“Debaixo dos Arcos” foi, e ainda é, o primeiro blogue não virtual de Aveiro. Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada": o centro do mundo...
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06 dezembro 2010

A Identidade Nacional

Esta é, pelo menos desde a implementação da República, a verdadeira identidade nacional. A caracterização de uma sociedade ética e responsavelmente questionável.
Não há esforço colectivo, sacrifícios comuns que superem qualquer crise... face a evidente estruturação social.
A real dimensão do clientelismo, cientificamente estudada e provada. (fonte: DN on-line)
Acrescerá a corrupção impune.

08 fevereiro 2008

Pregar aos peixes...

Publicado na edição de ontem (7.02.2008) do Diário de Aveiro.

Crónicas dos Arcos
Pregar aos Peixes!

Não é sobre o Padre António Vieira que pretendo falar, embora toda a sua ora mereça uma reflexão profunda dada a sua relevância na história, sociedade e cultura portuguesas. Mas isso caberá aos entendidos e responsáveis pelas comemorações do quarto centenário do seu nascimento.
A expressão, sobejamente conhecida, leva-nos a outra análise. Passada a euforia carnavalesca (mesmo num país onde o “carnaval” se estende a muitos outros dias do ano e a diversas situações da vida social e política do país) é altura de assentar os “pés na terra”.
O país viu-se, nos últimos tempos, a braços com a euforia (para uns assertiva, para outros demagoga) das afirmações o recém-eleito Bastonário da Ordem dos Advogados, sobre a corrupção e a justiça.
O Dr. Marinho Pinto, fazendo jus ao peso público inerente ao cargo que ocupa, veio abertamente (e sem quaisquer rodeios) expor o que muitos pensam mas não têm capacidade ou coragem para o fazer.
Existe na sociedade portuguesa, nomeadamente na classe política e nos cargos públicos, uma permissividade e impunidade gritantes no que se refere à ética, à deontologia e à corrupção.
Muitos (quase sempre secretamente) bateram palmas. Muitos outros, quais virgens ofendidas (eventualmente com “culpas no cartório”), vieram bradar aos céus sobre a infâmia de tais impropérios e acusar o Bastonário dos Advogados de publicamente acusar mencionar nomes.
Não caberá ao Bastonário indicar, na praça pública, nomes, promovendo e potenciado a difamação ou um atropelo ao bom nome e à reputação dos cidadãos (o que seria uma violação da Constituição da República Portuguesa - artigo 26º).
Assim, como não se pede ao Presidente da República, que nos seus discursos e posicionamentos públicos proceda essa forma.
O que se espera é que, quem de direito e conhecimento dos factos e das realidades, venha publicamente alertar quem (poder judicial e de investigação) tenha a responsabilidade de apurar culpabilidades.
E se dúvidas ainda houvesse na veracidade das afirmações do Bastonário dos Advogados, os casos que a justiça teima em “arrastar” e aqueles que publicamente são conhecidos (desde da classe política, ao governo, à Administração Pública e às autarquias) só reforçam o sentido de oportunidade das afirmações proferidas.

Para continuar a ler AQUI!

06 novembro 2006

Corrupção!

O tema corrupção foi abordado no Congresso da Nova Democracia (a extinguir ou talvez não), pela Dra. Maria José Morgado.
Conforme se pode ler no Arestália, da Susana Barbosa, a intervenção da magistrada foi aplaudida veemente pelos congressistas do Partido (se é que ainda existe!), motivados pela expressão surpreendente da Procuradora-Adjunta: tenho "a sensação" de que a "direita é muito mais sensível" ao combate à corrupção do que "a esquerda, que tem uma dependência crónica do aparelho do Estado e das suas funções sociais". O combate à corrupção, para a direita, está "associado à autoridade do Estado e à defesa da ordem e da lei".
Face à espantosa revelação, não posso deixar de publicar, com a devida vénia e referência ao Arestália, o comentário que me suscitou tal facto.

Cara Susana
Não consigo não falar.
Vai-me desculpar, mas há coisas que são mais fortes do que a minha capacidade de contenção. Como dizia a minha avó: "não consigo aguentar as urinas".
Com todo o respeito que tenho por si, sabe muito bem que sou, por convicção do CDS e, felizmente, por opção já não militante activo, portanto, livre de algumas amarras do dever partidário.
Mesmo contrariando os conceitos político-ideológicos do Manuel Monteiro, considero-me, por isso, alguém de direita. Qual?! Também não é relevante. Mas de direita.
E é espantoso que alguém que sempre se mediatizou e se pautou publicamente pelo combate à corrupção, quase até de forma religiosa (para não dizer fanática) venha publicamente expressar uma afirmação daquelas. A não ser por uma questão de conveniência circunstancial.
Mas que raio... a direita é mais sensível à corrupção do que a esquerda?! Desde quando, com que fundamentos e com que lógica?!
Infelizmente a corrupção existe desde que os homens se relacionam social e economicamente. Sejam elas à direita, à esquerda, ao centro, a trás e à frente.
Ou a corrupção no futebol, que a Dra. Maria José Morgado tanto pretende combater, só existe nos clubes "à esquerda"?! E só nas empresas com empresários "à esquerda"?! E todo o funcionalismo público é de esquerda?! E, como hoje se afirma tão levianamente, a corrupção é relevante nas autarquias, estas são todas de esquerda?!
E os cidadãos julgados e por julgar, por casos de corrupção, são todos de esquerda?!
São estas leviandades tornadas públicas e tornadas dogmáticas que tornam o combate ao flagelo da corrupção mais difícil, denegridem a política e a afastam, cada vez mais, dos cidadãos - sejam eles à esquerda ou à direita.
Cumprimentos