“Debaixo dos Arcos” foi, e ainda é, o primeiro blogue não virtual de Aveiro. Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada": o centro do mundo...

28 janeiro 2006

Por falar em

Futebol.
Acabo de ter um rasgo de assombração. Algo parecido com um filme 'dejá vu'.
Passei pelo Estádio Municipal. Recordei o Euro 2004.
Grande Festa. Muito alaranjada (não é política). Muitos holandeses, checos e os simpáticos visitantes da Letónia.
Do ponto de vista político (sublinhando as palavras do Dr. Girão ao Diário de Aveiro numa entrevista pós eleições autárquicas), qualquer presidente que estivesse à frente dos desígnios camarários na altura, teria tido sempre a tentação de cosntruir o estádio.
Mas, a realidade mostar-nos que tal facto teve mais custos que proveitos, quer para Aveiro e genericamente para o País.
E não é que vamos repetir a dose?! Qual sensação masoquísta!!!!
Portugal vai acolher o Euro 2006 em Sub-21. É certo que a maioria das infraestruturas estão construídas e em funcionamento.
Aveiro vai ser palco de tal evento, com a realização de quatro jogos (3 na primeira fase e um da meia-final).
Mas quem está ligado ao desporto sabe perfeitamente que não basta ter um campo para jogar.
Há sempre obras a fazer, estruturas a corrigir e alterar, investimentos e muita logística.
Ou seja, mais dinheiro para gastar.
E onde está ele?! O país está em crise ou afinal é apenas uma ilusão financeira?!
Ele há coisas que...

6 comentários:

Terra & Sal disse...

Meu caro Migas
Cumprimento-o com a satisfação, mesmo virtual, de estar aqui à sua frente para dois dedos de conversa.
Indo a sair aqui do “Café Arcada”, onde o senhor “Belmiro” me serviu um rico e bem escaldado café de saco, não pude deixar de ouvir a sua conversa sobre o estádio, o Euro 2004, algumas preocupações e até, o desânimo que manifestou.
O dia hoje está frio mas soalheiro e, se calhar, vou demorar mais do que devia, se me permitir.
O Euro 2004 foi uma grande festa sim. Para Aveiro, para todos nós Aveirenses que abrimos os nossos corações a essa boa gente que fez tudo para merecer a nossa confiança e hospitalidade. Por isso, estou certo, muito nos honrou a sua visita.
Claro que tudo isso teve um custo, um custo se calhar elevado ou apenas, aparentemente elevado.
Depende dos pontos de vista, de ter ou não, valido a pena.
É certo que a Câmara de Aveiro gastou muito, se calhar mais do que podia. Sabemos que o entusiasmo era geral e creio que todas as bancadas da Assembleia Municipal, representativas da vontade popular, deram o seu aval à Câmara para avançar.
Esta Câmara teve vantagem sobre as outras, tanto quanto sei.
Não teve significativas “derrapagens” financeiras, parece-me.
Algumas congéneres foram uma desgraça.
Depois gastou o País dinheiros que aparentemente fariam mais jeito aplicado noutras prioridades mas, por outro lado, temos de ver o reverso da medalha.
Penso que o nosso País, a única saída que tem, se é que ainda há saída possível, é virar-se para o turismo e, para isso, é preciso investir muitos e muitos milhões durante muitos e muitos anos.
Esquecendo os efeitos imediatos dos gastos que ainda hoje nos faz andar com a “barriga a dar horas”, não acha que quem nos visitou (e foram muitos e muitos milhares) não vai promover Aveiro, as suas gentes e Portugal nas longínquas terras de onde vieram?
Naquele curto espaço de tempo que durou o Euro 2004, os jornais, a televisão, a rádio estrangeiras a transmitir para os 4 cantos do mundo, dia e noite, a levar tão longe a nossa Ria, os nossos moliceiros, as nossas marinhas, o nosso Sol, não foi tão bom?
Não terá sido um lançar de “sementes” ao mundo?
Quanto é que imagina, por exemplo, que a nossa “pequenina Rota da Luz” para fazer uma sempre pobre propaganda turística, gasta por ano?
Informe-se e veja a proporcionalidade.
Para promover seja o que for, com o mínimo de qualidade, é preciso muito dinheiro.
Quantos milhões e milhões teriam de gastar para transmitirmos uma ténue imagem daquilo que lhes demos e os fizemos sentir?
Será que aqueles que cá estiveram, ainda não voltaram uma segunda vez e não trouxeram mais alguém?
Os seus familiares, os seus filhos, os vizinhos não vieram ou um dia destes não virão por aí abaixo para ver como é?
Agora vai vir o Euro 2006 em Sub-21; que seja bem-vindo (e não seja forreta, sejam um mãos largas). Agora, é só dar uma pintadela à casa, o resto está feito.
Um Abraço amigo,
Terra & Sal

Farol da Barra disse...

Caro Migas,
A pergunta que coloca tem toda a pertinência. Toda a gente fala em Euro sub 21 mas ainda ninguém nos disse quanto vai custar isso. A Aveiro e ao País. Por mim preocupo-me com Aveiro. Com o País deve haver quem se preocupe... Por isso as perguntas e inquietações que coloca têm muita razão de ser. Eu fico sempre alerta e desconfiado quando essas questões não são logo esclarecidas. Desconfio sempre. Cheira-me a esturro, como diz o nosso povo...

Claro que todos percebemos os comentários do ilustre antecedente. Que mais não seja por dever de ofício e necessidade de sustentar uma obra feita (mesmo que não paga, isso não interessa nada....) é preciso é que as coisas avancem. Pagamentos e contas? Minudências. Alguém tratará disso. Quanto mais não seja os que vierem a seguir - porque o eleitorado é desatento mas não é parvo. E quando menos se espera.....
Em todo o caso não deixa de ser louvável o esforço do nosso Terra & Sal, que o é também do "tempo da terra", desta terra que é de todos nós, para defender a sua «dama». Fica-lhe bem, mesmo quando insiste em defender o que não tem defesa e em sustentar o que não tem sustentação. Um poucochinho de humildade não faria mal nenhum a ninguém. Mas isso é daquelas coisas - ou se tem ou não se tem. E no caso em apreço, como Aveiro acabou por reconhecer, a falta de humildade pode causar amargos de boca. Alguns que demoram muito a passar...
No mais, caro Migas, receba cumprimentos dum seu leitor atento, cá do alto deste farol donde vou vendo o que aí por a cidade se vai passando...

sequestrado disse...

Seria já tempo que as gentes de Aveiro entendessem que a obra do Estádio, vulgo Estádio Novo, foi efectivamente aprovada pela Assembleia Municipal, debaixo de uma proposta da CMA e para um orçamento inicial de aprox. 30M€. O que se passou a seguir, é filme que todos já conhecem e a obra acabou por custar cerca de 65M€. Também está escrito e gravado como é que a AM reagiu a este filme. Derrapagem, dizem alguns, critérios mal definidos à partida dizem outros, má planificação e coordenação entre as diferentes entidades envolvidas, nomeadamente CMA, Governo, FPF e UEFA, dizem ainda mais uns quantos. A obra está feita e o que é certo e sabido é que esta obra é responsável por uma grande fatia do desequilíbrio orçamental da CMA (ninguém o pode negar) e, mais importante ainda, a rentabilização do investimento ali efectuado tem-se revelado de extrema dificuldade, até pelas valências que o próprio equipamento não possui e, a meu ver deveriam ter sido contempladas aquando da fase do projecto.
A questão do Europeu de Sub-21 é, agora, uma questão menor. Feita que está a obra, talvez seja mais uma oportunidade de a divulgar (e digo talvez, porque neste caso concreto até acho que ela já está bem divulgada nacional e internacionalmente). Claro que os custos são importantes de quantificar à partida. É primordial que assim se faça, sobretudo se a CMA está numa situação financeira muito difícil. Claro que deve haver transparência em todo o processo. Mas também é para mim clarao que há oportunidades de divulgação de Aveiro e da sua "marca" que não se podem perder; devem é ser bem aproveitadas e geridas convenientemente e em conjunto por TODAS as entidades que directamente possam aportar mais valias na rentabilização de mais este evento; sem excluir nenhuma.
Quanto a meter querelas ou tricas ou até politiquices primárias pelo meio, disfarçadas com ironias mais ou menos bem dispostas, toda a gente as dispensa, até porque são essas que afastam as pessoas em vez de permitir que os esforços se conjuguem.

migas (miguel araújo) disse...

Meu caríssimo ilustre Terra&Sal.
Os meus iguais respeitosos cumprimentos.
Tenho, acredite que sinceramente, pena que de facto a conversa seja apenas virtual.
Seria, com todo o gosto, que tomaria um rico e bem escaldado café de saco consigo. Para a próxima não hesite. Mesmo que por mail, envie lá um agradável convite.
Quanto ao seu comentário (que até nem foi assim tão longo), respeitosamente existem questões para as quais tenho muitas dúvidas.
Uma, o caríssimo Sequestrado fez o especial favor de me elucidar: afinal houve derrapagem e acima do dobro. Mas apesar disso e do peso que tem hoje no orçamento e nas dificuldades financeiras que a CMA atravessa, continuo a afirmar que a tentação (pelo menos esta) de construir o estádio é uma facto concreto.
O que questiono, amigo Terra&Sal, é de facto o reverso da medalha. O reverso para a incapacidade do suporte financeiro, a inviabilização de outros investimentos para o concelho e a não concretização de uma ‘explosão’ do comércio turístico na região de Aveiro. Repare que, segundo os dados que tenho (e que podem não estar correctos, admito) no verão de 2005 não existiu qualquer acréscimo e rentabilização da actividade turística motivada pela projecção do euro 2004. Aliás em Aveiro houve um decréscimo na presença de turistas estrangeiros. Mas tal seria de esperar. Pelo orgânica do euro, o excesso dos estádios, provocou, nalguns casos, que a presença das selecções, dos seus staf’s e dos seus apoiantes, fosse efémera, muito rápida, com uma presença praticamente reduzida a um dia e com preocupação única do jogo. Portanto Terra&Sal a imagem que Aveiro deixou nestas gentes não pode ter sido muito grande.
Quanto às alternativas que o prezado faz referência, nomeadamente nos investimentos que a ‘pequenina’ Rota da Luz (pequenina é da sua autoria - acho que o Dr. Pedro Silva terá outra opinião) teria para promover Aveiro, poderei ter igualmente outra leitura: com o investimento que, normalmente, se utiliza em eventos desportivos desta natureza os apoios a entidades, empresas e empresários e associações culturais e gastronómicas, seriam igualmente bem empregues para que a região de Aveiro fosse mais e melhor projectada. Não existe EuroFutebol todos os anos e há regiões por essa Europa fora (que o caríssimo até conhecerá) e que têm no turismo a sua mais valia e os seus principais investimentos.
Mas até admito que esta seja uma oportunidade válida para rentabilizar o investimento de 2004, aliás como o refere o caro Sequestrado. Mas meu prezado amigo não no iludamos. Olhe que não bastará dar uma pintadela à casa (neste caso colar mais uns azulejos) e a projecção de um Euro de Sub-21 não é comparável às das selecções principais. E aqui sei do que falo, porque até estive na organização do mundial de juniores em basquetebol, que também ocorreu em Aveiro (pavilhão do galitos).
Aguardo o café de saco.
Sinceros, respeitos e amigos Cumprimentos

migas (miguel araújo) disse...

Em tempo e para os devidos esclarecimentos dos ilustres visitantes.
O Expresso desta semana (edição 1735 de 28.01.2006), na sua página 17, traz uma curiosa e a propósito notíca relacionada com o Euro 2006 - Sub-21. Par além do preocupante título "Ultimato da FPF aos 5 estádio do Euro Sub-21", pode ser sensivelmente a meio da notícia: Na realidade, a FPF prev~e ter um prejuízo de quase 300 mil euros com a produção deste campeonato, que está muito longe de alcançar o estatuto e receitas idênticas às geradas pelo Euro 2004.
Mais à frente ainda se pode ler:
O atraso na passagem ao papel dos acordos verbais estabelecidos decorre, ao que o Expresso apurou, da entrada em cena da Associação Portuguesa de Estádios (APE). Criada a propósito do Euro 2004, etsa entidade quer ser o interlocutor de todas as negociações e entende que os proprietários dos estádios devem ser compensados financeiramente.
Como se pode verificar, promoção do País muito fraca, turismo regional inexistente. Tentativas, para já, não consumadas de rentabilização dos espaços.
Apenas se dislumbra o benefício desportivo desta organização, pelo facto de a selecção portuguesa poder jogar em casa. Mas a repetir-se o euro 2004 nem sei se isso será vantajoso. Não me diga o caro Terra&Sal que isto é péssimismo. Concorde antes comigo que se trata de realismo bem português.

Terra & Sal disse...

Meu caro Migas:

É meu hábito, para já, vir para aqui para o seu “Debaixo dos Arcos” e para o “Margem Esquerda” do também caro Dr. Raul Martins, “ouvir coisas” e opinar também, umas vezes seriamente, outras a brincar, e julgo que toda a gente é suficientemente capaz de destrinçar uma coisa de outra, e tudo isso faço enquanto vocês o permitirem.
Tanto de um lado como do outro, geralmente dão-me cabo do “canastro”, a começar por si, mas não me zango, já estou “malhadinho” de outras andanças e “quem anda por gosto não cansa”.

Procuro não ferir e respeitar as opiniões dos outros conforme elas merecerem.
Tenho comigo uma regra que cumpro religiosamente:
“Fazer aos outros o que quero que me façam a mim” portanto, estou à vontade.
O civismo é património de gente civilizada, daí…
Depois, há o hábito (que se calhar só eu não entendo) de haver comentários muito limitativos e sem conteúdo. Não gosto!
Ou se comenta ou não se comenta, embora reconheça que os meus “excessos” sejam tão maçudos que passem ao lado de muita boa gente.

Continuando aqui no seu post, que você é especialista em arranjar assuntos controversos, digo o seguinte:
Não vou responder ao Farol da Barra que, para já não é do nosso concelho e não foi elegante nos seus comentários.
E ainda porque não defendo “damas”, porque não sou monárquico nem cavaleiro e, muito menos pajem seja de quem for.
Consigo Caro Migas, haverá e vai haver certamente ocasião de nos conhecermos melhor. Entretanto, vamos aqui desenvolvendo conversas de “bem e mal dizer” daqueles que nos desgovernam e ajudarmos, se pudermos de algum modo, a tornar Aveiro melhor para todos.

Ao sequestrado, que parece ser uma pessoa de convicções muito rígidas, deve ser mais abrangente a sua compreensão sobre a opinião dos outros.
Os números interessam, mas, insisto, não houve “derrapagens”.
Quando se faz uma casa não somos rígidos naquilo que se vai fazer, há sempre um ou outro aditamento e no estádio foi o que aconteceu.
Não houve derrapagens e má gestão dos dinheiros e isso é que importa salientar.
Cumprimentos
Terra & Sal