“Debaixo dos Arcos” foi, e ainda é, o primeiro blogue não virtual de Aveiro. Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada": o centro do mundo...
Mostrar mensagens com a etiqueta Educação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Educação. Mostrar todas as mensagens

18 abril 2012

Um país em “festa”…


Publicado na edição de hoje, 18.04.2012, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Um país em “festa”…

Já conhecíamos a, já esquecida, expressão do “porreiro, pá”!
A semana passada ficou marcada, nas correspondentes sessões da comissão parlamentar de educação, por um novo paradigma sobre a gestão de dinheiros públicos e por uma nova expressão: “uma festa”.
Foi esta a expressão resumida da ex-ministra da Educação quando ouvida no parlamento, em sede de comissão da educação, a propósito da Parque Escolar. Para sermos mais precisos, Maria de Lurdes Rodrigues afirmou que “o programa da Parque Escolar foi uma festa para o país. Uma festa, disse a ex-ministra, para as escolas, para os alunos, para a arquitectura, para a engenharia, para o emprego e para a economia.”
Mas o que a ex-titular da pasta da educação não referiu é que esta festa teve (ou tem) um custo que comporta o efeito contrário ao desejado: hipotecar o futuro da educação nos próximos 20 anos, pelo menos.
Ninguém de bom-senso e boa-fé questionará a importância da requalificação do parque escolar nacional. Ninguém, independente de terem ou não filhos em idade escolar, colocará em causa que a qualidade de ensino e aprendizagem também dependem das condições físicas onde a experiência e o saber são transmitidos.
O que está em causa nesta “festa” amarga para o país e para a educação/ensino das crianças e dos jovens é o facilitismo com que tão facilmente se cai no despesismo, na megalomania, na falta de sentido prático e na ausência de consistência entre a realidade e a necessidade equilibrada e sustentada. Porque não é só o investimento desmesurado que está aqui em causa (aliás, algo que é comum a todos os processos de parcerias público-privadas onde o Estado é sempre o “perdedor” e a “presa”). São também os consequentes e elevados custos de manutenção que tornam o sistema insustentável.
Mas há ainda outra realidade que importa reflectir. A total ausência de responsabilidades, para além das políticas (e, normalmente, manifestadas apenas nas urnas) em todo este processo.
É que a “festa” que a ex-ministra da Educação tão calorosamente denominou refere-se a dois relatórios claramente negativos (Tribunal de Contas e Inspecção-geral das Finanças) onde são apontados alguns alguns actos de gestão da empresa responsável pela modernização das escolas como actos “incompreensíveis" e "injustificáveis". Tais actos levaram a uma derrapagem orçamental superior a 200% quando apenas estão requalificadas 205 das 332 escolas previstas (para além de serem apontados incumprimentos legais no valor de 500 milhões de euros). E isto é uma “festa” ou como adianta ainda a ex-governante um claro exemplo de “boa prática de gestão”. Mesmo que o relatório do Tribunal de Contas tenha detectado um aumento superior ao triplo de um orçamento inicial de 940 milhões de euros, terminando em 3.168 milhões. Aliás, é de facto o espelho do cuidado que há na gestão dos bens públicos em Portugal: segundo a Parque Escolar a derrapagem orçamental deveu-se, em primeira instância, ao facto de projecto ter sido estruturado apenas em estimativas. O que só traduz a velha máxima da boa gestão pública: “faça-se e logo se verá como se paga” (ou não).
Infelizmente, a responsabilidade, mais uma vez, acabará por morrer solteira. E quem vier atrás que feche a porta.
Siga a Festa!!!

19 novembro 2011

Hoje é dia...

Dia Mundial da Prevenção a Violência Doméstica Contra Crianças e Adolescentes

Altura para recordar (curiosamente numa fase de início do julgamento) os Rui Pedro deste país e as Maddie de todo o mundo.

Altura para pensar, reflectir sobre o papel das crianças e doas adolescentes nos dias de hoje, o papel dos educadores, a importância dos processos educacionais, as liberdades, o sentido de responsabilidade.
Por todos...


08 novembro 2011

O mundo ao contrário...

Quem de nós, enquanto estudante do ciclo ou do liceu (sim, à moda antiga: ciclo e liceu) não copiou ou não teve a tentação?! E os recursos, mesmo sem as novas tecnologias de hoje, eram do mais diversificados e imaginativos possíveis.

Obviamente que o recurso à técnica dos "auxiliares de memória" são sempre reprováveis, pelo simples facto de adulterarem a realidade ou, também, de criarem injustiça na equidade da avaliação.

A "ancestral" prática é, por outro lado, reprovável pelo corpo docente da educação nacional, bem como por todos os Pais Encarregados de Educação. Parafraseando "Astérix e Obélix"... "todos não! Há uma mãe que resiste à normalidade"! "Aluno copiou em teste com a ajuda da mãe através de sms"  (fonte: expresso online)
Deplorável, criticável, condenável do ponto de vista educacional... E mais grave é o facto de, face à descoberta da "aldrabice", não ter tido a coragem e hombridade de reconhecer o erro. Que rico exemplo...

02 novembro 2011

Ensino sem "TIques"...

Publicado na edição de hoje, 2 de Novembro, do Diário de Aveiro.

Preia-Mar
Ensino sem “TIques”…

Uma das características deste governo PSD/CDS foi a inclusão de um significativo número de ministros e secretários de estado ditos não partidários, independentes, com características mais técnicas do que políticas. São disso exemplo os ministros: das Finanças, Vitor Gaspar; da Economia, Álvaro Santos Pereira; da Saúde, Paulo Macedo; do Ensino, Nuno Crato; e o Secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas.
O que, à partida, fazia prever um bom desempenho governativo, essencialmente sustentado na competência técnica, mais do que na vertente política (com uma imagem demasiadamente gasta junto da sociedade) começa a dar, ao fim de pouco meses e mesmo que ligeira, uma sensação de irrealismo governativo. Nalguns casos, fruto de um forte enraizamento técnico e especializado.
Se no caso de Vitor Gaspar e Paulo Macedo as prestações governativas, apesar de duras e contestadas, são coerentes e rigorosas, já no que respeita ao ministro da Economia têm sido deficitárias ou, em alguns sectores, ausentes, as medidas ou políticas que promovam uma alavancagem urgente da economia nacional.
Por outro lado, já referi publicamente que me congratulei com a escolha de Francisco José Viegas para Secretário de Estado da Cultura deste governo. Mas se tudo apontava para a concretização das expectativas, eis que Francisco José Viegas dá um verdadeiro tiro no pé. E descobre a "pólvora": é que não há uma cultura; há, pelo menos, duas culturas. Uma que pode ser penalizada e desprezada, como é o caso dos museus, do teatro, da música, do cinema. A outra são os livros. Porque razão os livros são diferentes?! Desde quando um livro é mais importante que a música ou um filme?! Porque é que uma visita a um museu ou uma peça de teatro são considerados de menor importância?!
E infelizmente, o mesmo se está a passar no ministério do Ensino, despois de ultrapassadas algumas provas de fogo, como por exemplo a reestruturação curricular com o reforço da carga horária do Português e da Matemática, para além da inclusão dos exames no 6º ano. Não se pode perceber e aceitar que a “gordura” do ensino esteja consignada ao plano curricular e pedagógico.
Daí que seja perfeitamente questionável e criticável a medida anunciada por Nuno Castro no sentido de se contribuir para a poupança dos 102 milhões de euros na educação com o fim do ensino das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) no 9º ano de escolaridade. Não pode ser com base em questões financeiras que se reformulam currículos pedagógicos.
E mais grave e criticável é o argumento utilizado pelo ministro da Educação: “a maioria dos jovens do 9.º ano já domina os computadores perfeitamente e é questionável que seja necessário ter uma disciplina de TIC”. Pela mesma ordem de ideias também os alunos do 9º ano já sabem escrever e ler e já sabem a tabuada, e nem por isso foram excluídos o Português ou a Matemática. Se os jovens querem praticar desporto não precisam das aulas de educação física, vão para os clubes. Ou no caso de moral e educação cívica basta irem para a catequese.
É pena que Nuno Crato entenda que os jovens sabem o que é a informática e as tecnologias da comunicação pelo simples facto de saberem enviarem um e-mail, terem página no facebook ou no hi5.
E mesmo que a isso se reduzisse a importância de uma disciplina como TIC, bastava que a unidade curricular versasse sobre os perigos, as virtudes e a complexidade da internet para haver espaço às TIC desde o 1º ano até ao 12º. E da forma demasiada leviana com que os jovens (e os pais, os adultos) “navegam” na internet e nas redes sociais atrevia-me a uma “colossal” blasfémia: numa sociedade como a de hoje, as TIC são tão importantes como saber ler, escrever, somar ou multiplicar.
E os jovens deste século podem ser muito inteligentes, mas não nascem ensinados… por mais que pareçam.

23 setembro 2010

Ensino/Educação à Portuguesa...

É indiscutível... uma coisa é parecer outra é ser.
Uma coisa é a realidade educacional dos países nórdicos (como Suécia, Finlândia) outra é a tentativa obsecada de a transpor para um país destruturado, sem rumo e que vive à sombra de um mediatismo que encobre as suas fragilidades e o seu real dia-a-dia.
Atiraram-se foguetes com pompas e circunstâncias no lançamento dos "Magalhães", sem cuidar da estruturação do ensino, da sua vertente pedagógica, da promoção do mérito e do saber dos alunos, na defesa do papel do professor.
O governo vive "nas nuvens" e nos sonhos dos avanços tecnológicos (a relembrar a "guerra das estrelas" entre USA e antiga URSS, do final da década de 60, com a chegada à lua - que para alguns ainda carece de certificação), esquecendo as dificuldades dos seus cidadãos e das suas comunidades: familias endividadas, custo de vida, desemprego, empresas a fecharem, autarquias sem resposta financeira para as necessidades das suas população, a saúde a desagregar-se e as escolas a fecharem (apesar dos gritos histéricos em defesa do estado social).
Mas mais grave do que o Governo viver desfasado da realidade do país que (des)governa, ainda é tentar convencer os cidadãos dessa irrealidade ou esconder a verdadeira imagem do país.
Despois da "folia" surge a verdade dos factos:
Afinal o projecto educacional e as condições são tão boas e fortes que o melhor é fechar a escola que é para não destoar do resto da realidade nacional.

13 setembro 2010

Canudos... o que importa são os canudos!

Pensava eu que o "estigma" do peso social de um cidadão com "canudo" estava já ultrapassado, nos dias e na sociedade de hoje…
Pensava eu que a maioria dos cidadãos com habilitações equiparadas ao ensino superior, tinha-se formado por necessidade profissional, por vontade própria ou por valorização pessoal.
Mas não…
De facto o que importa é ter um “canudo”.
Pelos menos é essa importância que o Primeiro-ministro José Sócrates revela como objectivo social e como meta estatística relevante. Quiçá para mostrar à Europa e, já agora, ao Mundo (até porque estará, num futuro próximo, presente na ONU) que, em Portugal, 40% da população com idades entre os 30 e os 34 anos (curiosa a faixa etária porque não se entende a sua fundamentação), daqui a 10 anos (2020), terá formação superior (incremento de 60 mil alunos no ensino superior, na próxima década).
Não importa o que aprenderam (principalmente com formação pós-Bolonha), nem como aprenderam…
Não importa a aplicação prática dessa formação, quer a nível pessoal, quer ao nível do contributo para o desenvolvimento das comunidades e consequentemente do país, até porque, mês após mês, aumenta a taxa de desemprego, aumentam o número de empresas falidas e encerradas.
Não importa, a título de exemplo, que o Estado gaste dinheiro público nessas formações, quando se congelam progressões nas carreiras, se tornam quase que intangíveis as requalificações de carreira, na Administração Pública e Local.
Mas alimenta o ego estatístico de um Primeiro-ministro de um Portugal a fingir…

19 agosto 2010

Pela educação é que não é!!!!

São muitas as vozes que bradam a todos os ventos as perigosidades dos fundamentos e princípios depravados do liberalismo (para muitos neoliberalismo) social-democrata, em várias medidas recentemente apresentadas por Pedro Passos Coelho para uma estabilização da sociedade e economia nacionais, nestes tempos de crise.
Acusam o PSD de delapidar o Serviço Nacional de Saúde, flexibilizar o emprego e as relações laborais, privatizar tudo e mais alguma coisa...
Mas enquanto muitos se entretêm neste discurso retórico e demagogo (tentado em vão quebrar o crescente peso político do PSD como alternativa governativa) , é o PS e o Governo que criam os mecanismos economicistas para prejudicar os mais elementares princípios básicos sociais: emprego, educação, saúde e justiça.
Em relação ao emprego cresce a lista dos portugueses que ficam sem os seus postos de trabalho e agravam-se as prestações sociais; encerram incoerentemente os serviços básicos de saúde, deixando muitos dos cidadãos à mercê da sorte e do destino; a justiça transformou-se num paradoxo, serve mais a uns poucos que a todos e de forma desigual...
Quanto à educação o cenário mostra um país assimétrico no acesso a uma educação básica consistente e igual a todas as crianças e famílias.
Aliás contrariando todos os princípios que o governo sempre disse defender e partilhar com os países nórdicos, nomeadamente a Finlândia. É que por lá, já há muito que se vem promovendo um ensino de proximidade, com escolas mais pequenas e integradas nas respectivas comunidades.
Até porque são discutíveis os princípios que orientam esta atitude do Ministério da Educação que não sabe o que há-de inventar mais para satisfazer um único objectivo: o cumprimento, seja porque vias for, de determinadas metas estatísticas. Mesmo que a qualidade do ensino e a aprendizagem não importem.
É discutível, por exemplo, que a aglomeração/concentração das crianças traga melhor e mais socialização e qualidade na aprendizagem.
É discutível ainda que não sejam apenas e tão só critérios economicistas o princípio que orienta tais medidas.
Começam a existir, com estas políticas, demasiados "portugais" distintos, desequilibrados e injustamente privados de igualdade de oportunidades e condições de desenvolvimento.
Assim como é discutível que o estado garanta todas as condições (transporte, alimentação, melhores escolas, etc) que minimizem os impactos nas crianças, nas famílias e nas comunidades com o encerramento de 700 centros educativos do 1º ciclo do ensino básico.
Acresce ainda que há um sinal claro de distanciamento do governo em relação à realidade do país. Não tendo capacidade para convencer a sociedade, nem capacidade para sustentar a argumentação e a defesa dos princípios que norteiam as políticas governativas, a opção recai sobre o efeito "surpresa" e a falta de solidariedade e colaboração institucionais com os diversos agentes. Ao caso, os vários municípios que estavam em negociações com as diversas Direcções-gerais de Educação o processo de redistribuição da rede escolar do ensino básico.
O Concelho de Aveiro também foi "contemplado" com o encerramento previsto para a EB 1 de Aradas e para a EB de Eirol. Embora seja muito mais "dramática" a realidade do Norte e Interior do País... os sacrificados de sempre.

22 outubro 2009

Um início "derrapante".

O Ministério da Educação, foi (foi-o noutros tempos e há-de ser nos futuros) um dos "pelouros" governativos mais controversos, polémicos e difíceis de gerir politicamente.
Por isso, espera-se sempre mais e exige-se muito do titular desta pasta (talvez a seguir à das Finanças, a mais complexa).
Mas esta nova era, começa mal...
A escritora (não só mas também), Isabel Alçada foi a escolhida por José Sócrates.
Curiosamente, hoje pelas 13:00 Hm Isabel Alçada afirmava, categoricamente, que não tinha sido convidada... duas horas após (15:00 Hm) estava indicada como Ministra da Educação.
Ser ou não ser, eis a questão!
Isto não me parece nada positivo...
Começar logo (mesmo antes de tomar posse) com uma "mentira" política para não contrariar o "Chefe", não traduz uma imagem de segurança e coerência.

01 março 2009

DesEducação Política

Ou como diz o velho ditado: "quem tem cu, tem medo"!
No discurso final de José Sócrates, no encerramento do Congresso do PS, em Espinho, o primeiro-ministro (ou o secretário-geral do partido) anunciou (sem concretizar, como é hábito seu) medidas políticas inovadores e inéditas para a Educação.
Esperamos ansiosamente... a começar pela substituição (caso ganhe as eleições) da actual ministra.
É que, conforme noticia o Público, na sua edição de ontem (Sábado - 28.02.09), a Ministra cancelou a sua participação na inauguração do Conservatório de Música do Dão, (coisa importante em ano eleitoral) por ter tido conhecimento de uma eventual manif preparada pelo sindicato dos professores.
Ora... não é para menos. Confrontos para quê?! Ainda por cima quando são conhecidos importantes dados que demonstram a total falta de valorização do papel do Professor e da sua (des)autoridade escolar: a Procuradoria-geral da República abriu, em 2008, 138 inquéritos relacionados com violência escolar.

12 novembro 2008

Por água abaixo...

Depois do esforço de juntar (ou ajuntar, se quisermos) 120 mil professores (com alguns "apêndices" à mistura), após toda a pressão exercida no Ministério da Educação, por mais adeptos que sejamos da liberdade de expressão, há factos que estão carregados de falta de argumentos: e em poucos minutos, perde-se a razão e vai tudo por água abaixo (ou quase).

09 novembro 2008

Ouvidos de Mercador

Noutras circunstâncias já tinham rolado cabeças ministeriais (por exemplo, o ministro da saúde).
Mas como para o Primeiro-Ministro e a Ministra da Educação o importante são os Magalhães e o premiar o demérito e o laxismo, quaisquer 120 mil pessoas não passam de ruído de fundo e bocas reaccionárias.
E não há duas sem três. (fonte TSF)

18 outubro 2008

Ode à Infância

Publicado na edição de quinta-feira (16.10.2008) do Diário de Aveiro.

Sais Minerais
Ode à Infância…


A Junta de Freguesia da Glória, da qual, orgulhosamente, recordo o mandato exercido na sua Assembleia, celebrou os seus 173 anos de história, homenageando 12 professoras do 1º ciclo do Ensino Básico das Escolas de Vilar, Glória e Santiago e que, no decurso dos últimos três anos lectivos, passaram a categoria de aposentadas.
Pode ser discutível o porquê do acto integrado nas referidas comemorações, sendo certo que qualquer outro evento também seria passível de questionamento. Pessoalmente, acho perfeitamente aceitável. Aliás, coincidindo com o Dia do Professor e face à realidade vivida, nos dias de hoje, pela classe docente, o executivo da Junta merece a minha respeitabilidade pela opção tomada.
Por razões diversas, estive presente.
Apesar de não ter tido qualquer ligação com as homenageadas (curiosamente, apenas professoras), nem as conhecer pessoalmente, não pude deixar de recordar, pela envolvência da cerimónia, o meu percurso da escolaridade primária: o Conservatório e a Escola da Glória.
Por mais esforço que faça, só me vem à memória, um ou outro rosto de colegas que partilharam comigo a mesma sala, as mesmas brincadeiras, o mesmo recreio.
No entanto, é perfeitamente clara a memória de quem me ensinou a ler, a escrever e a contar: professora Madalena, professora Eneida Cristo e professora Maria Teresa Neves.
Felizmente para mim, as memórias vividas apenas trazem boas recordações. Há gente com sorte…
Porque não me restam quaisquer dúvidas que, ainda hoje, persistem nos meus comportamentos escolares ou formativos, a vontade de aprender e a curiosidade de saber, que me souberam incutir na minha infância.
É fácil admirar e contemplar a Torre Eiffel, o Arco do Triunfo, o Big Ben, os Jerónimos ou a Batalha, ou a Estátua da Liberdade. São obra… são perpetuidades físicas, com mais ou menos história.
Mas é muito melhor poder voltar ao quadro preto de giz, às cadeiras de madeira, ao recreio e aos bancos da nossa escola primária.
E poder dizer, mesmo que baixinho, obrigado por me terem ajudado a crescer e a aprender.

Ao sabor da pena…

23 setembro 2008

Faz já a tua matrícula

É fácil, é barato, sem esforço e dá certificado.
A Ministra da Educação afirmou, ontem, que Portugal reúne as condições necessárias para que se possa alcançar o objectivo dos 100% de aprovações no final do 9º ano de escolaridade. (fonte TSF).
Conforme explica, "Os nossos alunos não são menos inteligentes, os nossos professores não são menos preparados, as nossas escolas eram piores, mas estão a ficar melhores. Portanto, com todas as condições, não é uma utopia, é mesmo uma meta para cumprir". (fonte TSF).
Claro que sim, Senhora Ministra. Com a política de cumprimento de metas e objectivos estatísticos (a educação e aprendizagem é algo colateral) praticada pelo seu ministério, não se advinham quaisquer dificuldades.
Aliás, espera-se ansiosamente pela verdadeira revolução no sistema de ensino: matricula-te, goza a vida e em Junho de cada ano recebe no teu Magalhães ou E-Escola o teu certificado on-line.
Isso é que era 100%...

12 setembro 2008

É melhor não mexer...

A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, afirmou hoje, em Gaia, que poderá ser desnecessário alargar a escolaridade obrigatória para 12 anos, como estava previsto no programa do Governo. (fonte Sol)
Ou seja, para a Senhora Ministra da (des)Educação a escolaridade obrigatória poderá manter-se no patamar do 9º ano.
Eu até acho muito bem... Para quê mudar! Hoje, só os que não querem fazer mais nada é que estudam até ao 12º ano.
Para os outros, basta um anito de Novas Oportunidades e o 12º ano está no papo... na "boa" e sem "stress".
Estudar para quê?! Se os alunos aprenderem ainda estragam as estatísticas.
É melhor não mexer, Sra. Ministra. Deixe estar que está muito bem assim.
Até porque o futuro é algo que só a Deus pertence. Seja o futuro de cada indivíduo, seja o do País.

06 julho 2008

1x1=1

Quanto mais se ouvem as explicações e fundamentações ministeriais sobre os exames deste ano lectivo, mais expressão toma o velho ditado: "pior a emenda que o soneto".
Só se confirmam os factos e a realidade: esta estruturação do actual sistema de ensino é um total falhanço.
A necessidade de salvar uma imagem política falhada e destroçada, leva à necessidade de resultados práticos e concretos: facilitar para não errar (reprovar).
Para o ano já temos uma avaliação PISA positiva.
Sem qualidade, sem rigor, sem exigência, sem qualificação, sem mérito, sem preocupação pelo futuro do país.
Mas estatisticamente positiva, claro.

29 junho 2008

Só por estatística...

Para o Ministério da Educação, o ensino é um mero mapa estatístico.
Não há rigor, não há disciplina, não há segurança, não há respeito pelos alunos, falta o reconhecimento do mérito e do esforço, desvalorizou-se o papel do docente, etc.
Para agravar, a única preocupação, da pior ministra da educação que os tempos da democracia já assistiram, é que a União Europeia e os respectivos sectores ligados ao ensino, não definam Portugal como um país onde a taxa de reprovação seja elevada.
Mas qual é o problema dessa realidade?
O que é preferível?! Premiar os melhores ou facilitar a estatísticas e premiar o facilitismo?!
É assim que queremos um país desenvolvido e com recursos humanos qualificados?!
Porque é que as provas avaliativas têm que ser niveladas por baixo e não premiar os que sabem, os que têm valor, os que estudaram, OS MELHORES?!
É por isso que próprio ensino superior já sente os efeitos deste desastre educacional de uma senhora a menos (muito menos) neste governo.

27 março 2008

Edu… quê?!

Publicado na edição de hoje (27.03.2008) do Diário de Aveiro.

Crónicas dos Arcos
Edu… quê?!


Hoje, o esvaziamento do processo de formação e aprendizagem no ensino é preocupante e não deixa de ser um reflexo do próprio esgotamento de uma sociedade desvalorizada, sem objectivos, sem auto-estima, princípios ou socialmente estável.
E é, para mim, estranho que face aos acontecimentos relatados pelos meios de comunicação social (em alguns casos, excessivamente relatados), no caso da agressão de uma aluna a uma professora, no Liceu Carolina Michaelis (Porto) por causa de um telemóvel, se tenha falado e escrito de quase tudo e, na maioria dos casos, de quase nada ou esquecendo o essencial.
Que a situação descrita foi e é grave, ninguém pode colocar em causa.
Que o comportamento da aluna é inteiramente reprovável, nada a opor (embora considere tão o mais grave o comportamento do resto da turma. E esses ainda ninguém questionou).
Que esta realidade é, infelizmente, uma vivência quase quotidiana no nosso sistema de ensino, é algo que só alguns (responsáveis) não querem ver.
Então, porquê tanto alarido? Situações de conflito, indisciplina, alguma violência, já há alguns 25, 20, 15, 10 anos atrás aconteciam, por exemplo, nesta “pacata” cidade de Aveiro, nos nossos liceus. Quem não fez asneira que atire a primeira pedra. Mas então o que mudou?
Mudou essencialmente a dimensão, a violência desmedida e espontânea, a importância dos valores, do sentido de responsabilidade, do sentido de comunidade e de vivência social.
E mudou (e muito), o significado da escola, do papel do professor e do aluno, do auxiliar, do próprio ensino.
E isto ficou, uma vez mais, por debater, questionar, alterar e assumir responsabilidades.
É ridículo reduzir (mesmo com a gravidade dos factos) os acontecimentos ao uso, ou à sua proibição, de telemóveis ou ao próprio confronto aluna-professora (pior, mais uma vez, ou pelo menos tão grave, foi o comportamento do resto da turma e o seu reflexo no futuro). Como se o actual estado do ensino não sofresse de males bem mais estruturantes e profundos.
Como se esta realidade, que se pensa confinada apenas ao ensino secundário, não terá, dentro de muito em breve, reflexos sérios e marcantes no ensino superior.
E já para não falar a própria vida profissional e na sociedade de amanhã.
A escola, para a maioria dos adolescentes e jovens é, hoje, uma mera obrigação (na maioria dos casos desprovida de responsabilidade, mérito e justiça), sem uma perspectiva de futuro ou de valorização. Terminar o 12º ano significa objectivamente o quê? Uma concorrência “desleal” com um recém-licenciado para um lugar num “call center” ou numa caixa de um hipermercado? O esforço de mais três anos de escola (após o 9º ano - escolaridade obrigatória) valerá a pena face à realidade das “Novas Oportunidades”? O Secundário, hoje, profissionaliza e prepara para o quê?
É que a escola, há alguns anos a esta parte, tem servido de “cobaia laboratorial” para as mais diversas e distintas experiências psico-pedagógicas na educação e ensino, sem terem em conta os mais elementares princípios da formação humana: sentido de responsabilidade, respeito, justiça, equidade, convivência e construção social.
O ensino está cada vez menos exigente (com programas curriculares cada mais vazios e simplistas, para não dizer medíocres), incapaz de formar e preparar o futuro, de responsabilizar, de devolver a autoridade e o respeito ao professor, etc..
A escola, enquanto instituição do valor educação/ensino, não soube encontrar argumentos, nem estruturas que a “blindassem” de uma realidade social, onde a família, a liberdade, a justiça e a democracia há muito foram perdendo qualquer referência ou valor.
A escola forma cada vez menos e pior. A escola está vazia, o papel do professor está destituído de respeito e valor. Caiu nas ruas da amargura, como nas ruas caíram os valores, as regras e o sentido de liberdade e democracia.
Sinais que se reproduzem no tempo, no ensino superior, na formação, na sociedade, na vida profissional …
Assim progride a nação. Assim cresce a sociedade.

09 março 2008

PURA BIRRINHA!

A Ministra da Educação desvaloriza um facto, uma realidade incontornável: entre 80 mil a 100 mil (e neste caso 20 mil são trocos) professores saíram à rua.
Inegavelmente, a educação em Portugal está "podre", com reformas totalmente despropositadas, ineficazes e inconsequentes. Seja pela forma como se devaloriza o papel do docente, seja pela forma como é tratado o laxismo e o facilitismo em relação ao aluno, seja pelo esvaziamento dos projectos educativos e pedagógicos ou seja pela forma como se esvaziou a gestão escolar. Este ministério é um total erro de "casting" e de "enredo".
A Ministra diz que seria um acto de cobardia apresentar a sua demissão.
Como pai, eu acho que é um completo acto de cobardia manter-se nas funções. Só dignificaria o País e a Educação se se demitisse.
José Sócrates não afasta a ministra por pura birrinha anti-sindical e por receio que duas remodelações forçadas por protestos seja grave de mais para o seu (des)governo.
Mesmo que a alternativa não seja capaz de provocar mudanças, não é liquido que não seja a própria incompetência e os próprios erros a ditar a alternância. Para o bem ou para o mal...

24 fevereiro 2008

Desresponsabilidades!

A descentralização - que não é o mesmo que regionalização - não pode servir como forma do Estado (governo) se desresponsabilizar do seu papel social, político e de gestão da "cousa" pública.
"Sacudir a água do capote" é uma forma de dissimular a ineficácia e inconsequência das reformas e políticas aplicadas à educação.
Querer disfarçar esta incompetência para fazer da educação uma bandeira governativa, com o "acenar" de transferências de competências e financiamentos para que as autarquias assumam a responsabilidade pela gestãoeducativa do ensino básico é muito preocupante.
É esvaziar o ensino, descaracerizá-lo, despreocupar o Ministério e a sua incompetência.
À custa do chavão da "proximidade" agravam-se as dificuladdes de gestão as autarquias, agravam-se as assimetrias regionais e locais e o seu desenvolvimento (no caso, cultural e educativo) criam-se mais dificuldades políticas e sociais para as Câmaras. Já para não falar nas premiscuidades, nos compadrios e nas "cunhas".
Transferir para o poder local as questões tão relevantes como o insucesso escolar ou a gestão da escola é agravar as já tão débeis capacidades autárquicas.
A educação é da responsabilidade governativa e uma questão nacional
Não pode e não deve ficar ao sabor das assimetrias, das diferenças regionais, culturais, sociais e políticas que retalham este país.
Renovem o papel educativo e de stão escolar dos professores.
A escola deve voltar a ser escola.

17 janeiro 2008

A sustentável leveza social.

Publicado na edição de hoje (17.01.2008) do Diário de Aveiro.

Crónicas dos Arcos
A sustentável leveza social.

A sociedade sustenta o seu equilíbrio e assenta o seu desenvolvimento em três sectores vitais do seu tecido primário: a justiça, a saúde e a educação.
Sem uma efectiva consolidação e exploração destes três segmentos, tudo o que possamos relacionar (economia, cultura, desporto, ciência, o emprego, …) não tem sustentação e significado prático, em qualquer dinâmica da sociedade e nas suas ligações.
Além disso, a realidade que vivemos diariamente mostra-nos que 2008 será, ao contrário da perspectiva optimista do governo, um ano cinzento.
Como poderemos esperar crescimento económico, desenvolvimento tecnológico, estabilidade laboral, tecido empresarial competitivo, poder de compra, se não existir uma preocupação acrescida e apostas políticas consistentes no bem-estar social dos cidadãos, confiantes numa justiça equitativa, num sistema de saúde estável e equilibrado e num ensino que habilite e qualifique competências e aptidões?
A justiça não pode ignorar a realidade social, o sentir dos cidadãos, as suas vivências, nem fechar-se sobre si própria para se erigir sobre o mundo desarticulada da vida e do cidadão. Nem continuar a ser esse complexo misterioso que controla a vida de cada um de nós, mesmo que seja, por natura, garante dos valores, da justiça e da lei. “À mulher de César não basta parecer…” Os cidadãos têm que poder confiar, acreditar, ter certezas.
É certo que sectores do processo judicial pouco contribuem, aos olhos do “mortal” cidadão, para esta clarificação de objectivos e missão da justiça. Ou porque desenraizados e afastados da normal convivência social e das suas relações, ou porque, independentemente do valor e da isenção do serviço que prestam não conseguem criar uma sintonia clara com a sociedade. Mas ao governo, cabe igualmente uma quota parte da responsabilidade do afastamento dos cidadãos em relação à justiça e o isolamento a que está votada na sociedade actual, esta última cada vez mais envolvida numa teia de complexas relações entre os diversos agentes sociais (família, escola, política, economia, comunicação).
Se é um facto que a justiça em Portugal é de uma morosidade, na maioria dos casos angustiante e inquietante, também não deixa de ser preocupante as últimas noticias que nos dão conta que os juízes vão passar a ser fiscalizados pelo tempo que demoram na conclusão de um processo. A questão importante é saber até que ponto esta simplificação da resposta judicial e o apressar da mesma, a qual irá ter uma experiência piloto no Tribunal de Aveiro, não terá reflexos negativos para o resultado final da referida decisão. A pressa sempre foi inimiga da perfeição. Como diz o ditado: “depressa e bem, há pouco quem”.
Curioso é igualmente um outro dado relevante. Este governo, que sempre afirmou que as pessoas não são números, revela uma obsessão desmedida pela estatística. Tudo se reflecte num mero gráfico quantitativo. E é um manja celeste se o mesmo puder camuflar a falta de medidas estruturadas ou o significativo atraso, nos mais diversos sectores da sociedade, em relação à Europa.

Para continuar a ler AQUI (se ainda tiver "pachorra")