“Debaixo dos Arcos” foi, e ainda é, o primeiro blogue não virtual de Aveiro. Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada": o centro do mundo...
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09 janeiro 2009

Uma questão linguística

Quando o jornalismo não é cuidado ou não tem cuidado com as rasteiras linguísticas do Português.
Não teria sido preferível outro título para o Expresso... um talvez com menos probabilidades de leituras paralelas?
"Um ano negro no emprego americano". (fonte: expresso)
Isto em cima da tomada de posse do novo presidente americano, Barack Obama. É "galo".

27 julho 2008

Acordo Ortográfico

Começa a dar frutos"culturais" a assinatura do Acordo Ortogáfico.
Prémio Camões 2008 - instituído pelos governos português e brasileiro em 1988, o Prémio distingue, anualmente, um autor que, pelo conjunto da sua obra, tenha contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da língua portuguesa (fonte RTP).
Independentemente do valor do premiado, João Ubaldo Ribeiro (escritor brasileiro), é legítimo colocar uma questão: porquê propostos, este ano, apenas escritores brasileiros?!
Então e os outros?!!!

12 abril 2008

Apontamentos...

Publicado na edição de quinta-feira (10.04.08) do Diário de Aveiro.

Crónicas dos Arcos
Bloco de Apontamentos…


Primeira folha.
Já por diversas vezes afirmei que entendo necessária uma fiscalização eficaz, mas mesmo tempo consistente, racional e coerente, sobre toda a actividade económica em Portugal. Mas a qualquer preço? Óbvio que não.
Há que ter no rigor e eficácia interventivas, a mesma dose de racionalidade e ponderação. As leis existem, devem ser cumpridas, mas, as mesmas devem ser aplicadas em função de realidades muito concretas. As leis devem servir os cidadãos (e, consequentemente, o Estado) e não subjugar os mesmos.
Considerar que uma inofensiva máquina de “brindes ou chocolates”, à porta de um café ou de um simples restaurante, constitui um grave atropelo à lei que normativa o jogo de “sorte ou azar” (comparando a qualquer máquina ou actividade de um casino) só revela, não a grandeza, mas sim a pequenez da estrutura deste país. Agir punitivamente só porque a criança, ao colocar uma moeda de 1€ na máquina, não sabe o brinde que lhe sairá, é de um exagero e irracionalidade interpretativa da lei que começa a preocupar.
É o mesmo que agir fiscalmente sobre uma caixa de multibanco (tecnicamente, ATM) só porque ao pretender levantar 30€ não sei se sairão 3 notas de 10€ ou 1 nota de 20€ e outra de 10€. Já para não falar que, chegados ao fim do mês (face à crise), pode-se ter o azar de não ter saldo e não haver nota nenhuma. Isso é que é jogar com a sorte...
Segunda folha.
Parece ser agora consumada a alteração significativa da língua portuguesa, face ao Acordo Ortográfico.
Curiosamente, contrapondo necessidade de afirmação e preservação da língua nacional (cada vez mais mal tratada), assistimos à sua reestruturação e reformulação morfológica e gramatical (por exemplo, no caso da conjugação do verbo haver com a proposição “de”, por força da supressão do hífen: “hão-de” pode ser substituído por “hão de”) de uma forma pouco lógica e, acima de tudo, pouco reformativa no que seria o essencial e natural da evolução linguística. A língua é a identidade de um povo. O que se verifica neste Acordo é, não um aproximar de identidades, mas sim a subjugação de uma identidade (brasileira) sobre as outras, com claros prejuízos para a língua portuguesa. E isto passa a ser um “fato”.
Terceira folha.
Por mais dividendos políticos que se possam auferir da situação criada em torno do chumbo do Tribunal de Contas face ao plano que a Câmara Municipal de Aveiro preparou para o saneamento financeiro do município; por mais críticas que se possam dirigir ao Tribunal de Contas e por mais esforços, engenharias e estratégias financeiras que se tenham de desenvolver como alternativa… a realidade é só uma: há muitas empresas que esperavam ver liquidados os valores a que têm direito por serviços prestados à autarquia; há muitas famílias de trabalhadores dessas mesmas empresas que ficam preocupados; há uma cidade que vê reduzida a esperança no investimento no seu desenvolvimento; há empresas municipais em risco; há todo um Concelho que perdeu. Ou seja… podem-se fazer todas as conjunturas, os “dejá vu” que quisermos, mas há só um facto: todos os aveirenses ficaram a perder.
Quarta folha.
Nunca o espírito olímpico foi tão posto em causa e contrariado como nos dias de hoje. A chama olímpica, mais de que um símbolo de união e fraternidade entre os povos, tem sido uma verdadeira “chama da polémica e da contestação”.
Sendo certo que atropelos aos direitos humanos, à liberdade dos povos e ao direito à sua independência, existem no quatro cantos do mundo, não deixa de ser um facto que é reconhecido à China um triste e infeliz papel nesta realidade, contribuindo (e muito) para o seu agravamento.
Contrariando as vozes que defendem que o desporto não deveria ser manchado por acções políticas, entendo ser perfeitamente coerente que, dentro do espírito dos Jogos Olímpicos se promovam as acções de protesto e alerta para o legítimo direito à auto-determinação e independência do Tibete e para a realidade dos direitos humanos na China.

26 outubro 2007

A Língua...

Publicado na edição de hoje (26.10.2007) do Diário de Aveiro

Crónicas dos Arcos
A Leitura e a Língua.

Esta semana, no plano nacional e para além do “deve e haver” do Millenium BCP, um dos enfoques relevantes centrou-se nos hábitos de leitura dos portugueses.
Foi amplamente divulgado pela comunicação social e claramente “politizado” pelo Ministério da Educação um estudo que refere os hábitos de leitura dos portugueses.
O universo deste estudo incidiu sobre 7,5 milhões de portugueses residentes no continente. Ou seja, cerca de 2/3 da população portuguesa.
Deste estudo, fica a conclusão de que, nos últimos 10 anos, os portugueses lêem mais. No entanto, este aumento é mais acentuado na leitura de jornais e revistas do que na leitura de livros (aumento de apenas 7%). Embora mais de metade da população portuguesa tenha o hábito de leitura, este é ainda pouco abundante, já que a média dos livros lidos se situa entre duas a cinco obras por ano. São muito poucos os leitores portugueses que lêem anualmente entre 11 a 20 livros.
Além disso, segundo o estudo “A leitura em Portugal”, as bibliotecas domésticas são muito reduzidas, contendo entre 21 a 50 livros (excluindo os escolares), reflexo da maioria dos leitores portugueses serem contidos na aquisição de obras - entre um a cinco livros por ano.
Por outro lado, o referido estudo indica um acréscimo de importância no espaço/tempo dedicado à leitura nos estabelecimentos de ensino. No entanto, os dados analisados revelam que os hábitos e o interesse pela leitura vão diminuindo à medida que a idade escolar vai aumentando.
Sendo dado adquirido que a maioria dos leitores prefere as obras de autores portugueses aos escritores estrangeiros traduzidos, há uma abordagem paralela que é necessário efectuar-se: a valorização e a preservação da língua portuguesa.
É óbvio que a preferência pela leitura de obras de escritores portugueses valorizará e protegerá a língua portuguesa, dando-lhe o relevo, importância e dimensão necessárias. É, no entanto, curioso e importa referir que esta relação entre a língua e a leitura de autores portugueses, não está a ser devidamente acompanhada no ensino, nomeadamente no básico e no secundário, com a desvalorização do “português” e nas falhas na exigência para com uma avaliação cuidada na escrita e na oralidade. Não pode bastar saber escrever e falar. Deve-o ser feito de forma correcta e coerente.
Além disso, para além do função, mesmo que extracurricular, que as escolas e os professores possam desempenhar no incentivo à leitura e consequente preservação e resguardo da língua portuguesa, a família, como pilar educacional, tem que assumir um papel relevante na criação de hábitos de leitura e desenvolvimento cultural dos seus membros. Seja pelo exemplo parental, seja pela própria necessidade que as crianças sentem em ler (segundo os dados, é no início do 2º ciclo do ensino básico que existe maior empatia pela leitura).
Mas o estudo revela outra faceta que importa não descurar.
A preferência pelo tipo de leitura, apontada pela grande maioria dos portugueses, respeita aos jornais e revistas (8 em cada 10 portugueses refere ler jornais ou revistas). Ou seja, uma parte significativa da comunicação social, tem um papel de relevo nos hábitos de leitura e, por consequência, na subsistência e protecção da língua portuguesa.
Mas será assim?!
A crescente mediatização, cada vez mais acentuada, da informação, o desenvolvimento das tecnologias da informação (informática, Internet, telecomunicações), a globalização do espaço e do tempo, a “multi-culturalidade” e a diversidade social, têm transformado um dos aspectos mais importantes da identidade de um povo - a sua língua - numa questão de somenos relevância, como se o desenvolvimento social, económico e político não dependesse igualmente do estado cultural duma nação.
E a comunicação social, hoje, perdeu uma das suas qualidades fundamentais: o exemplo e o espelho da divulgação e resguardo da Língua Portuguesa.
Não deve bastar apenas o cuidado jornalístico em dizer “o quê” (difusão da mensagem informativa). Há que saber cuidar e transmitir, correcta e coerentemente, as mensagens, para que a oralidade e a escrita difundidas não sejam mais um contributo para a deterioração e degradação da Língua Portuguesa.
Por Camões, Almeida Garret, Fernando Pessoa e muitos mais…

08 novembro 2005

A Importância de Portugal

Numa fase em que se fala de patriotismo, humanismo, cultura e economia, na pré-campanha eleitoral para as presidenciais, recebi este e-mail que transcrevo, por entender que é de extrema importância para a posição de Portugal na Comunidade Internacional, nomeadamente na ONU.
Como é possível que a Língua Portuguesa não seja ainda uma das línguas oficiais das Nações Unidas... Em todo o mundo são mais de 250 milhões os cidadãos que se entendem em língua portuguesa.
Parte-se do facto de mais de 250 milhões de pessoas se expressam no idioma português, com importante presença sócio-cultural e geopolítica em várias nações de todos os continentes, sendo a quinta mais falada no mundo (em números absolutos), a terceira entre as consideradas línguas universais de cultura e uma das
quatro faladas nos seis continentes.
Considerando que uma língua, além de meio de comunicação, expressa conteúdo existencial, modos de sentir, de pensar e de viver de agrupamentos humanos, constituindo, através dos séculos, uma identidade cultural, com peculiar criatividade, valores ético-sociais e sentimentos colectivos, reflectidos no idioma que são intraduzíveis e que necessitam continuar vivendo e revelando culturas;
Considerando que a lusofonia vem se situando de forma crescente em várias partes do mundo, pelos seus escritores, poetas, inventores, cientistas, artistas, somando-se desde os navegadores e descobridores que fizeram sua história, com significativa presença nos meios de comunicação de massa através de telenovelas, noticiários, reportagens, etc, projectando-se na literatura, música, desportos e artes em geral;
Considerando que nosso idioma, ao se tornar oficial no universo da ONU, colocando-se em condições de igualdade com outros idiomas, é ato de respeito e apoio às comunidades das nações de língua portuguesa, valorizando sua unidade e participação sócio-económico-cultural no contexto internacional;
Considerando o trabalho da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa / CPLP, que tem alcançado novos contornos nas relações internacionais, minimizando conflitos ideológicos do passado e ressaltando suas potencialidades nacionais e parcerias internacionais, com documentos de Chefes de Estado e de Governo das oito nações, em projectos de cooperação que estão dando corpo e alma aos fundamentos dessa nova Comunidade;
Considerando que a comunidade – CPLP – tem-se empenhado (embora pouco e mal) em valorizar os seus três pilares – da política, da economia e da cultura, que colocam em conexão, de maneira respeitável, a África, a América Latina e a Europa, enfatizando o carácter universalista da lusofonia, que cada vez mais se afirma em nível supra-nacional;
Considerando que a iniciativa de tornar oficial o idioma português na ONU estará, por justiça e méritos, prestando um histórico serviço aos países de língua portuguesa, que constituem uma comunidade presente e actuante em todos os Continentes, com expressivo contingente populacional, incluindo: Brasil, com 180 milhões de habitantes, uma das dez maiores economias do mundo, líder natural do MERCOSUL; Portugal, com 10 milhões; Angola, com 11 milhões; Moçambique, com 17 milhões; Cabo Verde, com 417 mil habitantes; Guiné Bissau, com 1 milhão; São Tomé e Príncipe, com 130 mil e Timor-Leste, com 175 mil (estimativas recentes), que somam variados costumes, crenças, raças, tendências políticas e que têm a lusofonia como forte laço de identidade cultural e cooperação;
Considerando que o português também é falada noutros países: África do Sul -300.000; Alemanha - 170.000; Argentina - 32.000; Austrália - 12.000; Bélgica - 70.000; Canadá - 415.000; Espanha - 70.000; EUA - 2.280.000; França - 808.000; Grécia - 2.500; Holanda - 11.000; Israel - 13.000; Itália - 16.800; Japão - 170.000; Luxemburgo - 150.000; Paraguai - 325.000; Reino Unido - 100.000; Suécia - 7.000; Suiça - 157.000; Uruguai - 15.000; Venezuela - 400.000; Zimbabwe - 2.000; Importa que os cidadãos também se manifestem.
Link para a petição - Aqui