“Debaixo dos Arcos” foi, e ainda é, o primeiro blogue não virtual de Aveiro. Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada": o centro do mundo...
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24 dezembro 2011

Boas Festas

Votos de um Feliz Natal a todos os que, teimosamente, ainda se dão ao "trabalho" de bater a esta  porta.

A todos muito obrigado e que o Pai Natal seja generoso...

Que o espírito natalício nos torne corajosos e criativos para superarmos, colectivamente (como uma família), as dificuldades que vão surgir (e serão muitas).



18 dezembro 2011

Um Natal mais frio...

Publicado na edição de hoje, 18 Dezembro, do Diário de Aveiro

Entre a Proa e a Ré
Um Natal mais frio.

Independentemente de crenças ou religiosidades, nem que seja por uma questão de tradição (ou tradições), o Natal deveria ser um tempo de partilha, de solidariedade, de fraternidade… por mais que se queira evitar ou resistir (ou então nem por isso) o consumismo marca esta época do ano de forma acentuada, muitas vezes supérflua e desnecessariamente acentuada, mas também fruto da vontade (da boa-vontade) de se presentear a família, os amigos, os conhecidos, como forma de reconhecimento, amizade e gratidão. Mas a realidade e a conjuntura que vivemos, os sacrifícios que nos são exigidos, as medidas de austeridade necessárias à recuperação do país, tornam este Natal menos voluptuoso, menos “gastador”, mas também mais frio, mais distante, menos solidário… tudo porque a esperança, a noção da realidade, as dificuldades que os cidadãos já sentem no dia-a-dia, não são razões para sorrir. Recordemos, a título de exemplo, os resultados da última campanha do Banco Alimentar contra a Fome que, apesar de substanciais, foram mais baixos que as campanhas anteriores. Ou ainda as dificuldades que sentem várias instituições de solidariedade, como o caso referido, a Cáritas, as Florinhas do Vouga ou a Cruz Vermelha, com o aumento significativo de solicitações de muitos cidadãos e muitas famílias que, de um dia para o outro, se viram na necessidade de pedir ajuda para sobreviver. Este não é, por isso, um Natal qualquer. Mesmo que as situações de pobreza e de carência sempre tenham existido (e muito dificilmente serão totalmente eliminadas). E não é um Natal qualquer não apenas pelas situações referenciadas. A realidade que vivemos no dia-a-dia vai muito para além do cidadão individual ou da esfera familiar que sente as dificuldades económicas, o desemprego ou a instabilidade profissional. A sociedade tende, dia após dia, a ser cada vez mais conflituosa, com muitos dos cidadãos num confronto desigual pela sobrevivência ou mesmo apenas com recurso a uma violência gratuita, fruto da instabilidade emocional e social. Uma sociedade que tem vindo a criar ondas de indignação perigosamente espontâneas porque imprevisíveis (e explosivas)… uma sociedade que vai perdendo a sua identidade, os seus valores (sejam elas quais forem) e o seu alicerce fundamental: o sentido de comunidade, de solidariedade, de urbanidade (polis). E estes factos não são exclusivos dos grandes centros, normalmente pólos geradores destas conflitualidades sociais (como Lisboa ou Porto). Aveiro começa a sentir essas realidades: conflitualidade social, falta de empreendedorismo que gera desenvolvimento e emprego, carências sociais. Basta um olhar para a semana que passou: a suspensão da fábrica de baterias da Nissan/Renault, a eventual suspensão do alargamento da fábrica da Portucel, a suspensão do serviço de ligação ferroviário na Linha do Vouga sem alternativas visíveis e eficazes… e mais preocupante, os recentes casos de violência: na Praça do Peixe e o assalto, em pleno dia, a uma ourivesaria no centro da cidade. E por mais que se queira valorizar o Natal para além da vertente material, a verdade é que a parte emocional ou espiritual vai-se esmorecendo face às dificuldades que atravessamos, que retiram o brilho do dia-a-dia, esmorecem a esperança e a motivação: o aumento do custo de vida, dos encargos com a saúde, com a mobilidade e acessibilidades, com as transformações laborais, com o desemprego a subir até aos 13% e com o número de inscritos nos Centros de Emprego a subir até perto dos 7% (em relação a Novembro de 2010), com Portugal a ser classificado como o terceiro país mais pobre da Zona Euro (segundo os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística – INE). Acresce ainda um país “massacrado” pelo abandono da sua riqueza natural (agricultura e mar) tal como comprova a recente suspensão unilateral da UE no acordo de pescas com Marrocos; por uma política que deixa muito a desejar no que respeita à ética, à transparência e ao rigor; por uma justiça pouco justa e equitativa, entre muitos outros. E o anúncio do primeiro-Ministro da possibilidade do défice se situar nos 4,5% (muito abaixo dos 5,9% exigidos) não consegue superar esta realidade já que muita da redução resulta nas situações descritas: muitos sacrifícios, desemprego e instabilidade social. Só se espera que daí venham, de facto, frutos e resultados positivos muito em breve. Porque já estamos cansados de ilusões e de realidades disfarçadas. Por isso, não é uma questão de pessimismo, de falta de esperança, e de não acreditar nas nossas capacidades e nas medidas apresentadas… Trata-se de sermos realistas. E a realidade, neste momento, é “triste”: Este não será, para a grande maioria dos portugueses, um Natal igual.

Uma boa semana e um, dentro do possível, Feliz Natal!

21 dezembro 2010

26 novembro 2010

Um exemplo (dos bons, por sinal).

Nunca consegui perceber, nem encontrar nenhum estudo que comprove o efeito que as iluminações de Natal têm no aumento ou diminuição do volume (VOLUME mesmo) de compras natalícias.
Como se cada um dos cidadãos fosse "iluminado" por uma lâmpada azulada qualquer que influenciasse as suas opções de compra.
E em tempos de crise.... todas as "migalhas" contam.
Apesar da regra ainda há excepções com alternativas louváveis.
É o caso da autarquia da Figueira da Foz. (fonte: Expresso on-line)

24 dezembro 2009

Ah! É Natal, claro...

Publicado na edição de hoje, 24 de Dezembro, do Diário de Aveiro.

Cheira a Maresia!
Ah! É Natal, claro…

Estamos em véspera do Dia de Natal…
Por muitos e variados que possam ser os temas e as solicitações para expressar conceitos e fundamentos, nesta data, é imperativo falarmos do Natal.
Por outro lado, seriam muitos os clichés e lugares-comuns que se poderiam usar nesta altura: a conceptualização católica ou cristã do Natal, o espírito comercial e consumista, a consciência solidária e humanista, etc.
Mas há um aspecto que ganha especial relevo: as inúmeras campanhas de solidariedade que proliferam nas ruas, nesta altura.
Muitos questionam a “concentração” e o excesso de solicitações numa altura em que os gastos (por vezes excessivos) retiram a disponibilidade e sensibilidade para o contributo financeiro.
Mas esta poderá ser uma “falsa realidade”. Se não, vejamos: no Natal são as prendas para os “sapatinhos”; normalmente, em Março são os folares para afilhados; no verão são os gastos com as férias; e ciclicamente, após o início dos anos lectivos, voltamos ao Natal.
Desta forma, muito dificilmente ou muito raramente, teríamos campanhas de solidariedade e angariação de contributos.
A razão do vasto número de “bancas”, cartazes, publicidades, interpelações em espaços comerciais ou na rua, prende-se com a noção (na maioria dos casos, comprovada) de que, nesta altura, há uma maior disposição dos cidadãos ou de entidades para as questões solidárias. E mesmo em tempos de crise e de dificuldades generalizadas, os portugueses já comprovaram a sua disponibilidade para ajudar os outros e os que mais precisam (como foi espelho a última nacional campanha do Banco Alimentar).
Por outro lado, o que não deixa de ser uma evidente constatação é a quantidade, por vezes incompreensível, de Associações com objectivos e missões praticamente iguais ou muito semelhantes. E isso é que cria alguma apatia e indiferença.
São as Associações dirigidas às crianças, aos idosos, aos cidadãos portadores de deficiência, às ligadas a doenças, aos problemas familiares …
Tal como se percebe a fundamentação da concentração das campanhas em época natalícia, não seria igualmente mais proveitoso para a sociedade e para a resposta solidária dos cidadãos se houvesse uma maior aglomeração de esforços e objectivos e respectiva diminuição do número de associações similares?!
Entendo que a dispersão, nestes casos, não favorece o esforço, o trabalho e compromisso de solidariedade social.
E já agora… A Todos um Feliz NATAL.

29 dezembro 2008

Que Natal?!

Publicado na edição de sexta-feira, dia 26.12.2008, do Diário de Aveiro.

Sais Minerais
Que Natal?!

Por mais que queiramos contornar a realidade e não usar “clichés” totalmente desgastados, é certo que a chegada do Natal é marcante no calendário anual: são as prendas, mesmo em tempos de crise, e a respectiva azáfama comercial; é o simbolismo social e religioso da quadra; é a revelação (mesmo que por conveniência e descargo de consciência) do espírito solidário e comunitário; é a proliferação dos “jantares de natal” (universo escolar, laboral, do grupo de amigos, etc.) e é, igualmente, a altura “ideal” para as campanhas de solidariedade.
Mas é também chegada altura para a reflexão e análise sobre a actividade das diversas organizações não governamentais de intervenção social ou instituições de solidariedade social. É, nesta época, que se registam o maior número de acções desenvolvidas nos mais distintos e diversificados sectores e áreas da sociedade: nas crianças, nos toxicodependentes, nos idosos, nos mais pobres e nos sem-abrigo (como exemplos).
Existe um contexto transversal a todas as instituições de solidariedade social: elas dependem da “boa vontade” dos cidadãos, seja nas contribuições materiais, seja no desafio do voluntariado, para conseguirem alcançar os seus objectivos.
Infelizmente, a individualização da sociedade e do decremento dos valores sociais, cívicos e comunitários produz efeitos e tem repercussões junto das instituições sociais e da sua subsistência., apesar do seu inegável contributo social.
Apesar do seu trabalho ser contínuo ao longo do ano é, neste particular momento do calendário, que as instituições mais solicitam apoios e “exigem” solidariedade.
Se é certo que quem necessita tem as suas carências ao longo de todo o ano, também não deixa de ser um facto que, enquanto a sociedade vive o direito à celebração do Natal (família, amizade, união), há um crescente sentido de comunidade, solidariedade e respeito por aqueles a quem a vida, por inúmeras razões, os privou de celebrarem condignamente esta quadra.
E não se pense que este é um facto novo, recente, resultado de uma sociedade crescentemente tecnológica e globalizada. Como exemplo, já em 1881 a instituição secular “Albergues Nocturnos do Porto” (ainda em actividade) acolhia pessoas sem recursos a quem fornecia cama e comida, e que preparava (e prepara hoje) uma refeição especial para a noite de Natal.
A diferença é que hoje já são milhares os que adoptaram a rua como habitação, as mais diversas localidades e regiões deste país. A condição de “sem-abrigo” já não separa origens sociais, idades e habilitações profissionais. São cada vez mais os que recorrem às ajudas sociais e que a crise financeira, o desemprego e o desequilíbrio social que se vive e que se perspectiva agravados em 2009, potenciam. E esta é uma realidade, ou melhor, um drama social que não pode, nem deve ser “escondido”.
Nem que seja para nos fazer recordar o que é o Natal. Ou de outra forma, para quê o Natal?!
Ao sabor da pena… em Dia de Natal!

21 dezembro 2006

Voltou o Natal!

Publicado na edição de hoje (21.12.06) do Diário de Aveiro

Post-its e Retratos
É claro... voltou o Natal!


Ciclicamente, nesta altura do ano regressamos aos clichés e aos lugares comuns. Regressamos igualmente ao stress financeiro, social e familiar que este tempo consome e que muitos “prozac’s” e “xanac’s” (substituídos ou não pelos genéricos) se encarregarão de sarar.
É Natal…
O que deveria ser uma verdadeira festa, é, para alguns, indiferença, para muitos, um verdadeiro pesadelo e para uma imensidão, uma utopia ou miragem por não o poderem ter.
E o Natal podia ser tão pouco: uma visita, um telefonema, uma carta, um e-mail.
Podia ser algo doado do que sobra e não faz falta, para quem tem tão pouco ou, às vezes, nada.
Podia ser a redescoberta do tempo para os outros: na família, nos amigos, no emprego ou, simplesmente, na rua. No desejo de fazer os outros felizes.
Mas também podia ser o que se oferece. Mesmo que caro e rotulado de consumista. Porque o sentido de dar, da amizade, da fraternidade ou da solidariedade não tem preço, quando a verdadeira vontade de partilhar e fazer o outro feliz é grande.
E na maioria dos casos, não está em causa o valor monetário do que se dá, mas a oportunidade, o significado e a utilidade do que se oferece.
Por mais que se diga que “o Natal é sempre quando o Homem quiser”, a realidade demonstra-nos que Dezembro é Mágico. Torna as pessoas mais abertas, mais emotivas, mas sensíveis. Basta olhar para as mais diversas e inúmeras campanhas de solidariedade que são publicamente anunciadas nesta altura do ano. Sem “rivalidade” nos outros meses. O que, infelizmente, nos leva a concluir que somos cada vez mais fechados, indiferentes, comodistas e isolados nos restantes onze meses do calendário.
A sociedade ao longo dos tempos transformou-se, independentemente se para melhor ou pior. Também o Natal se transformou num misto de convicções religiosas ou pura e simplesmente num laicismo solidário e fraternal.
Mas há uma realidade comum às assimétricas realidades natalícias. E essa mantém-se inalterada ao longo da história: o Natal, entre mil e uma razões e objectivos, é e há-de ser sempre das Crianças.
De todas as crianças.
As vítimas inocentes da guerra no Iraque, na Palestina e em Israel, no Afeganistão, nos Balcãs, no Sudão e em quase todo o continente africano.
As crianças abandonadas em plena rua.
As crianças vítimas de maus tratos físicos, psicológicos e sexuais.
As que trocam, ou se vêem obrigadas a trocar, a escola pela exploração laboral.
As crianças vítimas da criminalidade, da ausência do sentido de família e da exclusão social, por motivos raciais, políticos e religiosos.
As crianças vítimas da inconsciência e irresponsabilidade rodoviária.
As crianças que sofrem o ostracismo por serem portadoras de vários tipos de deficiência.
E as crianças sãs. As saudáveis.
Aquelas que gozam de plena liberdade, carinho e todas as condições (pelo menos as fundamentais) para serem felizes.
O Natal é delas todas.
Porque só por elas “o mundo pula e avança, como bola colorida, entre as mãos duma criança”.
Bom Natal.