“Debaixo dos Arcos” foi, e ainda é, o primeiro blogue não virtual de Aveiro. Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada": o centro do mundo...
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06 setembro 2010

Mais um tiro no pé...

ou se quisermos... mais um passo para o abismo!
Há expressões tradicionais, regionalismo, ditos populares, que, face aos acontecimentos recentes, se tornam realidades linguísticas muito pertinentes: "quem quer ser respeitado, deve respeitar"; "os actos (ou as palavras) ficam com quem os pratica"; "sacudir a água do capote"; "lágrimas de crocodilo"; ... e por aí fora.

Mas acima de tudo quando queremos ser credíveis, quando queremos que acreditem na nossa sinceridade ou na nossa causa, as palavras que proferimos e os actos que praticamos têm um impacto extremamente significativo nas pessoas (nos outros).
Podemos fazer muitas conferências de imprensa, revelar o que consideramos a verdade (pelo menos a nossa), mas tudo se manifesta e acaba por ruir quando a argumentação ou fundamentação que usamos apenas se baseia na delação, no denegrir a personalidade alheia, na banal acusação.

Tal como aconteceu na sexta-feira passada, ainda antes da sentença ser conhecida, o cidadão Carlos Cruz expressava-se, desta forma, em relação a uma das vítimas e testemunhas do processo, precisamente a que o acusou:

É claro que isto não passa de mais uma 'acabala' jornalística da mediatização do caso que não é da Casa Pia, mas sim de Carlos Cruz... malditos jornalistas e comunicação social.

03 setembro 2010

Um passo para o abismo...

Há alturas na vida que o recato, a meditação ou o silêncio é 1000 vezes melhor que as desculpas esfarrapadas, a auto-transformação de acusado a vítima...
Os outros (vítimas, justiça, juízes, inspectores, ministério público, comunicação social, democracia, estado de direito) é que são os maus da fita, é que fazem o país voltar aos tempos de Salazar (esta é gritante) é que estão errados.
A Conferência de Imprensa de Carlos Cruz é (foi) uma verdadeira vergonha... a Comunicação Social devia ter abandonado a sala, logo na primeira declaração.
Carlos Cruz queixa-se do mediatismo que envolveu o processo e o seu nome, ao ponto de afirmar que o processo Casa Pia foi transformado no processo Carlos Cruz. Presunção e água benta...
Queixa-se tanto que foi o único a promover uma conferência de imprensa para tentar criar na opinião pública uma imagem de vitima... Como em quase todo o processo, desde as idas à televisão, até hoje.

Pena é que as vítimas não tenham tido as mesmas oportunidades de mediatização e de falarem livremente.
Pena é que se tenha manchado o nome de uma Instituição que é muito mais que um processo judicial.
A Casa Pia fez muito, mas mesmo muito, por muitos jovens e pelo desenvolvimento social...
Pena que se tenha diluído tudo isso.

01 dezembro 2008

Um olhar...

Publicado na edição de quinta-feira, 27.11.08, do Diário de Aveiro.

Sais Minerais
Um olhar...

(...)
Qualquer crime que envolva crianças, seja qual for a sua dimensão ou tipologia, reveste-se de uma emotividade adicionada e de análises críticas mais acentuadas.
Normalmente, vem-nos à imaginação a monstruosidade dos factos e a tentativa de percepção dos nossos actos na eventualidade dos crimes ocorrerem com aqueles que nos são próximos. E o nosso consciente não consegue encontrar raciocínios lógicos que nos devolvam respostas para justificar os actos, principalmente pela fragilidade e realidade indefesa das vítimas.
As Crianças (e os idosos) merecem, por parte da sociedade e nas mais diversas áreas, um olhar diferente…
Daí que este processo tenha uma revolta acrescida.
Excluindo o envolvimento mediático dos “arguidos” (não cabe aqui qualquer julgamento público, pelo que eventuais condenações apenas pertencem à responsabilidade da decisão judicial), o que parecia ser a aplicação exemplar dos princípios fundamentais da justiça, face à dimensão social e política dos factos, transformou-se num descrédito, na indiferença e na decepção (para muitos acumulada com um sentimento de revolta). Demasiado tempo, demasiados factos paralelos, a hábil capacidade dos advogados para o contorno da lei e o atraso sucessivo do processo (recusas, recursos, excesso de testemunhos, incompatibilidades com os magistrados, etc).
Além disso, se nalguns casos o mediatismo da informação pode parecer incoerente e abusivo, convém não esquecer que fora os media, através do papel do jornalismo de investigação, que despoletaram toda a situação.
Durante décadas os gritos de angústia e revolta de muitas crianças foram sucessivamente silenciados, à custa de uma imagem irreal e incongruente da Instituição (ou de partes e de algumas realidades da mesma), do tráfico de influências e do peso das redes criminosas (ao caso, da pedofilia).
Às crianças e às vítimas “olhou-se” pouco (excepto o período de provedoria de Catalina Pestana, após 2002 e o trabalho da equipa de psicólogos de Pedro Strech). Onde estão? Como estão?
E as perguntas sucedem-se.
Se não fosse o papel do jornalista, que através de um exemplar jornalismo de investigação, trouxe para a esfera pública o que a esfera privada e secreta escondeu ao longo de muitos e muitos anos, qual seria a realidade de hoje na Casa Pia? Uma realidade das nove hora às dezoito horas e outra, bem distinta, à noite?! Alguma vez o pesadelo de muitas crianças e jovens terminaria?
Apesar de todo o mediatismo envolto no processo, há, segundo notícias e entrevistas recentes, alguma continuidade nos casos de abusos sexuais e pedofilia. Não há forma de pôr fim a este “inferno”?
Será que as crianças (ou algumas) da Casa Pia nasceram para sofrer assim tanto?!
E onde está a responsabilidade moral, social e política de quem, ao longo de muitos anos, “encobriu” tão sórdida realidade?
A justiça até pode colocar um fim a um processo arrastado ao longo de seis anos. O que muitos colocam em dúvida, é se a justiça estará preparada e capacitada para fazer justiça. Pelas crianças da Casa Pia.

Ao sabor da pena…

27 novembro 2008

A ouvir com atenção

e com muita revolta e um ligeiro nó na garganta.
Catalina Pestana na RTP com Judite de Sousa.
Soberbo, até pela simplicidade. Mas claramente incisivo.
Com justiça e coragem!

Fonte:David Clifford/PÚBLICO (arquivo)

23 novembro 2008

Processo Casa Pia

Fim à vista, 6 anos depois de ter "rebentado a bomba"? (fonte: Portugal Diário)
Até pode ser que sim... mas eu não acredito em "responsabilizações". A justiça não é cega e não é igual para todos. Este processo deixou muita gente descrédita e indiferente.
O resultado?! A ver vamos.

Links para o histórico no Portugal Diário:
1 - 2 - 3 - 4 - 5 - 6 - 7 - 8 - 9 - 10 - 11 - 12 - 13 - 14 - 15 - 16 - 17 - 18 - 19 - 20 - 21 - 22 - 23 - 24 - 25 - 26 - 27 - 28 - 29 - 30 - 31 - 32 - 33 - 34 - 35

10 outubro 2007

Pela justiça e pelas crianças II - "Remake"

No seguimento do post anterior, é, independentemente de polémico e incoerente, um acto de coragem o que a ex-provedora da Casa Pia vem revelar, ou pelo meno já revelou nesta primeira parte da entrevista ao "Sol".
Por outro lado, um grupo de funcionários da Casa Pia vem, no entanto, insurgir-se com as declarações de Catalina Pestana por as entenderem como "bombásticas" e "inquietantes".
Pois bem... se calhar poderão ter razão!
Porque...
Preocupante é o facto da Justiça não saber lidar com casos mediáticos, polémicos e incisivos.
Preocupante é que, com o arrastar temporal do processo, muito do caso seja arquivo por prescrição.
Preocupante é o país ganhar uma consciência de que existem duas justiças: as dos pobres e as dos ricos.
Preocupante é que, após a divulgação pública e o processo judicial, a situação das crianças na Casa Pia tenha continuado na mesma.
Preocupante é que, apesar da coragem para publicamente continuar a denunciar o caso continuado de pedófilia envolvendo crianças da Casa Pia, se possa, no entanto e face às declarações, vir a constatar que durante o mandato de Catalina Pestana esse abusos sexuais se mentiveram. E como fica a ex-provedora?!
Preocupante é que só após a saída de Catalina Pestana, a ex-provedora venha publicamente e junto da PGR apresentar a denúnica. Então, e durante?!
Preocupante...

07 outubro 2007

Pela justiça e pelas crianças

Como poderemos tratar com justiça, eficácia e consistência os assuntos dos outros (estrangeiros - caso Madie), se não sabemos, não queremos ou temos medo e vergonha de tratar dos nossos (Rui Pedro - Rui Pereira - Sofia Oliveira - etc).

E após tanta polémica, tanto sururu político e social, tenta vergonha nacional, tanta perseguição à blogoesfera, há quem tenha a coragem de não deixar morrer o que a justiça tem o dever de cuidar e tratar.

Para ler este fim-de-semana e no próximo, no semanário "Sol", a entrevista à ex-provedora da Casa Pia: Dra. Catalina Pestana.

Poderá trazer ou não questões novas ao processo e ao tema, mas pelo menos revela a coragem de não deixar "morrer" mais 20 ou 30 anos uma realidade degradante num estado de direito, democrático e livre e que se diz (ou alguns dizem) moderno, europeu e avançado.

Mesmo correndo o risco de violar o segredo de justiça. Ou não...
Pela justiça!