“Debaixo dos Arcos” foi, e ainda é, o primeiro blogue não virtual de Aveiro. Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada": o centro do mundo...
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05 março 2006

Cidadãos Simplificados

Há no meu imaginário musical uma canção dos Xutos&Pontapés que tem como título: Não sou o único.
Não sei se José Sócrates gosta ou não de Xutos. Eu gosto.
Mas o que me parece uma medida exemplar para a simplificação da burocracia estatal é a implementação do Documento Único de Identificação: Cartão do Cidadão - BI, NIF, SNS, Seg. Social e Eleitor. Parecia-me óbvio a inclusão igualmente da Carta de Condução.
Só que num País que necessita rapidamente de uma reforma dos processos administrativos do estado, continuamos a apresentar medidas (independentemente da sua validade) que demoram uma eternidade a serem postas em prática.
Se tudo correr bem... lá para 2007, passamos a ser únicos!
Continuamos devagar... devagarinho... e algumas vezes parados!

Envelopes

Quando miúdo, ainda me lembro dos meus pais me pedirem para ir aos correios pagar a factura do telefone. No tempo em que CTT era sinónimo de Correios e Telecomunicações.
Os tempos mudaram, mas parecem não esquecer o passado. Há envelopes (Envelope 9) que ainda circulam via Telecomunicações (PT Comunicações).
A justiça é que não muda... antes pelo contrário!
Por solicitação presidencial, a PGR deveria produzir um relatório onde deveria concluir se a PT forneceu ou não indevidamente a listagem dos contactos telefónicos e se para o processo de investigação era relevante tal listagem. Por outro lado, e mais uma vez, como foi possível à PGR cometer mais um grave atropelo ao segredo de justiça.
Resultado ao fim de um mês...
Atropelo à liberdade de informação e sigilo profissional.
Mesmo que muitos possam por em causa a credibilidade da informação jornalística do 24 horas.
É este o nosso Estado de Direito!

01 março 2006

Casos de Policia!

O Diário de Aveiro (edição de hoje) traz, a propósito da inauguração amanhã do novo posto de antendimento da PSP de Aveiro, no edifício do Governo Civil, uma entrevista com o Intendente Francisco Bagina.
Após a leitura (penso que atenta) da entrevista, fico com a sensação que estou perante um verdadeiro "caso de polícia".
Senão vejamos...
Não tenho (e espero não vir a ter) qualquer razão de queixa plausível contra a PSP de Aveiro e, muito menos, contra os seus agentes (alguns que até conheço pessoalmente).
Compreendo e aceito perfeitamente as limitações de acções por imperativos logísticos que implicam falta de meios, de investimentos e de algum descrédito infundado que muito "boa" gente gosta de transmitir em relação às acções policiais - se actuam é porque actuam, se não o fazem é por incompetência. Neste princípio eu não alinho, porque não o acho fundamentado e verdadeiro.
É interessante ainda, verificar na entrevista o esforço de modernidade, de competências, de formação que a PSP está a desenvolver.
Assim como é interessante a sua relação institucional e estratégica com a Polícia Municipal, o sector de Segurança Privada e os (agora na moda) guardas-nocturnos.
No entanto... Há algo que "não bate certo".
E o que me parece mais desajustado neste entrevista é a análise feita à criminalidade na região de Aveiro.
Uma coisa é a posição de bom-senso, de não alarmismo. Outra coisa é desvirtuar a realidade dos factos e dos números, não provocando no cidadão a necessidade real de manter todos os cuidados com a segurança dos bens e das pessoas.
Acredito que o Intendente Francisco Bagina tenha em sua posse dados e relatórios aos quais não tenho acesso e desconheço.
O Sr. Intendente a determinada altura da entrevista afirma que "A criminalidade contra o património, os furtos e roubos está minimamente controlada. Às vezes é um bocadinho perturbada, pontualmente, ciclicamente com a criminalidade flutuante (...)".
Ora aí está algo que me perturba e inquieta. A minha realidade vivida e daquilo que vou tendo conhecimento mostram-me outros factos.
Em 5 anos de residência na Urbanização da Forca, a minha viatura foi assaltada por 3 vezes.
Neste local, o número de furtos é significativo e, quando acontecem, de elevado número. Para além de situações de violência física e de assalto a agências bancárias.
Numa pequena incursão pelos títulos informativos do Notícias de Aveiro, após o dia 1 de Janeiro de 2006, encontrei: "PSP de Aveiro deteve 2 jovens por furto" - "Dois militares da GNR atingidos a tiro em Estarreja" - "Patrulha da GNR alvo de disparos em Anadia" - "PSP de Aveiro deteve casal suspeito de furtos e roubos por esticão" - "Criminalidade violente com maior incidência no distrito" - "(jornal Público) Criminalidade em Aveiro é superior á média da Região centro". Acrescente-se o recente assalto a uma loja de electrodomésticos na Avenida e lembremo-nos dos assaltos a multibancos já efectuados.
Para além deste factos há a registar o aumento da violência doméstica, a violência infantil (e pela minha experiência no contacto com adolescentes e jovens no basket) a delinquência juvenil que vai desde o pequeno furto até à agressão física (por exemplo na escola seja a alunos ou professores).
Esta é uma realidade que não podemos descurar. Que necessita de reflexão séria e de, sem alarmismos, prevenir a sociedade, alertando-a para a necessidade de olharmos para a criminalidade com acções concretas e bem delineadas e definidas.
Não para evitar alarmismos, mas por prevenção!
Por todos: Familia - Escola - Instituições Particulares - Estado. Por uma sociedade mais segura.
À PSP... continuação de bom trabalho, porque nós todos precisamos.

26 fevereiro 2006

E SE

"E se..." é uma expressão que traduz o maior dos dilemas humanos.
Será que sim ou que não?! Poderá ou não?! Verdadeiro ou falso?! Real ou imaginário?!
As questões relacionadas com a infelicidade humana, provocaram, desde sempre, um certo irracionalismo colectivo mas simultaneamente uma união comunitária quando solicitada.
Expressão prática do que afirmei é a "facilidade" (às vezes não inocente) com que brotam campanhas de solidariedade (nacionais ou internacionais) e a forma rápida com que os portugueses a elas aderem.
No que respeita às crianças e jovens, tal sentimentalismo solidário ganha, claramente, outra dimensão. Ficamos mais sensíveis, muito dificilmente indiferentes, mesmo que não participativos.
É o caso das situações de mal-tratos, da pedofilia e do homícidio ou mesmo da morte involuntária.
É a apreensão e a inquietação que nos provocam todas as notícias relacionadas com esses factos.
Recebemos inúmeros e-mail's, em casa, no trabalho, de desconhecidos, amigos e colegas com solicitações de apoios no âmbito da saúde e de informações sobre paradeiros desconhecidos.
Confesso que até à bem pouco tempo (cerca de 5 anos), a sensibilização que tais solicitações me provocavam eram diminutas, situando-se no âmbito do comentário restrito ou da simples "pena".
Mas há algo que nos faz mudar.
Dois importantes pormenores:
1. E se isso não acontece só aos outros?!
2. Passamos a ser Pai. E aqui a inquietação é muito, mas mesmo muito, maior. Ficamos mais sensíveis, às vezes menos racionais, muito mais emotivos e protectores.
Só tenho (!) 40 anos... por isso não me assombra a "máxima" - no meu tempo...
Mas, lembro-me, com clara nitidez, das minhas brincadeiras de rua com 5-6-...-10 anos. Jogávamos futebol na estrada, andávamos de bicicleta (mesmo antes das bugas) pelo meio da rua, saltávamos muros, jogávamos a tudo e mais alguma coisa.
Lembro-me de, ainda na pré-primária, me deslocar sózinho de casa (junto ao antigo quartel) até ao conservatório. Hoje vejo inúmeros colegas e amigos meus, também eles com filhos, a fazerem 50/100 metros a pé (e pasme-se... de carro) a acompanharem as crianças à escola primária e a irem buscá-las no final das aulas.
Hoje paira um medo e uma intranquilidade, que há pouco mais de 25 anos não se imaginaria.
Hoje as nossas crianças (a minha tem quase 6 anos) não andam na rua sem a nossa sombra.
E mesmo assim... ouvimos notícias que nos chocam quase diariamente.
Por isso, e porque me tornei Pai "choramingas" e "galinha", faço referência ao site - Porto XXI, que lançou na 'net' (Link) um espaço - Projecto Esperança, ainda em fase experimental, de ajuda na procura de crianças desaparecidas. Só em 2 dias já recebeu cerca de 4 mil visitantes (segundo informação do Público - edição de hoje).
É que há sempre um - E se a seguir me toca a mim - que nos inquieta e que nos deve tornar solidários.

21 novembro 2005

Sentido Proíbido

Comemorou-se ontem (20.11.05) o "Dia Mundial em Memória das Vítimas das Estrada". Segundo notícia do DN, a Organização Mundial de Saúde refere-se a Portugal com o país da união europeia com a maior taxa de mortalidade rodoviária. Em 2005 já faleceram nas estradas portuguesas cerca de 950 pessoas (não são contabilizados os feridos graves que perdem igualmente a vida, fruot da sinistralidade). Se estudos apontam para um decréscimo da sinistralidade em cerca de 3% devido à renovação do parque automóvel (apesar do aumento constante do custo de aquisição de automóvel), da assistência médica e do aumento da rede de auto-estradas que resulta num melhoramento da rede viária. Assim sendo... onde para a responsabilidade dos outros 97%?! Na falta de civismo, na má preparação técnica para conduzir, na irresponsabilidade quando nos sentamos ao volante. A responsabilidade é de todos os que conduzem e percorrem as nossas estradas. Não vale a pena 'sacudir a água do capote'. A responsabilidade é nossa: dos condutores. Cada português condutor, quando ao volante, desperta em si um sentimento esquisito de complexo de identidade. Sentimo-nos logo transfigurados em Fangio's e Schumacher's. E isto porque o português sempre que se senta ao volante tem muita pressa, mesmo que vão adiantados. Não há limites de velocidade, regras de ultrapassagem, riscos continuos... só há os outros - os que vão mais devagar - os empatas... É fundamental que a educação rodoviária acompanhe a educação escolar bem cedo. Mais importante que o ensino do inglês!

17 novembro 2005

Serviço Público

foi o que o JN na sua edição de hoje (17.11.05), prestou a Aveiro.
Curioso como nos dias de hoje, em que o país, a europa e a restante comunidade internacional vivem momentos de angústia, desepero, pessimismo, ... há ainda quem encontre ideias válidas, capazes de nos mostrar que a vida tem um lado positivo e que esse terá de ser sempre a alternativa ao nosso 'negro' dia-a-dia.
Eixo tem afecto e esperança ao serviço da comunidade, fruto de uma 'missão visionária' da médica e escritora Graça Gonçalves. Um lugar a visitar sempre!
Felizmente que a cultura aveirense não se confina ao Teatro Aveirense e seus 'affaires' e que as contenções financeiras da Câmara permitem olhar investimentos e apoiar acções socio-culturais com valor indiscutível.
Ler JN - Aveiro "Inovador Lugar dos Afectos inaugurado em Fevereiro"

13 novembro 2005

E se...

a conflutualidade existente e vivida em França 'saltasse' fronteiras?
De que forma está a nossa sociedade estruturada e preparada para dissipar e lidar com esta problemática da integração social, cultural, política e religiosa dos emigrantes?! Veja-se o exemplo dado pela aprovação da legislação socialista sobre a emigração, ao não conceder a cidadania portuguesa à 2ª geração de emigrantes.
E Aveiro... tem 'consciência social' capaz para lidar abertamente com esta problemática?!
Que impacto tem o Bairro de Santiago, o Bairro do Griné e o Bairro do Caião?!.
Quantos de nós participámos na integração social de quem aí vive?! Nem que seja no contacto diário (escola, trabalho, lazer) com quem habita esses locais.
Que acção social e cultural delineada e planeada tem a Câmara para estas zonas?! Por exemplo, nos últimos anos foi projectado no âmbito do Programa Polis, alguma recuperação de zonas de Aveiro que criassem outro tipo de infraestruturas (físicas e sociais) para os realojamentos, adoptando-se um modelo distinto da densidade demográfica actual?! Ou é preferível ficar na 'sombra' do papel da Igreja (paróquias) e das suas estruturas pastorais (ex. Florinhas do Vouga e Cáritas), papel esse que, nas alturas de conflito ou crise, convém realçar e justificar, mesmo por quem se diz ateu ou agnóstico?!
Será que temos consciência das realidades sociais que nos rodeiam?!
Aqui também é França e Europa... espero que mais livre, tolerante, integradora e socialmente evoluída.