Mas os discursos solenes continuam os mesmos. Em vez de se falar de liberdade, de democracia, de desenvolvimento, faz-se campanha eleitoral, oposicionismo partidário. E é disto que os portugueses estão cheios.
Ninguém, naquele hemiciclo fala de responsabilidade, de sentido ético ou de verdadeira política.
Salvou-se (curiosamente ou não) o discurso do Presidente da República.
E desta vez (excepção estranha para o PCP) foi unânime a opinião dos outros partidos - do CDS.PP ao BE, passando pelo PSD e PS. Até o deputado inconformado com a vida, Manuel Alegre.
25 abril 2009
Hoje! Parte II
21 março 2008
Esquerda, Direita. Volver!
Publicado na edição de quinta-feira, dia 20 de Março de 2008, do Diário de Aveiro.
Crónicas dos Arcos
Esquerda, Direita. Volver!
Não se trata de qualquer referência de âmbito militar ou militarista, mas tão somente a abordagem de uma realidade que, nos últimos anos, tem vivido uma mutação evidente: a política, os partidos, as convicções…
Os cidadãos cansaram-se da política.
Cansaram-se do “hoje é verdade, amanhã é mentira”, da falta de rigor, de medidas sociais e humanistas desajustadas, desestruturadas e longe das necessidades vividas no quotidiano. Cansaram-se dos jogos de poder, da falta de ética, das influências e da corrupção.
Mas também, e principalmente, pelo esvaziamento das ideologias, dos princípios, das fronteiras dos valores.
Esta incerteza e indefinição que os partidos conferiram à política e ao seu valor, criou um abismo entre os eleitores e os eleitos, uma oscilação na defesa de posições, de princípios e de ideais que origina uma efectiva displicência e indiferença entre o estar à direita, ao centro ou à esquerda.
Se esta realidade é marcante no comum do cidadão, não o é menos, nalguns casos, na própria esfera de quem se “move” nos meandros da política e dos partidos.
Se, por um lado, poder-se-á considerar relevante esta ausência de referências ideológicas, éticas e dos valores porque essa realidade corre o risco de se transpor para a própria vivência social das pessoas (emprego - religião - escola - justiça, etc.), por outro, já será de somenos importância que a diminuição ou, nalguns casos, ausência da influência partidária nos cidadãos seja preocupante.
Sempre que existe a consciencialização dos cidadãos e das suas comunidades ou sectores sociais para se exprimirem livremente, há a preocupação imediata dos aparelhos partidários de saírem à e para a rua, não querendo, por comodismo ou laxismo, perder influência e posição.
Isto porque, face à construção e análise crítica que os cidadãos vão fazendo da sociedade - a forma com se relacionam entre si, a forma como definem e confrontam necessidades, objectivos, ansiedades e preocupações cada vez mais comuns - origina uma crescente preocupação cívica, uma maior consciência de intervenção e exercício do direito de cidadania, muito para além de princípios e referências ideológicas, muito, e cada vez mais, para lá das fronteiras político-partidárias.
Veja-se o caso SEDES, a participação eleitoral de Manuel Alegre nas últimas presidenciais, o Movimento por Lisboa nas autárquicas intercalares e muitos movimentos que surgem pela simples vontade de exigir e responsabilizar o poder político e defender causas comuns.
Aproxima-se mais um ano eleitoral. Aliás, bastante eleitoral e eleitoralista.
Aproxima-se mais um teste ao “poder instalado” no que resta da história dos partidos nesta jovem democracia nacional.
Aproxima-se mais um desafio à vontade dos cidadãos, à sua exigência social, à coragem para enfrentar as “amarras” da realidade partidária estabelecida.
Assim progride a nação. Assim cresce uma sociedade preocupada.