“Debaixo dos Arcos” foi, e ainda é, o primeiro blogue não virtual de Aveiro. Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada": o centro do mundo...

03 fevereiro 2006

Os Vikings!

A comunicação social e a blogoesfera destacam, com especial relevo, a polémica da sátira dos cartoons dinamarqueses a Maomé e consequentemente ao povo muçulmano.
Para os árabes, o seu Profeta (corrigido) (Maomé) não tem (aliada à proibição) qualquer representatividade real ou artística.
Por outro lado...
A liberdade de expressão, por mais inquestionável e inviolável que seja, tem que teminar na fronteira do bom senso e da anarquia.
A critica e a sátira, a opinião nua e crua, mordaz e convicta, não se podem sobrepor à liberdade dos visados, à falta de respeito, à ofensa e ao bom senso.
Quando estes factores estiverem subvertidos, esta liberdade de expressão transforma-se em ofensa e agressão aos princípios e liberdades de outrem.
'Atentar' contra a religião muçulmana foi, neste caso concreto, um claro acto de suícidio editorial.
Criticar o terrorismo extremista (ou outro qualquer) poderia ter sido menos vulnerável se directamente ligados com situações reais e específicas, como por exemplo, os palestinianos e os israelitas.
Usar Maomé, tranformando-o num símbolo do terrorismo foi o mesmo que afirmar que toda a comunidade muçulmana é terrorista.
Sabe-se que a maioria dessa comunidade não revela atitudes e conceitos extremistas e terroristas.
A imprensa dinamarquesa esqueceu-se que já lá vão idos os tempos dos Vikings.
O radicalismo religioso muçulmano (actual) é que não me parece que esqueça tão depressa.

7 comentários:

Cagaréus&Ceboleiros disse...

Correcção: O Deus é Ala, Maomé é o profeta.
Abraço

migas (miguel araújo) disse...

Obrigado pela correcção.
É um facto.

Anónimo disse...

Está a ver Migas o efeito da publicidade e da ameaça das cruzadas?
Obrigam-nos para já, a saber a religião que professam e de maneira indirecta a saber distinguir o profeta do Deus, mas acredite que nos vão "obrigar" a mais.
Ainda o hei-de ver a ler o Islão, e era capaz de ser importante para todos nós faze-lo.
Não sei,teríamos era com certeza o nosso Papa a protestar, penso.
Toda esta questiuncula e oxalá não passe disso, à volta do profeta, para eles, à partida, é já uma vantagem.
Obrigam-nos a saber e a "conhecer" minimamente a sua religião.
Há muitas maneiras de expansão. Esta não será uma delas feita de uma maneira inteligente?
Cumprimentos, amigo

migas (miguel araújo) disse...

caro Anónimo
Ler e Aprender são duas coisas que me dão muito prazer. Portanto aprender sobre o Islamismo, ler o Corão, não me parece nada do outro mundo. Antes pelo contrário. E sobre o islamismo, já li pequenas (muito pequenas) coisas. É o que me faz ser mais católico.
Assim, como de direita não me repugna nada ler coisas da esquerda. É uma questão de conhecimento e aprendizagem. Para ser mais convictamente de direita.
No entanto...
Não me parece que existe, neste caso, qualquer propaganda religiosa camufulada. Parece-me...
Acho que se trata mais de uma compreensivel manifestçaõ de repúdio.
Qualquer liberdade tem um limite. E para mim a da expressão termina na fronteira do insulto e do desrespeito.
Seja porque motivo fôr: religioso, político, social, cultural ou desportivo (acho que não mes esqueci de nenhum).
Ahh! Faltou o económico. Ou seja sobre nós pobrezinhos portugas.
Cumprimentos

Anónimo disse...

Ok Migas
Gostei da "explanação".
De qualquer modo, permita que lhe diga:
Quanto mais leio e aprendo sobre o "pensar" dos outros, mais dúvidas tenho no meu modo de estar.
Como vê, até por isto, há sempre diferenças entre "nós" Homens.
Finalizo com muita amizade.

Terra & Sal disse...

Meu Caro Migas:
Apenas dois apontamentos interessantes sobre os barcos e os Vikings.
Sabia que os nossos moliceiros foram “inspirados” nos barcos piratas dos Vikings?
Se reparar, efectivamente a boca do barco ou bojo do nosso moliceiro, assemelha-se muito ao deles naqueles tempos, em pequena escala claro.
Aquele bojo alargado no meio servia para guardarem o máximo de saques que iam fazendo aqui e ali.
A explicação foi-me dada por um velho lobo-do-mar estudioso destas coisas e tem a sua lógica.
Depois mais esta, ali para os lados da Torreira fazia-se de noite pirataria de terra.
Acendiam fogueiras em “palanques” flutuantes nos baixios da “Ria”.
Os Vikings (piratas) navegavam em direcção a elas e a nossa gente de terra fazia-as afastar conforme eles se iam aproximando, através de cordas, para sítios menos profundos, até que os navegantes ficavam em seco.
Aí, saltavam-lhes em cima, saqueando-os por sua vez, levando o espólio para terra em barcos idênticos ao deles (moliceiros)
Depois, ainda há provas de que os Vikings andaram por cá e por cá deixaram “semente”.
Havia e ainda há muitas/os conterrâneos daquela zona, e de outras ali à volta e mesmo por aqui em Aveiro e Gafanhas, que têm as características daquela gente, olhos epiderme etc. outros, claro, estão espalhados por outros sítios.
Eu esta abonei-lha de borla, ou já conhecia?
Cumprimentos
Terra & Sal
.

migas (miguel araújo) disse...

Caríssimo Terra&Sal
De facto nunca tinha lido (e leio, sempre que posso, muita coisa sobre Aveiro) esta faceta comparativa da ria e dos moliceiros.
Obrigado pela "borla". Espero que haja por aí mais nas mangas e espero igualmente poder retribuir.
Abraços