“Debaixo dos Arcos” foi, e ainda é, o primeiro blogue não virtual de Aveiro. Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada": o centro do mundo...

24 janeiro 2006

Normalidades profundas

O expresso de 20.01.2006 (sexta-feira passada) faz-nos regressar à realidade nua e crua da nossa condição de portugueses, após a euforia desvanescente das presidenciais. E enquanto o PS vai decidindo o que fazer com a 'força de bloqueio' da legitimidade eleitoral dos resultados de Manuel Alegre!
Fernando Madrinha, no seu Preto no Branco, realça o país real, através de uma sociedade onde as desigualdades são mais acentuadas e a injustiça assume contornos cada vez mais preocupantes.
Resumidamente (por necessidade economicista de caracteres):
- Segundo o Eurostat, em solo luso, os mais ricos detêm 7,4 vezes mais riqueza do que os mais pobres. Por exemplo, na Dinamarca a diferença situa-se nos 2,9.
- 2.000.000 de portugueses, ou seja 1/5 da população, vivem abaixo do salário mínimo, por mês (menos de 350 euros).
- Temos a maior taxa de abandono escolar da União Europeia (nem sei se com a entrada da Turquia conseguimos deixar de ser últimos).
- Para rematar, Portugal encontra-se no mesmo ponto que em 1995, no 'fosso' entre ricos e pobres.
- No que respeita à repartição dos rendimentos, segundo dados da ONU, Portugal encontra-se abaixo da Tanzânia e um lugar acima de Moçambique.
Não é anedota!

Estes são os números de uma sociedade mais desigual, mais assimétrica e obviamente com um problema grave de injustiça social.
Como se dizia na 'estória' das hienas: "rir de quê?!".

6 comentários:

Catitinha disse...

Nao se esqueça que com a eleição do Prof. Cavaco Silva em breve esses dados serão invertidos.Pelo menos foi o que apregoaram na campanha.

Espero que não desiludam que nele votou!

RM disse...

Esta é que é a verdadeira história.

Pedro Neves disse...

Este é, infelizmente, o cenário do país. Mas será que já não era verdade quando ainda não eramos governados pelo PS? Quem esteve lá antes tb não é responsavel pelo estado a que «isto» chegou? E porque é que só dizemos as verdades qd estamos no lado da oposição?

Venezaveirense disse...

A situação em que se encontra o nosso País tem vindo a degradar-se conforme o tempo vai passado. Comparo-a a uma bola de neve que vai rolando e crescendo, negativamente, no sentido de cada vez mais termos os ricos mais ricos e os pobres mais pobres da Europa. Investimento com avançada tecnologia é preciso mas a parte educacional e principalmente a social deterioram-se em cada dia que passa.
Enquanto o nosso povo não for ensinado a exercer os seus direitos mas também os seus deveres de cidadãos responsáveis, cumpridores e exigentes não só com os outros mas principalmente consigo próprios...
Enquanto se "permitir" que os trabalhadores com profissões liberais "fujam" ao fisco prejudicando todos os demais...
Enquanto "perdoarmos" todos os grandes erros que têm vindo a ser cometidos por altos responsáveis sem que sofram qualquer penalização...
Enquanto não se der as condições mínimas de trabalho para que se possa "obrigar" os profissionais de diversas áreas entre as quais da educação e da social a cumprirem as suas obrigações que são a de educar e encaminhar as situações de decadência (cada vez mais visíveis)...
Enquanto não estiveremos "praí" quando os problemas chegam ao vizinho, preocupando-nos apenas e só quando se aproximam de nós ou dos nossos...
Enquanto não aparecer alguem que nos faça acreditar que somos realmente bons e que para vencermos teremos de tomar a tal atitude de seriedade que falta a muitos...
Enquanto isso não se concretizar e formos andando à deriva à espera de um "Salvador" e não nos convencermos que a salvação de nós depende...
Enquanto isso, pensemos e passemos o nosso entusiasmo a outros para que tal aconteça e o nosso País cresça e floresça.

Venezaveirense disse...

REFORMADOS ACTIVOS – SOMOS OS MELHORES

País dos Reformados

Ao menos num capítulo ninguém nos bate, seja na Europa, nas Américas ou na Oceânia: nas políticas sociais de integração e valorização dos reformados.
Aí estamos na vanguarda, mas muito na vanguarda.
De acordo, aliás, com estes novos tempos, em que a esperança de vida é maior e, portanto, não devem ser postas na prateleira pessoas ainda com tanto a dar à sociedade.
Nos últimos tempos, quase não passa dia sem que haja notícias animadoras a este respeito.
E nós que não sabíamos!
Ora vejam:
- o nosso Presidente da República é um reformado;
- o nosso mais "mortinho por ser" candidato a Presidente da República é um reformado;
- o nosso ministro das Finanças é um reformado;
- o nosso anterior ministro das Finanças já era um reformado;
- o ministro das Obras Públicas é um reformado;
- gestores ilustres e activíssimos como Mira Amaral (lembram-se?...) são reformados;
- o novo presidente da Galp, Murteira Nabo, é um reformado;
- entre os autarcas, garantiu-o o presidente da ANMP, há "centenas, se não milhares" de reformados;
- o presidente do Governo Regional da Madeira é, entre muitas outras coisas que a decência não me permite escrever aqui, um reformado;
e assim por diante...

Digam-me lá qual é o país da Europa que dá tanto e tão bom emprego a reformados, que valoriza os seus quadros independentemente de já estarem a ganhar uma pensãozita, que combate a exclusão e valoriza a experiência dos mais (ou menos...) velhos!
Ao menos, neste domínio, ninguém faz melhor que nós.
Ainda hão-de vir todos copiar este nosso tão generoso "Estado social"...

(Joaquim Fidalgo
Jornalista)

Pensamento (meu): será esta uma das principais razões pela qual os nossos jovens licenciados estão no desemprego e iniciam a sua vida activa tão tardiamente?

P.S. - Peço desculpa pelo alongamento mas este é um assunto que realmente me preocupa demasiado.

migas (miguel araújo) disse...

Venezaveirense
Boas vindas
óptimos comentários. e esteja à vontade quanto ao uso dos caracteres.