“Debaixo dos Arcos” foi, e ainda é, o primeiro blogue não virtual de Aveiro. Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada": o centro do mundo...
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08 novembro 2011

O mundo ao contrário...

Quem de nós, enquanto estudante do ciclo ou do liceu (sim, à moda antiga: ciclo e liceu) não copiou ou não teve a tentação?! E os recursos, mesmo sem as novas tecnologias de hoje, eram do mais diversificados e imaginativos possíveis.

Obviamente que o recurso à técnica dos "auxiliares de memória" são sempre reprováveis, pelo simples facto de adulterarem a realidade ou, também, de criarem injustiça na equidade da avaliação.

A "ancestral" prática é, por outro lado, reprovável pelo corpo docente da educação nacional, bem como por todos os Pais Encarregados de Educação. Parafraseando "Astérix e Obélix"... "todos não! Há uma mãe que resiste à normalidade"! "Aluno copiou em teste com a ajuda da mãe através de sms"  (fonte: expresso online)
Deplorável, criticável, condenável do ponto de vista educacional... E mais grave é o facto de, face à descoberta da "aldrabice", não ter tido a coragem e hombridade de reconhecer o erro. Que rico exemplo...

02 novembro 2011

Ensino sem "TIques"...

Publicado na edição de hoje, 2 de Novembro, do Diário de Aveiro.

Preia-Mar
Ensino sem “TIques”…

Uma das características deste governo PSD/CDS foi a inclusão de um significativo número de ministros e secretários de estado ditos não partidários, independentes, com características mais técnicas do que políticas. São disso exemplo os ministros: das Finanças, Vitor Gaspar; da Economia, Álvaro Santos Pereira; da Saúde, Paulo Macedo; do Ensino, Nuno Crato; e o Secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas.
O que, à partida, fazia prever um bom desempenho governativo, essencialmente sustentado na competência técnica, mais do que na vertente política (com uma imagem demasiadamente gasta junto da sociedade) começa a dar, ao fim de pouco meses e mesmo que ligeira, uma sensação de irrealismo governativo. Nalguns casos, fruto de um forte enraizamento técnico e especializado.
Se no caso de Vitor Gaspar e Paulo Macedo as prestações governativas, apesar de duras e contestadas, são coerentes e rigorosas, já no que respeita ao ministro da Economia têm sido deficitárias ou, em alguns sectores, ausentes, as medidas ou políticas que promovam uma alavancagem urgente da economia nacional.
Por outro lado, já referi publicamente que me congratulei com a escolha de Francisco José Viegas para Secretário de Estado da Cultura deste governo. Mas se tudo apontava para a concretização das expectativas, eis que Francisco José Viegas dá um verdadeiro tiro no pé. E descobre a "pólvora": é que não há uma cultura; há, pelo menos, duas culturas. Uma que pode ser penalizada e desprezada, como é o caso dos museus, do teatro, da música, do cinema. A outra são os livros. Porque razão os livros são diferentes?! Desde quando um livro é mais importante que a música ou um filme?! Porque é que uma visita a um museu ou uma peça de teatro são considerados de menor importância?!
E infelizmente, o mesmo se está a passar no ministério do Ensino, despois de ultrapassadas algumas provas de fogo, como por exemplo a reestruturação curricular com o reforço da carga horária do Português e da Matemática, para além da inclusão dos exames no 6º ano. Não se pode perceber e aceitar que a “gordura” do ensino esteja consignada ao plano curricular e pedagógico.
Daí que seja perfeitamente questionável e criticável a medida anunciada por Nuno Castro no sentido de se contribuir para a poupança dos 102 milhões de euros na educação com o fim do ensino das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) no 9º ano de escolaridade. Não pode ser com base em questões financeiras que se reformulam currículos pedagógicos.
E mais grave e criticável é o argumento utilizado pelo ministro da Educação: “a maioria dos jovens do 9.º ano já domina os computadores perfeitamente e é questionável que seja necessário ter uma disciplina de TIC”. Pela mesma ordem de ideias também os alunos do 9º ano já sabem escrever e ler e já sabem a tabuada, e nem por isso foram excluídos o Português ou a Matemática. Se os jovens querem praticar desporto não precisam das aulas de educação física, vão para os clubes. Ou no caso de moral e educação cívica basta irem para a catequese.
É pena que Nuno Crato entenda que os jovens sabem o que é a informática e as tecnologias da comunicação pelo simples facto de saberem enviarem um e-mail, terem página no facebook ou no hi5.
E mesmo que a isso se reduzisse a importância de uma disciplina como TIC, bastava que a unidade curricular versasse sobre os perigos, as virtudes e a complexidade da internet para haver espaço às TIC desde o 1º ano até ao 12º. E da forma demasiada leviana com que os jovens (e os pais, os adultos) “navegam” na internet e nas redes sociais atrevia-me a uma “colossal” blasfémia: numa sociedade como a de hoje, as TIC são tão importantes como saber ler, escrever, somar ou multiplicar.
E os jovens deste século podem ser muito inteligentes, mas não nascem ensinados… por mais que pareçam.

23 setembro 2010

Ensino/Educação à Portuguesa...

É indiscutível... uma coisa é parecer outra é ser.
Uma coisa é a realidade educacional dos países nórdicos (como Suécia, Finlândia) outra é a tentativa obsecada de a transpor para um país destruturado, sem rumo e que vive à sombra de um mediatismo que encobre as suas fragilidades e o seu real dia-a-dia.
Atiraram-se foguetes com pompas e circunstâncias no lançamento dos "Magalhães", sem cuidar da estruturação do ensino, da sua vertente pedagógica, da promoção do mérito e do saber dos alunos, na defesa do papel do professor.
O governo vive "nas nuvens" e nos sonhos dos avanços tecnológicos (a relembrar a "guerra das estrelas" entre USA e antiga URSS, do final da década de 60, com a chegada à lua - que para alguns ainda carece de certificação), esquecendo as dificuldades dos seus cidadãos e das suas comunidades: familias endividadas, custo de vida, desemprego, empresas a fecharem, autarquias sem resposta financeira para as necessidades das suas população, a saúde a desagregar-se e as escolas a fecharem (apesar dos gritos histéricos em defesa do estado social).
Mas mais grave do que o Governo viver desfasado da realidade do país que (des)governa, ainda é tentar convencer os cidadãos dessa irrealidade ou esconder a verdadeira imagem do país.
Despois da "folia" surge a verdade dos factos:
Afinal o projecto educacional e as condições são tão boas e fortes que o melhor é fechar a escola que é para não destoar do resto da realidade nacional.

19 agosto 2010

Pela educação é que não é!!!!

São muitas as vozes que bradam a todos os ventos as perigosidades dos fundamentos e princípios depravados do liberalismo (para muitos neoliberalismo) social-democrata, em várias medidas recentemente apresentadas por Pedro Passos Coelho para uma estabilização da sociedade e economia nacionais, nestes tempos de crise.
Acusam o PSD de delapidar o Serviço Nacional de Saúde, flexibilizar o emprego e as relações laborais, privatizar tudo e mais alguma coisa...
Mas enquanto muitos se entretêm neste discurso retórico e demagogo (tentado em vão quebrar o crescente peso político do PSD como alternativa governativa) , é o PS e o Governo que criam os mecanismos economicistas para prejudicar os mais elementares princípios básicos sociais: emprego, educação, saúde e justiça.
Em relação ao emprego cresce a lista dos portugueses que ficam sem os seus postos de trabalho e agravam-se as prestações sociais; encerram incoerentemente os serviços básicos de saúde, deixando muitos dos cidadãos à mercê da sorte e do destino; a justiça transformou-se num paradoxo, serve mais a uns poucos que a todos e de forma desigual...
Quanto à educação o cenário mostra um país assimétrico no acesso a uma educação básica consistente e igual a todas as crianças e famílias.
Aliás contrariando todos os princípios que o governo sempre disse defender e partilhar com os países nórdicos, nomeadamente a Finlândia. É que por lá, já há muito que se vem promovendo um ensino de proximidade, com escolas mais pequenas e integradas nas respectivas comunidades.
Até porque são discutíveis os princípios que orientam esta atitude do Ministério da Educação que não sabe o que há-de inventar mais para satisfazer um único objectivo: o cumprimento, seja porque vias for, de determinadas metas estatísticas. Mesmo que a qualidade do ensino e a aprendizagem não importem.
É discutível, por exemplo, que a aglomeração/concentração das crianças traga melhor e mais socialização e qualidade na aprendizagem.
É discutível ainda que não sejam apenas e tão só critérios economicistas o princípio que orienta tais medidas.
Começam a existir, com estas políticas, demasiados "portugais" distintos, desequilibrados e injustamente privados de igualdade de oportunidades e condições de desenvolvimento.
Assim como é discutível que o estado garanta todas as condições (transporte, alimentação, melhores escolas, etc) que minimizem os impactos nas crianças, nas famílias e nas comunidades com o encerramento de 700 centros educativos do 1º ciclo do ensino básico.
Acresce ainda que há um sinal claro de distanciamento do governo em relação à realidade do país. Não tendo capacidade para convencer a sociedade, nem capacidade para sustentar a argumentação e a defesa dos princípios que norteiam as políticas governativas, a opção recai sobre o efeito "surpresa" e a falta de solidariedade e colaboração institucionais com os diversos agentes. Ao caso, os vários municípios que estavam em negociações com as diversas Direcções-gerais de Educação o processo de redistribuição da rede escolar do ensino básico.
O Concelho de Aveiro também foi "contemplado" com o encerramento previsto para a EB 1 de Aradas e para a EB de Eirol. Embora seja muito mais "dramática" a realidade do Norte e Interior do País... os sacrificados de sempre.

01 agosto 2009

Semana em Revista - IV

Saíram, esta semana, os resultados da segunda fase dos exames nacionais do ensino secundário.
Os resultados não podiam ser mais desastrosos. Quedas das médias das notas, em relação à primeira fase, nas principais disciplinas: matemática, português, fisico-quimica, biologia e geologia. As notas são igualmente inferiores às registadas, em igual período, no ano de 2008.
Para o Minsitério, a razão apontada (segundo o Jornal Público, na sua edição de sexta-feira, dia 31.07.09) prende-se com a tiplogoia dos alunos candidatos a exames (por sinal idêntica à do ano anterior).
No enatnto, para a as Associações de Professores (Matemática, Português e Física, como exemplos), tal realidade deve-se ao facto das provas terem sido consideradas mais difíceis que na primeira fase.
Para além de uma questão de justiça e equidade que se possa questionar, não deixa de ser, igualmente, evidente a forma facilistas, laxiva e inconsequente como o Ministério tem tratado o ensino tornando-o menos incisivo, menos relevante, despromovendo o mérito e as capacidades dos alunos.
Ao mínimo incremento de dificuldade, os resultados provam o estado da educação neste país.

13 abril 2009

Um país diferente

A Ministra da Educação deve viver num país completamente diferente do Portugal real que vivemos no dia-a-dia. Mesmo que ela julgue que governa este país escolar.
Face à realidade dos factos, demonstrada pela constatação de que há cada vez mais crianças desnutridas, por força de inúmeros factores, vem dizer que essas notícias são alarmistas e que no sector escolar não há conhecimento dessa realidade.
Claro que não... até porque há escolas sem cantina, sem condições para servir refeições condignamente às crianças, sem condições para o exercício do ensino, etc.
Alarmista é esta indiferença e alheamento da realidade por parte da Ministra.

09 novembro 2008

Ouvidos de Mercador

Noutras circunstâncias já tinham rolado cabeças ministeriais (por exemplo, o ministro da saúde).
Mas como para o Primeiro-Ministro e a Ministra da Educação o importante são os Magalhães e o premiar o demérito e o laxismo, quaisquer 120 mil pessoas não passam de ruído de fundo e bocas reaccionárias.
E não há duas sem três. (fonte TSF)

23 setembro 2008

Faz já a tua matrícula

É fácil, é barato, sem esforço e dá certificado.
A Ministra da Educação afirmou, ontem, que Portugal reúne as condições necessárias para que se possa alcançar o objectivo dos 100% de aprovações no final do 9º ano de escolaridade. (fonte TSF).
Conforme explica, "Os nossos alunos não são menos inteligentes, os nossos professores não são menos preparados, as nossas escolas eram piores, mas estão a ficar melhores. Portanto, com todas as condições, não é uma utopia, é mesmo uma meta para cumprir". (fonte TSF).
Claro que sim, Senhora Ministra. Com a política de cumprimento de metas e objectivos estatísticos (a educação e aprendizagem é algo colateral) praticada pelo seu ministério, não se advinham quaisquer dificuldades.
Aliás, espera-se ansiosamente pela verdadeira revolução no sistema de ensino: matricula-te, goza a vida e em Junho de cada ano recebe no teu Magalhães ou E-Escola o teu certificado on-line.
Isso é que era 100%...

12 setembro 2008

É melhor não mexer...

A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, afirmou hoje, em Gaia, que poderá ser desnecessário alargar a escolaridade obrigatória para 12 anos, como estava previsto no programa do Governo. (fonte Sol)
Ou seja, para a Senhora Ministra da (des)Educação a escolaridade obrigatória poderá manter-se no patamar do 9º ano.
Eu até acho muito bem... Para quê mudar! Hoje, só os que não querem fazer mais nada é que estudam até ao 12º ano.
Para os outros, basta um anito de Novas Oportunidades e o 12º ano está no papo... na "boa" e sem "stress".
Estudar para quê?! Se os alunos aprenderem ainda estragam as estatísticas.
É melhor não mexer, Sra. Ministra. Deixe estar que está muito bem assim.
Até porque o futuro é algo que só a Deus pertence. Seja o futuro de cada indivíduo, seja o do País.

11 setembro 2008

No adeus às férias!

Publicado na edição de hoje (11.09.2008) do Diário de Aveiro.

Sais Minerais
No adeus às férias!


Com o final de mais um verão chega igualmente o fim das férias para muitas crianças, jovens e adultos e o regresso às aulas, em mais um ano lectivo.
Para muitos alunos o “matar saudades”, para outros o regresso à travessia de caminhos nem sempre fáceis de trilhar ou até penosos.
Sem esquecer uma parte importante do processo: os muitos docentes para quem o prazer de ensinar se vai, a espaços, tornando num pesadelo profissional.
Neste regresso às aulas é inevitável a reflexão sobre o ensino em Portugal.
O processo educativo transformou-se numa mera sustentação estatística (dados divulgados que não se aproximam minimamente da realidade), alicerçada no facilitismo e laxismo e não no mérito e na valorização do esforço e da aprendizagem.
Com toda a “pompa e circunstância” o Governo anunciou, esta semana, que o ensino em Portugal tinha atingido o menor número de reprovações escolares da última década.
Não é algo que espante… aliás, já há algum tempo esperado, face à forma como o Ministério da Educação vem esvaziando a escola na sua principal e fundamental vertente: educar e ensinar… preparar para a vida profissional e comunitária. É o processo avaliativo simplificado e simplista (os últimos exames nacionais são a prova disso mesmo), a pressão junto das escolas e dos docentes para evitar a chamada “retenção” escolar (vulgo antigo - “chumbo”), os incentivos especiais às escolas indexando a sua avaliação às notas atribuídas aos alunos (rankings), o esvaziamento do processo pedagógico e do papel do professor (ou se preferirmos o seu “aperfeiçoamento” administrativo) ou o último Estatuto do Aluno.
É indiscutível, se quisermos ser sérios, que este “sucesso estatístico” está longe de corresponder a uma verdadeira melhoria do ensino, do processo de aprendizagem, na qualificação dos alunos e no seu desempenho escolar.
Aliás, outra coisa não seria de esperar quando são conhecidos os inúmeros e crescentes casos que revelam um aumento da insegurança nas escolas, nas agressões e, embora ainda pouco perceptível e analisado, o aumento das situações de agressão psicológica (como é o caso do “bullyng”).
Outra coisa não seria, igualmente, de esperar, e sustentando esta verdadeira realidade escolar, quando a OCDE classifica Portugal em 22º lugar (num total de 33 países - ou seja, ainda há 11 países piores que “nós”, mesmo que existam 21 melhores) no que respeita ao investimento feito por cada aluno: 4200 euros por cada estudante (como referência, os Estados Unidos, que lideram a classificação, gastam, em média, cerca de 9000 euros por aluno).
Mas este regresso aos bancos da escola (agora bem longe dos tempos da ardósia e do giz) trás ainda uma outra problemática.
Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), os portugueses gastam mais em educação que a média europeia. As famílias lusas com filhos em idade escolar “dispensam” cerca de 600 euros do seu orçamento em cada ano lectivo, sendo que a maior percentagem desse valor se situa logo no início, nomeadamente com a aquisição de material escolar e dos manuais obrigatórios.
Num país onde é conhecida e reconhecida a sua dificuldade financeira, à qual os orçamentos familiares não são alheios (veja-se o constante aumento do endividamento familiar), os cerca de 1,5 milhões de alunos vão “obrigar” o seus Encarregados de Educação a “desembolsarem” cerca de 80 milhões de euros na aquisição de - pasme-se - 10 milhões de manuais que os estabelecimentos de ensino determinaram como “obrigatórios”. Um verdadeiro negócio das arábias, a que não será alheio a actualização dos preços dos manuais que varia entre os 5,4% e os 37% (tendo como referência e exemplo o 1º ano de escolaridade e o 9º ano, respectivamente).
Isto tudo pra reforçar o peso da estatística escolar, já que sabemos que a qualidade de ensino, mormente o digno esforço da maioria dos docentes e gestão escolar, está pelas ruas da amargura…

Ao sabor da pena…

06 julho 2008

1x1=1

Quanto mais se ouvem as explicações e fundamentações ministeriais sobre os exames deste ano lectivo, mais expressão toma o velho ditado: "pior a emenda que o soneto".
Só se confirmam os factos e a realidade: esta estruturação do actual sistema de ensino é um total falhanço.
A necessidade de salvar uma imagem política falhada e destroçada, leva à necessidade de resultados práticos e concretos: facilitar para não errar (reprovar).
Para o ano já temos uma avaliação PISA positiva.
Sem qualidade, sem rigor, sem exigência, sem qualificação, sem mérito, sem preocupação pelo futuro do país.
Mas estatisticamente positiva, claro.

29 junho 2008

Só por estatística...

Para o Ministério da Educação, o ensino é um mero mapa estatístico.
Não há rigor, não há disciplina, não há segurança, não há respeito pelos alunos, falta o reconhecimento do mérito e do esforço, desvalorizou-se o papel do docente, etc.
Para agravar, a única preocupação, da pior ministra da educação que os tempos da democracia já assistiram, é que a União Europeia e os respectivos sectores ligados ao ensino, não definam Portugal como um país onde a taxa de reprovação seja elevada.
Mas qual é o problema dessa realidade?
O que é preferível?! Premiar os melhores ou facilitar a estatísticas e premiar o facilitismo?!
É assim que queremos um país desenvolvido e com recursos humanos qualificados?!
Porque é que as provas avaliativas têm que ser niveladas por baixo e não premiar os que sabem, os que têm valor, os que estudaram, OS MELHORES?!
É por isso que próprio ensino superior já sente os efeitos deste desastre educacional de uma senhora a menos (muito menos) neste governo.

27 março 2008

Edu… quê?!

Publicado na edição de hoje (27.03.2008) do Diário de Aveiro.

Crónicas dos Arcos
Edu… quê?!


Hoje, o esvaziamento do processo de formação e aprendizagem no ensino é preocupante e não deixa de ser um reflexo do próprio esgotamento de uma sociedade desvalorizada, sem objectivos, sem auto-estima, princípios ou socialmente estável.
E é, para mim, estranho que face aos acontecimentos relatados pelos meios de comunicação social (em alguns casos, excessivamente relatados), no caso da agressão de uma aluna a uma professora, no Liceu Carolina Michaelis (Porto) por causa de um telemóvel, se tenha falado e escrito de quase tudo e, na maioria dos casos, de quase nada ou esquecendo o essencial.
Que a situação descrita foi e é grave, ninguém pode colocar em causa.
Que o comportamento da aluna é inteiramente reprovável, nada a opor (embora considere tão o mais grave o comportamento do resto da turma. E esses ainda ninguém questionou).
Que esta realidade é, infelizmente, uma vivência quase quotidiana no nosso sistema de ensino, é algo que só alguns (responsáveis) não querem ver.
Então, porquê tanto alarido? Situações de conflito, indisciplina, alguma violência, já há alguns 25, 20, 15, 10 anos atrás aconteciam, por exemplo, nesta “pacata” cidade de Aveiro, nos nossos liceus. Quem não fez asneira que atire a primeira pedra. Mas então o que mudou?
Mudou essencialmente a dimensão, a violência desmedida e espontânea, a importância dos valores, do sentido de responsabilidade, do sentido de comunidade e de vivência social.
E mudou (e muito), o significado da escola, do papel do professor e do aluno, do auxiliar, do próprio ensino.
E isto ficou, uma vez mais, por debater, questionar, alterar e assumir responsabilidades.
É ridículo reduzir (mesmo com a gravidade dos factos) os acontecimentos ao uso, ou à sua proibição, de telemóveis ou ao próprio confronto aluna-professora (pior, mais uma vez, ou pelo menos tão grave, foi o comportamento do resto da turma e o seu reflexo no futuro). Como se o actual estado do ensino não sofresse de males bem mais estruturantes e profundos.
Como se esta realidade, que se pensa confinada apenas ao ensino secundário, não terá, dentro de muito em breve, reflexos sérios e marcantes no ensino superior.
E já para não falar a própria vida profissional e na sociedade de amanhã.
A escola, para a maioria dos adolescentes e jovens é, hoje, uma mera obrigação (na maioria dos casos desprovida de responsabilidade, mérito e justiça), sem uma perspectiva de futuro ou de valorização. Terminar o 12º ano significa objectivamente o quê? Uma concorrência “desleal” com um recém-licenciado para um lugar num “call center” ou numa caixa de um hipermercado? O esforço de mais três anos de escola (após o 9º ano - escolaridade obrigatória) valerá a pena face à realidade das “Novas Oportunidades”? O Secundário, hoje, profissionaliza e prepara para o quê?
É que a escola, há alguns anos a esta parte, tem servido de “cobaia laboratorial” para as mais diversas e distintas experiências psico-pedagógicas na educação e ensino, sem terem em conta os mais elementares princípios da formação humana: sentido de responsabilidade, respeito, justiça, equidade, convivência e construção social.
O ensino está cada vez menos exigente (com programas curriculares cada mais vazios e simplistas, para não dizer medíocres), incapaz de formar e preparar o futuro, de responsabilizar, de devolver a autoridade e o respeito ao professor, etc..
A escola, enquanto instituição do valor educação/ensino, não soube encontrar argumentos, nem estruturas que a “blindassem” de uma realidade social, onde a família, a liberdade, a justiça e a democracia há muito foram perdendo qualquer referência ou valor.
A escola forma cada vez menos e pior. A escola está vazia, o papel do professor está destituído de respeito e valor. Caiu nas ruas da amargura, como nas ruas caíram os valores, as regras e o sentido de liberdade e democracia.
Sinais que se reproduzem no tempo, no ensino superior, na formação, na sociedade, na vida profissional …
Assim progride a nação. Assim cresce a sociedade.

25 fevereiro 2008

Prós e Contras - 25.02.2008

Que grande lição de vida e lição profissional.
BEM HAJA PROF. ARSÉLIO.
Igual a si mesmo, sempre e em qualquer lugar.
Que orgulho em ter sido seu aluno, em ter estado na mesma escola e nas mesmas estruturas.
Que pena o esvaziamento do ensino, hoje.

11 janeiro 2008

Certificação de Oportunidades

ou o oportunismo das certificações.

Não podia deixar passar em branco esta reflexão feita por Francisco José Viegas, no seu "Origem das Espécies" .

Para ler aqui. Importante!

Assim vai o nosso ensino e o país.

27 dezembro 2007

A cereja no cimo do bolo!

Publicado na edição de hoje (27.12.2007) do Diário de Aveiro.

Crónicas dos Arcos
Gestão Educacional. A cereja no cimo do bolo!


Praticamente chegados ao final de mais um ano, é altura para as usuais reflexões e revistas.
Este ano de 2007, foi profícuo em acontecimentos que marcaram a política, a economia, a sociedade, a cultura e o desporto. No entanto, não caberá aqui (ou hoje) efectuar essa “revisão da matéria”. Mas destacar, mais uma vez e infelizmente, pela negativa, um sector que, durante 2007, foi repetidamente alvo de análise: o sistema de ensino.
Depois das badaladas aulas de substituição e do controverso (avanço e recuo) estatuto do aluno, já na recta final deste ano (há cerca de duas semanas) o Primeiro-Ministro, no debate da nação, sob a égide da educação, apresentava mais uma medida estrutural do nosso ensino: os conselhos gerais escolares. Esta nova medida governativa prevê alterações à lei de autonomia, gestão e administração escolar. De acordo com o projecto de lei elaborado pelo Governo, é estabelecido um Conselho Geral que terá vinte elementos (máximo), sendo constituído por professores, funcionários não docentes, encarregados de educação, representantes da autarquia e da comunidade local. No entanto este órgão não poderá ser presidido por um docente e terá competência (entre outras) para eleger ou demitir o director (este sim, professor).
Pretende esta “inovação”, segundo as próprias palavras de José Sócrates, “abrir a escola, reforçando a participação das famílias e comunidades na sua direcção estratégica - favorecer a constituição de lideranças fortes nas escolas e reforçar a autonomia das escolas”.
Do governo (seja ele qual for) esperam-se, de facto, reformas. Mas reformas estruturadas, coerentes, capazes de promoverem desenvolvimento social e económico e que tragam qualidade de vida. No caso concreto do ensino, num dos sectores vitais da sociedade, espera-se que as reformas educativas não passem de demagogias ou propostas que disfarcem e tentem fazer esquecer o essencial: a educação “bateu no fundo”. Faltam reformas eficazes de programas, currículos, de uma reestruturação que devolva o papel natural ao professor, que promova a verdadeira aquisição do conhecimento, do saber e da prática ao aluno e o prepare para a sua inclusão na sociedade futura.

(para continuar a ler aqui)

10 dezembro 2007

12º ano e estamos garantidos!

O Primeiro-Ministro José Sócrates referiu hoje, na entrega dos primeiros diplomas obtidos no programa Novas Oportunidades, que o 12º ano tem que ser visto como o “patamar” mínimo das qualificações dos cidadãos activos.
Tal princípio é, segundo o próprio, sustentado por duas questões fundamentais:
- apenas 3 em cada 10 portugueses terminaram o 12º ano;
- o 12º ano é o mínimo indispensável para se obter sucesso na vida.
Não restam dúvidas que Portugal contempla um dos mais tristes cenários europeus no que respeita ao nível de qualificações. Quanto a isso estamos perfeitamente de acordo.
Agora…
No actual estado do ensino básico e secundário (“livra-se” daqui o superior, por exceder o âmbito da análise e não porque seja melhor) desde quando é que o 12º ano é garantia de aquisição de conhecimento e qualificação?
Desde quando é que a obtenção do 12º ano é garantia de responsabilidade, consciencialização social, garantia de sucesso? Se para tal basta faltar às aulas, agredir colegas e professores e depois fazer uns testes de “nova oportunidade de reinserção”.
Face ao que hoje Portugal assiste no domínio da educação que diferença faz ter o 9º ano ou o 12º ano, já para não referir uma grande quantidade de aptidões superiores que na prática se reduzem a trabalho temporário nas caixas dos hipermercados ou nos “call center” portugueses?
É esta a qualificação que o Sr. Engenheiro, Primeiro-Ministro de Portugal pretende?
Somos um país cada vez mais embrenhado na politiquice sem estruturação e sustentabilidade.
Hoje é assim, amanhã logo se vê. Quanto ao resto, estamos conversados.

06 dezembro 2007

O (des)Ensino...

Publicado na edição de hoje (6.12.07) do Diário de Aveiro

Crónicas dos Arcos
Números que viram história.

Hoje, o esvaziamento do processo de formação e aprendizagem no ensino é preocupante.
A escola forma cada vez menos e pior.
Ainda a algum tempo atrás, foram muitos os que opinaram sobre o ranking das escolas, divulgado nos vários órgãos de comunicação social.
Números frios e crus que pouco ou nada reflectem a realidade do ensino e das várias escolas, já para não falar da ausência de correlação com as comunidades.
O que existe é uma clara disfunção do sistema de ensino em Portugal.
Implementação de estratégias desajustadas, desestruturadas, onde o sentido de responsabilidade, de cidadania, de solidariedade, de valorização do mérito e do trabalho é suplementado, pelo laxismo, pelo facilitismo, pela ausência de regras e pela irresponsabilidade.
O papel do professor está banalizado. Foi despejada a sua natureza pedagógica e social, bem como o seu relevo na formação (para o futuro, sem esquecer o presente) dos jovens, quer do ponto de vista intelectual, quer do ponto de vista social e humano.
O importante, pelos vistos, foi transformar o professor num mecanismo administrativo e estatístico. Ainda há pouco tempo, num jornal diário, uma docente, do distrito de Coimbra, afirmava que, ao fim de 30 anos de serviço, “nunca foi tão difícil ensinar e nunca se ensinou tão pouco”. Para complementar, referindo que papel do professor é insustentável, já que, na sua opinião, “antes um professor preocupava-se em ensinar e tinha os alunos no centro dos seus objectivos; hoje, um professor tem de fazer relatórios, de elaborar e estudar projectos, enfim, quase tudo menos dar aulas”.
Segundo o relatório PISA 2006 da OCDE, recentemente publicado, a taxa de retenção (reprovação) em Portugal situa-se, no 3º ciclo, nos 12,8% e no secundário nos 16,9%. Extremamente elevada se comparada com a média europeia que é de 2,7% e 3,9%, respectivamente.
Face a estes valores, é legítimo pensar-se que existe ma necessidade de se repensar o ensino, a sua programação pedagógica, a sua qualidade.
É legítimo, para o professor, para os pais e para o futuro do país. Mas já não o é para um Ministério da Educação que, para fazer face a uma obsessiva “cruzada” estatística, entende ser relevante a não responsabilização, o não reconhecimento do mérito académico, do esforço dos professores e de muitos alunos e famílias. Mais importante é que, independentemente da qualidade do que se ensina e do esforço do aluno, ninguém seja penalizado, ninguém se esforce, todos possam sentir que estudar não traz esforço e não tem de ser valorizado. Ninguém reprova… estatisticamente, todos passam!
Por isso, não é igualmente de estranhar, de tal forma começa a ser trivial, que o estudo do PISA 2006, indique que, em matérias como Matemática, Ciências e Leitura (da língua materna), entre 57 países envolvidos, Portugal se situe abaixo da média, num modesto e fraquinho 37º lugar. É, pois, negativo o desempenho dos estudantes portugueses (no estudo, com 15 anos de idade), nas três vertentes analisadas.
Como podemos querer ter um país desenvolvido, cultural, social e economicamente, se, desde muito cedo, descuramos a formação e a educação das nossas crianças e jovens?!
Como pode ser possível alcançar níveis de qualificação acima da média que promovam o desenvolvimento sustentável do País, sem melhor a realidade do ensino?!
É fácil dizer-se que o insucesso e o abandono escolar está, hoje, num patamar estatístico melhor do que há alguns anos atrás. Da mesma forma que é fácil dizer hoje que, tais valores, se devem a um ensino cada vez menos exigente, onde reina o facilitismo, a injustiça e a irresponsabilidade.
Os jovens sentem que aprender é algo tão banal que não existe o sentido de esforço, mérito, dedicação, responsabilidade. Tudo é fácil e permitido. Como se a vida assim o fosse no futuro.
A escola está vazia, o papel do professor está destituído de respeito e valor.
Sinais que se reproduzem no tempo, no ensino superior, na formação, na sociedade, na vida profissional …
A história também é feita de números.

01 novembro 2007

Bué da Baldas?! Tásse bem.

Eu também dei o meu contributo para o recuo do governo e a desautorização da Sra. Ministra da Educação.
 
Publicado no Diário de Aveiro, na sua edição do dia 1 de Novembro de 2007.

Crónicas dos Arcos
Bué da Baldas?! Tásse bem.

O ensino, em Portugal, mesmo que disfarçado por dados estatísticos que apenas representam números e não realidades, está, definitivamente, pelas “horas da morte”.
Como se já não bastasse, quer para o normal exercício do processo pedagógico, quer para o funcionamento eficaz da própria estrutura escolar, a degradada relação professor - ministério, a Sra. Ministra da (des)Educação, a expensas de uma pedagogia empolada, vem reestruturar, não a necessária exigência do nível de ensino e dos seus currículos, nem as estruturas escolares, mas sim o estatuto do aluno, transformando-o (ao estatuto e ao aluno) numa “arrozada” de falta de sentido de responsabilidade, de respeito, de exigência, de maturidade e de sentido de justiça.
Aliás, neste aspecto, a escola transformou-se na observância diária do ditado: “paga o justo pelo pecador”.
É que a escola, há alguns anos a esta parte, tem servido de “cobaia laboratorial” para alguns pseudo-pedagogos irem desfiando um inúmero rol de experiências na educação e ensino, sem terem em conta os mais elementares princípios da formação humana: sentido de responsabilidade, respeito, justiça, equidade, convivência e construção social.
Como podemos querer ter um país desenvolvido, cultural, social e economicamente, se, desde muito cedo, descuramos a formação das nossas crianças e jovens?! À custa de muitos computadores, muita Internet e muito “choque tecnológico”?
Hoje, o esvaziamento do processo de formação e aprendizagem no ensino é preocupante.

Para continuar a ler AQUI.

28 outubro 2007

A minha escola é melhor que a tua!

Justifica-se a existência de um ranking escolar?
Justificar-se-ia se os critérios de avalição fossem mais abrangentes da realidade escolar.
Basta qualificar uma escola apenas pelos resultados das provas dos exames nacionais efectuados no 11º e 12º anos?
Será este valor espelho de toda a realidade escolar: contexto social - localização geográfica - realidade pública ou privada - número de alunos (quer totais, quer por turma) - áreas curriculares, etc.?
Se não, para que serve o ranking?!
Apenas para desvalorizar ainda mais o ensino em Portugal. Uma realidade para não ser tida em conta.