“Debaixo dos Arcos” foi, e ainda é, o primeiro blogue não virtual de Aveiro. Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada": o centro do mundo...
Mostrar mensagens com a etiqueta Política. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Política. Mostrar todas as mensagens

22 novembro 2009

A Semana em Resumo - III

Publicado na edição de hoje, 22.11.2009, do Diário de Aveiro.


Processo “Face Oculta”

Para além da curiosidade informativa e das conclusões das inquirições, o processo teve, esta semana, contornos paralelos com a troca de “mimos” entre a Procuradoria-Geral e o Supremo Tribunal de Justiça, em relação à anulação das escutas que envolvem o nome do Primeiro-Ministro.

Curiosamente, o Juiz Presidente do Tribunal de Aveiro teve a “coragem” de assumir a sua posição, visão e interpretação legislativa, sem “alaridos ou alarmismos”.

Convicta e conscientemente… Pena que a Justiça não seja toda igual.

Gripe A – H1N1

Por mais que as autoridades apelem a alguma serenidade…

Por mais que a Ministra da Saúde e a Direcção Geral de Saúde afirmem que a vacina não traz nenhuns efeitos secundários para a gravidez, o que é um facto é que não é fácil explicar a coincidência de, no espaço de uma semana, se terem verificado três mortes de fetos, após as mães grávidas terem sido vacinadas contra a Gripe A.

Vai ser complicado controlar a ansiedade e o alarmismo que se vai registando.

Mundial de Futebol 2010- África do Sul

Portugal ficou, na quarta-feira passada, em suspenso. A ansiedade era óbvia: muito pessimismo à mistura com optimismo, mas sempre a esperança num resultado (exibição à parte) que permitisse à selecção uma presença merecida no próximo mundial de futebol.

Portugal, depois de um jogo menos conseguido (apesar da vantagem de um golo) na primeira mão, frente à Bósnia, enfrentou a pressão do objectivo, do ambiente hostil, da diferença mínima com que iniciou o encontro.

Mas a selecção mostrou-se madura, consistente, profissional e superior.

Soube impor a sua superioridade, soube funcionar como equipa e soube impor o seu futebol e dominar todos os sectores do jogo. Foi, revendo toda a fase de apuramento, o melhor jogo da selecção.

Avaliação dos Professores

Apesar da abertura da nova Ministra da Educação para o diálogo (agora existente) com os Sindicatos da Educação sobre o Estatuto da Carreira Docente e sobre o processo de avaliação, a Assembleia da República aprovou (com a abstenção do PS e os votos contra do CDS, PCP e BE) o diploma do PSD com a recomendação ao Governo a não divisão da carreira em duas categorias e a criação de um novo modelo de avaliação da classe docente, no prazo de 30 dias. Além disso, a proposta da bancada social-democrata defende que não haja professores penalizados na progressão da carreira devido às diferentes interpretações legislativas.

Desemprego alastra e aproxima valor dos dois dígitos

A taxa de desemprego em Portugal, atingiu, no terceiro trimestre de 2009, o valor de 9,8%, a que equivale o número de cerca de 550 mil desempregados (um aumento de 40 mil desempregados, nos últimos três meses: Julho, Agosto e Setembro).

Os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística revelam um agravamento significativo do desemprego, sendo que este representa o registo mais elevado desde, 1983, e um valor superior às previsões do Governo, que se situariam nos 8,8%.

O que revela uma ineficácia das medidas sociais e económicas, até agora implementadas.

Até porque as previsões não são optimistas.

Para a OCDE, a taxa de desemprego em Portugal, para o próximo ano, deverá ultrapassar os 10% (cerca de 10,1%), prevendo-se uma ligeira descida em 2011, para valores na ordem dos 9,9%.

No relatório de Outubro, aquele organismo prevê ainda que Portugal vá ser a segunda economia da OCDE com o pior crescimento, nos próximos anos (29º lugar, entre as 30 economias da organização).

Curiosa, no mínimo e para quem vem do universo sindical, foi a reacção da Ministra do Trabalho e da Solidariedade Social, Maria Helena André, que se sentiu admirada e surpreendida com os valores divulgados.

Boa Semana…

21 novembro 2009

DESPEDIDA... Até sempre Jorge Ferreira.

Recebi a notícia, seca, crua e fria, via comunicação social... não queria acreditar.
Faleceu Jorge Ferreira.
Conheci o Jorge há cerca de 25/26 anos atrás, em plena militância política na Juventude Centrista.
Juntamente com amigos e companheiros partidários (por exemplo, João Pedro Dias), convivi de perto com o Jorge (e o Manuel Monteiro) de quem guardo, obviamente, grandes e boas recordações: foram eleições para a JC, foram eleições para o CDS e foi também o seu afastamento do partido (continuando, como sempre, ao lado de Manuel Monteiro na criação do PND).
Em Abril de 2008, aquando da promoção e realização de uma das Tertúlias Académicas do ISCIA - Tratado de Lisboa, recordo a conversa que tive com o Manuel Monteiro e de ele me transmitir que o Jorge se encontrava doente, com gravidade, mas que ia lutando com todas as suas forças.
Nunca tive, nos contactos que entretanto fui mantendo com o Jorge, fruto do seu empenho político por Aveiro e da presença nas redes sociais, coragem para abordar o assunto. E nada me fazia prever que tão breve seria a sua despedida. Sempre imaginei, como espelho do que foi a sua frontalidade, coragem e empenho políticos, que o Jorge Ferreira ultrapassaria esta fase. Mas a vida (ou a morte, mais concretamente) foi, desta vez, mais forte.
Mesmo afastados ideologica e politicamente, não posso esquecer os momentos activos, vivos e intensos de quem muito gostava de vir a Aveiro...
Resta-me dizer apenas: Jorge, até sempre companheiro!!

19 novembro 2009

A ler os outros...

Muito bom este "post" do Jorge Greno, no "Enguia Fresca" sobre a eventual nomeação do próximo Governador Civil de Aveiro.
Caso para dizer... Aveiro vai ter saudades de Filipe Neto Brandão.

08 novembro 2009

A Semana em Resumo - II

Publicado na edição do dia 8.11.2009, do Diário de Aveiro.

Programa do Governo

Durante dois dias a Assembleia da República analisou e avaliou o programa governativo apresentado por José Sócrates, para a legislatura em vigor.

Dentro da estratégia e princípios explanados nas últimas eleições legislativas, o programa do XVIII Governo Constitucional apresentado pretende manter os compromissos assumidos com todos os que votaram no Partido Socialista, mesmo que não tal não espelhe a vontade da maioria.

Face a esta realidade, os partidos da oposição parlamentar aproveitaram para reiterar as mensagens críticas reveladas durante o período eleitoral, e lembrar ao Primeiro-Ministro que a ausência de novidades no Programa (face ao apresentado nas eleições) irá dificultar a viabilização das propostas (políticas e medidas) a aprovar, tal como notou Aguiar Branco ao colocar a eventualidade de não validação do orçamento.

Para o Governo, as prioridades de destaque deste Programa são a Justiça (curioso a coincidência com os processos em curso); o combate à crise, com o reforço da economia e no investimento público e privado; e a qualificação.

Não se destacam áreas como a saúde, a segurança, as relações externas, a agricultura e a educação.

Avaliação dos Professores

No caso concreto da Educação, sector controverso e polémico, e que se revelou de uma instabilidade social sem história, avizinham-se ainda dias problemáticos para a nova ministra.

No entanto, é de registar a abertura do Ministério gerido por Isabel Alçada para a revisão, com os sindicatos do sector, de aspectos relacionados com o modelo de avaliação e o estatuto da carreira de docente.

O senão reside no facto de não ter sido interrompido (ou suspenso) o processo avaliativo, como muitos desejariam.

Desemprego

Uma das áreas que, a par com a economia e o combate à crise, devem merecer quer da parte do governo, quer da parte da oposição, é o desemprego.

Segundo os dados do Eurostat, para Setembro de 2009, a taxa de desemprego, em Portugal, situa-se nos 9,2%, muito perto da fasquia dos dois dígitos (seguindo a tendência europeia – Zona Euro: 9,7% de desempregados).

No que respeita à taxa de desemprego entre os 27 países da União Europeia, Portugal ocupa a 20ª posição.

Este é um aspecto que o Governo terá de ter em conta nas medidas e políticas a aplicar no combate à crise, na promoção da economia, na luta aos desequilíbrios e na defesa da estabilidade social, e na sustentabilidade da segurança social e respectivos apoios.

Liderança PSD

No rescaldo da semana passada, foi ainda tema de discussão pública, o futuro da liderança do PSD, com o aumento das vozes que promovem o regresso de Marcelo Rebelo de Sousa à presidência do partido.

Ao afirmar publicamente (no programa “As escolhas de Marcelo”, na RTP) que não se apresenta como candidato neste ambiente de fracção que existe no PSD, duas ilações poderão ser retiradas da afirmação: ou espera que não haja mais nenhum candidato e apareça como a imagem de união social-democrata (o que significa, igualmente, um receio na confrontação política interna), ou, pura e simplesmente, aguarda o tempo de se apresentar como candidato natural ao cargo de Presidente da República, fragilizada que está a imagem política de Cavaco Silva.

Processo “Face Oculta”

Para terminar, no caso “Face Oculta” o destaque vai para a prisão preventiva do principal arguido neste processo e para a suspensão do mandato de cargo de administrador do BCP, por parte de Armando Vara, que o mesmo justificou como essencial para preservar a imagem da Instituição.

Por outro lado, os climas de suspeição vão alastrando a várias entidades, como o caso da REN e da REFER, ou das Finanças, à medida que o Juízo de Instrução Criminal da Comarca do Baixo Vouga, em Aveiro, vai desenvolvendo o processo e inquirido mais suspeitos. À parte, proliferam o número de auditorias em diversas e variadas empresas que celebraram contratos com a empresa de Ovar.

Boa Semana…


01 novembro 2009

A Semana em Resumo - I

Publicado na edição de hoje, dia 1.11.2009, do Diário de Aveiro.

Esta rubrica abre um conjunto de análises aos acontecimentos semanais da política nacional.

Novo Governo

Na passada segunda-feira, o novo governo apresentado por José Sócrates tomou posse: 16 ministros, entre os quais se puderam contar oito “caras” novas.

Esperadas eram as renovações nas pastas da Agricultura, Educação, Administração Interna, Ensino Superior, Justiça, Cultura, Ambiente e Obras Públicas (já se tinha verificado a alteração na Economia).

Saíram defraudadas as melhores expectativas: a Administração Interna e o Ensino Superior mantiveram os seus titulares governativos (não expectáveis), enquanto que o Ministro do Emprego transitou para a Economia e o Ministro Augusto Santos Silva passará a “malhar” nas hostes militares.

Face ao quadro parlamentar (e ao seu desenho partidário) será mais fácil do que possa parecer a vigência deste governo durante toda a legislatura, com a capacidade de gerar políticas de agrado à esquerda ou, noutras situações, à direita. Até porque, face aos últimos acontecimentos que fragilizaram a imagem política de Cavaco Silva, não é previsível que este vá tomar a iniciativa de marcar novas eleições.

No entanto, face a antecedentes e anteriores tomadas de posição públicas de alguns dos novos ministros (Educação, Cultura, Obras Públicas, Emprego) e à perspectiva em relação à continuidade do desempenho das Finanças, Saúde e Administração Interna, o único “inimigo” deste governo é ele próprio e a sua prestação: no combate à crise e ao desemprego; na educação e na revitalização do ensino e da escola; na aplicação dos fundos comunitários para renascer a agricultura; na qualidade e nos serviços eficazes na saúde e na justiça.

Desigualdades

Na semana em que o novo Governo tomou posse e onde o Primeiro-Ministro referia como prioridade a justiça social, o Foro Económico Mundial (ranking onde são medidas as desigualdades entre homens e mulheres) apresentou o "Relatório Global sobre Desigualdades de Género", que inclui 134 países, e onde Portugal se situa em 46º lugar (ao lado do Cazaquistão e da Jamaica) e atrás do Perú e de Israel.

Na primeira edição do ranking, realizada em 2006, Portugal surgia em 33º lugar.

Gripe A – vírus H1N1

Se com a chegada da vacina Pandemrix, escolhida para o combate e prevenção da Gripe A, se poderia pensar numa “pacificação” e serenidade no tratamento da doença, a realidade mostrou-se contraditória. Entre figuras públicas a darem o exemplo, entre outras que se abstiveram de a tomar, surgiu também a hipótese de a mesma não ser segura e haver profissionais de saúde que recusaram serem vacinados.

Em nada, tal discussão e posições beneficiaram a necessidade de esclarecimento eficaz da população e acalmar o nervosismo que se vai instalando na sociedade. Ao ponto de, com a infelicidade de uma morte de uma criança, se transformar a racionalidade em histerismo colectivo.

Justiça e Corrupção

Surgiu, esta semana, mais um caso de corrupção a ser investigado, envolvendo figuras públicas e quadros de várias empresas de referência como, por exemplo, a Galp, a Ren, a Refer, mas que algumas vozes já prevêem como mais um caso mediático na Justiça portuguesa. Ao “Apito Dourado”, “Casa Pia”, “BPP” e “BPN”, “Freeport”, …, junta-se agora o “Face Oculta”. Terá um fim?!

PSD - Liderança

Ferreira Leite, no último Conselho Nacional, deixou claro que se manteria em funções (pelo menos), até ao final do seu mandato.

Marcelo Rebelo de Sousa aplaudiu a posição tomada e afastou-se de uma possível candidatura à liderança social-democrata.

Afastou-se ele, mas não se afastaram dessa hipótese várias figuras relevantes do partido que, apesar da distância até ao final do mandato da actual líder, não se coibiram de defender a alternativa. Pedro Rangel, Miguel Relvas, José Luís Arnaut, António Capucho, Macário Correia, Guilherme Silva, entendem que Marcelo Rebelo de Sousa tem o perfil ideal para regressar ao leme social-democrata e ser alternativa a Manuela Ferreira Leite.

Pedro Passos Coelho tem, a partir de agora, um rosto de oposição à sua candidatura.

Embora não seja de eliminar a hipótese de Marcelo Rebelo de Sousa se afigurar como um legítimo e válido candidato às próximas eleições presidenciais, face à queda política de Cavaco Silva.

Boa Semana…


22 outubro 2009

Para quantos anos?!

Ficou, hoje, a conhecer-se o próximo elenco ministerial do governo que será apresentado ao Presidente da República e à Assembleia da República.
Um governo totalmente socialista (ou da responsabilidade de José Sócrates) fracassadas as possíveis coligações (embora previsível) com os partidos com representação parlamentar.
Há, em relação ao acto eleitoral legislativo, às perspectivas que foram apresentadas e às propostas socialistas para Portugal ("Avançar Portugal), uma clara decepção e desengano: um Novo Governo, com muitos rostos "velhos" e de políticas "velhas".
Para os 16 Ministérios, José Sócrates escolheu 8 novos governantes: Alberto Martins (Justiça), António Serrano (Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas), António Mendonça (Obras Públicas, Transportes e Comunicações), Dulce Pássaro (Ambiente e Ordenamento do Território), Helena André (Trabalho e Solidariedade Social), Isabel Alçada (Educação), Gabriela Canavilhas (Cultura) e Jorge Lacão (Assuntos Parlamentares).
Se nos podemos regozijar, ou pelo menos conceder o "benefício da dúvida" com as alterações na Agricultura, na Educação, nas Obras Públicas e nos Assuntos Parlamentares, o mesmo já não será tão evidente com as alterações na Justiça e no Trabalho e Solidariedade (dois ministros que se esperava continuidade).
Mas as surpresas não ficam por aqui: precisamente Vieira da Silva ex-ministro do Trabalho e da Solidariedade Social muda-se de "armas e bagagens" para a Economia e Inovação. Acrescentando-se a verdadeira "cereja em cima do bolo": Augusto Santos Silva (ex-Assuntos Parlamentares), o Ministro "malhador" vai assegurar os destinos da Defesa Nacional (pasme-se). Que se cuidem os militares... ou o ministro, claro!
Mas ainda não terminaram os pasmos.
Se eram perspectivadas e tidas como evidentes (por força do trabalho desenvolvido, diga com justiça) as continuidades de Pedro Silva (Presidência), Ana Jorge (Saúde), Luís Amado (Negócios Estrangeiros), e, claro, o Ministro anti-crise Teixeira dos Santos (Estado e Finanças), já o mesmo não se pode dizer da continuidade do Ministro da Administração Interna, Rui Pereira e do Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago.
Depois disto, aguardam-se novos desafios: um governo para todo o mandato ou a prazo (se não na totalidade, sectorial).
(créditos: fonte da informação Expresso on-line; foto Lusa via RTP)

02 outubro 2009

Elevação Política...

Aveiro tem do melhor e do menos bom no que diz respeito à elevação do "combate" ou confronto políticos.
Foi, praticamente, unânime o balanço positivo do papel do Dr. Filipe Neto Brandão, enquanto Governador Civil de Aveiro.
Foram, praticamente, unânime as vozes que se congratularam por Aveiro ter conseguido eleger três deputados "aveirenses" nas últimas legislativas (conforme também foi aqui referido).
O Dr. Marques Pereira fê-lo, também publicamente, mencionando os nomes de Afonso Candal, Filipe Neto Brandão e Ulisses Pereira.
A resposta do deputado eleito pela lista do circulo de Aveiro do PSD, não se fez esperar... para ler Aqui.
Excelentes exemplos!

29 setembro 2009

Discurso Presidencial

Cavaco Silva falou ao País.
O País ouviu Cavaco Silva. O País não percebeu Cavaco Silva.
O tabu foi quebrado (mais um): As Escutas à Presidência da República!

O que se passou, então... Nada!

1. Porque razão Cavaco Silva não emprega uma linguagem directa, concisa e simples, que a maioria dos portugueses entenda?!

2. Se é grave, que obrigue a uma declaração directa e oficial, que se tenha usado o nome do Presidente da República, o seu staff, para colar a sua imagem à campanha do PSD e para lateralizar os temas importantes para o país (numa clara chamada de atenção ao PS), porque razão só agora falou?! Com esta atitude, legitimou todas as discussões paralelas criadas, não "cortou" o mal pela raiz, beneficiou o PS e prejudicou claramente o PSD. Aliás como já o tinha escrito nos Rescaldos Eleitorais que fiz, neste espaço.

3. Continuo a achar que se não queria (embora o tenha feito mal) prenunciar-se antes das eleições, não tinha legitimidade, nem o direito, de tomar qualquer posição sobre o assunto. Porquê o afastamento do seu assessor Fernando Lima?! E, se ninguém está autorizado a falar em seu nome (excepto a Casa Civil ou Militar), porque continua Fernando Lima a trabalhar em Belém?! E a fazer o quê?!

4. Quanto às suspeitas de escutas... nada ficou esclarecido, antes pelo contrário. Foram referidas suspeitas graves sobre vulnerabilidades. E sendo graves, Cavaco Silva não deveria ter esperado tanto tempo, e muito menos afirmar publicamente que equipas técnicas lhe indicaram que as comunicações na, de e para Belém não são seguras. Isto "acalma" verdadeiramente o País.

Cavaco Silva, teimosamente, entende que os portugueses passaram a ter um rótulo que diz: "sou português... sou estúpido!".

Enfim... Cavaco Silva deixou de ser o meu Presidente! Ponto...

28 setembro 2009

Mensagem Presidencial

Segundo fonte oficial da Presidência da República, Cavaco Silva falará ao País, amanhã, pelas 20:00 Hm.
Faz-nos relembrar um Verão de 2008... Expectativa, suspense... e no fim, resultado global: nada!
Para amanhã já "rolam" nas diversas redes sociais, programas televisivos e radiofónicos, mesas de café, apostas sobre a temática.
À frente das "sondagens" vai a questão das suspeitas das alegadas "escutas" a Belém.
Foi tema nos últimos dias de campanha (embora a questão tenha origem, na Comunicação Social, em Agosto)... foi algo que marcou a recta final da campanha eleitoral.
Cavaco Silva sempre afirmou que falaria depois das eleições... não fazia qualquer sentido ter tomado uma posição (não verbal) antes das eleições, sobre a questão, ao afastar das funções o seu assessor.
Mas há uma outra questão que importa relevar, neste caso.
Cavaco Silva, tido por muitos como um político hábil, consistente e conciso, acaba por tomar atitudes de perfeito suicídio político. E as questões começam a avolumar-se: Cavaco quererá desistir das suas funções? Terá receio em enfrentar, de novo, Manuel Alegre, num novo contexto e realidade políticos? Como sairá Cavaco Silva de todo este imbróglio?!
Por último, entendo ser lamentável que o Presidente da República, bastião superior de um estado democrático e de direito, tenha muito pouca consideração e relevância pelas eleições autárquicas e uma enorme desvalorização pelo poder local.
Porque falar em pleno arranque da campanha eleitoral autárquica?!
Será que os Presidentes das Câmaras e das Juntas de Freguesia, são "cidadãos políticos" menores?!
Será que, seja qual for a sua comunicação, não terá influência no desenrolar das actividades de campanha eleitoral autárquica?
Um enorme tiro no pé...

25 setembro 2009

Notas Breves...

Texto para ser publicado, hoje, no Diário de Aveiro, mas que não consegui enviar atempadamente.
Sais Minerais
Notas Breves… e suspensão!

Não há, normalmente, período eleitoral sem “casos”, “histórias” ou os chamados “golpes baixos”.
Aliás… não há política sem “casos”, “histórias” ou os chamados “golpes baixos”. Há muito que a ética e a política (o seu debate e confronto) estão de “costas voltadas”.
E, no caso concreto deste período eleitoral, são já vários os chamados “casos” eleitorais: TVI, TGV e Espanha, a Asfixia, os PPR’s e Investimentos do Bloco de Esquerda, etc…. e, por último, o caso das “escutas do Governo à Presidência da República”.
Normalmente, os casos de campanha, não passam disso mesmo: casos que servem para distraírem do essencial ou criarem desconforto no campo adversário.
Mas desta vez, nem tudo é distracção e há, de facto, casos que merecem alguma ou muita preocupação, e especial atenção.
No caso da TVI (Jornal de sexta) já muito foi dito, embora nem tudo esclarecido, e aguardam-se mais desenvolvimentos.
No caso das “escutas” (ou supostas escutas) à Presidência da República, é crucial reflectir sobre o “caso” em três vertentes:
1. Jornal Público vs Diário de Notícias.
Do ponto de vista da Comunicação Social, é extremamente grave, ética e deontologicamente, que um órgão de comunicação concorrencial tenha avançado com a publicação de documentação interna de um outro jornal. E já agora era importante que o DN citasse as suas fontes (já que citou as fontes constantes do e-mail publicado) e informasse como é que teve acesso ao e-mail interno do Público e do jornalista Luciano Alvarez.
Convém lembrar o posicionamento editorial do DN próximo do PS. Assim, tal publicação só veio trazer mais um “caso” à campanha e favorecer, claramente, o PS.
Correcta foi a postura do Expresso que ao ter, igualmente, conhecimento do documento do Jornal Público, decidiu não o publicar e manter a sua própria investigação jornalística.
2. Esclarecimentos necessários e urgentes.
O Presidente da República, no âmbito dos acontecimentos, tinha já, publicamente, afirmado que, face ao momento eleitoral, apenas se pronunciaria após os resultados das Legislativas.
Poder-se-á questionar se Cavaco Silva deveria ou não, face à gravidade do caso, demonstrar a sua posição e opinião sobre o assunto. Entendo que por menos (pelo menos para a maioria dos cidadãos) fez parar o País, no Verão de 2008, para vir falar de um tema que à esmagadora maioria dos cidadãos disse “zero”: o veto ao estatuto dos Açores (mesmo que mais tarde o Tribunal Constitucional lhe tenha dado total razão).
Mas se temos a imagem do Presidente da República como um homem político de grande astúcia e experiência, não se compreende como, depois das suas afirmações e a escassos dias do acto eleitoral, venha demitir o seu principal assessor de imprensa, pessoa que o acompanha há mais de vinte anos.
E se a demissão, por si só, parece irreal, mais se pode dizer do facto de a mesma ter ocorrido sem qualquer explicação e abordagem sobre o tema.
Para isso, a coerência deveria ter levado o Presidente da República a tomar todas e quaisquer posições apenas após as eleições, como sempre afirmou.
3. Questão pertinente (e última)
Face à realidade dos acontecimentos, permanece, apesar de todos os factos, a dúvida que é necessária esclarecer: há ou não escutas do Governo ao Presidente da República?! Ainda só sabemos a versão de um dos lados da “barricada”.
É que com a demissão, apenas ficámos a saber (deduz-se) que o Assessor de Imprensa de Cavaco Silva falou em nome próprio.
Muito pouco para tão grave polémica.
Por último, por indicação da ERCS (Entidade Reguladora da Comunicação Social), e por uma questão de ética, as Crónicas “Sais Minerais” vão interromper a sua publicação, regressando depois das eleições autárquicas. Com toda a certeza, mais fortes e com “olhares mais atentos”…
Tal circunstância prende-se com o facto de ser candidato, pela Lista de Fernando Marques, à Assembleia de Freguesia da Glória.
Resta-me, por isso, dizer um “até daqui a duas semanas” e apelar à mais importante participação cívica dos cidadãos: Votar. È um direito e um dever de todos.
Para que Portugal e Aveiro cresçam…

Ao sabor da pena…

24 setembro 2009

A ler os outros... II

A ler este interessante post na "Casa dos Comuns", do amigo e companheiro João Pedro Dias: O enorme ego de Cavaco Silva.
Perfeitamente de acordo. Aliás na linha do meu artigo de amanhã, no Diário de Aveiro.
Presidente da República esteve muito mal, nesta fase final da campanha. E como eu escrevi (e pode ser lido amanhã), para um político tido como eficaz e conciso (que nunca erra e nunca se engana) esta sua atitude só traz "água na boca". É "gato escondido com rabo de fora".

A ler os Outros...

Tenho que CONCORDAR com este muito bom texto no Margem Esquerda.

12 setembro 2009

Final dos Debates.

Os debates televisivos chegaram ao fim... Começa agora o "circo" da campanha. As emoções, a agressividade, a confiança, a conquista e consolidação de eleitorados. Também as promessas que ficarão ou não por cumprir.
Em relação aos debates, a minha conclusão é que não serviram para conquistar indecisos mas sim para consolidar que já decidiu.
Paulo Portas foi, em alguns momentos, bastante seguro e incisivo.
Manuela Ferreira Leite, para quem a via como o "elo mais fraco" foi a maior surpresa: passou a mensagem que queria, não saiu derrotada em nenhum confronto e acabou por ser a surpresa de todos os debates.
Francisco Louçã foi o menos feliz no confronto das ideias e propostas.
Jerónimo de Sousa falou apenas para dentro do PCP. O mais inseguro e menos preparado para os confrontos.
José Sócrates deixou uma imagem "pálida" e "desgastada" no discurso. E penso que não terminou bem. Dizer que se ganhar as eleições TODOS os ministros serão substituídos é o mesmo que querer dizer e transmitir a imagem de que o Governo falhou, não prestou um bom trabalho ao país. É, claramente (mesmo que sem intenção), transmitir aos cidadãos uma clara falta de confiança.