“Debaixo dos Arcos” foi, e ainda é, o primeiro blogue não virtual de Aveiro. Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada": o centro do mundo...
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09 novembro 2009

Um dia o muro veio abaixo!

Lembro-me perfeitamente... tinha 23 anos, ainda estava embrenhado activamente na política.
1949 marcava uma nova era geopolítica (europeia e internacional), com o fim da segunda grande guerra.
Em 1961, Berlim, a Alemanha, a Europa, o Mundo, via, estupefacto, a construção de um muro e de uma cortina de ferro que, mais que envergonhar, fracturava as nações, criava mitos, ideologias opostas, conceitos distintos.
Durante muitas décadas, o Mundo e a Europa viveu suspenso numa guerra fria (ideológica, política, económica, militar, cultural e científica).
Mas o mundo foi acordando para novas realidades...
A aspiração legítima dos povos de sentir a liberdade, a independência, a oportunidade, a união, foi abalando sistemas e "muros".
9 de Novembro de 1989 foi um marco histórico na vida de milhares e milhares de berlinenses e alemães. Mas 9.11.89 foi também um marco histórico para a Europa e o Mundo.
O arame farpado da cortina de ferro foi sendo recolhido na Hungria.
Os militares e tanques soviéticos deixavam Praga, Afeganistão e outros países.
Em Berlim oriental abriam-se as portas e o MURO veio abaixo, sem sangue, sem armas, só com a vontade do povo e o seu sentimento de liberdade e união.
Por outro lado, Gorbachov alterava o curso da história económica e política da ex-URSS.
Se para muitos europeístas, o centro político e estratégico está confinado à França, eu entendo que a Alemanha (e Berlim) pelo seu passado histórico (duas guerras mundiais) e o epicentro de uma viragem política mundial (a queda do muro de Berlim) é, mais do que a vertente económica, inigualável do ponto de vista geopolítico.
As Berlinenses e aos Alemães, obrigado e Parabéns.

27 dezembro 2007

A Democracia ficou mais pobre.

O assassinato, hoje, da ex-primeira-ministra paquistanesa e líder de um dos partidos da oposição (o PPP - Partido do Povo Paquistanês ), voltou a provocar a explosão da revolta, da instabilidade e o retrocesso da democracia, numa zona geográfica já por si só em "pulverosa".
Benazir Bhutto faleceu devido a um tiro no pescoço. Pouco depois o seu atacante suicidavasse, detonando explosivos que trazia consigo. Pelo menos outras 16 pessoas morreram.
Este "ataque" ocorreu pouco mais de 2 meses após um outro, quando, a 18 de Outubro, uma manifestação do partido de Bhutto celebrava o regresso da sua líder (após 8 anos de exílio) - dois suicidas mataram 139 pessoas.
Benazir Bhutto, regressava de um comício do seu partido relacionado com a campanha para as eleições legislativas e provinciais marcadas para 8 de Janeiro de 2008. A a ex-primeira-ministra, opunha-se contra o Presidente Pervez Musharraf, em defesa da democracia, mas sobretudo contra os fundamentalistas muçulmanos. “Eliminar a ameaça islamista” ero o seu principal lema, nesta campanha eleitoral.
Benazir Bhutto foi a primeira mulher da era moderna a liderar um país muçulmano. Tinha apenas 35 anos.
Foi duas vezes primeira-ministra da República Islâmica do Paquistão, de 1988 a 1990 e de 1993 a 1996.
Assim vai o Mundo e a vitória dos "anti-democracia" e do terrorismo.

17 junho 2007

Medalha de Bronze... pelas piores razões

No dia em que se celebra o Dia Mundial da Desertificação e da Seca, com o lema «Desertificação e Alterações Climáticas: um desafio global» e segundo a Agência Espacial Europeia, Portugal é um dos três países mais desertificados da Europa, juntamente com a Itália e a Turquia.
A análise é feita com base em imagens do sistema de satélite europeu e insere-se num projecto que está a ser desenvolvido em conjunto com a Convenção das Nações Unidas para a Luta contra a Desertificação (UNCCD).
Segundo o estudo, o nível de desertificação nos três países - Portugal, Itália e Turquia - é dos mais elevados da Europa.
As projecções dos estudos e das análises, até à data, realizadas pela AEE, estimam que a desertificação - processo de degradação da terra provocado, por exemplo, pela actividade humana, põe em risco a saúde e o bem-estar de mais de 1.200 milhões de pessoas em mais de 100 países.

43 Anos depois.

Esta é a demonstração real da máxima "mais vale tarde que nunca".
E assim foi... Mississipi em Chamas (um dos melhores filmes já produzidos na abordagem da questão racial, de 1988 e realizado por Alan Parker, com Gene Hackman no principal papel) foi a julgamento.
James Seale, ex-polícia e membro do Ku Klux Klan, foi condenado pelo rapto e morte de dois jovens negros em 1964, em plena crise dos direitos cívicos nos Estados norte-americanos do Sul. Para as famílias das vítimas, a justiça foi feita ainda que tarde.
Para a justiça portuguesa e especialmente para os suterfúgios que permitem "esconder" a verdade, desculpar os responsáveis e prescerver a culpabilidade, fica o exemplo.
Mais vale tarde que nunca...

06 junho 2007

Geopoliticamente

A reunião do G8 na Alemanha está envolta na polémica e no confronto USA-Rússia, a propósito do sector Defesa e da instalação do escudo "anti-mísseis na Europa.
Esta reacção do Presidente Putin a este contexto de defesa, tem como suporte o "complexo" da perda da influência no pós guerra-fria e no desmembramento da antiga URSS, pelo facto de os instrumentos de defesa serem instalados em países de Leste, nomeadamente Polónia e República Checa, outrora aliados da Federação Russa.
Por outro lado, a crescente influência (derivada dos processos de solicitação e de adesão dos países de Leste) da NATO até às fronteiras Russas cria alguma sensação de instabilidade e receio.
É difícil determinar se este recente conflito culminará no retorno ao passado do confronto político e estratégico do período pós II Guerra Mundial (até porque as realidades políticas e geográficas são diferentes). Mas é certo que culminará numa nova guerra-fria, já que é ilusório pensarmos que a Rússia adormeceu militarmente e estrategicamente. Se tal aconteceu, durante a década de 90, pelas alterações geopolíticas resultantes da queda do muro de Berlim e do desmembramento da URSS, não deixa de ser notória a influência, as novas alianças geoestratégicas e as recentes movimentações militares que a Rússia tem desenvolvido na zona mais a Leste da Europa e na Ásia, nomeadamente com a China.
Avizinham-se por isso, tempos controvados e inquietantes.
Depois não digam que não avisei.
Como se isso tivesse algum peso, mas enfim... está dito, está dito.

29 março 2007

Não há bela sem senão...

Publicado no Diário de Aveiro, na edição de hoje 29.03.07

Post-its e Retratos
A Bela e o senão!


Ainda há guerra no Iraque, no Afeganistão, em África. A violência regressou a Timor. Os Balcãs tentam construir uma sociedade pluralista e democrática. Longe está de ser resolvido o conflito Israel-Palestina. Os direitos humanos, nomeadamente o das crianças e os referentes à exclusão social das mulheres, são diariamente desrespeitados por esse mundo fora. A geopolítica “joga-se” no Médio Oriente e no Islamismo, bem como no “fervilhar” Sul-Americano. A macro-economia mundial centra-se no continente asiático, nomeadamente na Índia, na Coreia do Sul, em Taiwan e no Japão.
Politicamente, o mundo vive uni-polarizado em torno da influência (para o bem e para o mal) norte-americana e a União Europeia ao comemorar os seus 50 anos de existência ainda não encontrou uma realidade e estruturação clara e objectiva, da qual a Constituição Europeia é apenas uma pequena expressão de um projecto que caminha mais para o abismo do que para a sua concretização. Ainda na Europa, Espanha não resolve a velha questão da autonomia basca, enquanto na Irlanda católicos e protestantes (mesmo sem apertos de mão) caminham para um hipotético entendimento.
Nós por cá… tudo bem!
A nossa realidade económica continua má; o desemprego aumenta; continuamos a “apitar” douradamente; a Casa Pia continua processualmente inerte; a corrupção não abranda; o governo continua sem oposição política capaz e até com algum abrandamento na contestação social; à segunda abortámos em referendo catolicamente derrotado; a selecção regressou ás vitórias e o ensino universitário, pós Moderna, voltou a agitar as águas. A violência doméstica aumenta e a pequena Esmeralda ainda não tem família definida. E é claro, muitos outros etc e tal. Por outro lado, vamos conseguindo manter de forma viva, aplicada, sôfrega, participada e extremamente interactiva (!) uma das nossas mais peculiares características da nossa identidade nacional: a mediocridade cultural.
Num recente e interessante estudo realizado pela Universidade Fernando Pessoa (“A expressividade do sorriso: Estudo de caso em jornais diários portugueses”), o seu Laboratório de Expressão Facial da Emoção analisou cerca de 50 mil fotografias publicadas nos jornais diários, entre Janeiro e Dezembro de 2006. Este estudo demonstrou que a expressão facial de emoções negativas é mais frequente e intensa do que a de emoções positivas. Ou seja, as pessoas estão a sorrir cada vez menos, realidade associada à tristeza, ao contexto social negativo, ao terrorismo e às catástrofes que assolaram o mundo. Mas poderíamos acrescentar uma outra conclusão a este estudo, de forma mais comum e empírica, fruto da experiência do nosso dia-a-dia: a carteira ao fim do mês. Isto é: rir de quê?
Mas se esta é uma realidade social, política e cultural existente e sem perspectivas de melhorias próximas, há que combater o fenómeno, pelo menos, com a disponibilidade dos meios de comunicação de massas (nomeadamente a televisão) de, através de alguns conteúdos, criarem a oferta da opção do rir aos portugueses. Nem que de forma pontual. Mas pelo menos terem essa oferta nos seus serviços.
Mas a questão impõe-se: a qualquer e todo o custo!? Sem a noção do serviço que é prestado, ter efeitos “colaterais” graves? Há custa da mediocridade e da estupidez humana?
Num país em que o ensino se encontra num estado caótico, em que o nível cultural é baixíssimo e onde ainda há muito para ser realizado ao nível da valorização dos recursos humanos, a televisão, no caso concreto a TVI, deveria ter o especial cuidado de, como meio de comunicação e informação, ser instrumento contributivo para o desenvolvimento intelectual da nação. Mas como bom hábito luso, temos tudo ao contrário. Sobre o pretexto da diversão, do entretenimento, do “fazer” rir, pela negativa, curiosamente, cíclica/repetitiva a TVI coloca no ar mais uma verdadeira pérola da aberração comunicacional: “A Bela e o Mestre”.
Nem sequer vou discutir a questão irrelevante do chamado estereótipo da mulher bela e “burra” porque a realidade incumbe-se de demonstrar o contrário ou a ineficácia de tal “teoria”. Nem tão pouco discutir questões de QI’s ou de inteligência masculina em ambientes pré-estruturados e delineados. E muito menos se o que nos é apresentado é real ou ficção ou se o programa dá azo e fundamentação a protestos de associações feministas.
Enquanto se discute a necessidade urgente de formação de quadros e de recursos humanos para o desenvolvimento nacional; enquanto se discute o ensino no nosso país com o conflito ministério da educação-docentes em efervescência; a sustentabilidade do ensino universitário; a completa ausência de uma política nacional de investigação científica; o sistemático e despropositado encerramento de muitas escolas; enquanto o plano tecnológico é apenas um souvenir finlandês, deparamo-nos diariamente com a subjectividade da beleza feminina, com a questionável intelectualidade masculina, mas, acima de tudo, com a verdadeira estupidez cultural. Divertir os portugueses à custa de uma triste realidade como é a falta de cultura, de conhecimento, de bom-senso de formação, é tão somente tornar este país, já em si caótico, numa verdadeira comédia.
E mais grave… com os portugueses a assistirem a tal realidade, com uma desconcertante naturalidade.
Sem se ouvirem vozes do professorado, do ministério da educação, de entidades responsáveis pela regulação do nosso processo informativo.
Assim, vamos vendo e rindo… porque Camões não existe; as regiões autónomas são Lisboa e Porto; ninguém conhece Fidel Castro; tivemos uma política Maria de Lurdes Piriquito e afinal as invasões francesas não aconteceram porque afinal Napoleão era o nosso Bocage. Reescreve-se a história na TVI de forma estupidamente natural.
Ao menos se as pernas tivessem neurónios!!!

15 março 2007

Lembrar 11 Março

Publicado no Diário de Aveiro na edição de hoje (15.03.07).

Post-its e Retratos
Acção preventiva. Lembrar 11.03.2004.

Ninguém está livre de, amanhã, sem qualquer tipo de aviso, de repente apenas ter a noção de ouvir “PUM”. Algo que explode, rebenta e atinge as nossas vidas. Num ápice tudo se esvanece.
O Mundo tornou-se mais frágil e inseguro. Tornou-se um palco de conflitualidade, de violência, de guerra e de morte.
E esta é que é a verdadeira questão.
Há três anos, no dia 11 de Março de 2004, Madrid mergulhava num pesadelo. Não que a realidade dos atentados fosse algo estranho para aquela cidade. Mas pela dimensão, pela expressão internacional e pelo contexto e objectividade, Espanha sentia-se ferida.
Mas só Espanha?!
Por razões históricas, é conhecida a nossa relação “amor-ódio” com o país vizinho.
Pelas mesmas razões, é óbvia a nossa proximidade geográfica e um conjunto de opções político-estratégicas comuns. Exemplo: a cimeira das Lajes e a intervenção no Iraque.
É portanto preocupante este aumento da escalada de violência no Mundo.
Por várias razões e motivos, sejam de ordem ideológica, cultural ou política, podemos escolher vários (à nossa medida e gosto) responsáveis por esta triste realidade.
No entanto, há sempre um nome como referência: Estados Unidos.
Para o bem e para o mal, são os escolhidos.
Os americanos não são, sejamos objectivos e racionais, um poço de virtudes. A começar pelo que escrevi na semana passada sobre os direitos humanos.
No entanto, é reconhecida a sua capacidade, como única superpotência actual, de intervenção em situações de reconhecida insuficiência e inoperante diplomacia, em situações de clara injustiça humana.
Isenta de interesses?! Claro que não. Mas isso também seria uma verdadeira utopia.
Mesmo no nosso dia-a-dia, nas nossas vidas particulares, as nossas acções e reacções centram-se num óbvio dar e receber. É esta a necessidade comunicacional e emotiva entre o ser humano. É esta uma realidade subjacente aos povos e ás suas acções. Não como premeditações objectivas, mas como consequências naturais.
Mas é um facto que o Mundo, após o 11 de Setembro, o conflito no Afeganistão e a invasão do Iraque, se tornou mais instável, conflituoso e perigoso, a fazer esquecer o confronto mais diário e mediático das últimas décadas: o conflito Israel/Palestina.
Nos últimos anos, têm-se discutido ao nível das instâncias e na política internacionais a objectividade, legitimidade e legalidade da chamada acção preventiva.
Isto significa a permissão e possibilidade de um determinado estado, ou alianças entre estados, intervirem belicamente sobre um terceiro, se objectiva e factualmente estiver em eminência acções de conflito ou de insegurança internacional.
Por si só, esta realidade mostraria uma escalada da violência no mundo.
Mas também não deixa de ser verdade que, embora com o recurso ao conflito armado, se possa minimizar os efeitos devassos e devastadores da vida humana.
A complexidade deste paradigma resulta na certeza ou não da objectividade da acção preventiva.
Mas enquanto esta nova visão das relações internacionais se discute, a realidade da violência e do conflito tem um novo rosto e uma nova concepção, para as quais as nações não estão conscientes ou verdadeiramente preparadas.
É objectiva e relativamente clara uma percepção de uma ameaça ou conflito confinado a uma fronteira, um estado ou uma nação.
Quando esta realidade ultrapassa um espaço geograficamente definido, quando não se conhecem os propósitos políticos da ameaça, é muito difícil, para não afirmar, quase que impossível o seu combate eficaz. E é esta a realidade do terrorismo.
Ultrapassou fronteiras. Este enraizado no carácter emotivo, ideológico ou religioso das pessoas.
Não tem rosto. Não tem “morada”. Mas vive… para que outros morram.
Por mera convicção. Por falta de respeito pela vida.

11 março 2007

Há 3 anos Madrid chorava

Há 3 anos Madrid chorava e a Europa tremia.
Mesmo aqui ao lado.
4 Combóios - 10 bombas - 191 mortos - 2000 feridos.

O Mundo não é mais o mesmo.

Atocha (Madrid) mostrava a barbárie, o terror e o medo.

09 março 2007

Os senhores do mundo

Publicado na edição de hoje (9.03.07) do Diário de Aveiro.
Post-its e Retratos
Os senhores do mundo…


É uma das temáticas académicas deste início do segundo semestre a questão da globalização.
O extremar de posicionamentos face a esta realidade retira a capacidade de análise racional sobre a problemática. Não se tem que ser a favor ou contra a globalização, já que esta não é fruto da actualidade e muito menos, conforme se quer mistificar, resultado de uma americanização do mundo.
A globalização é um fenómeno que é histórico e longínquo, dinâmico e mutável ao longo dos tempos. Para além de ser um fenómeno perfeitamente transversal na sociedade, completamente abrangente. Não se reduz apenas à vertente económica ou comercial. A globalização é social, política, histórica e cultural.
Ela surgiu quando nasceram as primeiras intercomunicabilidades entre pessoas e povos, gerando interacções. E estas mudaram e condicionaram as pessoas, as sociedades, os povos e as nações.
Para não recuar demasiado no tempo, pode-se afirmar que a globalização nasceu com o início da época dos descobrimentos e com as interacções daí resultantes, tenham sido elas do ponto de vista social, cultural, político ou económico.
Portanto, convém desmistificar esta problemática de que a globalização corresponde, mais ou menos, a esta recente invasão do Tio Sam.
No entanto, também não deixa de ser uma realidade que a presença americana no mundo tem condicionado, para o bem e para o mal, as relações entre os povos, a todos os níveis.
Esta nova unipolaridade da hegemonia americana conduz a uma visão muito restrita da política internacional. Ao ponto de esta hegemonia resultar num evidente complexo de superioridade que transforma o americano no “senhor do mundo”.
Esta visão é de tal forma marcante que as suas acções chegam ao ponto de serem desencadeadas à margem ou paralelamente ás instituições e normas internacionais. Temos sempre presente o caso Iraque.
Mas a ingerência norte-americana nas soberanias nacionais não se fica por aqui.
Foi notícia esta semana o relatório que o Departamento de Estado dos EUA produziu sobre violações dos direitos humanos em vários países, nomeadamente Portugal.
Neste campo particular (e eventualmente noutros) a necessidade que os EUA têm de se imiscuírem nas soberanias dos outros povos, começa a ter contornos pueris.
Em primeiro lugar porque não existiu qualquer determinação internacional para legitimar tal relatório.
Segundo, é interessante verificar alguns aspectos desse mesmo relatório, incluindo os pontos referentes ao nosso país, já que muitos espelham a própria realidade norte-americana.
Que legitimidade, autoridade ou isenção têm os EUA para virem criticar países que, por força de uma cultura social ainda muito enraizada em princípios ancestrais, fazem da morte um regra de justiça, quando, em pleno século XXI há estados Norte-Americanos que ainda não aboliram a pena de morte?!
Onde está a condenação americana à violação dos direitos dos homens no processo do enforcamento de Sadam Hussein?!
Como pode um relatório por em causa acções das forças polícias de outros países, quando são mais que sobejamente conhecidos os abusos de autoridade cometidos pela polícia americana?!
Desde quando é que os EUA são o poço de virtudes na questão dos direitos raciais e étnicos, na exploração sexual, na pedofilia e nos crimes e violência domésticos, para porem em causa as realidades dos outros países?!
Desde quando é que os EUA têm já controlada a problemática da clandestinidade e da sua relação com a exploração da mão-de-obra?!
Ontem comemorou-se o Dia Internacional da Mulher. Um dos aspectos focados no caso português, respeita ao aumento do número de casos de violência doméstica. Se por um lado, é uma triste realidade social que urge combater, também não deixa de ser verdade que o aumento numérico dos casos resulta numa maior predisposição para a acusação e no aumento estatístico na identificação de casos.
E mesmo aqui, não é exemplo a realidade americana.
Os EUA não têm, por si só, que publicamente teorizar sobre as realidades dos outros países.
Esta é uma forma de esconder a sua triste realidade social e cultural no que respeita à violação dos direitos humanos.
Seria bom que o governo Norte Americano olhasse primeiro para o seu espelho e “arrumasse” a sua própria casa.
Para este papel fiscalizador já existe a isenção, a credibilidade e a legitimidade de instituições como os organismos não-governamentais como a Amnistia Internacional, assim como o Conselho da Europa e as Nações Unidas.

01 março 2007

Incredibilidades.

Hoje no noticiário das 20:00 horas.
Mãe belga "mata" os seus cinco filhos e tenta, em seguida, o seu suicídio.
Por mais irracionalidade que se queira incutir ao acto, só num perfeito estado de desespero e emotividade descontrolada é que se pode encontrar alguma justificação para que uma mãe consiga cometer tal acto bárbaro.
A vida, em momentos, pode tornar-se desesperante.

30 dezembro 2006

Olho por Olho. Dente por Dente. (actual.)

As minhas previsões estavam certas. Não que isso me traga qualquer rasgo de felicidade. Bem pelo contrário. Infelizmente só acerto no que não é racional e benéfico. (por isso é que para a semana à jackpot no euromilhões).
A reacção óbvia ao enforcamento de Saddam Hussein - Aqui.
A estupidez habitual no discurso de quem pensa que é dono do mundo e das pessoas, mais a sua real aliança - "A execução do antigo ditador iraquiano é "uma etapa importante" no caminho para a democracia no Iraque, afirmou o presidente norte-americano George W. Bushqui".
E a hipocrisia europeia da condenação do acto, mas com o habitual lavar de mãos historicamente herdado de Pilatos - Aqui.

Olho por Olho. Dente por Dente.

Por uma questão de princípio (valores), pela defesa da vida, por razões sociais, culturais e por razoabilidade civilizacional: pena de morte… NUNCA!
Como diz a Carta dos Direitos Fundamentais: "ninguém pode ser condenado à pena de morte, nem executado".
Ninguém. Nem mesmo por razões que a emotividade e o irracional desconhece.
Ao fim de um julgamento, que contemplou situações mais próximas do dantesco, do polémico e do anárquico, do que propriamente do conceito de justiça e do judicial, Saddam Hussein foi esta madrugada enforcado (publico on-line). Condenar o que foram os 24 anos de ditadura e as atrocidades étnicas, religiosas e políticas cometidas pelo regime de Saddam é relativamente fácil e óbvio.
Por outro lado, para quem defende a dignidade humana e o valor da vida, é racionalmente espontânea a oposição consciente à pena de morte. O princípio defendido que punir um crime com outro crime corresponde à lei do “olho por olho, dente por dente”. Nada justifica um crime com outro crime.
Aliás, até que ponto o cumprimento da sentença já algum tempo proferida, não irá desencadear uma onda de revolta na minoria sunita, transformando Saddam Hussein num verdadeiro mártir?!
Onde está a coerência da Europa (bastião da defesa da abolição total da pena de morte) que publicamente condenou, as atrocidades do regime de Saddam e que, apesar disso, se opôs igualmente (salvo as excepções conhecidas - Inglaterra, Espanha e Portugal) à intervenção norte-americana?!
Que relevância ou pressão diplomática junto da Administração Bush tem a posição Europeia na condenação da sentença, no sentido de exigir a face inegociável de um princípio como o da defesa da dignidade humana e da vida?!
Uma Europa que, num verdadeiro instinto de avestruz, traduzido pela subserviência aos Estados Unidos, diz-se revoltada, mas amorfa na defesa da sua Carta Europeia dos Direitos Fundamentais.
Hoje, não deixa de ser verdadeiramente importante reflectir-se o que foram estes últimos anos de Iraque, após a “captura” de Saddam: um incalculável (porque contraditório) número de mortes, atentados diários, insegurança e instabilidade (medo), crise social e económica instalada. A democracia tão apregoada, continua uma miragem na aridez dos desertos iraquianos. A isto tudo, acresce os conhecidos e polémicos casos de abuso das forças militares estrangeiras, nomeadamente as americanas e britânicas, que em nada se inferiorizam aos acontecimentos do então regime iraquiano.
A razão e a legitimidade assiste a quem souber fazer e pautar-se pela diferença. E não pelos mesmos meios que nunca justificam os fins.
Assim termina um 2006 que em nada augura um melhor 2007.

10 dezembro 2006

América do Sul


O Mundo ficou mais livre e mais justo.
Se é que alguma vez justiça.
Morreu o ditador chileno Augusto Pinochet.

E morreram muitas outras vidas, em defesa da liberdade e da democracia. É dessas a memória hoje.

09 novembro 2006

Muro abaixo! Muros acima...

Há 17 anos, a 9 de Novembro de 1989, o impensável acontecer aos olhos do mundo.
Um dos maiores símbolos da Guerra Fria, da intolerância entre os povos, da divisão do mundo entre o Leste e o Ocidente, da anti-democracia, era derrubado.
Principalmente na Europa, o desenho geopolítico ganhava outra forma e o velho continente redesenhava-se.
Hoje, volvidos 17 anos, o Muro de Berlin caiu, mas o mundo continua a construir novos muros, do ponto de vista físico, político, social, económico e religioso.
É mais fácil separar que unir.

08 novembro 2006

O cerco a George Bush

O Partido Democrata conquista o Senado Americano, com relativa vantagem em relação aos Republicanos de George W. Bush.
Uma das razões para tal resultado, prende-se com o cansaço da sociedade norte-americana e a necessidade de mudança, principalmente ao nível da política externa, já que no essencial a visão social e económica dos dois partidos são muito semelhantes.
Foi portanto, a realidade da Guerra do Iraque e a forma como os Estados Unidos lidaram com o pós 11 de Setembro que marcaram estas eleições, de uma forma demonstrativa do "apertar o cerco" a Bush.
E em política estas realidades fazem normalmente "vítimas".
Fazem-no durante as campanhas e no pós votações.
Em campanha, quando Kerry, "brincou" com a realidade da guerra do iraque e beliscou a estrutura militar, quase que deitando por terra os trunfos dos democratas, foi imediatamente retirado.
Após a divulgação dos resultados, aquele que foi, publicamente, o rosto da sustentação cega da guerra do Iraque - nomeadamente com a questão do fantasma das armas escondidas, teria que ser a próxima "vítima": Donald Rumsfeld apresentou a sua demissão do cargo de secretário da defesa americana.
Tem agora tempo para procurar e provar a sua teoria das armas de destruição maciça.
Se preferir, no terreno!

02 outubro 2006

Segundo Round

As eleições presidenciais brasileiras que ontem se realizaram defraudaram a espectativa do PT numa reeleição do actual presidente Lula à primeira volta.
As mesmas eleições criaram uma espectativa e uma esperança para milhares de brasileiros desiludidos com a inércia, com a fraude, com a corrupção de um governo que nada trouxe de benéfico ao Brasil. De um presidente que enganou as suas próprias bases e origens.
Prova disso, foi a total ausência do debate político com Lula da Silva. Pela necessidade de fugir à verdade e à realidade. Pela necessidade de não ter dejustificar o injustificável. Pelo simples facto de nada ter para dizer.
A escolha entre Lula da Silva e Geraldo Alckmin, do PSDB (cerca de 42% dos resultados expressos) está marcada para daqui a quatro semanas, no dia 29 de Outubro.
Até lá, a conquista de um eleitorado indeciso, de desiludidos, ou uma margem que garanta a eleição - o ganhar os votos preciosos, vai concerteza trazer muita água ao moínho.
Até lá a esperança renasce e motiva a mudança.

21 setembro 2006

15 setembro 2006

5 Anos depois... o mundo mudou!

A data que mudou o mundo deve merecer momentos importantes de reflexão. Mesmo aqui, neste “paraíso” aveirense.
O 11 de Setembro de 2001, é um acontecimento que dificilmente se poderá esquecer, muito menos apagar da memória de milhares de pessoas e da história contemporânea.
Mas sempre pelos piores fundamentos.
Passados 5 anos, o que mudou então?!
Ficou o mundo mais seguro?!
A resposta óbvia e coerente é não! Claro que não!
Os acontecimentos de Manhattan - New York, Washington e Pennsylvania naquele fatídico dia chocaram a América e o Mundo. E a esta distância temporal, no regresso ao passado, as imagens ainda chocam e transportam uma perplexidade difícil de explicar.
A poderosa e inatacável América tornou-se vulnerável.
O Mundo tornou-se mais frágil e inseguro. Tornou-se um palco de conflitualidade, de violência, de guerra e de morte.
No pós 11 de Setembro, já tivemos 200 mortos no Bali (Outubro de 2002), 190 mortos em Madrid (Março de 2004), 70 mortos em Londres (Julho de 2005) e 200 mortos em Bombaim (Julho de 2006).
É a expressão real da máxima: violência gera violência; conflito gera conflito. Da irreflexão do ataque ao Afeganistão, até à incompreensível e infundada invasão do Iraque.
Não queiram entender nestas palavras qualquer movimentação anti-americana. Por princípio ideológico não o poderia fazer.
Mas é um facto que até ao dia 11/9 e mesmo após essa data, nas acções de segurança interna de vários países, o mundo sempre soube “capturar” terroristas sem recorrer ao confronto bélico.
Daí que necessidade de invadir um país como o Afeganistão, para capturar Usama bin Laden, pela responsabilização dos atentados de 11/9 foi um acto irreflectido. Passados 5 anos, Bin Laden continua algures entre o Paquistão e o Afeganistão. Passados 5 anos o sul do Afeganistão volta a “cair” nas mãos dos talibãs.
E nesta data, é importante e relevante a captura do líder da Al-Qaeda?! Não é.
Mesmo após algumas figuras da rede terem sido atingidas, mesmo que há cerca de dois anos não se saiba nada do seu líder, a Al-Qaeda já ultrapassou a sua essência. Hoje mais que uma associação, a Al-Qaeda transformou-se num conjunto de células espalhadas por todo o mundo, baseadas no seu princípio.
E hoje a sua importância, mormente o renascimento do “talibanismo” no Afeganistão, começa a ser repensada. Tão ou mais importante é o papel da Síria, do Irão, do Hezbollah no Líbano e os xiitas na Arábia Saudita.
A Al-Qaeda não criou o Jihadismo. Ela baseia-se na Jihad islâmica. E este fundamentalismo é “universal” no mundo islâmico e muçulmano.
E esta é que é a verdadeira questão.
O mundo, após os ataques às Torres Gémeas e ao Pentágono(!), tornou-se mais vulnerável, mais inseguro pelo aumento do terrorismo assente num aumento do ódio entre o mundo ocidental e o mundo islâmico.
A totalmente questionável e irreflectida invasão do Iraque, sem a descoberta das armas químicas, sem a prova da ligação de Saddam Hussein a Bin Laden ou de Bagdad (Iraque) aos atentados de 11/9 (aliás, recentemente reconhecido pelo senado americano), tornou o terrorismo mais forte. Criou um maior antagonismo entre os dois mundos, tão distintos. Aumentou o ódio entre islâmicos e muçulmanos e ocidentais. Aumentou o receio, a desconfiança política, reflexo das sucessivas acções e “mentiras” desta administração do presidente Bush. Aumentou os atropelos ás liberdades fundamentais e aos estados de direito, como o comprovam os voos da CIA e as prisões secretas americanas espalhadas na Europa.
Reconheço o direito de quem é atacado em se defender. Ninguém ficaria indiferente se atacassem a Torre Eifel, a nossa Torre de Belém, etc. Não reconheço que a sua defesa se faça na base do “olho por olho, dente por dente”, no uso e justificação de quaisquer meios para atingir um fim. Ao fazê-lo as circunstâncias e os papéis são iguais. Tornamo-nos, obviamente, terroristas.
O mundo passou a ser “governado” por um submundo cheio de secretismo, de interesses obscuros, sem respeito pela dignidade humana, pelos direitos fundamentais.
A realidade é que, nestes últimos 5 anos, o ocidente ficou refém do terrorismo que “ajudou” a aumentar e a espalhar, mesmo para dentro das suas fronteiras e da declaração de “guerra santa” do mundo islâmico.
A realidade é que o ocidente está refém de uma economia que se baseia essencialmente, se não exclusivamente, no petróleo, riqueza e matéria-prima do mundo árabe.
Por estes princípios, é difícil o combate desta dualidade Ocidente-Islamismo através da via do diálogo, da tentativa de democratização e socialização do mundo árabe.
As consequências e as opções tomadas após o do dia 11 de Setembro e 2001, das quais se destacam as invasões ao Afeganistão e Iraque, o conflito recente Israel-Libano, o desenvolvimento nuclear no Irão, começam a tomar proporções maiores que os ataques daquele dia.
A intolerância, o ódio, os preconceitos, o desrespeito pela condição humana, aumentaram.
O mundo tornou-se mais dividido, com maiores divergências políticas ou económicas, principalmente mais relevantes naqueles que eram, até há 5 anos atrás, os maiores aliados (Europa e Europa-Estados Unidos).
Hoje, volvidos apenas 5 anos, no mundo há mais terrorismo, há mais guerra, mais violência e mais mortes.
Hoje, a Humanidade morreu.
O mundo precisa de voltar a mudar.
(publicado na edição de 16.09.2006 no Diário de Aveiro)

12 setembro 2006

A Paz.

O José Alberto Mostardinha, tem nos Estados Gerais um post intiulado A Paz é Possível.
Obviamente, ninguém, por mais fundamentalista que seja, gosta da guerra, por todas as razões inerentes e que se queiram delinear.
Por razões culturais e sociais, logicamente que, em teoria, a Paz é possível.
Mas sejamos realistas.
O mundo não é uma tela cor de rosa.
O mundo não é um conto de fadas, um um filme holyodesco.
O mundo é feito de homens, de interesses, de convicções antagónicas, do bem e do mal.
O mundo é feito de realidades...
Nesta questão, sou extremamente, se quiserem mesmo, fundamentalmente céptico.
A paz não é possivel.
Os homens são impossíveis.
Não pensam da mesma maneira, não têm as mesmas convicções, as mesmas filosofias de vida.
O mundo não tem os mesmo interesses.
Por isso a Paz, não é, nem nunca foi possivel.
A história passada e a mais remota que a memória da humanidade tem como registo, prova-o desde o início do Mundo.
A história presente prova-o.
A ilusão desvirtualiza a factualidade existencial.