“Debaixo dos Arcos” foi, e ainda é, o primeiro blogue não virtual de Aveiro. Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada": o centro do mundo...
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10 dezembro 2007

Eu presidente! Apetece-me porque sim.

A política sempre foi frutuosa em irrealismos ou em casos inexplicáveis e surrealistas.
A política é, em variadas circunstâncias, uma fonte de megalomanias e obsessões doentias pelo exercício do poder.
Muito distante dos princípios éticos da antiga retórica grega.
Quando tal exercício deveria corresponder a um dever e um direito de cidadania, mais não é que a usurpação da ilegitimidade de subjugar, reprimir, ordenar, “mandar”. No fundo, o velho lema de “quero, posso e mando”.
De tal forma que o exercício de representação da vontade democrática dos cidadãos, do garante do funcionamento da democracia, da liberdade, do funcionamento das instituições, é subvalorizado pelo princípio ditatorial, déspota e opressor da dignidade e liberdade humana.
Já não basta a ameaça (qualquer dia realidade) face aos resultados do referendo; já não bastava ter alterado o nome do país, para República Bolivariana da Venezuela e de redesenhar a bandeira nacional, Hugo Chavez decidiu agora alterar a hora. Tudo, segundo a sua justificação, em nome da sociedade socialista do século XXI.
Assim, os venezuelanos acordaram hoje mais cedo, sem razão aparente e sem perceberem muito bem porquê. Para além do facto de Hugo Chavez ter decidido alterar a hora e criar uma zona horária única para a Venezuela, porque lhe apeteceu.
Porque sim…

03 dezembro 2007

Por agora... NÃO!

Porque NO te calas...?!
A Venezuela (ou pouco mais de metade dela - cerca de 56%) votou Não no referendo que pretendia alterar substancialmente a constituição e que, segundo o Presidente Hugo Chavéz tinha o objectivo de implementar um projecto de um regime de socialismo do século XXI.
Um projecto totalitarista, autoritário e anti-democrático, que de socialista tinha muito pouco ou quase nada.
Como exemplo, um regime que lhe permitiria apresentar-se indefinidamente à presidência ou conferindo-lhe o direito de censurar a imprensa, em situações de crise. Como se de crises precisasse para o fazer como o fez num passado recente.
No entanto, a sua sede de poder e de autoritarismo é tal que, face ao elevado número de abstencionistas e à diferença mínima dos resultados expressos (50,7% - 49,3%), apesar de ser a primeira vez que Hugo Chavéz perde um escurtínio livre, lá foi lembrando os venezuelanos e quem o quis ouvir: tal como no primeiro golpe de estado tentado em 1992 - "Por agora, não ganhámos".