Última Hora...
08 Julho 2009
30 anos de saúde...
05 Julho 2009
Voltando à "vaca fria" (II)
A Assembleia da República deve ser um espaço de virtude.
A Política deveria ser uma arte, cultura, respeito e dignidade. Deveria ser um serviço e um exemplo.
A Assembleia da República virou circo e espectáculo de revista à portuguesa.
A Política está perfeitamente descredibilizada e longínqua do cidadão.
Mas não é só por gestos... é por omissões e por palavras.
É indesculpável a atitude do ex-ministro Manuel Pinho (o do fim da crise, da mão-de-obra barata, da China, da velocidade na auto-estrada, etc, etc, etc).
Mas porque razão se desculpou e se manteve em funções, por exemplo, o deputado José Eduardo Pereira do PSD que usou todo o dicionário que sabia no confronto com o deputado Afonso Candal?!
E outros tantos casos de falta de respeito institucional e parlamentar?!
Até nisso se vê que na política, nos partidos e na Assembleia da República, dignidade, coerência e democracia é algo que não abunda.
Voltando à "vaca fria" (I)
| Este foi... |
02 Julho 2009
01 Julho 2009
Já Está!
27 Junho 2009
"Botar" a cruz...
Eleições Autárquicas a 11 de Outubro.
Assim... Let´s the show begin.
Novo Princípio Económico
| Este foi... |
24 Junho 2009
A tradição já não é o que era.
| Este foi... |
20 Junho 2009
Excepção à regra...

18 Junho 2009
Sem constrangimentos partidários...
Muitas vão ser as vozes que se levantarão e se ouvirão para, com muito mais legitimidade que eu, falar sobre o Dr. Carlos Candal.Hoje as palavras fazem todo e qualquer sentido: a política, a democracia e a liberdade ficaram mais fragilizadas. E Aveiro ficou muito mais pobre.
| Este foi... |
11 Junho 2009
As europeias e a Avestruz.
10 Junho 2009
Hoje é dia de ... PORTUGAL
| Este foi... |
07 Junho 2009
RESUMO ELEITORAL
Aveiro, há uma semana atrás e que está referenciado no post anterior.29 Maio 2009
A europa absentista
Publicado na edição de ontem (28.05.09) do Diário de Aveiro.
Sais Minerais
A Europa absentista.
Este é um verdadeiro ano político.
Por força desse facto, um ano eleitoral mas também eleitoralista. E eleitoralista, no pior do seu conceito.
Não bastava a iliteracia política da maioria dos portugueses, para entrarmos e assistirmos àqueles ciclos onde muito se fala, pouco se aprofunda ou concretiza, onde “ganha” quem falar mais alto (em bom português: “quem berrar mais alto”).
E não se trata de uma análise redutora, mas sim a (triste) constatação da realidade.
Facto: Campanha Eleitoral – Europeias 2009.
O que se discute ou o que está em causa?!
A eleição de 22 deputados (por força do alargamento da União Europeia, foram “perdidos” dois deputados) para a representação nacional (ao caso, portuguesa) no Parlamento Europeu.
E neste sentido, a discussão da importância da Europa, o que significa estar ou não estar no contexto europeu e a zona euro, o funcionamento das suas instituições, a participação dos cidadãos, o impacto político, social, cultural e económico da União Europeia nos países, deveriam ser a preocupação principal dos partidos e dos políticos (acrescida de algumas Instituições e Presidente da República) e o objectivo primário deste período eleitoral. No entanto, o que assistimos, neste arranque de campanha, é um desfilar de conteúdos, propostas e contexto vazios.
Para uns, principalmente PS e PSD, a campanha trava uma “luta” na relação de forças (poder e oposição), numa conquista percentual de votos, mesmo que os conteúdos e as formas se situem nos ataques vazios e na demagogia.
Para outros, concretamente PCP e BE, o uso do espaço da campanha eleitoral resume-se à crítica governativa, ao tão implorado “cartão vermelho” como se estivéssemos perante as eleições legislativas. Como se fosse secundário que, em algumas acções, os governos estão condicionados ao que os deputados europeus eleitos decidem nos lugares de Bruxelas.
Para PS e PSD a disputa eleitoral resume-se à imagem de umas eleições primárias. Se o PSD se aproximar, em intenções de voto, do PS, relança o combate político para Outubro e relança a hipótese de ser alternativa governativa. Se o PS marcar a sua diferença, poderá ganhar alento para retomar a suplicada maioria.
Em qualquer dos casos, somando as acções e intenções (da direita à esquerda) o que fica por debater e discutir é o verdadeiro sentido das eleições, o que está em causa em cada voto e cada cruz assinalada, os objectivos fundamentais deste acto cívico.
Discute-se o paralelo, o superficial, o virtual e irreal. Não se discute o papel da Europa, os seus impactos, alternativas, princípios e valores…
À boa maneira portuguesa, não se discute. Fala-se muito; grita-se ainda mais!
Também à boa maneira portuguesa, a política e os cidadãos continuam de costas voltadas, distantes e desgarrados.
Curiosamente, neste processo, a excepção à regra têm sido as minorias (os partidos e movimentos ditos pequenos) que “sofrem” a ausência de espaço e representatividade.
Também, à boa maneira lusa, o maior partido português é o Partido Português do Absentista, por culpa dos próprios partidos e políticos.
No dia 7 de Junho… VOTE!
Ao sabor da pena…
| Este foi... |
15 Maio 2009
Autárquicas 2009
Descubra as diferenças
| Este foi... |
Tal como Pedro
12 Maio 2009
Quatro dias (parte II)
07 Maio 2009
Come a papa, Joana come a papa!

| Este foi... |
Depois do Interregno...
| Este foi... |
25 Abril 2009
Hoje! Parte II
Mas os discursos solenes continuam os mesmos. Em vez de se falar de liberdade, de democracia, de desenvolvimento, faz-se campanha eleitoral, oposicionismo partidário. E é disto que os portugueses estão cheios.
Ninguém, naquele hemiciclo fala de responsabilidade, de sentido ético ou de verdadeira política.
Salvou-se (curiosamente ou não) o discurso do Presidente da República.
E desta vez (excepção estranha para o PCP) foi unânime a opinião dos outros partidos - do CDS.PP ao BE, passando pelo PSD e PS. Até o deputado inconformado com a vida, Manuel Alegre.
| Este foi... |
HOJE!


| Este foi... |
23 Abril 2009
Memória!
Memória
Há pessoas que nos marcam, que têm influência na construção da nossa identidade e personalidade, mesmo que concorram, literalmente, com a família e a importância inquestionável do seu papel.
Há pessoas que, para além do contexto social (escola, trabalho, organizações) onde se cruzam connosco, fazem, igualmente, parte de uma realidade muito próxima da nossa família (quantas vezes não confundidas).
Essas pessoas, mesmo que, pelas circunstâncias da vida, se vão afastando, não deixam de ser referência e de constituir parte integrante do percurso da nossa vida.
Infelizmente, face ao cenário e à realidade do universo escolar, nos dias de hoje, em Portugal (a sua exigência, o laxismo, a relação com a família e a relação professor-aluno), a importância que um Professor tem para a vida e a construção da personalidade de cada aluno/estudante, é, cada vez mais e preocupantemente, diluída e diminuta (mesmo com as respectivas excepções à regra).
E não é apenas no 2º, 3º Ciclos ou ensino Secundário. Mesmo no 1º Ciclo (antiga escola primária), esta começa a ser uma triste realidade.
Não interessa, para o caso, atribuir responsabilidades ou estar agora a “esmiuçar” pormenores.
Mas a verdade é que já não é muito usual, nos dias de hoje, os mais jovens e mais novos, referenciarem os seus primeiros professores (aqueles que nos ensinaram a contar, a escrever, a ler, mas também a brincar e a crescer) e mesmo lembrarem-se dos seus nomes.
Mas pessoalmente, estes foram marcantes (mesmo que outros, durante o ensino secundário e universitário, também o tenham sido), ou melhor, especialmente marcantes.
E quando, para além do contexto escolar, esses professores se cruzam com a nossa vida pessoal e familiar, e fazem, por isso, parte de todo o nosso crescimento, mais marcantes se tornam e mais importante se reveste o seu papel (de professor e amigo).
Assim, mesmo que a morte deixe um vazio (em muitos casos, principalmente familiares) difícil de preencher, a memória e a saudade vão marcando presença na realidade da vida que vai permanecendo.
Foi Professora da minha quarta classe, foi educadora, foi amiga, foi presença assídua nas relações familiares. Foi muita coisa. Muita mesmo…
Mesmo já não estando presente, a minha Professora Maria Teresa Neves, ficou, fica e há-de ficar sempre na minha memória. Por tudo…
Ao sabor da pena… com muitas saudades.
22 Abril 2009
Aditamento à Lista
| Este foi... |
19 Abril 2009
Hoje na RTP2 - Aveiro II
Fim do programa RTP2 - "Alma e a Gente".
Insosso.
Para uma cidade que cresceu com o sal, o programa precisava de mais tempero. Muito mais!Nem alma, nem gentes.
Aveiro é muito mais que a capital da simpatia.
É uma centralidade regional que muitos querem "abafar" ou "esconder".
HOJE NA RTP2 - AVEIRO
do historiador José Hermano Saraiva, será inteiramente dedicado a Aveiro, nomeadamente, a personalidades locais de relevo, elementos histórico-culturais e patrimoniais, mas também aspectos da evolução socioeconómica.O programa televisivo é emitido hoje, dia 19 de Abril, pelas 19.30 horas, na RTP2.
17 Abril 2009
Crise! Qual Crise...
Publicado na edição de ontem (16.04.09) do Diário de Aveiro.
Sais Minerais
Crise! Qual Crise?
Habituámo-nos, mal despoletou a crise, a ver este fenómeno como algo meramente financeiro. Factores relacionados com o sector imobiliário e a banca (e os mercados financeiros), mais tarde a crise nas empresas (produção e serviços), foram sendo apresentados como o rosto da desgraça dos dias de hoje.
Até que, a determinada altura (meados do ano passado até aos dias de hoje), a crise chegou às famílias, ao “bolso” e às “contas” domésticas dos cidadãos. O endividamento familiar aumentou, o desemprego aumentou e disparou o recurso às Instituições de Solidariedade e aos apoios, mesmo em sectores sociais que até à data eram considerados estáveis.
Mas esta crise não tem reflexos meramente financeiros.
A crise é já social, cultural e de valores.
Se é notória a dificuldade dos mercados financeiros, a instabilidade empresarial e a consequente incerteza na manutenção dos empregos, bem como a dificuldade em cumprir as obrigações financeiras e a aquisição dos bens essenciais por parte da maioria das famílias e dos cidadãos, também é uma realidade que esta instabilidade criada tem reflexos na segurança dos cidadãos (aumento da criminalidade), na estabilidade familiar (309 casos de abandono de crianças junto a diversas instituições), nas relações sociais, na carga emocional, no bem-estar e na própria saúde pública.
O aumento de situações de stress, de angústia, de preocupação, leva a um maior isolamento e individualismo, a uma maior inquietude, a um menor respeito pelos outros, pelas coisas comuns e pelas comunidades.
E se têm surgido (tardiamente) algumas políticas de intervenção, elas têm-se reflectido junto dos que estão mais carenciados, com toda a justiça, mas têm esquecido o combate, as alternativas e a consolidação económica e social, fazendo face ao crescimento dos casos de necessidade extrema. Se é justo e compreensível o apoio às famílias mais carenciadas, às crianças necessitadas e aos desempregados, não deixa de ser legítimo o apoio às outras realidades (aos empregados também com dificuldades, às famílias numerosas, às de poucos recursos) minimizando os impactos da crise e o aumento de realidades de pobreza e desespero.
E há factos que merecem alguma preocupação. A injecção pontual e sem efeitos preventivos de inúmeras quantidades de euros em sectores que, durante vários anos, apenas se preocuparam com o lucro, cria um sentimento de revolta social difícil de calar.
Enquanto isso, aqueles que sempre e apenas se preocuparam com o outro, com a ajuda aos que mais precisaram, sempre com elevado espírito de sacrifício e dedicação, sofrem hoje, face à dita crise, a indiferença, a falta de apoios, a falta de incentivo e estímulo, para que possam continuar o seu trabalho de solidariedade social que, nos dias de hoje, mais significado tem.
É pena ver o lamento de inúmeras Instituições de Solidariedade Social, que durante anos a fio, souberam, desinteressadamente, substituir a responsabilidade social que caberia ao Estado. Sendo agora esquecidas, olhadas com indiferença e desapoiadas.
Esta sim… é uma crise muito real e bem próxima dos cidadãos. Pelo menos daqueles que precisam.
Ao sabor da pena…
13 Abril 2009
Um País ausente...
Um país diferente
12 Abril 2009
Fora do Tempo...
| Este foi... |
11 Abril 2009
10 Abril 2009
09 Abril 2009
A Europa e Nós - II
08 Abril 2009
A Europa e Nós

| Este foi... |
Incrédulo
29 Março 2009
Urbanidades
Publicado na edição de sexta-feira - 27.03.09 - do Diário de Aveiro.
Sais Minerais
Urbanidades.
As cidades ganharam novas dimensões. Não só em termos demográficos, como nas suas identidades culturais, sociais e políticas.
Até mesmo no seu tradicional contexto (delimitação) geográfico. A intermunicipalidade tem hoje uma perspectiva mais aberta e dinâmica, revelando o conceito fundamental de vizinhança.
O sentido de comunidade, de bairrismo (no seu sentido puro), os processos de socialização, as influências externas que pressionam os aspectos culturais e históricos (identidades) das localidades, alteraram profundamente o conceito de cidade, comunidade e urbanismo (na sua vertente social, arquitectónica, ordenamento e planeamento e ambiental).
As cidades cresceram a um ritmo elevado, em muitos casos, acima do previsto, do planeado e da capacidade de resposta.
Cresceram em extensão, demografia, em alterações de valores, na insegurança, na dificuldade de mobilidade dos cidadãos (trânsito, estacionamento, etc.). Claro que cresceram igualmente em aspectos positivos… agora, assim de repente, não me lembro quais, mas alguns haverá.
Mas o que me lembro é que, hoje, as cidades têm é falta de segurança, de espaço, de liberdade (no sentido de mobilidade), um menor aproveitamento do “espaço público”.
Não se joga à bola na rua, não se passeia e brinca sozinho (com os amigos) na rua, poucas crianças vão ao mini-mercado do bairro às compras, muitos poucos andam de bicicleta na rua (as crianças têm dificuldade em aprender a andar de bicicleta, em parte, por falta de espaços).
As ruas transformaram-se em espaços exclusivos dos automóveis.
As pessoas deixaram de respeitar a “diferença” dos outros, no que respeita à sua opção de mobilidade.
As pessoas tornam-se mais distantes, menos abertas, menos solidárias e menos participativas. Tornam-se mais indiferentes.
Daí que pareça ser importante que se mudem, igualmente, as mentalidades e a forma de as pessoas encararem a cidade e o espaço urbano.
E porque não começar pela mobilidade e pelo uso da bicicleta?!
É certo que há aspectos do quotidiano que nos condicionam: os filhos e a escola, o local de trabalho distante de casa, a segurança rodoviária, etc.
Mas há também aspectos que valem o esforço e a opção.
O andar de bicicleta dá-nos uma liberdade que não é, de todo, perceptível à primeira vista.
Podemos conhecer melhor a nossa cidade, olhá-la de outra forma e mais directamente.
Em pequenas distâncias, podemos ganhar tempo, sem estarmos presos no trânsito ou à espera do transporte público. Por outro lado, a bicicleta leva-nos para qualquer lado (serviço porta-a-porta)
Poupa-se dinheiro em combustível, em revisões mecânicas e protege-se o ambiente porque não polui e não ocupa espaço.
E acima de tudo, a bicicleta é um excelente meio de nos mantermos saudáveis e em forma.
Assim, faz sentido que as bicicletas “ocupem” um espaço que também é delas: a estrada e a rua.
Ao sabor da pena…
| Este foi... |
28 Março 2009
É a Política, estúpido!
| Este foi... |
27 Março 2009
Valor Patrimonial.
Publicado na edição de hoje de "O Aveiro".
Bloco de Notas.
Valor Patrimonial.
O conceito de valor patrimonial é, usualmente, de contexto económico-financeiro.
Mas património pode ser entendido, igualmente, como algo de valor relevante, mesmo que incalculável. Algo para além de qualquer valor monetário.
Pode assumir-se como um valor histórico, social, cultural, político ou ambiental… o valor da Identidade (individual ou colectiva).
Assim sendo, se percebe porque é que recentemente algumas Juntas de Freguesia têm demonstrado um interesse e uma acrescida preocupação com o valor patrimonial das suas comunidades. É que na defesa, afirmação e consolidação dos seus patrimónios reside a construção e manutenção da identidade cultural, histórica e social da sua comunidade.
Recordo as acções em Aradas (Museu Tradicional, Museu de Arte Sacra, publicação de livros, etc.); a recuperação do Forno em Eixo; as tradições na Vera Cruz (por exemplo, a Feira das Cebolas); a recuperação da Pateira, em Requeixo.
Neste âmbito, por força minhas ligações afectivas e existenciais, é com agrado que assisto (finalmente) ao olhar mais atento da Junta de Freguesia da Glória para com o seu património por excelência: o Parque.
Aproveitando toda a importância futura para a Freguesia e para a Cidade que transporta o projecto do Parque da Sustentabilidade, o Executivo desta comunidade tem demonstrado alguma preocupação e tentado sensibilizar todas as entidades e os aveirenses para a necessidade de se intervir no Parque D. Pedro, no sentido de lhe restituir a vida, a importância ambiental e social que já teve, noutros tempos.
Neste sentido, é de louvar a iniciativa desenvolvida pela Junta de Freguesia da Glória para comemorar, no passado Sábado, o Dia Mundial da Árvore, com um evento denominado "à descoberta do Parque Infante. D. Pedro". Dar a conhecer a sua história, da sua biodiversidade, sensibilizando toda a comunidade aveirense para as potencialidades e a importância da qual se reveste o Parque, como testemunho de parte da história da cidade e por tudo o que representa para a qualidade de vida dos cidadãos.
No fundo, preservando e promovendo a memória colectiva e toda a identidade cultural, histórica, social e política da comunidade.
É o que se espera do novo projecto para a Sustentabilidade do Parque e de toda a zona envolvente. Que no progresso dos tempos, das sociedades e das novas realidades não se perca a memória e a identidade das gentes e dos espaços.
23 Março 2009
Santa Trapalhada
Santa Trapalhada.
Esta não pretende ser uma crónica a favor ou contra o aborto.
Este é apenas um artigo que reflecte, na qualidade de católico, a preocupação pelo distanciamento da Igreja às coisas dos homens, da vida e da sociedade.
No fundo, o afastamento da Igreja do Mundo de hoje.
Durante a semana passada, a temática centrou-se nas declarações (extemporâneas) do Arcebispo de Olinda e Recife (Brasil) que, numa primeira reacção excomungou a mãe e toda a equipa médica (mais tarde, ninguém seria alvo de qualquer pena canónica) que optaram pela interrupção de uma gravidez de 15 semanas numa criança de nove anos de idade.
Primeiros os factos…
Uma criança de nove anos de idade, era, por diversas vezes, violada pelo padrasto desde há três anos até à semana passada, quando a menina deu entrada num hospital queixando-se de dores de barriga. Diagnóstico: gravidez de 15 semanas, gémeos. A mãe nada sabia.
Segundo a equipa médica, a criança, com apenas 33 quilos de peso e 1,36 m de altura, de constituição física muito frágil, resultado de um ambiente de clara pobreza e condições degradantes de vida, corria sérios e declarados perigos de vida com o avançar da gravidez, bem como a probabilidade da gravidez ter um "final feliz".A lei brasileira contempla a interrupção da gravidez, em dois casos concretos: violação e risco de vida. A menina incluía-se nas duas vertentes.
Ao ter conhecimento da interrupção da gravidez (autorizada pela mãe, depois da orientação médica), o Arcebispo brasileiro "decretou" (superando as competências do Conselho Brasileiro da Igreja Católica) que "todas as pessoas que aprovaram, autorizaram ou participaram no acto, com excepção da criança, estavam excomungados da Igreja". Mesmo que tão grave pena seja, ainda hoje, algo que a maioria dos católicos não percebe e não consegue entender as suas consequências.
Depois a análise…
É de exaltar a defesa do princípio da Vida, por parte da Igreja. Revela preocupação pelo ser humano, pela sua dignidade e pelo seu valor. Assim deveria ser para todos nós.
Mas qual das vidas?! E a dignidade e qualidade do futuro de uma criança de nove anos que sofreu todas estas fatalidades?!
O que será mais grave?! A possibilidade de interromper o futuro de uma menina de nove anos (o perigo de vida iminente no prolongar da gravidez) ou a interrupção de uma gestação que o mais provável seria a sua não concretização ou uma complexidade imprevisível no seu fim?! De que vida, falamos nós?!
Porque não se "apressou" o Bispo a condenar o padrasto, por tão macabro e abominável acto?!
É que é nestas incoerências e inconsistências que a Igreja se afasta, cada vez mais, dos homens. Porque se afasta das suas vidas, das suas emoções, das suas necessidades.
Como disse o Arcebispo, D. José Cardos Sobrinho, numa das entrevistas à Comunicação Social, "a lei dos Homens não pode estar acima da Lei de Deus". Acho que nem os Homens isso pretendem. O problema é quando a "lei de Deus" se afasta de tal maneira dos Homens e das suas vidas, que deixa de fazer qualquer sentido e deixa de ter razão existencial. Porque a Igreja sem os Homens e sem servir os Homens, esvazia o sentido da sua missão.
Daqueles Homens que Cristo sempre acolheu: os doentes, os moribundos, os mais desprotegidos, os ladrões, as prostitutas, … Ah! e as CRIANÇAS.
E em relação às crianças, a Igreja tem muitos telhados de vidro.

+(19+of+96).jpg)









