A Verdade da Mentira
Ansiava pelo livro.
Comprei-o às 14.30 Hm e já está todo lido.
Só me resta afirmar convictamente:
1. Muito bem escrito.
2. Leitura fluída, intercalando, curiosa e interessantemente, retratos sociais e culturais do contexto.
3. CORAGEM. VERDADE. FACTOS. VALORIZAÇÃO DAS INSTITUIÇÕES (leia-se PJ) E DE PORTUGAL. O que muitos denegriram e cobardemente" venderam aos Ingleses.
Comprei, por curiosidade e por deformação da licenciatura (concretamente o mediatismo em redor do caso), todos os livros sobre o caso. Destaco o livro de Luís Castro - "Por que adoptámos Maddie" uma vertente de análise da Comunicação Social e o livro do Jornalista Hernâni Carvalho
"Madie 129" do ponto de vista do Jornalismo de Investigação. Gostei dos dois. Mas não posso deixar de referir, por todas as razões (e sustentando o que aqui e no Diário de Aveiro fui afirmando) e mais algumas: este livro é, em relação à temática, SOBERBO.
Comprem, peçam emprestado... MAS LEIAM. Nem que seja só por ler. Vale a Pena.
Etiquetas: Madie

LIBERDADES...
Publicado na edição de hoje (24.07.2008) do Diário de Aveiro.
Crónicas dos Arcos
As “Cem…surras” da censura.
Este foi o lema de uma exposição promovida pela Associação de Estudantes do ISCIA, que decorreu entre Maio e Junho, subordinada à temática da censura na imprensa no antigo regime (com documentos datados da década de 60 e até 74). A exposição terminou com mais uma tertúlia académica, que contou com a presença do Dr. Costa Carvalho (docente do ISCIA) e do Dr. Carlos Candal, reflectindo sobre a censura na imprensa, na cultura e na política no regime de Salazar e debatendo, igualmente, a realidade da liberdade de expressão nos dias de hoje.
E esta questão das liberdades, actualmente, toma, cada vez mais, dimensões preocupantes. Quer pela sua ausência, quer pelo seu uso desproporcionado. Ou seja, pelos obstáculos colocados ou pelos seus atropelos.
No caso Madie, de novo renascido, é incontestável que o mesmo extravasou o seu principal objectivo: a pequena de 4 anos de idade desaparecida. Mais do que qualquer teorização do caso, é de lamentar o desaparecimento de um ser humano, agravado pelo facto de se tratar de uma criança (como não podemos deixar de recordar os vários “Rui Pedro” que constam dos ficheiros dos desaparecidos da polícia portuguesa).
Mas por outro lado, não podemos deixar de lamentar, igualmente, a forma como o caso se desenrolou, nomeadamente no que diz respeito às pressões que a Polícia Judiciária sofreu no decurso da investigação, condicionando, influenciando, obstruindo o trabalho realizado. Independentemente do que se possa imaginar quer quanto ao desfecho do caso, quer quanto aos responsáveis pelo que terá acontecido à pequena criança inglesa, é certo que o poder judicial (substituições e demissões, com as consequentes nomeações de titulares da PJ e de responsáveis pelo processo de investigação) e o próprio governo “ofenderam” uma instituição credível, cedendo, directa ou indirectamente, às pressões do reino de sua majestade e ao “peso mediático” do casal inglês. Para estes (ingleses), que tudo fizeram para controlar e manipular o processo (quer em Portugal, quer em Inglaterra), a PJ e as suas estruturas são perfeitamente comparáveis às de um país do terceiro mundo, nos quais a justiça não passa de uma questão surrealista na qual não podemos confiar.
Com o arquivamento do processo, desacreditou-se um país, as suas estruturas judiciais, a sua Polícia Judiciária, o esforço de muitos profissionais para quem, independentemente das consequências, apenas interessava o apuramento da verdade e a justiça (a verdadeira, não a de conveniência).
É a imagem de um país sem personalidade, sem peso, nem capacidade de afirmação.
Um país que vive de propagandas, de ilusões… na lua. Ao sabor do vento.
Um país onde o seu Ministro da Economia se insurge (mesmo que inconsequentemente) contra um provável “cartel” no negócio dos combustíveis, onde o seu Primeiro-Ministro cria taxas à “Robin dos Bosques” (mesmo que apenas sirvam para “engordar” os cofres do estado e não aliviar o “sofrimento” financeira da maioria das famílias portuguesas), mas nenhum deles vem a “terreiro” insurgir-se contra o facto das gasolineiras apenas estarem atentas às subidas do preço do barril de petróleo e perfeitamente desatentas ao facto de o mesmo já ter descido cerca de 18%, sem que tenham existido alterações aos preços finais.
Um país onde uma entidade (a ERCS - Entidade Reguladora da Comunicação Social) que deveria regular, gerir e fiscalizar eficazmente o sector informativo (comunicação social) em Portugal, vem, de forma totalmente parcial e eticamente, no mínimo, questionável, alterar os procedimentos e a “regras do jogo” por forma a não evidenciar o óbvio: a manipulação governativa (política) da RTP.
Em vez de penalizar a estação pública, após a contabilização dos tempos de emissão que demonstraram um excessivo e tendencial “tempo de antena do governo” em relação à oposição (contrariando a isenção e imparcialidade devidas), alterou a regulamentação no sentido de passarem a ser considerados tempos de emissão de oposição ao governo, quer as intervenções dos partidos da oposição parlamentar, quer as posições sindicais ou as de um qualquer comum cidadão, desde que digam mal da gestão do Senhor Engenheiro Sócrates. A bem do pluralismo, da liberdade e da democracia, claro.
Enquanto isto, o Sol deste Verão vai e vem, conforme sopra o vento…
Assim progride a nação. Assim cresce uma sociedade preocupada.
Etiquetas: Crónicas, Pessoal

Parabéns
Happy Birthday Mr. Nelson Mandela.
Por tudo... simplesmente! Por tudo!
Etiquetas: Liberdade, Nelson Mandela, Personalidades

Inclusões!!!!
Publicado na edição de hoje (17.07.2008) do Diário de Aveiro.
Crónicas dos Arcos
Inclusões.
A história social portuguesa demonstra um povo habituado ao fluxo da emigração, desde há muitos anos e até aos nossos dias.
Mesmo considerando a dureza do êxodo e o sacrifício da aceitação de qualquer tipo de trabalho (nomeadamente os que exigem maior esforço e sazonais), os portugueses, salvaguardando casos pontuais de degradação humana em Espanha, Holanda, Alemanha e Finlândia, souberam criar raízes, souberam aproveitar bem as oportunidades que se lhes depararam, ultrapassar dignamente as dificuldades e integrarem-se com êxito nas sociedades para onde partiram. Na maioria dos casos (salvo as excepções) os portugueses, espalhados pelos quatro cantos do mundo, são um exemplo claro de uma inclusão social mais ou menos positiva.
Daí que, juntando os nossos feitos gravados na história de muitos séculos, Portugal seja, por natura, uma nação de “portas e braços abertos”, mesmo que se reconheça um certo “racismo e xenofobismo” não declarado.
Por isso, falar de questões relacionadas com a inclusão social de etnias distintas da nossa, comporta sempre o risco de um certo sabor a exclusão, diferenciação ou, pelo extremo, anarquia.
As recentes situações descritas nos meios de comunicação social, reflectindo os acontecimentos no Bairro da Quinta da Fonte, em Loures, transportam-nos, para além da recordação dos acontecimentos em França e da questão da segurança pública, para a reflexão sobre a igualdade, os direitos humanos, os deveres sociais, a inclusão social.
Se por um lado, não é pacífico, confrontando com a nossa história, limitar as fronteiras, numa sociedade cada vez mais global e abrangente, não deixa de ser preocupante que o país não crie condições estruturais para a interculturalidade, a inclusão social igualitária de outros povos, proporcionando a sua integração plena a nossa sociedade.
A par disso, a sociedade e as suas estruturas governativas (seja a nível nacional, regional ou local) têm o condão de esquecer estudos e trabalhos específicos realizados na área (como o recente estudo social realizado em Aveiro focado sobre a etnia cigana) e, teimosamente preferem a criação dos bairros sociais (guetos) que mais não são que verdadeiros encaixotamentos dos “indesejados” à nossa porta, sem preocupações de integração, de garantia de direitos, deveres e igualdades, que promovam a inclusão, a segurança e o desenvolvimento social das localidades, regiões e do país.
Não sendo assim, o país corre o risco de se tornar, aos poucos, um verdadeiro barril de pólvora (em relação ao qual os media estarão sempre atentos) e será sempre legítimo questionar a eficácia das actuais políticas de imigração.
Portugal, pelo seu passado e presente histórico-social, não pode esquecer o ideal em que todas as comunidades consigam partilhar conhecimentos e experiências, em prol do seu desenvolvimento sustentável.
Assim progride a nação. Assim cresce uma sociedade preocupada.
Etiquetas: Crónicas, Pessoal, Sociedade

Memória curta
Para além de alguma ineficácia governativa, o Ministro Manuel Pinho tem, igualmente, memória curta.
O Ministro da Economia e Inovação considera que Portugal errou ao não ter apostado tanto quanto deveria nos recursos hídricos. Manuel Pinho pronunciava esta realidade na sessão de encerramento de uma reunião sobre "Energia e Desenvolvimento Sustentável - O Papel da Região Centro".
Segundo Manuel Pinho (fonte: Agência Lusa) "Portugal explora pouco mais de 40 por cento do seu potencial hídrico, quando a média europeia é um pouco acima dos 70 por cento".
Pena que o Ministro não se tenha recordado do governo que impediu o desenvolvimento social e económico da região de Foz Côa, com a promessa de um desenvolvimento turístico completamente fracassado.
Mais uma vez país esqueceu o seu interior e a força da interioridade.
Etiquetas: Desenvolvimento, Economia, Governo

Mais vale prevenir...
Já assim diz o dito popular: "mais vale prevenir que remediar".
E este governo não se preveniu, não se precaveu e nem está a conseguir, minimamente, remediar.
A inflação subiu para os 3,4%, no mês de Junho, enquanto em Maio a taxa de inflação era de 2,8% e a variação média nos últimos doze meses foi de 2,7%.
Muito por culpa o aumento dos preços, nomeadamente dos bens alimentares e dos transportes.
Por outro lado, o Banco de Portugal reviu em baixa o crescimento da economia nacional para este ano, indicando agora apenas uma expansão de 1,2%, face aos 2,0% previstos no arranque deste ano de 2008. Assim como, em relação à previsão do investimento, o Banco de Portugal aponta 1% para este ano, contra os 3,3% anteriormente referenciados.
Face à realidade nua e crua dos números, não há publicdade e propaganda que resista, nem que engane.
Etiquetas: Economia Nacional, Governo, Política

Choque Voltaico
O nosso primeiro-ministro entrou em estado "de choque" no estado da nação.
A ânsia da propaganda governativa é tanta que, no rol das medidas anunciadas (mesmo sem quaisquer efeitos prático na crise financeira das famílias), a alternativa energética na mobilidade dos cidadãos entrou em curto-circuito.
José Sócrates anunciou uma medida (teoricamente benéfica para o cidadão, sociedade e ambiente) pior que a em vigor, no que respeita aos carros eléctricos: não são 30%, são 0%. Portanto, não é medida inovadora. Quanto muito uma greve gafe ou uma contra-medida.
Sua Excelência - o Primeiro - que se decida, mas não nos engane.
Etiquetas: Ambiente, Governo, José Sócrates, Política

Uma questão de coerência...
Ou melhor ainda... (in)coerências.
A triste ideologia, a quanto obrigas.
O PCP defendeu hoje a interdição do espaço aéreo português à passagem de tráfego aéreo proveniente de Guantamano. Por uma questão de principio, em defesa dos direitos humanos e do direito que cada cidadão deveria ter a um julgamento justo e imparcial.Só que não tem como convicção de base os princípios humanistas poderia estar em desacordo.
Mas, onde fica a coerência?!
Ataca-se Guantamano por uma razão ideológica (o ódio americano) e defende-se, estupidamente, a actividade das FARC?!
Haja coerência... mesmo contra a ideologia! Por uma questão de valores.
Etiquetas: Direitos Humanos, FARC, ideologia, PCP

Notas debaixo do Sol.
Publicado na edição de hoje (10.07.2008)
Crónicas dos Arcos
Notas debaixo do Sol.
Em plenas férias…
Enquanto este Verão vai, teimosamente, “aldrabando” o tempo (e os tempos), restam algumas reflexões da semana que passou.
Desenvolvimento de Betão.
O novo “non sense” político situa-se no universo das obras públicas e da massificação do “betão”.
Para a oposição ao governo socialista, mais propriamente nas inquietudes manifestadas pela nova líder social-democrata, a preocupação política prende-se com a não existência de capacidade financeira para a realização das várias obras agendadas por José Sócrates.
Sendo certo que o financiamento das obras públicas é uma questão pertinente e sem o qual se pode colocar a viabilidade das mesmas, não deixa de ser mais relevante (existindo ou não os fundo necessários) a prioridade, objectividade e oportunidade da realização de tais infra-estruturas.
O país precisa de um investimento acentuado ao nível do tecido empresarial, um apoio eficaz à agricultura e pescas, um apoio urgente às famílias e ao combate à pobreza e à extinção da classe média, um investimento forte no combate a desemprego e à qualificação dos recursos humanos.
O país necessita de um combate enérgico e de medidas urgentes e válidas contra a assimetria territorial e contra a desertificação das regiões do interior.
E não me parece ser com TGVs, novo aeroporto (ex-OTA) ou mais quilómetros de asfalto concessionado. Por exemplo, neste último aspecto, não havendo complementaridade na criação de estruturas e desenvolvimento económico que fixe os cidadãos e potencialize as regiões do interior, as auto-estradas apenas servirão para aumentar a assimetria, o empobrecimento e a desertificação do interior. Porque simplesmente tornam o acesso mais fácil e mais próximo o litoral português de Espanha.
(in)Justiça.
A propósito dos vários processos de investigação e, por acréscimo óbvio, os judiciais, que vão desde os casos de corrupção aos de homicídio, passando por inúmeras áreas (como os que envolvem menores), o Procurador-geral da República afirmava que “ninguém está acima da Lei”.
Assim sendo, segundo as eloquentes palavras do Sr. PGR, a justiça, quando nasce, é para todos.
Mas a realidade é bem diferente e demonstra uma verdade bem distinta.
A justiça não é cega. Ou melhor, há, em relação à justiça, quem consiga ver melhor que os outros. Não sendo a equidade, no seu recurso, acesso e execução, uma das virtudes judiciárias.
Quem tem meios financeiros e “poder” (mesmo que apenas social), tem uma “justiça” mais facilitada e facilitadora.
Como diria George Orwell, na sua obra “Animal Farm”, perante a justiça, “todos os animais são iguais, mas há uns mais iguais que os outros”.
A tradição já não é o que era.
Nos dias de hoje, é necessária uma “igreja” católica menos apegada às tradições, mais perto da realidade social actual, mais próxima das vontades dos seus “crentes”. Ou seja, uma “igreja” mais social, mais política, mais perto das exigências do mundo, menos “cinzenta” e menos condenadora, portanto…mais liberta e menos dogmática.
Só desta forma, a “igreja” conseguirá ficar mais perto das necessidades e vontades das pessoas e ser uma referência.
Mas para tal, terá igualmente de “abandonar” alguns estigmas e tornar-se mais coerente e renovada.
Muitos aspectos do Concílio Vaticano II faltam ser colocados em prática (ao fim de 40 anos). Além disso, a Igreja tem que encontrar forma de lidar com um dos seus “traumas”: o papel da mulher. Na estrutura da igreja, na sociedade e na família.
Em vez da conflitualidade com a recente decisão da igreja anglicana (possibilidade das mulheres poderem ser nomeadas bispos), encontrar, nessa nova realidade, formas de rejuvenescimento.
Eleições 2009
Segundo a Distrital do PSD do círculo do Porto (mesmo sem a confirmação da Comissão Política Nacional), serão recandidatados todos os actuais presidentes das câmaras social-democratas do distrito e serão renovadas as coligações eleitorais autárquicas entre o PSD e o CDS.PP.
Está dado o tiro de partida para o próximo ano autárquico final, que se afigura movimentado e agitado.
Face aos recentes “abanões” e tomadas de posição públicas, em Aveiro, aguardam-se agitações locais que se afiguram expectantes. Ou talvez não.
Assim progride a nação. Assim cresce uma sociedade preocupada.
Etiquetas: Crónicas, Pessoal

1x1=1
Quanto mais se ouvem as explicações e fundamentações ministeriais sobre os exames deste ano lectivo, mais expressão toma o velho ditado: "pior a emenda que o soneto". Só se confirmam os factos e a realidade: esta estruturação do actual sistema de ensino é um total falhanço.
A necessidade de salvar uma imagem política falhada e destroçada, leva à necessidade de resultados práticos e concretos: facilitar para não errar (reprovar).
Para o ano já temos uma avaliação PISA positiva.
Sem qualidade, sem rigor, sem exigência, sem qualificação, sem mérito, sem preocupação pelo futuro do país.
Mas estatisticamente positiva, claro.
Etiquetas: Educação, Ensino, Governo, Política

Heróis reais
No meio de um mundo em constantes atribulações, desencantos, angústias e decepções, há sempre alguém que nos faz parar para pensar.
Alguém que faz da vida um exemplo de coerência, virtude, coragem, sacrifício, luta e sobrevivência.
Nomes como Martin Lutherking, Ghandi, Anne Frank, Nelson Mandela, Xanana Gusmão, Ramos Horta, Madre Teresa, João Paulo II, Dalai Lama, e muitos outros.
E à lista acresce mais um: Ingrid Betancourt. Finalmente liberta...
Etiquetas: Liberdade, Personalidades

Em tempos de crise...
Como diz o velho ditado: "em tempos de guerra (crise) não se limpam armas".
Ou seja, conforme os anais ou as normas da economia, nada melhor que enfrentar a crise após prévia tomada de precauções.
Quais precauções?! Por exemplo, ganhar mais uns cobres. Como o senhor presidente do CA da TAP.
Etiquetas: Crise, Economia, os outros que se amanhem, TAP

Aveiroesfera em crescimento.
Bom também não sei, com algumas desistências ou ausências mais que prolongadas, se o crescimento tem sido tão significativo assim.
No entanto, é sempre de louvar a criação de pluralismo e de mais um espaço de intervenção.
Aceitei o convite e há mais um "amigo", na lista do lado direito.
Mais um espaço de e para Aveiro: AQUI: Aveiro ao Centro. Só é pena o anonimato do seu autor.
Etiquetas: Aveiro, blogoesfera, Política

Despropósitos políticos...
A cerca de um ano das eleições, é completamente a despropósito
esta afirmação bombástica (in O Aveiro). Porque são mais as questões a colocar do que as respostas lógicas, sensatas e coerentes: agora? porquê agora? para quê agora? porque razão? que benefícios e dividendos (sejam políticos ou não)? etc...
Ou é um lamentável lapso político conjuntural
ou
é o "atirar a toalha ao chão" antes do final do próximo combate (as eleições do próximo ano).
Etiquetas: Autarquias, Aveiro, CDS.PP, Política

Notas de Regresso.
Publicado na edição de hoje, 3.07.2008, do Diário de Aveiro.
Crónicas dos Arcos
Notas de Regresso.
Após a azáfama (desta vez feroz e severa) de um final de semestre…
As últimas três ou quatro semanas foram produzindo alguns apontamentos e factos relevantes, a par das sebentas de Gramática da Comunicação, Cultura Contemporânea ou Análise Semiótica do Discurso.
Neste regresso, altura para uma reflexão sobre os mesmos.
Glória
Há alguns anos atrás fiz parte da Assembleia da Junta de Freguesia da Glória (Aveiro), durante um mandato autárquico. Sempre tive a noção, comprovada por inúmeros factos decorridos da referida actividade, que a acção de gestão do poder local, nas Juntas de Freguesia das “malhas urbanas”, está substancialmente condicionada às competências próprias das Câmaras Municipais. Resta, portanto, muito pouco campo de acção.
No entanto, deve ser reconhecido o enorme mérito da acção social que a Junta de Freguesia da Glória está a desenvolver, com o apoio às famílias mais carenciadas da freguesia (infelizmente, face à realidade social actual, cada vez em maior número) na ajuda à liquidação dos seus compromissos financeiros mais elementares (saúde, alimentação, luz, água, gás).
É de enaltecer a acção, o esforço financeiro (disponibilizando metade do seu orçamento) e a opção por uma correcta e eficaz medida de aplicação dos dinheiros públicos. O que revela que se pode exercer um verdadeiro poder local próximo das necessidades dos cidadãos, com imaginação, coerência, com verdadeiro serviço público e correcta acção social (sem grandes folclores ou acções demagógicas e populistas), mesmo que com poucos recursos.
Um excelente exemplo para muitas freguesias e, porque não, para muitos organismos públicos e autarquias.
E o futuro dos recursos humanos?!
Para este Ministério da Educação, o ensino é um mero mapa estatístico.
Não há rigor, não há disciplina, não há segurança, não há respeito pelos alunos, falta o reconhecimento do mérito e do esforço, desvalorizou-se o papel do docente, etc.
Para agravar a realidade, a única preocupação da Sra. Ministra da (des)Educação, é que a União Europeia e os respectivos sectores ligados à avaliação dos sistemas e processos de ensino, não definam Portugal como um país onde a taxa de reprovação seja elevada.
Mas o que é preferível?! Premiar os melhores ou facilitar as estatísticas e premiar o facilitismo?!
É assim que queremos um país desenvolvido e com recursos humanos qualificados?!
Porque é que as provas avaliativas têm que ser niveladas por baixo e não premiar os que sabem, os que têm valor, os que estudaram, OS MELHORES?!
É por isso que próprio ensino superior já sente os efeitos deste desastre educacional de um Ministério da Educação a menos (muito menos, mesmo) neste governo.
(des)União Europeia. E agora, pá?!
Na segunda Tertúlia Académica do ISCIA, promovida pela Associação de Estudantes daquele Instituto, debateu-se, dentro da temática do Tratado de Lisboa, a questão da realização ou não do referendo como via de ratificação do Tratado.
Entre as vozes discordantes ou concordantes (por exemplo do Dr. Francisco Assis ou do Dr. Manuel Monteiro), continuo com a noção (aliás já aqui transmitida) de que os cidadãos, qualquer que seja o país europeu ao qual pertençam, estão completamente afastados da realidade e significados europeístas. É óbvio que a responsabilidade de tal situação só pode ser imputada ao poder político que, por razões que só se podem entender enquadradas com alguns interesses menos claros, prefere um cidadão “analfabeto” a um informado e esclarecido. Por isso é fácil perceber o receio da maioria dos governos europeus em “ouvir” e “aceitar” a decisão popular, já que esta, embora legítima (porque democrática), poderia colocar em causa as opções políticas assumidas. E voltou a colocar. O “não” irlandês e a indefinição polaca, voltam a questionar a realidade política, cultural e social europeia, redimensionando-a à sua realidade original: a cooperação (comunitária) económica.
Enquanto a Europa não perceber que a igualdade se constrói com a diversidade e com as diferenças, numa relação justa, democrática e equitativa, o seu processo de crescimento e desenvolvimento não surtirá quaisquer efeitos. Afinal, não foi assim tão “porreiro, pá”.
Nota final
E assim vai o país para banhos. Com o IVA a descer sem consequências reais nas, extremamente degradadas, economias familiares, a aumentarem os transportes e o custo de vida, com a desilusão de um Euro2008 decepcionante, com o esforço da Polícia Judiciária para descobrir a(s) verdade(s) a “ir por água abaixo” no caso Madie, e com a perspectiva de uma rentrée política aguçada por uma hipotética ou virtual capacidade da Sra. Manuela em confrontar ou criar alternativa governativa ao Sr. José.
Assim progride a nação. Assim cresce uma sociedade preocupada.
Etiquetas: Crónicas, Diário Aveiro, Pessoal

Es asi el futbol... El mejor!
Mas porque raio o Afonso Henriques se tinha que armar em "parvo".

Hoje, ganhávamos mais, tínhamos melhor qualidade de vida, tínhamos do melhor no desporto europeu e mundial e até tínhamos um Rei.
E hoje estávamos a comemorar o Europeu, sem precisarmos de nenhum brasileiro a "enterrar" a nossa selecção. A Espanha, sem segredos, sem esconder nada, nem ninguém, sem andar a proteger "meninos" ou senhores que se acham mais importantes do que o são, na realidade. Limitou-se a jogar futebol e a sair do Europeu sem nenhuma derrota.
Enfim...
Viva La España.
Etiquetas: Futebol

Só por estatística...
Para o Ministério da Educação, o ensino é um mero mapa estatístico.
Não há rigor, não há disciplina, não há segurança, não há respeito pelos alunos, falta o reconhecimento do mérito e do esforço, desvalorizou-se o papel do docente, etc.
Para agravar, a única preocupação, da pior ministra da educação que os tempos da democracia já assistiram, é que a União Europeia e os respectivos sectores ligados ao ensino, não definam Portugal como um país onde a taxa de reprovação seja elevada.
Mas qual é o problema dessa realidade?
O que é preferível?! Premiar os melhores ou facilitar a estatísticas e premiar o facilitismo?!
É assim que queremos um país desenvolvido e com recursos humanos qualificados?!
Porque é que as provas avaliativas têm que ser niveladas por baixo e não premiar os que sabem, os que têm valor, os que estudaram, OS MELHORES?!
É por isso que próprio ensino superior já sente os efeitos deste desastre educacional de uma senhora a menos (muito menos) neste governo.
Etiquetas: Educação, Ensino, Política

Mais um "amigo", na lista do lado direito.
Não foi esquecimento.
Foi mesmo falta de tempo.
Mas o convite foi aceite. Mais um espaço de e para Aveiro, de autoria do Bruno Martins.: Caminho Azul (zona lagunar da Ria).
AQUI: http://caminho-azul.blogspot.com/
Etiquetas: Aveiro, Personalidades, Ria de Aveiro

Breves notas de regresso
Em jeito de resumo...
Portugal despede-se, sem glória, do Euro 2008. Frustrante e decepcionante. Voltemos à realidade fria e crua do dia-a-dia: desemprego, economia parada, crise, falta de recursos, ensino decadente, combustíveis, greves, mais greves... Portugal no seu melhor.
A par disso, e olhando para as notícias, comentários e intervenções do Congresso do PSD, resta-me uma conclusão: Não é preciso muito esforço para o PS voltar a ter maioria... e o país pode virar, claramente, bem à esquerda (o que não será bom nem para o País, nem para o PS, para o PSD ou para o CDS).
Etiquetas: Política, Portugal

Outro mês igual...
e não sei se aguento.
Foi mesmo de deixar de rastos. Os 19 dias mais loucos da minha vida...7 trabalhos, 5 frequências, tetúlias e muitas outras coisas para resolver.
Se sobrevivia isto, sobrevivo a qualquer coisa.
Resta-me a consolação de ter notas entre os 15 e os 19 valores e para o ano ser Finalista. Ou seja... mais "um carregado de livros".
Venha o último ano.
VOLTEIIII!
Etiquetas: Curso, Pessoal

€€€€€€€€€€€€/litro
Via e-mail (anónimo).
Ao chegar a casa, na sexta-feira, a mulher diz para o marido:- Hoje apetecia-me ir a um sítio caro.
O marido ligou o carro e foram a uma "bomba" de gasolina.
Etiquetas: Combustíveis, Economia, Política

Implosão Demográfica
As contas da vida ou como Portugal envelhece a "passos largos". ImplusãoPerigosamente preocupante. Ler na RR on-line.Etiquetas: Família, Sociedade

A não perder...
Pequenina, mas com coisas interessantes. Vale a pena a visita.
ISCIA (junto à Guarda Fiscal, perto do Parque de Exposições de Aveiro). APAREÇAM!

Até ao dia 18 de Junho - dia da Tertúlia sobre Liberdade de Expressão.
Etiquetas: Censura, Comunicação Social, ISCIA

Os balões de oxigénio.
Publicado na edição de hoje (22.05.2008) do Diário de Aveiro.
Crónicas dos Arcos
Os balões de oxigénio.
De tempos a tempos respiramos uma suave brisa de contentamento, para, pouco tempo depois, retomarmos o nosso dia-a-dia cinzento, carregado de pessimismo (ou realidades pouco risonhas), preocupação e algum desespero.
Há, na identidade lusitana, um cíclico aproveitamento muito pontual e ocasional de “momentos” (sejam eles de natureza social, económica ou cultural) que transformam a nossa sociedade, mas que não deixam marcas futuras (ou se as deixam é por aspectos negativos), perspectivas de crescimento e desenvolvimento. São o que podemos apelidar de “balões de oxigénio” que, em determinados períodos da nossa existência nacional, vão-nos alimentando alguma capacidade de resistência, de luta, mas que rapidamente se desvanece.
É a nossa incapacidade para inscrevermos a história na nossa memória colectiva, de forma a que os acontecimentos vividos num determinado momento sejam referência no projecto social futuro.
Assim foi com o 25 de Abril de 74 (já poucos o vivem e o recordam), com o ténue Maio de 68 (sem pouca expressão), com a adesão à União Europeia, com o Euro 2004, como exemplos.
Tomando estes dois últimos como referência (por serem mais recentes), depois da subsidio-dependência em relação a Bruxelas, Portugal continua a não conseguir sair da chamada “cauda da Europa” (já não bastava estarmos geograficamente situados num dos seus extremos).
Somos dos países com menor desenvolvimento da economia, da ciência e da tecnologia, com baixa formação e qualificação dos recursos humanos, com graves endividamentos familiares e empresariais e com problemas insolúveis ao nível laboral. Ou seja, há uma clara degradação do tecido social que, entre outros factores, tem repercussões preocupantes. Enquanto e registou uma baixa nos valores estatísticos da criminalidade, o Distrito de Aveiro registou m aumento de 9,1% nos referenciados crimes violentos. Poder-se-ão apontar inúmeros factores, não sendo, obviamente, de excluir que a situação económica de muitos cidadãos (e respectivas famílias) será, igualmente, uma das causas do referido crescimento da violência.
Por outro lado, depois de tanta festa, tanta obra pública, tanto dinheiro investido (público e privado) o que é que se usufruiu do evento Euro 2004? Clubes na falência; estádios vazios e degradados; autarquias a perspectivarem o abandono dos estádios do euro e a construção de novos (mais pequenos e com outra localização - por exemplo, Coimbra) e a incapacidade de aproveitamento e rentabilidade das infra-estruturas.
E há igualmente um outro exemplo. Veio, na passada terça-feira, à estampa de alguma comunicação social, a recordação dos 10 anos volvidos sobre a realização da Expo 98 (é verdade, já lá vão 10 anos).
É indiscutível o mérito da realização do evento, da sua sustentação social, política e, essencialmente, cultural. Mas…
E hoje? O que resta e que impactos teve a Expo 98 no desenvolvimento do país?
Ainda hoje se pagam facturas. O esforço nacional (saído dos trabalho e impostos de todos os portugueses), mais uma vez, ficou delimitado ao aproveitamento centralista da capital, sem que, no entanto, se observem resultados concretos, a não ser uma especulação imobiliária atroz.
Foi giro, foi espectacular, terminou e esquecemos. Para o futuro nada resta senão a memória de quem por lá andou. Foi mais um “balão de oxigénio”, mas rebentou.
Assim progride a nação. Assim cresce uma sociedade preocupada.
Etiquetas: Crónicas, Pessoal

E vão 42...
Desde as 6:15 da matina que é dia de festa.

Etiquetas: Pessoal

A culpa é os POLÍTICOS!
A culpa é os POLÍTICOS, dos GOVERNANTES, dos PARTIDOS. Poto final.
É pelos comportaments destes (pela falta d ética, de responsabilidade e derespeito) que os portugueses - e não só os jovens - cada vez se afastam mais da política.
E deveria ser aos políticos que o Presidente da República devia ter pedido mais empenho, atitude e sentido de estado (em vez de preocupado em reunir com os jovens).
E a razão é bem simples:
Edição on-line do SOL de 16.05.08: "No debate parlamentar de quinta-feira a bancada do PSD, que conta com 75 deputados, nunca teve mais de 25 presentes, mas o registo de presenças apresenta apenas seis faltas. (...) O debate foi sobre políticas de família e tinha sido marcado a pedido do PSD. Na bancada, contudo, nunca chegaram a estar mais de 25 deputados, apesar de os sociais-democratas terem 75 lugares. A votação dos seis projectos apresentados pelo PSD foi adiada por se encontrarem no plenário poucos deputados."
E a culpa é da falta de conhecimentos histórico-polítcos dos jovens?
Enfim...
Etiquetas: Assembleia República, Política, PSD

ASAE anti-social...
Já é por demais sabido que o País não nutre pela ASAE um "carinho" especial. Também não é novidade nenhuma que o País nunca nutriu qualquer afectividade, nem respeito, por qualquer acção que nos obrigue a respeitar as normas e as leis. Aliás, sempre foi nosso princípio elementar da nossa identidade nacional que Lei que é Lei tem que ser desrespeitada.À acção/actividade da ASAE, apelidada de fundamentalista, salazarista e "etc e tal", só resultou, como exemplos, um maior cuidado higiénico nos restaurantes, uma maior justiça e equidade nas transacções comerciais, etc.Agora... a nova polémica prende-se com a acção fiscalizadora da ASAE junto das IPSS (Instituições privadas de Solidariedade Social - vulgo Infantários, Centros Sociais, Centros Dias, ...). É sabido que estas Instituições socorrem-se inúmeras vezes da solidariedade individual e comunitária, garantindo assim a sua sobrevivência. É igualmente sabido que o Estado tem reduzido os apoios, criando dificuldades acrescidas em áreas que seriam da sua responsabilidade e que estas instituições acabam por colmatar (sendo de cariz religioso ou não).Tive a minha filhota, durante 7 anos, integrada num Infantário/ATL. Não tenho qualquer razão de queixa, bem pelo contrário. Sempre me senti seguro e confiante em relação aos cuidados que lhe foram prestados, desde auxiliares a educadoras. Mas será sempre assim?Com que direito estas Instituições, sob a capa da solidariedade e da acção social, se podem dar ao "luxo" de não cumprir com as mais elementares regras de higiene, segurança, cuidados alimentares, cumprimento de normas ficais?Só por que vivem da e fazem caridade? E os seus "utentes", não tem o direito a alimentação no prazo e em condições, à segurança nas instalações, a serviços de e com qualidade e a que o que pagam tenha o fim apropriado?Ninguém deve, nem pode estar, acima da lei (nem mesmo o fumador do primeiro-ministro).Agora... que também se percebe alguma preocupação por parte do presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade Social (CNIS): e ao sector público (instituições tuteladas pelo estado) também vai ser exigido mesmo?A ver vamos...
Etiquetas: ASAE, IPSS, Sociedade, Solidariedade

FUMAR TAMBÉM NOS LIXA, PÁ!
A questão 'Sócrates fuma em avião' (muito para além de um simples "fait divers" político) só é de somenos importância porque, infelizmente, em Portugal ninguém se preocupa com pormenores, exemplos e virtudes.

Primeiro, a regra da universalidade da legislação. A Lei é igual para todos. Ou se quisermos, todos são iguais perante a Lei.
Segundo, com tanto fundamentalismo, mediatismo, polémica e vozes discordantes e concordantes, sobre a entrada em vigor da Lei do Tabaco (o da sua proibição), como é possível vir o responsável máximo governativo alegar o seu desconhecimento Quantas mais realidades e leis (por si assinadas) o Primeiro-Ministro desconhecerá? Então como e quem governa este país?
Terceiro, quando se pretende justificar o injustificável, corre-se sempre o risco de quantos mais arguementos se apresentarem, como diz o povo, "pior será a emenda que o soneto". Pedir desculpa e dizer que se vai deixar de fumar é tão supérfulo e ridículo (já para não dizer, gozar com a nossa cara) que mais valia não ter aberto a boca. Pedir desculpa significa, como qualquer cidadão, assumir um erro. E isso é aceitável. Mas dignificante seria, como qualquer outro cidadão pagar pelo erro cometido... isto é, pagar a respectiva multa.
Pelo mesmo princípio usado, qualquer um de nós ao não parar o carro junto a um sinal de STOP (tal como determina o Código da Estrada) e ao sermos chamados à atenção por um Agente (GNR/BT ou PSP), bastará usar o recurso do pedido de desculpa, dizer que não nos lembrávamos do significado do sinal e dizer que não o volta a repetir (ou no limite, dizer que não voltamos a conduzir).
É triste e ridículo.
Etiquetas: José Sócrates, Política, Tabaco

A malta é bué jovem, pá.
Publicado na edição de hoje (15.05.2008) do Diário de Aveiro.
Crónicas dos Arcos
A malta é bué jovem, pá.
O Presidente da República reuniu, na passada segunda-feira, com algumas organizações políticas de jovens (os chamados “jotas”) com o propósito de analisar o afastamento dos jovens em relação à vida (militância e empenho) partidária e às “cousas” políticas. Digo algumas, porque de fora ficou, por exemplo, o Bloco de Esquerda.
Independentemente das razões de sentimento de exclusão (diga-se de passagem que, em outros momentos - por exemplo, na tomada de posse do Presidente da República - o mesmo BE também se auto-excluiu ou, se quisermos, “excluiu” o próprio Presidente da República… coerências!), há, no entanto, um pormenor com o qual tenho que concordar com os “bloquistas”: para quê uma estrutura “jota” no interior dos partidos políticos, se a questão da política é, hoje, uma realidade global e abrangente, nos mais diversos sectores sociais, económicos e culturais?
O problema do emprego é estruturante; o problema do trabalho precário (embora mais incidente nos “jovens”) é generalizado; os custos com a habitação, tanto se colocam no caso dos arrendamentos, como nos elevados encargos com o crédito; o endividamento familiar tem implicações com todas as idades; a saúde, o ambiente e a segurança são realidades que tocam e respeitam a todos.
Para além disso, há, em determinadas particularidades (como por exemplo o ensino - e, mesmo este, já com algumas excepções), a existência de organismos e associações próprias: as associações de estudantes, as academias e as federações.
Até porque este conceito de ser ou não ser jovem, é uma invenção social e política recente (meados do século XX). Anteriormente, ou se era menor ou maior (sénior = senhor) de idade. No entanto, fruto da evolução(?) das sociedades, do aumento da competição social, da primazia do individual sobre o colectivo, foi criada a necessidade de “premiar a experiência da vida” (como se não andássemos sempre a aprender ou como se, pelo simples facto de se ser mais velho, isso justifique - por si só - o que quer que seja). E assim, se tornou também justificável que, pela nova ordem social da vida, os mais “jovens” tenham sempre que esperar pelos lugares que os “adultos” (menos jovens) forem deixando vagos. É por isso que na sociedade portuguesa não existe uma referência de relevo (em distintas áreas) sem se ter atingido uma “determinada” idade (vejam-se algumas argumentações - idade - na “luta” interna do PSD - entre Manuela Ferreira Leite e Pedro Passos Coelho).
E é, assim, neste sentido que a acção do Presidente da República está invertida. O problema do afastamento em relação à política, não é dos jovens. É de todos os cidadãos (ou da sua maioria) que há muito deixam de confiar nela (são os casos de corrupção, dos jogos de interesses, da credibilidade das palavras e das acções, do absentismo parlamentar, etc.). E isto não é exclusivo de uma idade específica (aliás o estudo da Universidade Católica revela os mesmos sintomas em cidadãos acima dos 60 anos). É um problema ético, deontológico e de responsabilidade social da própria classe política.
Até porque, ao contrário da imagem que se tem tentado transmitir, os tais ditos “jovens” têm sabido criar mecanismos de intervenção e posicionamento social: são as empresas inovadoras; são as expressões culturais e, nomeadamente, o considerável aumento da sua participação em acções de solidariedade e de voluntariado. E isto é participação cívica e social. O que já não vai acontecendo em camadas etárias que deveriam ter mais responsabilidades.
E mesmo a falta de conhecimentos sobre algumas realidades histórico-políticas, como o 25 de Abril, não deve ser imputado aos jovens. Quem dos “adultos” tem referências ao Maio de 68, à Instauração da República ou a outros marcos da história portuguesa, senão por aquilo que se viu obrigado a aprender no ensino? Quem, vivendo em plena república, tem a noção do que era vive num regime monárquico?
E alguém já questionou se têm existido mecanismos e estratégias para que a história não se vá apagando, pelo tempo, da memória colectiva dos portugueses (sejam eles novos ou velhos)?
Como é possível mentalizar e sensibilizar os jovens para uma realidade que não viveram, se o poder político nem a nossa língua (uma das mais relevantes identidades de um povo) sabe preservar e promover?
E já agora, para terminar e sustentando que os jovens não estão assim tão longe da realidade social e política (têm é a liberdade e o direito de escolheram outras opções), é possível, a partir de segunda-feira e até ao dia 11 de Junho, assistir a uma exposição de exemplares censurados na imprensa, antes do 25 de Abril, todos os dias da semana, no ISCIA.
Porque afinal há quem tenha curiosidade e vontade de aprender e conhecer.Assim progride a nação. Assim cresce uma sociedade preocupada.
Etiquetas: Crónicas, Juventude, Pessoal, Política

Memórias Apagadas.
Publicado na Edição do dia 08.05.2008 do Diário de Aveiro.
Crónicas dos Arcos
Memórias Apagadas.
O Presidente da República expressou, no seu discurso nas comemorações dos 34 anos do 25 de Abril, o preocupante distanciamento dos jovens com a política e com a “Revolução”.
Eu diria mais… de quase todos os cidadãos para com a política e a história. Mesmo muitos que viveram mais directamente o período da Revolução ou Pós-Revolução.
Mas mais preocupante é o próprio distanciamento dos cidadãos, sejam eles jovens ou menos jovens, pra com as próprias “coisas da vida”, do mundo que os rodeia, da própria sociedade.
Não é apenas preocupante que os jovens não tenham referências ao 25 de Abril de 74 (porque ninguém os ensinou ou sensibilizou; porque a vivência existencial é já distante e o tempo apaga as memórias). O que também é preocupante é que a história e as memórias colectivas que constituem a nossa identidade social não sejam preservadas, mantidas vivas e tendam, por isso, a desaparecer.
Tal como o 25 de Abril, a Instauração da República, a Restauração da Independência, os Descobrimentos, os movimentos culturais (principalmente os literários) dos anos 30, 40 e 50, a Língua Portuguesa, etc. E a importância dos movimentos sociais como o 1º de Maio ou o Maio de 68 (volvidos 40 anos).
Hoje, os jovens e tantos outros cidadãos “movem-se” numa sociedade mais livre e tolerante, onde a liberdade de expressão permite falar, confrontar, discutir temas como a política, a cultura, a sexualidade, o saber, os direitos humanos, …, a guerra e a fome. Hoje, sem a preocupação e o medo da repressão e da censura, do exílio.
Hoje, sem a necessidade e inquietaç