismo colectivo mas simultaneamente uma união comunitária quando solicitada.
Expressão prática do que afirmei é a "facilidade" (às vezes não inocente) com que brotam campanhas de solidariedade (nacionais ou internacionais) e a forma rápida com que os portugueses a elas aderem.
No que respeita às crianças e jovens, tal sentimentalismo solidário ganha, claramente, outra dimensão. Ficamos mais sensíveis, muito dificilmente indiferentes, mesmo que não participativos.
É o caso das situações de mal-tratos, da pedofilia e do homícidio ou mesmo da morte involuntária.
É a apreensão e a inquietação que nos provocam todas as notícias relacionadas com esses factos.
Recebemos inúmeros e-mail's, em casa, no trabalho, de desconhecidos, amigos e colegas com solicitações de apoios no âmbito da saúde e de informações sobre paradeiros desconhecidos.
Confesso que até à bem pouco tempo (cerca de 5 anos), a sensibilização que tais solicitações me provocavam eram diminutas, situando-se no âmbito do comentário restrito ou da simples "pena".
Mas há algo que nos faz mudar.
Dois importantes pormenores:
1. E se isso não acontece só aos outros?!
2. Passamos a ser Pai. E aqui a inquietação é muito, mas mesmo muito, maior. Ficamos mais sensíveis, às vezes menos racionais, muito mais emotivos e protectores.
Só tenho (!) 40 anos... por isso não me assombra a "máxima" - no meu tempo...
Mas, lembro-me, com clara nitidez, das minhas brincadeiras de rua com 5-6-...-10 anos. Jogávamos futebol na estrada, andávamos de bicicleta (mesmo antes das bugas) pelo meio da rua, saltávamos muros, jogávamos a tudo e mais alguma coisa.
Lembro-me de, ainda na pré-primária, me deslocar sózinho de casa (junto ao antigo quartel) até ao conservatório. Hoje vejo inúmeros colegas e amigos meus, também eles com filhos, a fazerem 50/100 metros a pé (e pasme-se... de carro) a acompanharem as crianças à escola primária e a irem buscá-las no final das aulas.
Hoje paira um medo e uma intranquilidade, que há pouco mais de 25 anos não se imaginaria.
Hoje as nossas crianças (a minha tem quase 6 anos) não andam na rua sem a nossa sombra.
E mesmo assim... ouvimos notícias que nos chocam quase diariamente.
Por isso, e porque me tornei Pai "choramingas" e "galinha", faço referência ao site - Porto XXI, que lançou na 'net' (Link) um espaço - Projecto Esperança, ainda em fase experimental, de ajuda na procura de crianças desaparecidas. Só em 2 dias já recebeu cerca de 4 mil visitantes (segundo informação do Público - edição de hoje).
É que há sempre um - E se a seguir me toca a mim - que nos inquieta e que nos deve tornar solidários.


