“Debaixo dos Arcos” foi, e ainda é, o primeiro blogue não virtual de Aveiro. Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada": o centro do mundo...

10 janeiro 2006

Rastilhos com pavio curto (actualizado)

Ontem (segunda-feira) houve reunião do executivo e, de novo, a polémica estalou.
Curioso o repto da oposição lançado à maioria, no sentido da extinção da EMA. Curioso porque foi na governação local socialista que a mesma foi criada e, após o Euro 2004, nunca se ouviu a ponderação de tal atitude e muito menos tal facto foi referido em manifesto eleitoral. Mostrar trabalho?! Demagogia?! Curioso... até porque não deixa de ser um inexplicável repto, sendo conhecida a posição da maioria, manifestada no seu programa eleitoral, de analisar, fundir e, eventualmente, extinguir algumas empresas municipais.
Embora o processo não se me afigure de relativa facilidade de execução, é certo que tal realidade é possível.
Sendo assim... deslumbro duas possibilidades orgânicas: a fusão com a empresa PDA (a mais lógica do ponto de vista estrutural) ou a inclusão da ema num departamento municipal com gestão dentro da orgânica da própria cma (eventualmente com os mesmos objectivos). É claro que o dr. Jorge Greno terá em sua posse todos os dados que permitirão uma melhor análise.
Por outro lado, não se percebe o deficit argumentativo e de propostas da oposição camarária, já que a municipal parece mais interventiva e estruturada (dr. Raúl isto não é graxa!).
Perante todos os dados apresentados, todas as discussões tidas, as propostas apresentadas em AM, a oposição socialista do executivo ainda não percebeu que todo concelho tem já noção do estado 'enfermo' das finanças da cma. Esconder para quê?! Justificar o quê?! São factos e são realidades...
Ao contrário do que o vereador Dr. Pedro Silva afirmou (segundo a comunicação social - JN), os munícipes têm todo o direito de saber a verdade. Sem demagogias, sem ilusões e meias palavras.
Um bom serviço à comunidade é aquele que se presta com a verdade e com a realidade, seja ela dura e crua. E foi isso que ficou expresso na entrevista do presidente da cma ao JN (já aqui referida).
Os valores da dívida só se confirmam empolados ou não com o resultado da auditoria, que determinará razões.
O que é uma realidade, é que, face à herança, as dificuldades que se afiguram à cma são muitas. E não serão resultados políticos que estarão em causa... mas sim o desenvolvimento de Aveiro e a qualidade de vida de todos nós munícipes.
A argumentação do 'esta maioria não sabe o que fazer' começa a ficar gasta.
O 'problema' desta maioria é o 'não poder fazer', por clara falta de meios (pelo menos a curto prazo - segundo o presidente) .
Se os houvesse, poderia-se questionar a forma como seriam ou não utilizados.
Mas a realidade mostra que não os há.. ou seja o 'pavio é curto'.

 
Actualização
Este espaço, apesar da conexão política por opção ideológica (antiga e ex-militância) do autor, não tem qualquer tipo de subserviência política.
Sempre procurou a via democrática, pluralista e respeitosa, como aliás o comprovam os vários comentários aqui expostos e os que foram feitos noutros espaços.
Mas este blog errou. E errou porque se esqueceu de referir com justiça um facto que por diversas vezes refutou e criticou. O Dr. Pedro Silva regressou (independentemente da compatibilidade ou não)... mas honra seja feita, regressou para assumir o seu compromisso eleitoral. Esperemos que o regresso não seja efémero. Como já o disse... para bem da democracia e de Aveiro.

4 comentários:

sequestrado disse...

Caro Migas, análise e comentários simplesmente fantásticos. Na mouche!

sequestrado disse...

E o que é mais extraordinário é que na mesma notícia (seguindo o seu link até ao Notícias de Aveiro), o Dr. Pedro Silva fala numa dupla qualidade que não pode exercer simultâneamente: presidente da Rota da Luz e Vereador da CMA. Oportunismo político do mesmo ou gaffe do jornalista?

Joao Pedro Dias disse...

Meu caro Miguel, apenas uma reflexão sobre os teus comentários relativos à proposta de extinção da EMA. Essa proposta reflecte a forma como os socialistas vêem as empresas municipais: criam-nas, dão com elas em pantanas, e quando alguém tenta recuperá-las, armam em salvadores da pátria e dão o seu veredicto. E qual é ele? Pura e simplesmente.... encerrá-las! Eis o socialismo no seu melhor! Esquecem, porém, que com esse procedimento ficam por resolver dois problemazinhos que eles próprios criaram: 1º) Como e por quem vão ser pagas as dívidas acumuladas dessa empresa? Não dizem! 2º) Como e quem vai pagar o defice de exploração permanente que o Estádio gera, muito por culpa da decisão da Câmara socialista que transferiu para a EMA a responsabilidade pelo pagamento de um subsídio anual de 500000 euros (cem mil contos) ao Beira-Mar? Não dizem! Provavelmente porque estão habituados a fazer e a lidar com dívidas, encontrar formas de as pagar não é com eles... Sério, sério mesmo, era apresentarem soluções construtivas para ajudarem a resolver estes dois problemas. Um abraço!

migas (miguel araújo) disse...

Caro amigo João Pedro
Eu não fiz qualquer proposta de extinção das EM's. Comentei uma notícia e referi duas possibilidades face a um possível cenário de dissolução.
Penso que te referes ao repto da oposição socialista para a extinção da EMA. Já o disse que o achava estranho e concordo inteiramente contigo.
O erro está mesmo já feito. Convém repará-lo e não anulá-lo ou virar-lhe as costas.
Bom trabalho e aquele abraço.