“Debaixo dos Arcos” foi, e ainda é, o primeiro blogue não virtual de Aveiro. Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada": o centro do mundo...
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26 fevereiro 2012

Um presidente (demasiadamente) ausente

Publicado na edição de hoje, 26.02.2012, do Diário de Aveiro.

Entre a Proa e a Ré
Um presidente (demasiadamente) ausente


Em Portugal, parece que há dois países a governar e a chefiar.
Um, onde a responsabilidade de ter de assumir medidas de austeridade pressionadas por um memorando de compromisso assinado com a Troika tem óbvias repercussões na imagem de quem as tem de tomar e anunciar.
E outro onde há quem, após ser eleito e assumir a representação máxima do país, tudo faça para complicar a sua função e missão, como que, por incrível que possa parecer, propositadamente. É que Cavaco Silva, curiosamente, tem exercido melhor a sua função de Presidente de Portugal nos bastidores, na sombra, no secretismo da influência. Mas não foi, apenas, para tal que foi eleito. Excepção feita quando “dispara” as baterias para a crise europeia e para a falta de solidariedade e de políticas verdadeiramente comuns entre os pares.
Internamente, são precipitações a mais… erros políticos incompreensíveis para quem no país, após o 25 de Abril, mais tempo tem de exercício do poder.
Nem é necessário um grande exercício de memória para percebermos que Cavaco Silva está longe de assumir a representação dos portugueses e bem distante da astúcia política de outros tempos (mesmo que com evidentes erros de governação comuns a todos os governos).
Já no primeiro mandato ficou por esclarecer devidamente o caso das escutas a Belém ou com a “bomba” BPN a rebentar-lhe também nas mãos.
No dia 10 de Junho de 2011, no seu discurso em Castelo Branco, por altura das cerimónias oficiais, Cavaco Silva apelava ao recurso e regresso à Agricultura como uma forma de combater a crise. Como princípio nada parece ser criticável. Aliás, tal como referiu a agricultura o mesmo argumento serve para a pesca e o aproveitamento da maior riqueza natural que o país tem. Mas a questão que se coloca é: E como?!
É que o Presidente da República esqueceu-se (intencionalmente ou não) de que foi na altura em que exercia o cargo de primeiro-Ministro que a Agricultura e as Pescas acabaram em Portugal. Com os dinheiros que na altura, indiscriminadamente e com muito pouco rigor e controle, surgiam vindos da União Europeia (à data CEE) “pagava-se” para não cultivar e para não pescar (com uma abate “colossal” à frota pesqueira nacional).
Já mais recente foi o caso incompreensivelmente infeliz da reforma e que “chocou” o país, da direita à esquerda e que lhe provocou alguns “amargos de boca” em Guimarães na abertura oficial da Capital Europeia da Cultura 2012.
Mas incompreensível é este afastamento das pessoas, das comunidades, da visibilidade. Para que queremos um Presidente da República se não for ele o esteio da motivação, da unidade, da promoção e valorização da necessidade de erguer o país?! Para que queremos um presidente que se esconde nos corredores do Palácio de Belém quando os cidadãos demonstram as suas angústias, as suas preocupações, as suas legítimas revoltas? Ter receio de enfrentar a contestação de uma escola?! Para quê tantos sacrifícios se os o país perde as suas referências políticas?!
Para além do triste e inqualificável bloqueio do acesso dos jornalistas aos actos públicos da presidência do país, com a novidade do recurso ao videohall e a salas de isolamento.
Mas não “satisfeito”, Cavaco Silva não perdeu a oportunidade, no final desta semana, de voltar a ser o foco das atenções, infelizmente pelas piores razões.
Um Presidente de uma nação, por sinal economista, tendo já exercido as funções de primeiro-Ministro (com e sem maioria), tão preocupado com o percurso actual da europa, tão atento à implementação das medidas de austeridade impostas pela Troika, venha publicamente mostrar-se estupefacto e surpreso com os números do desemprego em Portugal. Mas Cavaco Silva tem presidido aos desígnios de que nação?! Em Marte?!
É que para além de correr o risco de ser mais impopular que o primeiro-Ministro que, mesmo com o ónus de ser o responsável pela aplicação de todas as medidas que têm agravado a vida dos portugueses (sejam elas justificadas, necessárias, importantes, a pensar no futuro do país e dos mais novos, etc.) o que verificamos, principalmente neste segundo mandato, é que Cavaco Silva se alheou dos portugueses e do país. Numa óbvia demonstração de que não estava e não está politicamente à altura do cargo… com falta de competência e aptidão para ser o “timoneiro” deste barco que navega em mares muito agitados.

Uma boa semana.

13 novembro 2011

Rir de quê?!

A área socialista anda em pulverosa com duas realidades distintas, mas que revelam a necessidade de sustentar externamente uma oposição pouco consistente e sem propostas concretas para o país e para uma realidade que tem muito de (i)responsabilidade da gestão nos últimos seis anos.

Primeiro, quando José Sócrates era primeiro-ministro, crucificavam publicamente o Presidente da República por entenderem que se envolvia em áreas que não lhe diziam respeito e que se intrometia demasiadas vezes na esfera governativa. Concretamente, aquando das aprovações dos respectivos Orçamentos de Estado, acrescidos dos sucessivos PEC’s.
Agora que a actuação e ingerência presidencial é a mesma (eventualmente até mais acentuada por força do braço de ferro académico entre visões economicistas diferentes: Cavaco Silva vs Vitor Gaspar) já aplaudem de pé e até fazem sua voz e bandeira as palavras de Cavaco Silva quanto ao OE2012 e ao BCE. Curiosamente, chega ao ponto de António José Seguro criticar, hoje, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, de estar cada vez mais alinhado e submisso com a Angela Merkel. Tal como em muitas outras circunstâncias, o líder do PS esquece que a José Sócrates só faltou rastejar aos pés da chanceler alemã, por diversas vezes.

Segundo, o líder da bancada parlamentar socialista, Carlos Zorrinho, coadjuvado por alguns utilizadores socialistas das redes sociais (por exemplo, no twitter), regozijava-se com o título de uma notícia na revista Sábado, que não reflecte em todo o corpo da notícia: “4 em cada 10 pensam que Passos Coelho governa pior que Sócrates” (sondagem).
Pois bem… é um facto que face à conjuntura, à necessidade de aplicação de medidas (estas ou outras, para o caso) de austeridade para cumprimento dos compromissos assumidos (e assinados pelo PS) com a ajuda externa, o desgaste da governação seria inevitável. Como em qualquer outra circunstância. Os cidadãos começam a sentir as dificuldades que se avizinham e, legitimamente, tende a criticar e a condenar.
Mas o que os socialistas não revelam é toda a informação que está constante na notícia/sondagem da revista Sábado:
1 - Os partidos que formam o Governo (PSD e CDS) não sofreram grandes oscilações na intenção de voto legislativo durante o mês de Novembro. De acordo com a sondagem CM/Aximage, o PSD reuniu a confiança de 41,2 % dos portugueses, enquanto o CDS atingiu os 9,5 %. O mesmo aconteceu com o maior partido da oposição, o PS, cuja intenção de voto nas legislativas se situou nos 26,8 %. Ou seja, não subiu.
2 - No entanto, 44 % dos eleitores julgam que o social-democrata Pedro Passos Coelho continua a ser o melhor líder para ocupar o cargo de primeiro-ministro. Já António José Seguro reúne o voto de 22,4 % para subir ao cargo de chefe do Governo.

A bem da verdade...

27 outubro 2011

Falar de mais... fazer muito pouco!

Escrevi em "Sim, Senhor Presidente. Enfim..." a minha opinião e crítica sobre o erro crasso a atitude pública e a tomada de posição do Presidente da República sobre a proposta do Orçamento de Estado para 2012. Um verdadeiro tiro no pé, a questão pública da equidade fiscal...

Em "Que rico exemplo de equidade" contestei o despesismo da Presidência da República (Casa Civil, Casa Militar, mais assessorias) em tempos de crise e quando se contesta as medidas de austeridade, e se fazem discursos e se tomam posiçõe spúblicas carregadas de demagogias.

Aqui está o exemplo de austeridade, de poupança, de Equidade!  (mesmo que o título possa ser entendido como tendencioso).
"Olhem para o que eu digo, esqueçam o que eu faço"... Tristeza!

É certo (e sabido) que a verdadeira diplomacia económica tem custos. Mas trata-se de uma cimeira de dois dias, apenas, com a presença também do Primeiro-ministro.
No caso concreto, é curioso que ela seja feita pelo Presidente da República e não pelo Primeiro Ministro!!! E mais curioso ainda é sabermos que ela será feita por um mordomo e por um médico pessoais.
Ou, retendo a imagem da última deslocação aos Açores (em plena crise e debate sobre contas e buracos), a esposa do chefe da casa civil, dois fotógrafos, uma enfermeira, dois bagageiros e 12 seguranças (DOZE!!!!!!! - Passos Coelho leva, no máximo, 4).

24 outubro 2011

Que rico exemplo de equidade...

Referi no "Sim, Senhor Presidente. Enfim..." que entendia ter sido um erro crasso a atitude pública e a tomada de posição do Presidente da República sobre a proposta do Orçamento de Estado para 2012. Um verdadeiro tiro no pé, a questão da equidade fiscal...
Um dos pontos focados foi este: "Primeiro, Cavaco Silva não é neste momento exemplo para o país. Basta reparar nos elevadíssimos custos e despesismo na manutenção da casa Civil e Militar da Presidência da República".
Não poderia ser ter surgido melhor sustentação para o argumento que utilizei:
 Falar é fácil... cumprir, fazer, ser exemplo é que custa...

20 outubro 2011

Sim, Senhor Presidente. Enfim...

Primeiro, a declaração de interesses: fui e sou crítico em relação a algumas medidas da proposta de Orçamento de Estado para 2012, tal como aqui o expus em "Orçamento do descontentamento", em "A propósito do Orçamento... mais desilusão" ou em "A ler os outros... Pedro Guerreiro".
Acho que falta apostar em medidas alternativas e menos penosas para os mesmos contribuintes de sempre. Mas, de facto, são opções. E como dizia o primeiro-ministro no debate de sexta-feira, o "as medidas são minhas, mas o défice não é meu".
O que é perfeitamente incompreensível é a posição do Presidente da República ao criticar a proposta do Orçamento de Estado para 2012, de forma inesperada, veemente, fora do relacionamento institucional que se impunha, em plena discussão parlamentar, e numa altura de alguma (muita) sensibilidade social, transmitindo uma péssima imagem para o exterior.
Cavaco Silva considerou, publicamente, que a suspensão dos 13º e 14º meses de salários (subsídio de férias e de natal) da administração pública e dos pensionistas viola um princípio básico de equidade fiscal (mesmo que tal seja questionável) e questionou a inexistência de um limite para os sacrifícios.
E a infelicidade de tais declarações expressa-se nos seus sete pecados mortais:
Primeiro, Cavaco Silva não é neste momento exemplo para o país. Basta reparar nos elevadíssimos custos e despesismo na manutenção da casa Civil e Militar da Presidência da República (ou, outro exemplo, a questionável recente viagem aos Açores e todo os encargos com tais deambulações presidenciais). A propósito da região autónoma, foi deveras preocupante e significativo o silêncio presidencial sobre as contas públicas da Madeira. Coerências, portanto...
Segundo, Cavaco Silva tem todas as condições para estabelecer canais preferenciais e eficazes com o Governo. Deveria ser a via institucional a preferencial.
Terceiro, tal como afirma, Cavaco Silva, apesar da mudança governativa, diz que não mudou de opinião. Mas é curioso que, se no passado a tinha, não a utilizou da mesma forma, no que se refere aos anteriores orçamentos. E não se trata de um documento ou medida política governativa qualquer. É tão só o principal instrumento governativo.
Quarto, com as declarações de hoje, Cavaco Silva condicionou, directa e intencionalmente, toda a discussão em torno do orçamento, bem como a sua votação.
Quinto, num momento sensível de contestação social, Cavaco Silva em vez de ser, por inerência do cargo, um pólo agregador, tornou-se, hoje, num foco destabilizador.
Sexto, se Cavaco Silva não mudou de opinião quanto à questão da equidade fiscal e dos sacrifícios, já no que respeita ao cuidado com a imagem externa, face à "sensibilidade" dos mercados financeiros, tudo parece ser, agora, diferente.
Sétimo, com esta posição, aprovado o Orçamento de estado para 2012 nos moldes em que a proposta o apresenta, Cavaco Silva tem um grave problema político de consciência para resolver (se é que isso lhe faz alguma diferença): só tem um caminho de Coerência Política que é vetar o Orçamento 2012.

Para quem afirmava que nunca tinha dúvidas e raramente se enganava... Enfim!!!
Claramente... a birrinha de criancice escolar: fizeste-mas, vais pagá-las. Cavaco, quando Primeiro-ministro, nunca perdoou Passos Coelho enquanto presidente da JSD.

Nota final: é curioso ver como a política tem uma memória extremamente curta. Num passado muito, mas mesmo muito, recente o Partido Socialista dizia "cobras e lagartos", vociferava a plenos pulmões, "caía o Carmo e a Trindade", sempre que o Presidente da República vinha a terreno expressar a sua opinião. agora é ver os socialistas a fazerem a festa, baterem palmas, deitarem os foguetes e ainda apanharem as canas, com estas declarações presidenciais. É triste e vergonhosa a política!

17 fevereiro 2011

Quem tem cú tem medo!

Face à realidade do país e da conjuntura internacional, face às políticas e medidas de austeridade às quais se somam os erros da gestão governativa deste (des)governo, face à instabilidade social e à crescente insatisfação dos cidadão, ainda estão vamos, de certeza, assistir a mais greves, mais contestação, mais insatisfação.
E face a toda esta realidade e à pressão e impacto que possa ter no Governo, o PS tratou logo, pelo próprio líder da bancada parlamentar, assegurar que não incomodassem o Presidente da República, não vá Cavaco Silva irritar-se e usar a "bomba presidencial", após a tomada de posse!
Já diz o sábio povo: "quem tem cú tem medo"!

12 outubro 2010

Eleições Presidenciais 2011


O Presidente da República, Cavaco Silva, marcou hoje a data das próximas eleições presidenciais: 23 de Janeiro de 2011.
Oficialmente, a campanha eleitoral arranca a 9 de Janeiro.

No site oficial da Presidência da República a informação é, como se ousa dizer, "curta e grossa":
Presidente da República marcou eleições presidenciais para 23 de Janeiro de 2011
A propósito da marcação da data em que vão decorrer as próximas eleições presidenciais, a Presidência da República divulga a seguinte nota: "Nos termos constitucionais e legais, o Presidente da República fixou o dia 23 de Janeiro de 2011 para a realização das eleições presidenciais".

Vai começar a festa republicana...

Para já a corrida eleitoral tem, na linha de partida, Manuel Alegre (PS e BE), Fernando Nobre (independente), Francisco Lopes (PCP) e Defensor de Moura (independente). Quem faltará mais?!

29 setembro 2009

Discurso Presidencial

Cavaco Silva falou ao País.
O País ouviu Cavaco Silva. O País não percebeu Cavaco Silva.
O tabu foi quebrado (mais um): As Escutas à Presidência da República!

O que se passou, então... Nada!

1. Porque razão Cavaco Silva não emprega uma linguagem directa, concisa e simples, que a maioria dos portugueses entenda?!

2. Se é grave, que obrigue a uma declaração directa e oficial, que se tenha usado o nome do Presidente da República, o seu staff, para colar a sua imagem à campanha do PSD e para lateralizar os temas importantes para o país (numa clara chamada de atenção ao PS), porque razão só agora falou?! Com esta atitude, legitimou todas as discussões paralelas criadas, não "cortou" o mal pela raiz, beneficiou o PS e prejudicou claramente o PSD. Aliás como já o tinha escrito nos Rescaldos Eleitorais que fiz, neste espaço.

3. Continuo a achar que se não queria (embora o tenha feito mal) prenunciar-se antes das eleições, não tinha legitimidade, nem o direito, de tomar qualquer posição sobre o assunto. Porquê o afastamento do seu assessor Fernando Lima?! E, se ninguém está autorizado a falar em seu nome (excepto a Casa Civil ou Militar), porque continua Fernando Lima a trabalhar em Belém?! E a fazer o quê?!

4. Quanto às suspeitas de escutas... nada ficou esclarecido, antes pelo contrário. Foram referidas suspeitas graves sobre vulnerabilidades. E sendo graves, Cavaco Silva não deveria ter esperado tanto tempo, e muito menos afirmar publicamente que equipas técnicas lhe indicaram que as comunicações na, de e para Belém não são seguras. Isto "acalma" verdadeiramente o País.

Cavaco Silva, teimosamente, entende que os portugueses passaram a ter um rótulo que diz: "sou português... sou estúpido!".

Enfim... Cavaco Silva deixou de ser o meu Presidente! Ponto...

28 setembro 2009

Mensagem Presidencial

Segundo fonte oficial da Presidência da República, Cavaco Silva falará ao País, amanhã, pelas 20:00 Hm.
Faz-nos relembrar um Verão de 2008... Expectativa, suspense... e no fim, resultado global: nada!
Para amanhã já "rolam" nas diversas redes sociais, programas televisivos e radiofónicos, mesas de café, apostas sobre a temática.
À frente das "sondagens" vai a questão das suspeitas das alegadas "escutas" a Belém.
Foi tema nos últimos dias de campanha (embora a questão tenha origem, na Comunicação Social, em Agosto)... foi algo que marcou a recta final da campanha eleitoral.
Cavaco Silva sempre afirmou que falaria depois das eleições... não fazia qualquer sentido ter tomado uma posição (não verbal) antes das eleições, sobre a questão, ao afastar das funções o seu assessor.
Mas há uma outra questão que importa relevar, neste caso.
Cavaco Silva, tido por muitos como um político hábil, consistente e conciso, acaba por tomar atitudes de perfeito suicídio político. E as questões começam a avolumar-se: Cavaco quererá desistir das suas funções? Terá receio em enfrentar, de novo, Manuel Alegre, num novo contexto e realidade políticos? Como sairá Cavaco Silva de todo este imbróglio?!
Por último, entendo ser lamentável que o Presidente da República, bastião superior de um estado democrático e de direito, tenha muito pouca consideração e relevância pelas eleições autárquicas e uma enorme desvalorização pelo poder local.
Porque falar em pleno arranque da campanha eleitoral autárquica?!
Será que os Presidentes das Câmaras e das Juntas de Freguesia, são "cidadãos políticos" menores?!
Será que, seja qual for a sua comunicação, não terá influência no desenrolar das actividades de campanha eleitoral autárquica?
Um enorme tiro no pé...

25 setembro 2009

Notas Breves...

Texto para ser publicado, hoje, no Diário de Aveiro, mas que não consegui enviar atempadamente.
Sais Minerais
Notas Breves… e suspensão!

Não há, normalmente, período eleitoral sem “casos”, “histórias” ou os chamados “golpes baixos”.
Aliás… não há política sem “casos”, “histórias” ou os chamados “golpes baixos”. Há muito que a ética e a política (o seu debate e confronto) estão de “costas voltadas”.
E, no caso concreto deste período eleitoral, são já vários os chamados “casos” eleitorais: TVI, TGV e Espanha, a Asfixia, os PPR’s e Investimentos do Bloco de Esquerda, etc…. e, por último, o caso das “escutas do Governo à Presidência da República”.
Normalmente, os casos de campanha, não passam disso mesmo: casos que servem para distraírem do essencial ou criarem desconforto no campo adversário.
Mas desta vez, nem tudo é distracção e há, de facto, casos que merecem alguma ou muita preocupação, e especial atenção.
No caso da TVI (Jornal de sexta) já muito foi dito, embora nem tudo esclarecido, e aguardam-se mais desenvolvimentos.
No caso das “escutas” (ou supostas escutas) à Presidência da República, é crucial reflectir sobre o “caso” em três vertentes:
1. Jornal Público vs Diário de Notícias.
Do ponto de vista da Comunicação Social, é extremamente grave, ética e deontologicamente, que um órgão de comunicação concorrencial tenha avançado com a publicação de documentação interna de um outro jornal. E já agora era importante que o DN citasse as suas fontes (já que citou as fontes constantes do e-mail publicado) e informasse como é que teve acesso ao e-mail interno do Público e do jornalista Luciano Alvarez.
Convém lembrar o posicionamento editorial do DN próximo do PS. Assim, tal publicação só veio trazer mais um “caso” à campanha e favorecer, claramente, o PS.
Correcta foi a postura do Expresso que ao ter, igualmente, conhecimento do documento do Jornal Público, decidiu não o publicar e manter a sua própria investigação jornalística.
2. Esclarecimentos necessários e urgentes.
O Presidente da República, no âmbito dos acontecimentos, tinha já, publicamente, afirmado que, face ao momento eleitoral, apenas se pronunciaria após os resultados das Legislativas.
Poder-se-á questionar se Cavaco Silva deveria ou não, face à gravidade do caso, demonstrar a sua posição e opinião sobre o assunto. Entendo que por menos (pelo menos para a maioria dos cidadãos) fez parar o País, no Verão de 2008, para vir falar de um tema que à esmagadora maioria dos cidadãos disse “zero”: o veto ao estatuto dos Açores (mesmo que mais tarde o Tribunal Constitucional lhe tenha dado total razão).
Mas se temos a imagem do Presidente da República como um homem político de grande astúcia e experiência, não se compreende como, depois das suas afirmações e a escassos dias do acto eleitoral, venha demitir o seu principal assessor de imprensa, pessoa que o acompanha há mais de vinte anos.
E se a demissão, por si só, parece irreal, mais se pode dizer do facto de a mesma ter ocorrido sem qualquer explicação e abordagem sobre o tema.
Para isso, a coerência deveria ter levado o Presidente da República a tomar todas e quaisquer posições apenas após as eleições, como sempre afirmou.
3. Questão pertinente (e última)
Face à realidade dos acontecimentos, permanece, apesar de todos os factos, a dúvida que é necessária esclarecer: há ou não escutas do Governo ao Presidente da República?! Ainda só sabemos a versão de um dos lados da “barricada”.
É que com a demissão, apenas ficámos a saber (deduz-se) que o Assessor de Imprensa de Cavaco Silva falou em nome próprio.
Muito pouco para tão grave polémica.
Por último, por indicação da ERCS (Entidade Reguladora da Comunicação Social), e por uma questão de ética, as Crónicas “Sais Minerais” vão interromper a sua publicação, regressando depois das eleições autárquicas. Com toda a certeza, mais fortes e com “olhares mais atentos”…
Tal circunstância prende-se com o facto de ser candidato, pela Lista de Fernando Marques, à Assembleia de Freguesia da Glória.
Resta-me, por isso, dizer um “até daqui a duas semanas” e apelar à mais importante participação cívica dos cidadãos: Votar. È um direito e um dever de todos.
Para que Portugal e Aveiro cresçam…

Ao sabor da pena…

24 setembro 2009

A ler os outros... II

A ler este interessante post na "Casa dos Comuns", do amigo e companheiro João Pedro Dias: O enorme ego de Cavaco Silva.
Perfeitamente de acordo. Aliás na linha do meu artigo de amanhã, no Diário de Aveiro.
Presidente da República esteve muito mal, nesta fase final da campanha. E como eu escrevi (e pode ser lido amanhã), para um político tido como eficaz e conciso (que nunca erra e nunca se engana) esta sua atitude só traz "água na boca". É "gato escondido com rabo de fora".

18 agosto 2009

Eu escuto, Tu escutas... Eles Escutam!

Hoje, o tema de debate e de "troca de galhardetes" foi (e presume-se que amanhã continue) esta notícia divulgada pelo Jornal Público.
Para muitos, trata-se de mera silly season, politiquices sem qualquer interesse.
Para outros, não será nada de admirar num país onde uma metade desconfia da outra metade, tudo é feito às escondidas... e as escutas são o trivial da "praça" (e já com longa tradição).
O que é um facto é que isto (a guerrilha eleitoral) está a acontecer.
E logo em período eleitoral... Coincidências, não é?!
E a guerrilha política vai COMEÇAR. Uns vão queixar-se de perseguição (PSD), outro vão queixar-se de aproveitamento político (PS) para virarem opinião pública.
Enfim... e o país com tantos problemas reais... que espere!

01 agosto 2009

Semana em Revista - I

Lembram-se de, precisamente há um ano atrás, sua excelência o Presidente desta República ter interrompido as suas férias para fazer uma declaração ao País (todos opinaram sobre o que seria - e ninguém acertou)?! A declaração era sobre uma questão de estado: o estatuto dos Açores.
Quase ninguém, onde eu me incluía, (à excepção dos iluminados do costume) percebeu porquê tanto alarido, tanto tabu... Não era sobre o nosso dia-a-dia, sobre o desemprego, sobre a economia, sobre a educação, sobre a saúde... sobre a demissão do governo. Ou seja, não era "nenhuma bomba" para tão grande alarido.
Mas afinal... era. Era e é uma questão de estado. E ao fim de um ano, o Tribunal Constitucional vem dar razão (em tudo) ao Senhor Presidente.
É por isso que o "Terra Nostra" é tão especial...

04 março 2009

Um excelente Notícia

Expresso - edição de 28.02.2009 (capa)

O Presidente da República nomeou António Barreto para presidir à Comissão das Comemorações do Dia de Portugal.
A cima de partidarismo ou politiquices e ideologias.
Uma das personalidades que só se pode admirar e respeitar... por tudo.
Ou ele ou o indiscutível Adriano Moreira.


Eu aplaudo... pela CULTURA e pela Identidade Histórica.

31 julho 2008

Ora Bolas...

Que balde de água fria....
Então o Sr. Presidente da República faz-me estar desde as 7:30Hm da matina, todo ansioso, à espera de ouvir da sua boca qualquer coisa bombástica como - "acabou a crise", "vai haver melhores ordenados e melhores condições de vida", "o SNS vai mudar" (para melhor claro), "vamos ser mais felizes", "subimos em todos os rankings positivos da UE", ou ainda do tipo - "eleições antecipadas", "o governo pediu a demissão porque não sabe mais o que há-de fazer pelo país", ou até mesmo "vou-me demitir porque já não quero ser mais Presidente".
Mas NÃOOOOOOOOOOOO
Veio falar de uma coisa qualquer que se passou nos Açores e de quererem mexer com as suas funções ou darem-lhe mais dores de cabeça do que aquelas que ele já tem.
Bolas... tanto suspense para nada.
Não acredito mais nele. Faz-me lembrar a história do Pedro e do Lobo.
BALELASSSSSSSSSSS SR. SILVA.

01 janeiro 2008

Chegou 2008. E depois?!

Ainda pensava eu que era realista (na opinião de outros, se calhar, pessimista).
 
Oportunidade para ver aqui o resumo do discurso de Ano Novo do Presidente, ou aqui na íntegra.

11 março 2007

Um ano de cooperação estratégica

O sector da direita política portuguesa elegia Cavaco Silva como Presidente da República, em Janeiro de 2006.
A 9 de Março, Cavaco Silva assumia a sua função presidencial.
Um anos após esse acto...
A direita, politicamente correcta, vai elogiando o seu trabalho, enquanto o governo vai beneficiando da relação institucional, para já sem quaisquer entraves ou conflitos... bem pelo contrário.
Por outro lado, o papel presidencial é realizado com algum recato, mas alguma pertinência.
As badaladas "presidências abertas" de outros "reinados" foram substituídas por "roteiros presidenciais", essencialmente virados para as questões sociais que tocam os portugueses: a exclusão social; a interioridade do país; o voluntariado; a violência doméstica e a infantil; a qualificação dos recursos humanos.
No seu papel supremo de promulgação das leis, foi incisivo na Lei da Paridade; assumindo a cooperação com o governo na promulgação da Lei das Finanças Locais; na promulgação da Lei da Procriação Medicamente Assistida; num claro sublinhar da tão proclamada cooperação estratégica, ao ponto de recentemente elogiar o esforço governativo para a implementação das suas reformas.
Aguarda-se a sua posição na promulgação ou não da Lei do Aborto.
Se já era difícil o papel de oposição, dos partidos à direita do governo, mais complicado fica essa acção com a relação presidência-governo.

25 fevereiro 2007

Meio por Meio!

A vigência do mandato executivo deste governo, encontra-se a meio. Como se ousa dizer, com o copo meio cheio ou meio vazio.
E de facto esta é a melhor imagem deste governo de José Sócrates. Nem sim, nem não… antes pelo contrário.
Depois de ter conquistado a primeira maioria absoluta, não é menos verdade que estes dois anos, embora as sondagens revelem a preferência dos portugueses pelo governo, têm sido de alguma frustração no desempenho da gestão do País.
O choque tecnológico é uma miragem e uma faixa publicitária cheia de demagogia. Os 150 mil postos de trabalho prometidos são uma miragem. O PRACE, perfeitamente abstracto e atrasado, vem criar uma maior assimetria no país, clivado pelo encerramento irracional de maternidades, centros de saúde, urgências, escolas primárias. Pelo abandono do interior e descaracterização social do litoral.
O desemprego não baixa e o desenvolvimento do país não surge, mantendo-nos na cauda da Europa, cada vez mais alargada, assim como o nosso distanciamento à média comunitária.
As contestações dos vários sectores da sociedade são uma constante, diluídas por uma vitória num referendo mais de carácter ético, social e moral do que propriamente político.
A crise económica requereria medidas mais consistentes e coerentes, como o controlo da despesa pública em consonância com um realismo no investimento que parece não existir: casos OTA e TGV.
Desta realidade realça-se o triste estado da saúde, do ensino (embora aqui com dúvidas repartidas) e essencialmente da economia, muito por culpa de um ministro claramente a menos no conjunto do executivo.
Pelo meio fica a clara derrota nas eleições autárquicas (de que Aveiro é exemplo), a saída mal digerida do Ministro dos Negócios Estrangeiros - Freitas do Amaral, a defraudada expectativa das eleições presidenciais e alguma clivagem interna fruto dos resultados eleitorais.
Com o aproximar da presidência europeia, a disponibilidade para a execução de medidas necessárias ao país parece esmorecer-se.
Mas, mesmo face a esta realidade, o fenómeno mediático José Sócrates continua a render pontos.
Mais por uma inércia clara e um descalabro de ideias da oposição, do que por mérito próprio.
O CDS encontra-se numa clivagem interna e num descontrolo total. O PSD vê-se “invadido” pelas medidas deste governo e fica claramente sem opção e espaço ideológico. Ao BE e PCP resta a contestação já habitual (muitas vezes por razões históricas e de necessidade de afirmação), mas que não são eleitoralmente qualquer alternativa.
Este é o estado da oposição, que sem capacidade de alternativas e de marcar a agenda social do país, limita-se a meros “balões de oxigénio” esporádicos.
A “ajudar à missa”, eleito pelo espectro da direita temos um Presidente da República motivado por uma, até à data eficaz, “cooperação estratégica” que agrada claramente ao Governo.
Por este andar, vamos ter um claro “bis” eleitoral.