“Debaixo dos Arcos” foi, e ainda é, o primeiro blogue não virtual de Aveiro. Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada": o centro do mundo...
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20 dezembro 2007

Já cheira a Natal...

Publicado na edição de hoje (20.12.07) do Diário de Aveiro.

Crónicas dos Arcos
Já é Natal... outra vez!

É Natal…
Não restam dúvidas. Basta observar o calendário, o excesso de trânsito, o desassossego dos espaços comerciais, a agitação colectiva. Também as birras dos mais pequenos e a sua ansiedade com o aproximar do dia.
Além disso e apesar da azáfama constante, acrescem os planos para a despedida de mais um ano e para a recepção (de braços abertos) do que já bate à porta.
Tudo isto num tão curto espaço de tempo.
Por mais que se diga que “o Natal é sempre quando o Homem quiser”, a realidade testemunha-nos que Dezembro é Mágico.
A sociedade há muito que se transformou, independentemente se para melhor ou pior. O Natal também se transfigurou.
Há um ano, neste mesmo espaço, reflectia sobre o facto de o Natal pertencer às crianças, mesmo aquelas que dele nada podem usufruir.
Volvidos doze meses, importa reflectir sobre este misto de convicção religiosa e simples laicismo que envolve esta altura do ano.
Surgem nesta altura as habituais vozes arautas da fraternidade e da solidariedade, em defesa de valores fundamentais, como a dignidade humana e os seus valores, a pobreza (seja material ou de espírito), a sociedade egoísta e comodista, a guerra e o sofrimento. São, obviamente, princípios válidos e que urge defender. Mas apenas uma vez no ano?! E durante os outros onze meses?
Quantos são aqueles que se insurgem, para além do óbvio simbólico das datas, em defesa dos que sofrem no Dafur, no Sudão, no Iraque, nos confins do sudoeste asiático, nas favelas brasileiras, no nosso bairro?!
Durante o resto do ano, onde estão estas vozes em defesa das crianças vítimas de abusos e maus tratos, de rapto, de exploração?!
Quantos destes tiveram a coragem de criticar a demagogia política e a sua falta de ética, bem como a ausência de moralidade, encobertas pela capa das convenções, na recepção, na conferência EU/África, de líderes de nações, para os quais os direitos humanos não passam de papel de embrulho?!
Os povos, as crianças, os homens e as mulheres, não sofrem apenas durante um mês por ano.
Além disso, nesta data, é “chavão comum” a critica ao consumismo, ao gasto desmedido nas prendas que se oferecem.
Para um país, mergulhado numa economia que não consegue oferecer bem-estar e qualidade de vida à maioria dos cidadãos, é um facto que os gastos nem sempre são ponderados e realistas. Mas esta não é uma realidade apenas sazonal. O endividamento familiar é um problema, infelizmente, constante.
Se é certo que valores como a solidariedade e o espírito comunitário são, na maioria das vezes, esquecidos, não me parece consequente que apenas uma vez por ano nos lembremos dos que mais precisam.
O Natal é celebração. É fraternidade e família. O prazer de dar, o sentido da amizade, da fraternidade ou da solidariedade não deve ter preço, quando a verdadeira vontade de partilhar e fazer o outro feliz é grande.
O que está muitas vezes em causa é o valor do que se dá, a sua importância, o seu interesse ou utilidade. O que será mais grave, o dinheiro despendido num bom livro ou jogo, ou o que se poupa ao oferecer a uma criança um brinquedo bélico, por mais barato que seja?!
Se quisermos transportar esta realidade para o simbolismo religioso da festa do nascimento de Jesus, o exercício é simples.
Apesar de ter nascido na humildade de uma gruta erma, não deixou de ser presenteado, pelo reconhecimento como rei e salvador, com os mais valiosos tesouros: incenso, mirra e ouro.
O mesmo reconhecimento que se pode ter nos laços familiares que nos unem, na amizade dos amigos verdadeiros, na solidariedade que nos move.
Por isso, com mais ou menos prendas, a todos um Bom Natal.

13 dezembro 2007

Entre mortos e feridos...

Publicado na edição de hoje (13.12.07) do Diário de Aveiro.

Crónicas dos Arcos
STOP. Há guerra no asfalto!


Os números valem o que valem. Mas não deixam, igualmente, de valer pela capacidade de reproduzirem realidades.
Hoje, as estradas de Portugal, num ano, matam mais que a Guerra do Iraque provoca baixas militares no contingente americano.
Começa a parecer perigoso sair de casa, seja a pé, de transporte individual ou colectivo.
Está em curso, desde o passado dia 25 de Novembro, mais uma acção de fiscalização reforçada da GNR - Operação Viagem Segura, que terminará a 7 de Janeiro de 2008. Como já se tornou um hábito estas acções fiscalizadoras nas principais quadras festivas: Natal - Final do Ano - Carnaval - Pascoa e Verão.
Pena é que estes períodos não sejam simultaneamente aproveitados para uma reflexão concertada, apresentação de soluções sustentáveis e implementação de medidas concretas e racionais (para além de transversais) que minimizem este trauma rodoviário em que mergulhámos.
É que o flagelo da sinistralidade rodoviária tornou-se um problema seriamente grave e relevante. Contrariando a tendência para a desaceleração estatística, os dados mais recentes demonstram que o processo retomou a curva ascendente: em 2007 registaram-se, entre Janeiro e Novembro, 802 mortes, mais 40 do que em igual período de 2006 (fonte: Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária - ANSR.
Só nos primeiros quinze dias da operação “Viagem Segura”, a GNR contabilizou já 24 vítimas mortais nas estradas portuguesas.
As causas, mais que conhecidas, em vez de gerarem decisões e resultados preventivos, servem para desculpabilizar responsabilidades e transferi-las para terceiros.
O governo entende que a ausência de civismo, a falta de cultura rodoviária e a incúria dos automobilistas, é a responsável pelo estado caótico da sinistralidade. Sendo, no entanto, legítimo reconhecer que os portugueses têm um comportamento ao volante de uma irresponsabilidade atroz.
Os cidadãos acham que a responsabilidade é governativa, quer no que respeita ao estado lastimável do património viário, pelos erros cometidos no seu planeamento, construção e manutenção, quer pela fragilidade e debilidade do quadro legislativo, cível e criminal.
Acresce ainda, o “sacudir o capote” para as entidades fiscalizadoras (GNR - PSP - ex-DGV, Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária e Ministério da Administração Interna) e a sua inoperacionalidade efectiva, bem como a deficiência da sinalização existente.
Aliás, Portugal é exemplar na evidência em como não é possível serem tomadas medidas concertadas, transversais aos diversos sectores da sociedade.
A responsabilidade é impessoal. A culpa morreu sempre solteira.
Só com muito esforço e vontade de todos os intervenientes (públicos, privados e associativos) neste processo, será possível reflectir, determinar causas, projectar soluções e implementar medidas concretas que tornem seguro viajar pelos caminhos, pelas ruas, estradas, IP’s e auto-estradas deste país.
Esta é uma realidade que deveria ser encarada como uma prioridade nacional, quer pela dimensão do problema, pela sua implicação no desenvolvimento cultural e social do país, mas também pela sua transversalidade, tocando vários sectores da sociedade: ensino - saúde - segurança social - emprego - economia - ambiente. E deveria ser enfrentada com ambição, mesmo que desmedida.
Não parece ser consequente enquadrar os objectivos do combate à sinistralidade rodoviária com uma meta tão simplicista, como a afirmação do Ministro da Administração Interna, em Novembro passado, por ocasião da celebração do Dia Mundial das Memórias das Vítimas das Estradas (18 de Novembro): “número de mortes nas estradas inferiores a 1000 por ano”.
É triste que a vida humana seja encarada como um mero dado estatístico. Esquecendo, o Sr. Ministro, que tal valor significa, em média, cerca de 3 vidas perdidas por dia.
E nem que fosse apenas uma. Porque, constitucionalmente, dentro dos princípios universais e moralmente, a vida humana (uma única que seja) é inviolável.
Boas e seguras viagens.

29 novembro 2007

Pela Liberdade...

Publicado na edição de hoje (29.11.07) do Diário de Aveiro.

Crónicas dos Arcos
Em defesa do direito à liberdade de expressão.

A comunicação social não é, nas diversas excepções que nos últimos tempos se vêem transformando em regras, um poço de virtudes.
É notório, em casos que vão sendo amiudamente comuns, a ausência de rigor informativo, as violações do Código Deontológico e do próprio Estatuto do Jornalista (seja o antigo ou o novo), a pressão exercida nos profissionais pela fragilidade dos contratos laborais, o excessivo peso dos valores económicos no meio comunicacional, os atropelos aos direitos e preceitos legais, a falta de cuidado linguístico e a defesa da língua, (…).
Mas, por outro lado, não deixa de ser um facto irrefutável de que a Comunicação Social tem um papel privilegiado e fundamental (para não dizer o ou um dos mais importantes) na socialização das comunidades, no seu desenvolvimento e estruturação, bem como na promoção do conhecimento.
Não seria possível concebermos o conceito de sociedade e de vivência comunitária, se não existisse o processo comunicacional.
Daí que a responsabilidade seja acrescida no desempenho deste papel socializador das comunidades.
De tal forma que tal princípio e valor é defendido no artigo 19º da Declaração Universal dos Direitos do Homem, no Artigo 10º da Convenção Europeia dos Direitos do Homem e nos Artigos 37º e 38º da Constituição da República Portuguesa: Liberdade de Expressão, de Informação e de Imprensa.
São, por isso mesmo, valores fundamentais garantes da defesa dos direitos, liberdades e garantias de qualquer cidadão.
No entanto, mesmo que absoluto (embora basicamente absoluto seja apenas o direito à vida, porque inviolável), é válido e coerente encontrarmos limites ao exercício do direito de expressão e de informação, nomeadamente quando em confronto directo com outros valores, também eles fundamentais, como o caso da reserva à intimidade da vida privada, salvaguardado o interesse público (a existir, claro).
Já poderá ser questionável que as limitações à liberdade de expressão e de informação sejam sustentadas num controlo e manipulações políticas, governativas ou, até mesmo, institucionais. Numa clara tentativa de não tolerarem a liberdade de informação total, suportando o princípio de que a vida social se move num mundo e teias de secretismos.
E esta “afronta” eminente ao direito fundamental de expressão e de informação merece, da parte de todos os que estão ligados, pelas mais diversas e díspares funções, à comunicação social (sejam profissionais, alunos, docentes, estudiosos, analistas, etc.), uma especial atenção e um urgente sentido corporativista em defesa dos valores elementares e primordiais.
É, pois, de louvar e aplaudir os recentes depoimentos e comunicados públicos do Conselho de Redacção da RTP, do Sindicato dos Jornalistas (para quando uma Ordem?) e do Conselho Deontológico em defesa de José Rodrigues dos Santos e no processo que o confronta com o Conselho de Administração da RTP.
Até que ponto, pode um vínculo contratual ser mais importante que a liberdade consagrada na Constituição?
Até que ponto desmascarar o que é contra-natura, anti-ético e formas camufladas de censura e controlo informativo, deve ser condenável?
Nas ditas “liberdades” conquistadas em Abril de 74, onde está, neste momento, o respeito pelos valores fundamentais, garante das liberdades individuais consagradas?
Se as afirmações proferidas pelo mediático e respeitado jornalista, um dos rostos mais visíveis da comunicação (independentemente de não ser o meu preferido), para além do carácter grave (e, por isso mesmo, não descuidáveis), não tivessem fundamento, seria necessária tamanha operação cosmética na RTP? É no mínimo estranho que, antes do final da comissão de gestão na Administração da televisão pública e quando tudo fazia prever uma continuidade do exercício de funções, o Dr. Almerindo Marques, com toda a capacidade de gestão empresarial que se lhe reconheça, tenha sido nomeado e tomado posse no cargo de Presidente da Administração das Estradas de Portugal. Como que se pretenda, com tal facto, esconder a realidade divulgada e “abafar” as repercussões públicas de uma posição de “força” a tomar contra o profissional.
Mas nesta realidade, não está apenas em causa o confronto com os princípios ético-deontológicos de uma individualidade, mas sim uma forma clara de censura, de obstrução à natureza própria da existência comunicacional, de limitações graves ao exercício e ao direito de liberdade de expressão e informação.
O asfixiar ou controlar a capacidade que o jornalista tem de proporcionar um considerável fluxo de informação, mensagens e conhecimento à sociedade.
E quanto mais esta sociedade evolui, se transforma, se estrutura, se dinamiza, mais fulcral é o papel da comunicação social e do jornalista, na socialização das comunidades e no desempenho da sua função de consciência social.
Pela liberdade…

25 novembro 2007

Decididamente... Pobres!

O último estudo da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) determina Portugal como o 6º país mais pobre, num total de 30 nações.
Os dados da OCDE indicam que o PIB per capita desceu três pontos percentuais de 2002 para 2005 (72% para 69%). Só Turcos, Mexicanos, Eslovenos, Polacos e Húngaros têm menos dinheiro do que os Portugueses.

Curioso ainda o dado do estudo que refere o facto de em Portugal estar empregado não evita a pobreza. Cerca de 14 por cento das pessoas que trabalharam em 2004 tiveram rendimentos abaixo do nível da pobreza.

“Pobretes” e cada vez menos “alegretes”.

01 novembro 2007

Conjugação Verbal - Prometer.

Eu Prometo - Tu Prometes - Ele Promete - Nós Prometemos - Vós Prometeis - Eles Prometem.
E raramente alguém cumpre!
A Dra. Maria José Morgado voltou a prometer, na verdadeira acepção gramatical da língua.
Depois de ter prometido um combate forte à corrupção e ao crime económico, só recordo o processo "Vale e Azevedo".
Depois de ter prometido não descansar enquanto o processo "Apito Dourado" não tivesse um fim, quem teve um fim nesse processo foi a agora Coordenadora do DIAP.
Agora, após uma reunião com o ex-casapiano Dr. Pedro Namora, promete não dar tréguas aos pedófilos deste país e, nomeadamente no que se relacione com a Casa Pia.
Será? Valerá a pena ainda acreditar?
Em dois anos o processo de pedofilia nos Açores foi resolvido.
Há quanto tempo já dura o da "Casa Pia"?
Os portugueses já nas promessas eleitorais acreditam pouco, quanto mais nas outras.

10 outubro 2007

Rescaldo do fim-de-semana

A meio da semana ainda badalam os estilhaços das leituras e "desabafos" do fim-de-semana na imprensa nacional.
Retrato a quatro dimensões deste rectângulo à beir-mar plantado.
Foto 1
Ficámos a saber que os casos de pedófilia envolvendo crianças da Casa Pia não parou.
Foto 2
Através do socialista João Cravinho, é preocupante o crescendo da corrupção no nosso sistema político.
Foto 3
Através de um dos jornalistas mais meiático e, provavelmente, mais conceituado, descobrimo que o canal público de televisão (que deveria ser de e para todos) afinal não é isento e serve de arma informativa do governo.
Foto 4
Depois de "bestiais" passaram a "bestas" para voltarem a serem os "maiores". A imprensa britânica (ou alguma) revela que afinal a PJ Portuguesa está no bom caminho da investigação do caso Madie.
Cantando e rindo...

Pela justiça e pelas crianças II - "Remake"

No seguimento do post anterior, é, independentemente de polémico e incoerente, um acto de coragem o que a ex-provedora da Casa Pia vem revelar, ou pelo meno já revelou nesta primeira parte da entrevista ao "Sol".
Por outro lado, um grupo de funcionários da Casa Pia vem, no entanto, insurgir-se com as declarações de Catalina Pestana por as entenderem como "bombásticas" e "inquietantes".
Pois bem... se calhar poderão ter razão!
Porque...
Preocupante é o facto da Justiça não saber lidar com casos mediáticos, polémicos e incisivos.
Preocupante é que, com o arrastar temporal do processo, muito do caso seja arquivo por prescrição.
Preocupante é o país ganhar uma consciência de que existem duas justiças: as dos pobres e as dos ricos.
Preocupante é que, após a divulgação pública e o processo judicial, a situação das crianças na Casa Pia tenha continuado na mesma.
Preocupante é que, apesar da coragem para publicamente continuar a denunciar o caso continuado de pedófilia envolvendo crianças da Casa Pia, se possa, no entanto e face às declarações, vir a constatar que durante o mandato de Catalina Pestana esse abusos sexuais se mentiveram. E como fica a ex-provedora?!
Preocupante é que só após a saída de Catalina Pestana, a ex-provedora venha publicamente e junto da PGR apresentar a denúnica. Então, e durante?!
Preocupante...

07 outubro 2007

Pela justiça e pelas crianças

Como poderemos tratar com justiça, eficácia e consistência os assuntos dos outros (estrangeiros - caso Madie), se não sabemos, não queremos ou temos medo e vergonha de tratar dos nossos (Rui Pedro - Rui Pereira - Sofia Oliveira - etc).

E após tanta polémica, tanto sururu político e social, tenta vergonha nacional, tanta perseguição à blogoesfera, há quem tenha a coragem de não deixar morrer o que a justiça tem o dever de cuidar e tratar.

Para ler este fim-de-semana e no próximo, no semanário "Sol", a entrevista à ex-provedora da Casa Pia: Dra. Catalina Pestana.

Poderá trazer ou não questões novas ao processo e ao tema, mas pelo menos revela a coragem de não deixar "morrer" mais 20 ou 30 anos uma realidade degradante num estado de direito, democrático e livre e que se diz (ou alguns dizem) moderno, europeu e avançado.

Mesmo correndo o risco de violar o segredo de justiça. Ou não...
Pela justiça!

01 outubro 2007

RTP Serviço Público

A ver o Prós e Contras na RTP por todas a crianças - as vivas, as que sofrem, as que desapareceram e as que são vitimas de todos e quaisquer maus tratos.
Só é pena não haver outra moderadora. Mas vale a pena o esforço...


(Actualização)
A razão da lei vs a emoção do coração.

28 setembro 2007

Volte face

O caso Madeleine McCann continua, ao fim de alguns meses, com o “monstro” do mediatismo que os próprios pais, familiares e amigos criaram desde a primeira hora e que não souberam mais controlar.
E no meio de tanto “ruído”, o essencial do caso continua a parecer querer ser escondido ou “adormecido”.
O centro do processo deveria ser ainda a pequenina Madie da qual pouco ou nada se sabe; a irresponsabilidade dos pais no abandono, mesmo que temporário, de uma criança de pouco mais de 3 anos continua irrelevante; as constantes tentativas de desacreditação do trabalho de uma das melhores polícias de investigação, como é a PJ portuguesa, não são inocentes; a subserviência dos meios de comunicação portugueses face aos britânicos, quer ao nível da isenção jornalística, quer em defesa do nosso país e da própria PJ é gritante; são, no mínimo, estranhos a posição e o comportamento dos pais de Madie na qualidade de arguidos, comparativamente com a sua condição de testemunhas, nomeadamente na sua relação com a justiça portuguesa… Já não é importante, independentemente das circunstâncias, o apuramento da verdade e a descoberta do que aconteceu à criança?
Pelo menos, o caso serviu para motivar e redobrar os esforços dos familiares das crianças portuguesas desaparecidas (como referi aqui em 31 de Maio - “E os outros…”) que, por serem portugueses, não viverem no AllGarve, terem menos posição social, menos capacidade financeira e logística, não tiveram o apoio, empenho público e mediatismo necessário para encontrarem as suas crianças e adolescentes.
Mas nem por isso deixaram de lutar… e agora de forma conjunta uniram esforços na constituição da Associação Portuguesa de Crianças Desaparecidas (
www.ap-cd.pt) com o objectivo de manter viva a esperança, apesar do tempo, do reencontro dos seus filhos.

14 julho 2007

Dia Mundial da Liberdade

Comemora-se hoje o Dia Mundial da Liberdade.

Liberdade de expressão e opinião.
Liberdade religiosa.
Liberdade política.
Liberdade económica, social e cultural.
Liberdade em respeitar a liberdade dos outros.
Liberdade para sermos livres.

E é triste que seja necessário comemorar o dia mundial da liberdade, quando esta devia ser uma condição humana diária e constante.

08 julho 2007

Maravilhosamente 7 novas (e antigas)

Ontem à noite (07.07.2007), em Lisboa (Estádio da Luz), foram anunciadas as novas 7 Maravilhas do Mundo, eleitas por cerca de 100 milhões de pessoas.
A primeira a ser anunciada foi a A Grande Muralha da China.
As outras seis maravilhas terretres são o Taj Mahal (Índia) - o Cristo Redentor (Brasil) - Petra (Jordânia) - a cidade inca Machu Picchu (Perú) - o Coliseu de Roma (Itália) e a pirâmide de Chichén Itzá, localizada na península de Yucatán (México).

Sem votação ou direito a gastos logísticos no valor de 12 milhões de euros, mas infelizmente com direito a mediatismo, mantêm-se as outras sete antigas: Iraque - Afeganistão - Libano - Somália - Dafur - A fome nos continentes Africano e Sul Americano (salvo as mínimas excepções) - o Terrorismo e a Ameaça Nuclear.

25 junho 2007

Pela sua saúde... não adoeça!

O estado de sítio da saúde portuguesa já dava que falar, mas como se isso não bastasse poderá ficar ainda mais cara para os portugueses.
Um relatório encomendado pelo Governo (e disponível num blog do site da TVI) avança várias propostas para o Sistema Nacional de Saúde, como por exemplo, a redução do número de isentos de taxa moderadora, a subida do valor das taxas e a criação de um novo imposto.
Segundo o estudo encomendado pelo Governo, cerca de 55 por cento da população está isenta do pagamento das taxas moderadoras. Face a estes valores é recomendado que apenas sejam abrangidas pela isenção pessoas com dificuldades financeiras e quem necessite de cuidados médicos continuados.
Como se 55 por cento da população não fosse um valor representativo da tal franja de cidadãos com dificuldades financeiras, face à realidade económica nacional.
Além disso, o estudo recomenda ainda uma redução da dedução fiscal no IRS das despesas com a saúde, dos actuais 30 para apenas 10 por cento. É ainda equacionada a criação de um imposto para a saúde, dependente dos rendimentos do utente.
Mas este estudo tem ainda a sua “cereja em cima do bolo”.
Assim, os doentes que fizerem um «uso excessivo» de consultas sem justificação clínica, nos serviços públicos de saúde, devem pagar mais, bem como a compartição pelo SNS das consultas de um utente, que não seja doente crónico ou não tenha de realizar tratamentos prolongados, deveria limitar-se a três por semestre.
Aliás parece-me óbvio que, excluindo os casos patológicos, qualquer cidadão desta república das bananas (mesmo sem bananeiras) tenha o prazer de necessitar de cuidados médicos, sempre que o tédio lhe assolar a alma.
Para o Ministério da Saúde e para o brilhantismo do Sr. Ministro Correia dos Santos, os cidadãos deste país são viciados numa matiné qualquer hospitalar, como o são com o tabaco, o café ou o álcool.
Portanto… taxe-se!
Pela nossa saúde.

21 junho 2007

Iberismos!

Oh Elvas. Oh Elvas... Badajoz à vista!
Segundo o Público on-line do dia 19.06.07, após o encerramento da maternidade de Elvas, em Junho do ano passado, durante este primeiro ano, registaram-se 260 mulheres portuguesas que deram à luz na maternidade espanhola de Badajoz.
Contributo eficiente para uma mais forte ligação à vizinha Espanha, fazendo prever (que mais não seja por razões afectivas) uma maior expressão percentual num próximo inquérito referente a uma mais que previsível "invasão" espanhola (no último 43% dos portugueses afirmou não ter qualquer complexo em ter nacionalidade espanhola - a bem da verdade... eu também não).
Segundo a referida notícia a maternidade materno-infantil de Badajoz realizou, neste período de um ano, 796 consultas a portuguesas, recebendo 454 mulheres grávidas com problemas durante a gestação.
Oh Elvas. Oh Elvas... Badajoz à vista e Évora e Portalegre cada vez mais longe.
Ainda vamos ver içar a bandeira espanhola naquela localidade e termos mais um dossier tipo "Olivença" para gáudio dos historiadores.

20 junho 2007

Condução Divina...

Isto faz-me lembrar os jornais desportivos no defeso. Como não há as habituais polémicas de cada jornada (os penaltis, os fora de jogo, os resultados imprevisíveis), inventam-se notícias, histórias, contratações e “descontratações”.
Como no futebol, assim na vida.
Como se no mundo e nos homens não houvesse, de facto, nada mais importante que a condução automobilística. E nem mesmo os dados reais e dramáticos da sinistralidade rodoviária justificariam tal tomada de posição tão terrena.
Vaticano cria os “10 mandamentos” do bom motorista.
Das 10 regras fundamentais para o exercício rodoviário, destacam-se o óbvio - “Não guiarás sob influência do álcool. Respeitarás os limites de velocidade.” (curiosamente falta a questão dos estupefacientes) e a “cereja no cimo do bolo” - “Não considerarás o carro como objecto de glorificação pessoal, nem o usarás como local de pecado”. Soberbo.
Malta nova (e alguma mais velha), acabou-se o rebatimento dos bancos da “voiture”. Isso, para além de poder ter consequências ao fim de nove meses, também dá direito a excomunhão.
E já agora, é possível pedir perdão pelas infracções em vez de pagar a respectiva multa (coima)?
E, por último… será que Deus tem carta de condução?
Valha-nos Deus…

17 junho 2007

Medalha de Bronze... pelas piores razões

No dia em que se celebra o Dia Mundial da Desertificação e da Seca, com o lema «Desertificação e Alterações Climáticas: um desafio global» e segundo a Agência Espacial Europeia, Portugal é um dos três países mais desertificados da Europa, juntamente com a Itália e a Turquia.
A análise é feita com base em imagens do sistema de satélite europeu e insere-se num projecto que está a ser desenvolvido em conjunto com a Convenção das Nações Unidas para a Luta contra a Desertificação (UNCCD).
Segundo o estudo, o nível de desertificação nos três países - Portugal, Itália e Turquia - é dos mais elevados da Europa.
As projecções dos estudos e das análises, até à data, realizadas pela AEE, estimam que a desertificação - processo de degradação da terra provocado, por exemplo, pela actividade humana, põe em risco a saúde e o bem-estar de mais de 1.200 milhões de pessoas em mais de 100 países.

43 Anos depois.

Esta é a demonstração real da máxima "mais vale tarde que nunca".
E assim foi... Mississipi em Chamas (um dos melhores filmes já produzidos na abordagem da questão racial, de 1988 e realizado por Alan Parker, com Gene Hackman no principal papel) foi a julgamento.
James Seale, ex-polícia e membro do Ku Klux Klan, foi condenado pelo rapto e morte de dois jovens negros em 1964, em plena crise dos direitos cívicos nos Estados norte-americanos do Sul. Para as famílias das vítimas, a justiça foi feita ainda que tarde.
Para a justiça portuguesa e especialmente para os suterfúgios que permitem "esconder" a verdade, desculpar os responsáveis e prescerver a culpabilidade, fica o exemplo.
Mais vale tarde que nunca...

01 março 2007

Incredibilidades.

Hoje no noticiário das 20:00 horas.
Mãe belga "mata" os seus cinco filhos e tenta, em seguida, o seu suicídio.
Por mais irracionalidade que se queira incutir ao acto, só num perfeito estado de desespero e emotividade descontrolada é que se pode encontrar alguma justificação para que uma mãe consiga cometer tal acto bárbaro.
A vida, em momentos, pode tornar-se desesperante.

03 dezembro 2006

Dia Internacional do Deficiente

Hoje comemora-se o Dia Internacional dos Portadores de Deficiências.
Um evento criado pela Organização Mundial da Saúde.
Num país que vive uma das maiores taxas de exclusão social, eis alguns "bons" exemplos da forma como "olhamos" para os mais necessitados.
Para ler aqui o sentimento de revolta da Associação Portuguesa dos Deficientes.
 




23 novembro 2006

O Anti-Dia

Publicado na edição de hoje (23.11.06) do Diário de Aveiro

Post-its e Retratos
Aniversários e velinhas!


Hoje é institucional e socialmente assumida a necessidade de se comemorar.
Há datas e temáticas de sobra para que o calendário anual se preencha quase na sua totalidade, com o “dia de…”.
E se somos bons a inventar dias de.
Desde o dia Mundial da Paz até à espiritualidade de se celebrar o Dia da Sedução, tudo e qualquer coisa se celebra.
Banalizando o que é verdadeiramente relevante, sobrevalorizando o que se apresenta claramente supérfluo.
Desde o social, político, religioso, cultural e histórico.
Descendo a faixa etária dos 35 anos, que significado tem hoje a celebração do 25 de Abril ou o 25 de Novembro?!
Que importância e relevância tem o dia da Restauração da Independência, a implantação da República ou a data da formação da Nacionalidade?!
Que significado tem o 10 de Junho, mesmo para uma nação historicamente alicerçada nas conquistas, nas descobertas e na diáspora de muitas décadas?!
E mesmo o 1º de Maio, apesar de toda a conexão político-sindical, terá a mesma capacidade mobilizadora de outros tempos?!
A banalização do conceito de celebração e de comemoração, institucionalizou-se, pelo esgotamento e pelo exagero, transformou-se numa mera referência no calendário, a qual muito raramente consegue transportar para os restantes dias a objectividade e o apego ao “objecto” a comemorar.
Santa Joana tem direito a feriado para nossa satisfação concelhia e a uma estátua renovada. Não cause espanto a possível criação do dia do Sal, do Marnoto e da Salineira, do Moliceiro e do Ovo-Mole. Mesmo que isso já nada diga à maioria dos aveirenses no seu dia-a-dia e nas suas memórias histórico-culturais.
Se a realidade do dia-a-dia nos mostra um mundo menos seguro, mais mortífero e injusto, celebramos a Paz num único dia, sem sequer a garantia de que, nessa data, as armas se calarão. O dia seguinte encarregar-se-á de fazer esquecer a ilusão e recordar a triste verdade.
Se a afeição pelos dados científicos nos faz acreditar na realidade de um mundo mais poluído, menos limpo e menos saudável, a nossa atitude ambientalista resume-se ao dia do ambiente e a acções mais ou menos pontuais de reciclagem doméstica.
Se a vida é o nosso maior bem e garantia e a saudade a nossa melhor característica de identidade, atrevemo-nos, para gáudio de algum sector comercial, a recordar quem nos foi mais querido, num só único dia, para descargo de consciência ou devido ao comodismo do dia-a-dia.
Apesar da pobreza e a exclusão bater à porta do lado todos os dias, a indiferença de quem pede, mora e vive na/e da rua, leva-nos hipocritamente a “lavar as mãos” com 1 quilo de arroz ou 500 gr de massa num saco de hipermercado que nos incómoda e inquieta, uma ou duas vezes por ano.
Um país mergulhado numa realidade económica que obriga a um sacrifício constante, gosta de preparar a despedida de cada ano com a fidalguia hipócrita de quem celebra o Natal que nunca foi quando o homem quer, nunca foi o da solidariedade constante, mas o que comercialmente se determinou.
Uma nação que historicamente tem um dos seus símbolos de identidade nacional identificado com o Mar, celebra num dia por ano a certeza de desperdiçar uma, senão a, maior riqueza que possui.
Um povo que historicamente se lançou aos mares e ventos, já nem no dia 10 de Junho consegue lembrar aqueles que, contrariando um processo natural de acomodação e adaptação a novas culturas e identidades, continuam, teimosa e orgulhosamente, portugueses lá fora.
Somos, claramente, um povo de muita festa, de muitas velinhas acesas e datas solenes.
Somos um povo de banalidades importantes. Mesmo que sem reflexos práticos e sem ecos ao longo dos outros dias.
E todos os anos celebramos… com a certeza que para o ano haverá mais um dia qualquer de qualquer coisa, nem que seja definitivamente o dia do anti-dia.