“Debaixo dos Arcos” foi, e ainda é, o primeiro blogue não virtual de Aveiro. Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada": o centro do mundo...
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06 novembro 2011

Quo Vadis?! Europa e Itália...


Face aos mais recentes acontecimentos que já extravasam a “targédia grega” parece relevante e preocupante que, ao fim de cerca de dez anos, a Europa tenha dado um enorme passo atrás na sua consolidação como um projecto de união solidária entre povos.
A verdade é que não é apenas o euro que está em causa. Esse será o reflexo de uma Europa que não se solidificou, não se democratizou, não soube respeitar a diversidade na unidade. Uma Europa cada vez mais a dois e retalhada, cada vez mais dividida e assimétrica, sem rumo, sem capacidade de resposta, sem solidez… cada vez mais questionável.
E as surpresas são constantes…
Primeiro a Grécia e as constantes peripécias e jogos estratégicos que ninguém percebe nem se justificam…
Depois surge a surpresa da Irlanda com o colapso bancário.
A seguir começava o ciclo das economias mais frágeis e, após tantos disfarces da realidade e tanto adiar o inevitável, surge a crise portuguesa.
E quando todos esperavam pelo afunda espanhol, eis que a “tragédia” e a factura da irresponsabilidade governativa bate à porta da terceira maior economia da zona euro: a Itália de Berlusconi.
Que mais falta acontecer a esta Europa?! 







03 maio 2011

Anúncio Troikado... a minha decepção.

foto: Mário Cruz / Lusa
Ao final da tarde a comunicação social deixava o país suspenso com o anúncio da declaração de José Sócrates à nação para a apresentação das medidas previstas no pacote de negociação ao apoio do FMI.
Era expectável que José Sócrates (curiosamente, ou não, ladeado por Teixeira dos Santos) dissesse aos portugueses quais as medidas de mais sacrifício serão impostas.
Mas nada disso... O Primeiro-ministro demissionário apenas veio informar algumas medidas que não estarão previstas no "pacote FMI" e deixar recados. Curiosamente, demasiados recados. Principalmente para o PSD e Pedro Passos Coelho.
E mesmo sem nada dizer em relação ao que seria de esperar, o que é um facto é que o PSD e Passos Coelho perderam "pontos" e argumentação: o silêncio quanto a propostas alternativas reais e concretas, os demasiados tiros no pés, erros de estratégia, anúncios avulsos de medidas desestruturadas, erros de previsões.
Ao que tudo indica, o PEC IV é, em todo, a "moeda" de troca do resgate financeiro FMI.
E José Sócrates antecipa o que será a sua bandeira eleitoral, face a um inexplicável silêncio e apatia social-democrata:.

(do discurso)
O acordo que o Governo conseguiu:
Não mexe no 13.º mês, nem no 14.º mês, nem os substitui por nenhum título de poupança;
Não mexe no 13.º mês, nem no 14.º mês dos reformados;
Não tem mais cortes nos salários da função pública;
Não prevê a redução do salário mínimo;
Não corta nas pensões acima dos 600 euros - mas apenas nas pensões mais altas, acima dos 1 500 euros, como se fez este ano nos salários e como estava previsto no PEC.
Não terá de haver nenhuma revisão constitucional;
Não haverá despedimentos na função pública;
Não haverá despedimentos sem justa causa;
Não haverá privatização da Caixa Geral de Depósitos;
Não haverá privatização da segurança social, nem plafonamento das contribuições, nem alterações à idade legal de reforma
.

Este é um programa para três anos que define metas para uma redução mais gradual do défice: 5,9% do PIB este ano, 4,5% em 2012 e 3% em 2013.

A ausência de negociação e de medidas concretas por parte do PSD, a anulação de pontos fracos nas medidas e políticas do Governo, deixam o partido numa desvantagem muito difícil de recuperar para que o dia 5 de Junho se traduza numa vitória (aparentemente mais distante).

Como dizia o Hélder Vicente, no twitter: "a estratégia é simples, lança-se o pânico (cria-se a crise política, vitimiza-se, sacode-se a água do capote) e com a ajuda dos amigos (Merkel, UE, FMI) apresenta-se como salvador" .

A ver vamos o que a "Troika" confirma ou desmente na apresentação real e concreta do "pacote" negocial.

E o ex-ministro das Finanças, Eduardo Catroga, não tem prestado um bom serviço ao partido. Já não bastava a reivindicação por fascículos, vem agora reclamar louros que todos sabem que não teve, principalmente face a um processo negocial que sempre declarou desconhecer. Já não bastava um "Nobre"...

23 abril 2011

Mais uma bomba orçamental... Que Futuro?


A máquina do marketing político socialista não pára de surpreender.
Em pleno Sábado, no meio de dois feriados, de mini-férias, enquanto parte do país ainda se deslumbra com o último sopro da época benfiquista de futebol, rebenta mais uma “bomba” governativa: INE revê em alta défice de 2010 – de 8,6 para 9,1%. (fonte: Jornal Económico)
Como surpreendente é, ainda, a falta de ética, de moral, de rigor, de verdade, deste governo. Principalmente a incapacidade para assumir que se errou, que falharam as medidas e as políticas aplicadas em seis anos de governação.
E teme-se que, neste período, pré-eleitoral se confirme uma velha máxima na democracia portuguesa: “o povo tem memória curta”.
Só espero que, no limite, o povo não seja estúpido.
Porque as desculpas apresentadas não têm qualquer fundamento.
As regras metodológicas não justificam, por si só, as sucessivas revisões (recorde-se que já em Março havia sido divulgada nova revisão de 7,3% para 8,6%).
A questão é que o Governo andou a esconder, da Europa e dos portugueses, a verdade sobre as contas; onde, de facto, gastou o dinheiro de todos nós em contratos pouco claros, em parcerias duvidosas, em protocolos não existentes.
Face à inevitável necessidade de recurso à ajuda externa, que o Governo e José Sócrates não evitaram e provocaram, a presença da Troika do FMI e as negociações em curso servem, entre outras coisas, para demonstrar a verdadeira realidade do país, do seu estado económico, do (des)governo socialista dos últimos 6 anos. E para colocarem as contas em ordem.
Pena que o país, na altura das verdades, adormeça com os “soundbites” dos Nobres e dos vídeos de Boa Páscoa, ou com o deslumbramento de um jogo da bola!
E se junte a esta deplorável desresponsabilização governativa! E à forma como está destruído o futuro de Portugal.

19 abril 2011

A ler os outros... de forma insuspeita. Muito bom!

Podemos ser contra. Podemos marcar sempre a nossa posição e as nossas convicções.
Temos o dever de defender os nossos eleitores... temos o dever de manter a confiança em quem vota em nós.
Um facto: o FMI está cá. Ponto!
Outro facto: com ou sem a participação de todos, vai haver "contracto" de resgate.
O que é preferível. Ser apenas do contra porque se é, por convicção, do contra? Ou fazer ver os nossos pontos de vista e dar o nosso contributo para minimizar o problema?

Passividade e abstenção são condenáveis em democracia e em política. E são erros que se pagam caro.

01 março 2011

À primeira todos caimos...

... à segunda só cai quem quer!!!!

Já ninguém acredita neste Governo… se calhar já nem o próprio Governo acredita em si mesmo.

As incoerências e incongruências das medidas e políticas governativas no combate à crise e na necessidade de estancar o défice das contas públicas são por demais evidentes. Infelizmente, para a maioria dos cidadãos que se vêem privados de parte dos seus salários, de direitos sociais, de melhor qualidade de vida, de mais desenvolvimento económico e social, os sacrifícios são muitos e não vão parar por aqui.
 
Mas tal como em Portugal, onde a confiança em José Sócrates roça o limiar do ponto zero, são imensas as dúvidas de que as instâncias europeias e internacionais ainda acreditem no sucesso orçamental deste governo.
 
Daí que a “visita” de Sócrates e de Teixeira dos Santos à Sra. Merkle mais não seja do que a confirmação do desaire da gestão do país e a confirmação da entrada da ajuda externa que, para o comum do cidadão, já tanto faz que seja o Fundo Europeu ou o FMI.
Mesmo que para as hostes socialistas seja conveniente que se entenda e se classifique o encontro como o garante do futuro europeu ou da sustentabilidade da Alemanha… como se Portugal tivesse um peso europeu de relevo ao ponto de servir como referência.

Resta saber até que ponto os portugueses conseguirão resistir mais, conseguirão suportar mais esforços e sacrifícios, conseguirão conter o descontentamento.

26 novembro 2010

Quem avisa...

É por demais evidente a pressão externa (seja da União Europeia, seja da Alemanha, seja dos próprios mercados - já que a taxa de juro não baixa dos 7% - seja igualmente por desejo de muitos dos portugueses) para que Portugal recorra ao fundo de emergência europeu e aceite a presença do FMI para regular as finanças nacionais.
Acresce que a edição alemã do Financial Times afirma hoje: "Depois da Irlanda, vem Portugal. Palavra de jornal alemão. De acordo com a edição de hoje do Financial Times Deutschland,  o Banco Central Europeu e a maioria dos países do Euro estão a pressionar o Governo de José Sócrates para pedir auxílio ao fundo de resgate europeu e ao FMI."DN on-line) (fonte:
Se é certo que a realidade da Irlanda, com a banca totalmente falida, não é a mesma que a de Portugal, o mesmo não significa que a realidade económica, financeira e social portuguesa seja melhor que a irlandesa. Esta é uma verdade que é preciso não escamotear.
E as respostas que surgiram por parte do Governo Português, da União Europeia e de Durão Barroso fazem recordar realidades futebolísticas: quando um Presidente afirma que o treinador, em situação de crise, tem 200% da confiança da direcção, normalmente, passadas duas semanas está despedido.
Portanto... mais vale prevenir que remediar.
E quem nos avisa, nosso amigo é!