“Debaixo dos Arcos” foi, e ainda é, o primeiro blogue não virtual de Aveiro. Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada": o centro do mundo...
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27 março 2009

Valor Patrimonial.

Publicado na edição de hoje de "O Aveiro".

Bloco de Notas.
Valor Patrimonial.

O conceito de valor patrimonial é, usualmente, de contexto económico-financeiro.
Mas património pode ser entendido, igualmente, como algo de valor relevante, mesmo que incalculável. Algo para além de qualquer valor monetário.
Pode assumir-se como um valor histórico, social, cultural, político ou ambiental… o valor da Identidade (individual ou colectiva).
Assim sendo, se percebe porque é que recentemente algumas Juntas de Freguesia têm demonstrado um interesse e uma acrescida preocupação com o valor patrimonial das suas comunidades. É que na defesa, afirmação e consolidação dos seus patrimónios reside a construção e manutenção da identidade cultural, histórica e social da sua comunidade.
Recordo as acções em Aradas (Museu Tradicional, Museu de Arte Sacra, publicação de livros, etc.); a recuperação do Forno em Eixo; as tradições na Vera Cruz (por exemplo, a Feira das Cebolas); a recuperação da Pateira, em Requeixo.
Neste âmbito, por força minhas ligações afectivas e existenciais, é com agrado que assisto (finalmente) ao olhar mais atento da Junta de Freguesia da Glória para com o seu património por excelência: o Parque.
Aproveitando toda a importância futura para a Freguesia e para a Cidade que transporta o projecto do Parque da Sustentabilidade, o Executivo desta comunidade tem demonstrado alguma preocupação e tentado sensibilizar todas as entidades e os aveirenses para a necessidade de se intervir no Parque D. Pedro, no sentido de lhe restituir a vida, a importância ambiental e social que já teve, noutros tempos.
Neste sentido, é de louvar a iniciativa desenvolvida pela Junta de Freguesia da Glória para comemorar, no passado Sábado, o Dia Mundial da Árvore, com um evento denominado "à descoberta do Parque Infante. D. Pedro". Dar a conhecer a sua história, da sua biodiversidade, sensibilizando toda a comunidade aveirense para as potencialidades e a importância da qual se reveste o Parque, como testemunho de parte da história da cidade e por tudo o que representa para a qualidade de vida dos cidadãos.
No fundo, preservando e promovendo a memória colectiva e toda a identidade cultural, histórica, social e política da comunidade.
É o que se espera do novo projecto para a Sustentabilidade do Parque e de toda a zona envolvente. Que no progresso dos tempos, das sociedades e das novas realidades não se perca a memória e a identidade das gentes e dos espaços.

23 março 2009

Santa Trapalhada

Publicado na Edição de sexta-feira - 20.03.09 - do "O Aveiro".

Bloco de Notas.
Santa Trapalhada.


Esta não pretende ser uma crónica a favor ou contra o aborto.
Este é apenas um artigo que reflecte, na qualidade de católico, a preocupação pelo distanciamento da Igreja às coisas dos homens, da vida e da sociedade.
No fundo, o afastamento da Igreja do Mundo de hoje.
Durante a semana passada, a temática centrou-se nas declarações (extemporâneas) do Arcebispo de Olinda e Recife (Brasil) que, numa primeira reacção excomungou a mãe e toda a equipa médica (mais tarde, ninguém seria alvo de qualquer pena canónica) que optaram pela interrupção de uma gravidez de 15 semanas numa criança de nove anos de idade.
Primeiros os factos…
Uma criança de nove anos de idade, era, por diversas vezes, violada pelo padrasto desde há três anos até à semana passada, quando a menina deu entrada num hospital queixando-se de dores de barriga. Diagnóstico: gravidez de 15 semanas, gémeos. A mãe nada sabia.
Segundo a equipa médica, a criança, com apenas 33 quilos de peso e 1,36 m de altura, de constituição física muito frágil, resultado de um ambiente de clara pobreza e condições degradantes de vida, corria sérios e declarados perigos de vida com o avançar da gravidez, bem como a probabilidade da gravidez ter um "final feliz".A lei brasileira contempla a interrupção da gravidez, em dois casos concretos: violação e risco de vida. A menina incluía-se nas duas vertentes.
Ao ter conhecimento da interrupção da gravidez (autorizada pela mãe, depois da orientação médica), o Arcebispo brasileiro "decretou" (superando as competências do Conselho Brasileiro da Igreja Católica) que "todas as pessoas que aprovaram, autorizaram ou participaram no acto, com excepção da criança, estavam excomungados da Igreja". Mesmo que tão grave pena seja, ainda hoje, algo que a maioria dos católicos não percebe e não consegue entender as suas consequências.
Depois a análise…
É de exaltar a defesa do princípio da Vida, por parte da Igreja. Revela preocupação pelo ser humano, pela sua dignidade e pelo seu valor. Assim deveria ser para todos nós.
Mas qual das vidas?! E a dignidade e qualidade do futuro de uma criança de nove anos que sofreu todas estas fatalidades?!
O que será mais grave?! A possibilidade de interromper o futuro de uma menina de nove anos (o perigo de vida iminente no prolongar da gravidez) ou a interrupção de uma gestação que o mais provável seria a sua não concretização ou uma complexidade imprevisível no seu fim?! De que vida, falamos nós?!
Porque não se "apressou" o Bispo a condenar o padrasto, por tão macabro e abominável acto?!
É que é nestas incoerências e inconsistências que a Igreja se afasta, cada vez mais, dos homens. Porque se afasta das suas vidas, das suas emoções, das suas necessidades.
Como disse o Arcebispo, D. José Cardos Sobrinho, numa das entrevistas à Comunicação Social, "a lei dos Homens não pode estar acima da Lei de Deus". Acho que nem os Homens isso pretendem. O problema é quando a "lei de Deus" se afasta de tal maneira dos Homens e das suas vidas, que deixa de fazer qualquer sentido e deixa de ter razão existencial. Porque a Igreja sem os Homens e sem servir os Homens, esvazia o sentido da sua missão.
Daqueles Homens que Cristo sempre acolheu: os doentes, os moribundos, os mais desprotegidos, os ladrões, as prostitutas, … Ah! e as CRIANÇAS.
E em relação às crianças, a Igreja tem muitos telhados de vidro.

13 março 2009

Políticas... e dores de cabeça!

Publicado na edição de hoje do "O Aveiro".

Políticas... e dores de cabeça!
A semana anterior fica marcada pelo episódio rocambolesco na Assembleia de República, palco que deveria ser da arte da política, das convicções, ideologias, retórica, da representatividade e do poder.
Mas é-o da expressão máxima do desinteresse, da improdutividade, do absentismo, dos jogos de poder, das pressões e da indiferença. Da crítica destrutiva, dos jogos políticos demagogos, dos jogos de interesses… E, mais recentemente, da baixaria e da falta de dignidade.
Por mais avisos que sejam feitos (por exemplo, pelo próprio Presidente da República), por mais inquéritos e sondagens que demonstrem a realidade – os portugueses afastaram-se dos órgãos de soberania, da política, dos partidos, da participação cívica – aqueles que deveriam ser o exemplo da ética e da responsabilidade, não perdem uma oportunidade para "espetar mais uma bandarilha" no regime e no sistema. Sim… porque só faltou, mesmo, a "tourada"!
A troca de "mimos" entre o deputado José Eduardo Pereira (PSD) e o deputado Afonso Candal (PS), entre energias renováveis e eólicas, de nada serviu para além de consolidar essa péssima imagem que se tem da política e das suas Instituições, bem como deitar "ao vento" a temática em causa.
E é pena que quem está, hoje, na política, não esteja de "corpo e alma", com a certeza do conhecimento dos terrenos que pisa, da sua essência (como aqui já foi expresso, é, claramente, excessivo número de deputados para a dimensão do país e para o que, politicamente, é produzido). Porque o Senhor Deputado (para lamentar) José Pereira deveria saber que, nestas "cousas" da retórica, "quem vai à guerra, dá e leva", e ter poder de encaixe e resposta, não é para todos. Ou se tem a consistência da argumentação e da fundamentação, ou se "ferverá sempre em pouca água".
Da mesma forma que não se percebe a insistência em transformar realidades distintas, numa só, para aproveitamento partidário. Tal como o PCP o pretende, querer transformar as eleições europeias, que nada têm a ver, directamente, com a governação interna de cada país, num julgamento sumário a esta governação, é o mesmo que desvalorizar o sentido e a missão da comunidade europeia, do seu significado, da sua importância e do seu impacto na vida de cada um dos cidadãos. Aliás, uma realidade, apesar destes anos todos, muito distante do quotidiano dos portugueses. E depois admiram-se da elevada abstenção e do desinteresse generalizado.
A política, enquanto não voltar aos seus tempos de transparência, clareza, verdade e coragem, valerá, apenas, pelo seu folclore eleitoralista, de quatro em quatro anos.
Mas como lá (Lisboa), também por cá (Aveiro) …
O PS aveirense já apresentou a sua proposta à presidência autárquica, o PSD local já tinha manifestado a sua opção "natural", o CDS.PP mantém uma guerra surda interna que com muita dificuldade se percebe e se justifica.
Ou se mantém integrado num projecto que "ajudou" a construir ou se mantém à margem de uma "luta eleitoral" que se afigura, naturalmente, bipartida entre PSD e PS (Élio Maia e José Costa), com os riscos que daí advêm.
Mas a questão não está tanto nas peripécias desta indefinição (o responsável pela concelhia local tem mil e uma dúvidas, o responsável distrital antes pelo contrário e o presidente nacional – em recente visita ao "burgo" – afirmou que só o projecto coligação faz sentido).
O problema é o timming ou a sua escassez. É que o CDS.PP corre o risco de "perder o barco", a relevância, o impacto e o peso político. Seja de que forma for.

07 março 2009

Puritanismos...

Publicado na edição de ontem - 06.03.09, de "O Aveiro".

Puritanismos...

Numa recente Feira do Livro, em Braga, a PSP (através de justificações pouco plausíveis) apreendeu, para no dia seguinte devolver, alguns exemplares de um livro intitulado Pornocracia, da autora Catherine Breillat. Razão defendida: a capa do livro reproduzia a obra "A Origem do Mundo" pintada por Gustave Courbet (em 1866 e patente no Museu d'Orsay). A pintura em causa expõe a parte genital de uma mulher.
Segundo as notícias avançadas por alguns órgãos de comunicação social, o comando da PSP de Braga justificou a acção com o facto da exposição pública do livro potenciar iminentes conflitos com os visitantes da Feira, nomeadamente com os adultos acompanhados dos seus filhos menores.
É curioso este puritanismo saloio de uma sociedade portuguesa culturalmente diminuta, ao ponto de não saber distinguir entre o pornográfico, o erótico e o artístico. Já para não falar da incapacidade das autoridades em discernir a ofensa pública da liberdade de expressão. Acresce ainda a prontidão e eficácia das autoridades policiais de Braga, precisamente numa época em que a insegurança, o medo, a violência assolam as nossas comunidades.
Ainda mais curioso é o facto de ser extraordinariamente coerente este sentimento de protecção dos valores, da moral e dos bons costumes que invade uma grande parte da sociedade portuguesa.
A mesma sociedade que não se inibe perante as montras recheadas de revistas pornográficas presentes nos inúmeros quiosques de muitas aldeias, vilas e cidades.
A mesma sociedade que não se preocupa com a primazia cultural de "Morangos com Açúcar", "Geração Rebelde", "Hello Kitty", "Winx" e outros tais no Canal Panda, como exemplo. Ou uma sociedade que vibrou incessantemente com Big Brother's ou Quintas, em que o ridículo, o uso e abuso do conceito de privacidade, a pequenez da ausência de valores e ética, sobejariam para contrapor com tão ridículo escândalo pseudo-pornográfico.
Uma sociedade adulta que vive a euforia dos recursos ("choque") tecnológicos sem qualquer preocupação de controlo da actividade cibernética dos seus filhos e jovens.
No entanto, uma capa de um livro é suficiente para gerar tamanha contestação social e provocar eventuais motins de descontentamento pudico. Contestação que serviu, igualmente, para fazer aumentar o número de vendas de um livro que, à partida, nada tem de extraordinário. É o reverso da medalha ou, como têm sido exemplo outros casos semelhantes, o virar do feitiço contra o feiticeiro.

07 fevereiro 2009

Ser ou não ser!

Publicado na edição nº 880, de ontem (06.02.09) do semanário "O Aveiro".

Ser ou não Ser...

É indiscutivelmente a temática mais mediática da actualidade política e judicial deste rectângulo à beira-mar plantado: o caso “Freeport”.
E é-o por diversas e distintas razões: pela surpresa, pelo impacto político e pela insuspeição suspeita. Para não falar do hábito bem português, do melhor desporto nacional: a má-língua, a intriga, a maledicência e o “fait divers”. No meio de tão imprevisível crise financeira, há sempre algo que nos “alimenta” a alma!
Mas comecemos pelo princípio (início): “qualquer cidadão é inocente até prova em contrário” ou “todos os cidadãos são iguais perante a lei e a justiça”.
Por outro lado, a lei da imprensa (por consequência, a comunicação social), logo no seu primeiro artigo, determina: a garantia da liberdade de imprensa, nos termos da Constituição e da lei; que a liberdade de imprensa abrange o direito de informar, de se informar e de ser informado, sem impedimentos nem discriminações; e que o exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura. Assim sendo…
Não faz sentido (e nem será desta forma que se ganham as “guerras” ou as “forças ocultas”) pretender-se limitar o papel de construção da realidade social, de censor e crítico que cabe, por princípio ético e deontológico, ao Jornalista e à Comunicação Social. É seu dever informar e ser informado (investigar, noticiar, prevenir e criar estímulos na sociedade).
Além disso, a Justiça é que tem tido dificuldades acrescidas em lidar com os segredos dos processos de investigação e judiciais. Por outro lado, a Comunicação Social apenas se tem cingido aos factos e à sua apresentação, que na sua maioria resultam de investigação efectuada. E já não é caso único o facto de ser a Comunicação Social, através do seu papel, a provocar a atenção dos cidadãos, da política e da justiça para situações relevantes da sociedade. Lembre-se o caso “Casa Pia”.
Porquê fazer da Comunicação Social o habitual “papão”, quando não se entende que, pelo princípio da separação de poderes e pelo princípio de igualdade de todos os cidadãos perante a lei e a justiça, venha o Procurador Geral, bem como a Procuradora-Adjunta responsável pelo caso, prestar declarações públicas, revelando suspeitas, procedimentos de investigação e elementos que deveriam apenas interessar à justiça! E será, o caso Freeport, apenas uma questão judicial? Ou também um assunto político?!
A justiça portuguesa nunca foi célere em casos que se tornam, por diversas razões, mediáticos. A mesma justiça, reconheçamos, não é igual para todos; lembrando, em inúmeras situações, a máxima de George Orwell (Triunfo dos Porcos): todos são iguais, mas há uns mais iguais que outros. Mas face a todas as circunstâncias e presumindo constitucionalmente a inocência do Primeiro-Ministro, importa que se concluam as investigações e se apure a verdade, sem constrangimentos ou pressões externas (como por exemplo a vitimação em que se têm transformado as várias declarações públicas do primeiro-ministro). Aliás, pressões que a Comunicação Social sofre diariamente. Não é igual (ou parecido) o tratamento noticioso do caso no canal público (RTP) ou até mesmo na SIC, e o da TVI, Sol e Expresso.
Mas importa que a Justiça cumpra o seu papel e que a política dignifique a democracia. Sem pré-julgamentos em “praça pública”.

03 janeiro 2009

Responsabilidade Política

Publicado na edição de sexta-fera, 2.01.09, de "O Aveiro".

Responsabilidade Política.
O Editorial da edição anterior de “O Aveiro”, da responsabilidade do Dr. Pedro Pires da Rosa, focava, de forma interessante e consistente, o problema da “Política e os Cidadãos”, nomeadamente com o inaceitável episódio das faltas parlamentares.
O editorial em causa referia-se à necessidade de controlo do comportamento e assiduidade dos deputados da Assembleia da República.
A posterior reflexão sobre o conteúdo editorial, demonstra que há, no entanto, outras perspectivas e preocupações que se afiguram igualmente relevantes: o papel e desempenho político dos deputados da nação e a ausência do exercício de cidadania e a sua participação na construção do “espaço público” por parte dos cidadãos.
A questão levantada em torno do absentismo parlamentar só permite sustentar (para além da inquestionável falta de controle) que existem deputados a mais no parlamento. Para além de reforçar a ideia, ou a certeza, de que uma grande parte dos mesmos não subscreve um requerimento, uma intervenção ou produz qualquer desempenho profissional prático para além de “levantar o braço”. Já para não referir que quase a totalidade dos eleitos, após o acto eleitoral, se distancia totalmente do cidadão e da região que o elegeu.
Isto significa que o Estado (todos nós) paga a quem pouco ou nada produz. E é isto que distancia o cidadão da política e dos partidos.
Assim, urge uma redefinição urgente do papel, do desempenho e da responsabilidade política dos eleitos da nação.
Mas por outro lado, não se pense que este é apenas um problema da classe política.
A realidade demonstra que o cidadão também se alheou da sua participação cívica, do seu papel e responsabilidade na construção do “espaço público”: a sociedade.
Falta espírito crítico, participação, intervenção social e sentido comunitário. E nas coisas mais simples: na escola, no local de trabalho, no bairro, na freguesia ou no município. Sempre que é solicitada a participação, a maioria dos cidadãos alheia-se da sua responsabilidade (também) política e comunitária, deixando para o poder político toda e qualquer decisão (que mais tarde não se inibe de contestar e criticar).
É também altura, no aproximar de um ano que se afigura extremamente difícil e exigente, de uma maior participação e exercício do direito de cidadania.
Mas para já… um Feliz Natal!

08 dezembro 2008

Repensar Aveiro...

Publicado na edição de sexta-feira, 5.12.08, n' O Aveiro.

Recentemente, por força da iniciativa da Câmara Municipal de Aveiro, várias personalidades e entidades (por exemplo, a Associação Comercial de Aveiro) encetaram esforços no sentido de repensarem a Avenida, criando sinergias para a sua requalificação e recuperação.
Nos dias de hoje, onde o individualismo, a ausência de valores, a descrença no papel da política (e por consequência, nos políticos) e dos partidos, tem marcado a sociedade actual, é evidentemente de louvar o empenho do sector associativo e dos cidadãos a título individual na cooperação e participação das importantes decisões da cidade.
A responsabilidade da gestão da “coisa” (res) pública (publica) cabe às autarquias, mas o direito à participação e à discussão, no fundo, o exercício da cidadania, cabe a todo e qualquer cidadão, numa co-responsabilidade social.
Por uma vez que seja, haja a oportunidade de não se estar sempre à espera do poder instituído (seja local, regional ou nacional).
Mas a questão de fundo não é, apenas, esta meritória participação pública no espaço público.
É sabido que a Avenida é um espaço de referência na cidade, não só pela forma como foi pensada e estruturada por Lourenço Peixinho, mas pelo que representa na história, no desenvolvimento e no presente de Aveiro. Se assim não fosse, não valeria a pena o esforço de se pensar nela. Mas Aveiro não é só a Avenida (mesmo que seja a “nossa” Avenida).
A Cidade tem outros espaços públicos que necessitam de serem repensados e que têm, também, o seu peso na vida aveirense.
Estes merecem igualmente a atenção, a preocupação e o esforço de todos, pelo desenvolvimento estruturado e sustentado da cidade.
Refiro-me ao Parque D. Pedro e à sua revitalização, bem como ao seu enquadramento com a Baixa de Sto. António.
Refiro-me à zona nascente da Estação (pós túnel, com o qual concordo) pela sua importância na acessibilidade e no conceito de mobilidade de um espaço urbano.
Refiro-me à zona da antiga Lota que deveria ter sido prioritária no programa Pólis.
Refiro-me à dinamização do Rossio e da zona Sul de Aveiro (rotunda do Marnoto) como processo de prolongamento (e não estrangulamento) da Avenida.
Refiro-me à marginal da Rua da Pega e à sua inactividade e desaproveitamento.
Refiro-me, por último, à zona envolvente à AveiroExpo e à zona envolvente da Urbanização da Forca (Alameda Silva Rocha), pela sua estagnação.
Aveiro pode e deve ser vista e pensada como um todo… por todos! Pelo seu desenvolvimento sustentado e articulado.