“Debaixo dos Arcos” foi, e ainda é, o primeiro blogue não virtual de Aveiro. Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada": o centro do mundo...
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12 junho 2011

Resumo da semana - 12.06.2011

Publicado na edição de hoje, 12.06.2011, do Diário de Aveiro.

Cambar a Estibordo...
Notas Pós-eleitorais


Depois de um período de reflexão, pessoalmente, mais alargado e coincidente com a campanha eleitoral que culminou no passado dia 5 de Junho com a realização das eleições legislativas, altura para regressar com umas breves notas sobre esta viragem “à direita” no contexto político nacional, face aos resultados derivados da vontade popular expressa.
A primeira nota vai para a já habitual elevada abstenção. Mesmo que seja questionável a veracidade ou fidelidade dos cadernos eleitorais, a verdade é que a sociedade mantém (se quisermos ser mais rigorosos, aumentou) uma aversão à política, nomeadamente ao seu discurso, aos políticos e aos partidos.  E o resultado é um preocupante alheamento e indiferença dos eleitores, mesmo que um direito natural e fundamental, como o voto, (que tanto custou conquistar) seja, tão banalmente, desprezado.
A par deste facto, há mais dois aspectos que marcaram negativamente este processo eleitoral. O primeiro tem a ver com o excesso (ou como um dos candidatos referiu: “uma bebedeira”) de sondagens. De tal forma que, o que poderia e deveria ser um instrumento interessante de análise política, passou a ser uma banalidade, conquistou a indiferença dos eleitores e, acima de tudo, demonstrou, neste caso, um total falhanço (ao que se poderá juntar falta de credibilidade e isenção). E aqui cabe, infelizmente, um reparo para o comportamento da comunicação social. Neste particular, a passividade crítica da imprensa resultou numa transformação dos órgãos de comunicação social num mero veículo/meio de publicitação das referidas sondagens. O segundo aspecto prende-se com a qualidade do discurso político nesta campanha. Portugal vive momentos difíceis, que se perspectivam ainda mais difíceis no futuro imediato, e a campanha centrou-se mais nos ataques e contra-ataques pessoais e partidários do que na apresentação de propostas concretas e válidas, bem como esclarecedoras para os eleitores, que indicassem quais as estratégias e intenções de governação que permitam a Portugal superar esta crise (económica, social e de valores).
Do ponto de vista dos resultados, estes revelaram o que se perspectivava: a vitória do PSD, embora esta por números que surpreenderam e que colocaram os social-democratas bem perto de uma maioria absoluta, conquistando 105 deputados (quando resta a atribuição de quatro lugares que resultam do voto dos emigrantes). Isto indica que, acrescido ao descontentamento pela governação dos últimos seis anos, um número significativo dos que expressaram o seu voto decidiu que o melhor para o país seria uma alternativa “não socialista”. A esta alternativa junta-se o CDS-PP que confina a balança de uma maioria de direita para os próximos quatros anos de governação, que, apesar do aumento de número de votos e de mais três deputados, ficou um pouco aquém das perspectivas e da fasquia colocada pelo seu líder. Mas a verdade é que os centristas estão já à mesa das negociações para a formação do próximo governo, sendo certo que áreas como a segurança social, algumas privatizações, a redução do número de deputados e o “caso” Fernando Nobre serão contradições que, face à escassez de tempo, terão de ser rapidamente solucionadas.
Reconquistando o lugar de quarta força política, a CDU reforçou o seu eleitorado e manteve a sua representatividade parlamentar, reservando a derrota nestas eleições para o Partido Socialista e para o Bloco de Esquerda.
No caso dos socialistas, o “marketing político”, que se manifestou uma das grandes armas políticas ao serviço de José Sócrates, revelou-se, durante os 15 dias que decorreu a campanha, como um obstáculo ao discurso do ex primeiro-ministro, já que a maioria dos portugueses demonstrou alguma maturidade e que a verdade, a sinceridade e a responsabilidade são factores determinantes na hora da opção política. Enquanto a “máquina da propaganda” partidária foi sendo controlada, é bem verdade que o discurso retórico ia colhendo os seus frutos. Mas quando a “máquina” é demasiadamente grande e complexa tende a ganhar “vida própria” e pode tornar-se, mais que uma solução, um verdadeiro problema.
Mas a par desta derrota eleitoral, o PS foi um “tímido” vencedor já que os factos promoveram uma importante oportunidade de renovação não só da liderança, como da estratégica partidária.
Quanto ao Bloco de Esquerda, os sucessivos erros de estratégica política que se iniciaram com a moção de censura ao governo no começo deste ano legislativo foram determinantes para uma queda muito expressiva no seu eleitorado e na redução, para metade, do número de deputados eleitos, comparativamente a 2009. E como se não bastasse o desaire eleitoral (aliás assumido pelo próprio Francisco Louçã), o descontentamento e a crítica interna sentida na última convenção bloquista tem vindo a agudizar-se seja ao nível da expressão pública desse descontentamento, seja ao nível da indisponibilidade de alguns nomes de peso dentro da estrutura partidária (exemplo mais recente o de Miguel Portas).
Resta agora esperar que o próximo governo para além de, obrigatoriamente, ter de aplicar os acordos e as medidas rigorosas impostas pelo acordo que sustentou a ajuda externa, possa fazer mais do que isso e criar mecanismos, oportunidades, políticas e, acima de tudo, ter uma governação séria e eficaz, que permitam ao país (aos portugueses, à economia e ao investimento, às empresas, às instituições) superar, o mais rapidamente possível (abaixo da fasquia dos dez anos), esta crise.

Boa Semana…

20 abril 2011

Um caso de estudo...

Publicado na edição de hoje, 20 de Abril, do Diário de Aveiro.

Preia-Mar
Um caso de estudo...

A cerca de pouco mais de um mês das eleições legislativas as listas de candidatos a deputados à Assembleia da República estão, praticamente, prontas e divulgadas. Não que isso faça qualquer diferença ou tenha peso substancial na opção de voto e no sistema eleitor português. Os eleitores preocupam-se muito pouco com a representação do seu círculo eleitoral. Mas isso não significa que os eleitores e os cidadãos não se preocupem com as eleições do próximo dia 5 de Junho e com o actual estado do país.
Só que estas eleições correm o “risco” de se tornarem um verdadeiro case study para qualquer das melhores universidades de Ciência Política do mundo.
Se perguntarmos às pessoas, na rua, se vão votar em José Sócrates é quase unânime o sentimento de indignação, de revolta e a negação. As pessoas sentem um país com uma taxa de desemprego que é um marco histórico, sentem a recessão, um país resgatado financeiramente com uma divida pública insustentável, a dar sinais perigosos de instabilidade social, em repressão, com a banca descapitalizada. Reconhecem um governo que não queria governar com o FMI mas pouco fez para o evitar, que gerou um descontentamento social inquestionável como resultado de 15 anos de governação socialista. No entanto, as últimas sondagens demonstram que o PS está “apenas” a cerca de cinco pontos percentuais do PSD. E esta realidade só tem duas razões plausíveis.
A primeira resulta do marketing político, da demagogia do discurso irrealista, da desresponsabilização política e da incapacidade de assumir os erros e as falhas governativas. Para além de uma capacidade invulgar de José Sócrates de “silenciosamente” afastar oposição e unir, em seu torno, um séquito de fiéis seguidores.
A segunda, por oposição, tem a sua raiz no PSD. Não no partido em si, mas na forma como está a encarar este desafio.
A alternância do poder é um dos pilares essenciais do funcionamento da democracia. Uma grande parte do país está à espera de um pretexto para votar PSD nas próximas eleições. Mas tem faltado ao PSD a apresentação desse pretexto, apesar de, curiosamente, esta equipa que lidera o partido ter já dois anos de gestão social-democrata.
Só que não se ganham eleições apenas com o desgaste do governo ou com a insatisfação do eleitorado, mesmo que grande parte desse eleitorado entenda que o PS tem de ser penalizado pelo que fez e pelo que não fez.
O PSD, a pouco menos de dois meses das eleições, devia ter um programa pronto, uma mensagem política pronta (com alternativas válidas e propostas reais e concretas), as suas linhas programáticas prontas. Mas o que se vê são demasiados erros graves de gestão política numa altura crucial (indefinição e recuos na apresentação de medidas avulsas, a negação e a recusa de figuras de “peso” aos convites do líder para as listas eleitorais com a agravante da consequente publicidade, o triste caso Fernando Nobre, o cair na armadilha do PEC IV, os vários ressabiados internos que se sentem marginalizados mas bastante activos).
As pessoas querem um pretexto para votar PSD... mas o PSD afasta, cada vez mais, as pessoas.
Para um partido que tem a “obrigação política” de ser alternativa e pretende ser poder, não pode cometer tantos erros, não pode ver tanta falta de unidade, falta de partilha do desafio, tanta divisão.
Do lado socialista, publicamente, não se houve um não a José Sócrates. Curiosamente do lado do PSD parece ser princípio instituído publicamente recusar Passo Coelho.
O PSD tem, rapidamente, de se apresentar como alternativa capaz, face ao encurtar do tempo. É que para gáudio de uns, choque de outros, Portugal ainda vai assistir a um verdadeiro caso de estudo da ciência política.

19 abril 2011

Eleições à vista...


Com as eleições de 5 de Junho próximo já "à vista", foram já escolhidas as datas para os debates televisivos, com início agendado para 6 de Maio.


6 Maio (sexta-feira) - Paulo Portas / Jerónimo de Sousa (RTP)
9 Maio (segunda) - José Sócrates / Paulo Portas (TVI)
10 Maio (terça) Passos Coelho / Jerónimo de Sousa (TVI)
11 Maio (quarta) José Sócrates / Francisco Louçã (SIC)
12 Maio (quinta) Francisco Louçã /Jerónimo de Sousa (RTP)
13 Maio (sexta) Passos Coelho / Paulo Portas (SIC)
16 Maio (segunda) José Sócrates / Jerónimo de Sousa (SIC)
17 Maio (terça) Passos Coelho / Francisco Louçã (TVI)
19 Maio (quinta) Paulo Portas / Francisco Louçã (SIC)
20 Maio (sexta) José Sócrates / Passos Coelho (RTP)


Os debates terão a duração de cerca de 45 minutos e terão lugar por volta das 21:00 horas, dependendo da programação de cada canal televisivo.

26 março 2011

A semana em Resumo - 27.03.2011

Para publicação na edição de amanhã, 27.03.2011, do Diário de Aveiro.

Cambar a Estibordo...
O Governo caiu! E agora?


Por mais que José Sócrates se esforce por se vitimizar, por mais que tente desresponsabilizar-se da situação do país, por mais que ensaie transferir para a oposição a culpabilidade dos factos, a realidade é quem provocou a crise foi ele próprio. Aliás numa muito pouco compreensível manobra política.
Foi o Primeiro-ministro que não dialogou previamente com os outros partidos da oposição, nomeadamente com o PSD face à necessidade de se enfrentarem novos desafios para o combate do défice. Foi ele que não teve qualquer sentido de Estado ao menosprezar os Parceiros Sociais, Oposição Parlamentar e relação institucional com a Presidência da República. Foi ele que não soube ou não quis assumir o falhanço das medidas aplicadas nos PEC’s anteriores e a incapacidade de controlar o orçamento do estado e a despesa pública.
E, facto curioso para quem sempre defendeu que o país sobreviria a uma intervenção externa e sempre criticou os que prevêem ou desejam a interferência do FMI, é a facilidade com que José Sócrates acorre aos “chamamentos” europeus, sem que seja claro que o apoio do Fundo Comunitário seja muito diferente do Fundo Monetário Internacional.
E a crise foi inevitável… perante a análise da conjuntura interna: a impaciência perante a arrogância governativa, o aumento da contestação e insatisfação, do desemprego e da desagregação social, a estagnação da economia e a recessão sentida, a incapacidade de combater o défice e de controlar a dívida pública, ao ponto das próprias contas do Estado apresentadas ao país e à comunidade europeia estarem sob suspeita de irregularidades, bem como o facto das finanças nacionais não terem capacidade de liquidar os juros da dívida pública já em Abril – cerca de 4,1 mil milhões de euros.
Estes são os factos… Deste modo, importa, perante eles, questionar: quem beneficiará com esta crise política?!
A resposta, pela negativa, afigura-se óbvia: não será a maioria dos portugueses, das famílias e das empresas. Isto é… não será, com toda a certeza, o país a beneficiar da situação.
A primeira questão prende-se com o facto de o país ter de ir a votos. Não pela questão eleitoral em si, mas, perante as enormes e ainda não totalmente avaliadas dificuldades económicas (a imprensa avançava esta semana o facto de a administração pública ter dinheiro apenas para mais dois meses), a justificação dos volumosos encargos que acarreta ao erário público um acto eleitoral.
Por outro lado, já o afirmei e importa renovar, não me parece que, concretamente para o maior partido da oposição e reconhecido como partido de poder – PSD, este tenha sido o melhor timing para um processo eleitoral. Teria sido, até porque, na prática, as consequências de gestão governativa não seriam muito distintas, aquando da elaboração do orçamento para 2012 ou na avaliação concreta da sua execução orçamental.
Mas esta é a realidade factual. O governo caiu… O país vai a votos! Sem alianças, sem blocos, sem acordos. Cada um por si. Só resta saber quem pelos portugueses.
E, neste contexto, face à insatisfação da maioria dos cidadãos perante a política, os políticos e os partidos, é por demais importante que sejam apresentadas propostas concretas para o País. Concretas, transparentes, mesmo que impopulares, mas que definam claramente uma alternativa e não que sejam reféns da demagogia e da retórica face à necessidade de contabilizar votos. De mentiras, jogos de “cabra cega” ou às “escondidas” estão os portugueses mais que fartos.
Os eleitores têm o direito de poderem escolher e têm o direito à verdade.
E esse é que será o grande trunfo para a campanha eleitoral que, por razões evidentes, será uma campanha agressiva, combativa e que roçará a falta de ética para atingir qualquer fim. O que se afigura como uma barreira à clareza e à transparência.
Importa devolver a credibilidade à política para que os portugueses possam devolver a legitimidade do voto aos eleitos, em consciência e por dever cívico.
O país não pode viver mais na incerteza, na insegurança, na insatisfação.
O país não sobreviverá a mais jogos políticos ou de poder.
Esta é, claramente, a hora da verdade. Ou, por contrapartida, o passo que falta para o abismo.

Boa Semana…

17 fevereiro 2011

Era preciso tanta confusão?!

Era preciso uma enorme balbúrdia, uma total falta de respeito para com a democracia e os cidadãos, uma total incapacidade de assumir as responsabilidades que, sim, são políticas também?!
Não, não era.
Era difícil chegar a esta conclusão?! Claro que não...

Só escusavam de sujeitar o país e os eleitores a este triste circo (que pelos vistos não ficará por aqui - fonte: DN).

Governo finalmente descobriu a pólvora: Aprovou a extinção do cartão de eleitor. (fonte: DN)

25 outubro 2009

A Ler os outros...

É indiscutível a incapacidade de alguns em aceitarem a opinião e opção de muitos (maioria).
A intolerância é uma realidade cada vez mais preocupante, ao mesmo tempo que crescente.

Bom texto em A Casa dos Comuns, de João Pedro Dias.

28 setembro 2009

Mensagem Presidencial

Segundo fonte oficial da Presidência da República, Cavaco Silva falará ao País, amanhã, pelas 20:00 Hm.
Faz-nos relembrar um Verão de 2008... Expectativa, suspense... e no fim, resultado global: nada!
Para amanhã já "rolam" nas diversas redes sociais, programas televisivos e radiofónicos, mesas de café, apostas sobre a temática.
À frente das "sondagens" vai a questão das suspeitas das alegadas "escutas" a Belém.
Foi tema nos últimos dias de campanha (embora a questão tenha origem, na Comunicação Social, em Agosto)... foi algo que marcou a recta final da campanha eleitoral.
Cavaco Silva sempre afirmou que falaria depois das eleições... não fazia qualquer sentido ter tomado uma posição (não verbal) antes das eleições, sobre a questão, ao afastar das funções o seu assessor.
Mas há uma outra questão que importa relevar, neste caso.
Cavaco Silva, tido por muitos como um político hábil, consistente e conciso, acaba por tomar atitudes de perfeito suicídio político. E as questões começam a avolumar-se: Cavaco quererá desistir das suas funções? Terá receio em enfrentar, de novo, Manuel Alegre, num novo contexto e realidade políticos? Como sairá Cavaco Silva de todo este imbróglio?!
Por último, entendo ser lamentável que o Presidente da República, bastião superior de um estado democrático e de direito, tenha muito pouca consideração e relevância pelas eleições autárquicas e uma enorme desvalorização pelo poder local.
Porque falar em pleno arranque da campanha eleitoral autárquica?!
Será que os Presidentes das Câmaras e das Juntas de Freguesia, são "cidadãos políticos" menores?!
Será que, seja qual for a sua comunicação, não terá influência no desenrolar das actividades de campanha eleitoral autárquica?
Um enorme tiro no pé...

Conclusões dos Rescaldos.

Em forma de RESUMO...

1. O "partido mais votado" foi a Abstenção.
2. O Partido vencedor das eleições - PS - foi o partido derrotado (perde expressivamente: perde a maioria, percentualmente desce e perde muitos deputados).
3. O CDS é o claro vencedor das eleições (dois dígitos percentuais, aumento considerável de deputados e "balança" parlamentar).
4. No meio... o PSD, mesmo não vencendo, aumentou a sua percentagem e o seu número de deputados, em relação a 2005 (liderança de Pedro Santana Lopes); o BE "pescou" consideravelmente no eleitorado socialista e a CDU, mesmo caindo para 5ª força parlamentar, subiu ligeiramente.
5. A maioria só será conquistada com: PS+CDS, PS+PSD (mesmo que apenas contando com a abstenção social-democrata nos actos parlamentares) ou PS+BE+CDU (muito improvável).

Por isso é que só houve festa na rua por parte do CDS.

27 setembro 2009

Rescaldo III

Curiosidades locais (Aveiro)...
Dr. Ulisses Pereira, eleito deputado pelo PSD.
Dr. Afonso Candal, eleito deputado pelo PS.
Dr. Filipe Neto Brandão, eleito deputado pelo PS.
CDS recupera segundo deputado (elege Paulo Portas e Raul Almeida)
Bloco esquerda elege, pela primeira vez, um deputado por Aveiro.

Rescaldo II

Se o PSD não conseguiu o seu objectivo (ganhar as eleições, mesmo sem a maioria), há outros aspectos a ter em conta:
1. O PS não ganhou a maioria e não teve um resultado tão claro como Sócrates afirmou.
2. O BE, mesmo subindo, não é a 3ª força e não está muito afastado da CDU. No dia em que os descontentes do PS voltarem a ficar contentes, acaba a euforia e a arrogância.
3. Sócrates deixou claro que não "piscará" o olho ao BE. Acabou o "casamento secreto"!
4. A Abstenção prejudicou o PSD (veja-se a percentagem na Madeira - cerca de 45%).
5. Não acredito que Manuela Ferreira Leite se demita, mesmo depois das autárquicas (perspectivando-se um bom resultado).
6. A CDU "afundou" no 5º lugar.
7. A Maioria obtém-se: PS+PSD / PS+CDU+BE e, curiosamente, PS+CDS.
8. Goste-se ou não... CDS é o grande vencedor das eleições. Obteve o que Paulo Portas sempre desejou: a não maioria do PS, os dois dígitos percentuais (10,5%), a 3ª força eleitoral, 21 deputados... e é a "balança" no parlamento.

Rescaldo...

Os erros de uma campanha (e as influências externas e paralelas) que levaram de uma vitória europeia a uma derrota nacional.
A campanha eleitoral, para o PSD e Manuela Ferreira Leite, deveria ter terminado no último debate televisivo.
Até uma semana antes das eleições as sondagens (as mesmas que acertaram nos resultados finais) indicavam um empate técnico, entre o PS e o PSD.
Em pouco mais de 3 dias, tudo desmoronou.

Falar de Asfixia Democrática e visitar a Madeira... um erro!
Não explorar melhor o caso TVI... um erro!
Não apresentar medidas concretas para as propostas apresentadas (por exemplo, baixa dos impostos, IVA, etc)... um erro!
Falar de Verdade e colocar António Preto nas listas... um erro!
Faltou capitalizar a imagem de verdade, coerência, sinceridade e as políticas alternativas ao PS.

Houve lateralização a mais na campanha do PSD.
E uma machadada final: a posição de Cavaco Silva em relação às "suspeitas" de escutas...

Tomando como exemplo, o acto eleitoral na Madeira, um outro dado parece relevante: a abstenção penalizou o PSD (repare-se que pouco mais de 50% de eleitores votaram na Madeira). Algo para reflectir!!!

25 setembro 2009

EM REFLEXÃO

Cumprindo o estipulado por força legal... antecipando uma hora!

Notas Breves...

Texto para ser publicado, hoje, no Diário de Aveiro, mas que não consegui enviar atempadamente.
Sais Minerais
Notas Breves… e suspensão!

Não há, normalmente, período eleitoral sem “casos”, “histórias” ou os chamados “golpes baixos”.
Aliás… não há política sem “casos”, “histórias” ou os chamados “golpes baixos”. Há muito que a ética e a política (o seu debate e confronto) estão de “costas voltadas”.
E, no caso concreto deste período eleitoral, são já vários os chamados “casos” eleitorais: TVI, TGV e Espanha, a Asfixia, os PPR’s e Investimentos do Bloco de Esquerda, etc…. e, por último, o caso das “escutas do Governo à Presidência da República”.
Normalmente, os casos de campanha, não passam disso mesmo: casos que servem para distraírem do essencial ou criarem desconforto no campo adversário.
Mas desta vez, nem tudo é distracção e há, de facto, casos que merecem alguma ou muita preocupação, e especial atenção.
No caso da TVI (Jornal de sexta) já muito foi dito, embora nem tudo esclarecido, e aguardam-se mais desenvolvimentos.
No caso das “escutas” (ou supostas escutas) à Presidência da República, é crucial reflectir sobre o “caso” em três vertentes:
1. Jornal Público vs Diário de Notícias.
Do ponto de vista da Comunicação Social, é extremamente grave, ética e deontologicamente, que um órgão de comunicação concorrencial tenha avançado com a publicação de documentação interna de um outro jornal. E já agora era importante que o DN citasse as suas fontes (já que citou as fontes constantes do e-mail publicado) e informasse como é que teve acesso ao e-mail interno do Público e do jornalista Luciano Alvarez.
Convém lembrar o posicionamento editorial do DN próximo do PS. Assim, tal publicação só veio trazer mais um “caso” à campanha e favorecer, claramente, o PS.
Correcta foi a postura do Expresso que ao ter, igualmente, conhecimento do documento do Jornal Público, decidiu não o publicar e manter a sua própria investigação jornalística.
2. Esclarecimentos necessários e urgentes.
O Presidente da República, no âmbito dos acontecimentos, tinha já, publicamente, afirmado que, face ao momento eleitoral, apenas se pronunciaria após os resultados das Legislativas.
Poder-se-á questionar se Cavaco Silva deveria ou não, face à gravidade do caso, demonstrar a sua posição e opinião sobre o assunto. Entendo que por menos (pelo menos para a maioria dos cidadãos) fez parar o País, no Verão de 2008, para vir falar de um tema que à esmagadora maioria dos cidadãos disse “zero”: o veto ao estatuto dos Açores (mesmo que mais tarde o Tribunal Constitucional lhe tenha dado total razão).
Mas se temos a imagem do Presidente da República como um homem político de grande astúcia e experiência, não se compreende como, depois das suas afirmações e a escassos dias do acto eleitoral, venha demitir o seu principal assessor de imprensa, pessoa que o acompanha há mais de vinte anos.
E se a demissão, por si só, parece irreal, mais se pode dizer do facto de a mesma ter ocorrido sem qualquer explicação e abordagem sobre o tema.
Para isso, a coerência deveria ter levado o Presidente da República a tomar todas e quaisquer posições apenas após as eleições, como sempre afirmou.
3. Questão pertinente (e última)
Face à realidade dos acontecimentos, permanece, apesar de todos os factos, a dúvida que é necessária esclarecer: há ou não escutas do Governo ao Presidente da República?! Ainda só sabemos a versão de um dos lados da “barricada”.
É que com a demissão, apenas ficámos a saber (deduz-se) que o Assessor de Imprensa de Cavaco Silva falou em nome próprio.
Muito pouco para tão grave polémica.
Por último, por indicação da ERCS (Entidade Reguladora da Comunicação Social), e por uma questão de ética, as Crónicas “Sais Minerais” vão interromper a sua publicação, regressando depois das eleições autárquicas. Com toda a certeza, mais fortes e com “olhares mais atentos”…
Tal circunstância prende-se com o facto de ser candidato, pela Lista de Fernando Marques, à Assembleia de Freguesia da Glória.
Resta-me, por isso, dizer um “até daqui a duas semanas” e apelar à mais importante participação cívica dos cidadãos: Votar. È um direito e um dever de todos.
Para que Portugal e Aveiro cresçam…

Ao sabor da pena…

24 setembro 2009

A ler os outros... II

A ler este interessante post na "Casa dos Comuns", do amigo e companheiro João Pedro Dias: O enorme ego de Cavaco Silva.
Perfeitamente de acordo. Aliás na linha do meu artigo de amanhã, no Diário de Aveiro.
Presidente da República esteve muito mal, nesta fase final da campanha. E como eu escrevi (e pode ser lido amanhã), para um político tido como eficaz e conciso (que nunca erra e nunca se engana) esta sua atitude só traz "água na boca". É "gato escondido com rabo de fora".

A ler os Outros...

Tenho que CONCORDAR com este muito bom texto no Margem Esquerda.

17 setembro 2009

Campanha Legislativas 2009

Publicado na edição de hoje do Diário de Aveiro.
Sais Minerais
Arruadas e Jantaradas.


O “circo” da campanha eleitoral teve início oficial no princípio desta semana.
Uma campanha eleitoral que está e vai ser marcada pela ansiedade, pelo equilíbrio nas sondagens, pela pressão do “empate técnico” nas previsões… pelos ataques ferozes entre opositores.
Mas esta fase, que antecede o momento da verdade, é, por norma, “gasta” em aspectos e acções que deixam algumas dúvidas, em relação aos impactos e resultados junto dos eleitores, nomeadamente o que respeita aos indecisos.
São os “folclores”, os ataques demagogos, os “beijinhos e abraços” das arruadas, os monumentais jantares-comício, as frases feitas! A bem da verdade, também as emoções, a agressividade, a confiança, a conquista e consolidação de eleitorados, ou as promessas que ficarão ou não por cumprir.
Mas a verdade é que em relação aos apoiantes e simpatizantes já pouco há para consolidar (aliás, são estranhos os comícios e os jantares, já que, quem comparece, é quem se identifica com o partido, sendo, por natureza, eleitor já conquistado).
No que toca aos indecisos, se não foram conquistados nas acções pré-eleitorais (entrevistas, debates, etc), muito dificilmente serão com as acções de campanha, cheias de “ruído” e com pouca clareza.
No fundo… a verdadeira campanha eleitoral já aconteceu: as entrevistas aos principais líderes e os debates entre os partidos com representação eleitoral, acabaram por esgotar a confrontação e a argumentação.
Embora se assista a uma crescente relevância e importância das “redes sociais”, da blogoesfera e das ferramentas da internet na difusão das mensagens partidárias, o peso e mediatismo da Comunicação Social, nomeadamente o da televisão, ainda é a referência, como o demonstraram os debates efectuados. E aqui residiu a verdadeira campanha eleitoral… mesmo que o resultado dos debates tenha deixado “tudo na mesma”, como o espelham as últimas sondagens.
Em relação aos debates, falharam precisamente naquilo que deveriam ser mais conclusivos e incisivos: não serviram para conquistar o eleitorado indeciso.
Sem vencidos nem vencedores de forma clara e evidente (no fundo, sem fazerem “sangue”), houve, no entanto, alguns aspectos que importa realçar.
Jerónimo de Sousa falou apenas para o interior do PCP, tentando, com isso, impedir fugas de eleitorado, nomeadamente para o BE.
Quanto a Francisco Louçã, aquele que pareceria vir a ser o verdadeiro “animal feroz” dos debates, fracassou na hora do confronto, excepção feita para o momento mais à esquerda (com Jerónimo de Sousa). Na hora de apresentar propostas, estas demonstraram-se frágeis, irrealistas, demagogas (como é o seu discurso metafórico que já tem dificuldade em afirmar-se), e transmitiram um lado radicalista e extremista, “acordando fantasmas ideológicos trotskistas” dos tempos da UDP, recordando, a muitos cidadãos, as obras de peso na bibliografia de George Orwell: “O Triunfo dos Porcos” e “O Grande Irmão”.
Paulo Portas, hábil nestes ambientes, foi, em muitos momentos, bastante seguro e incisivo, com um discurso claro e determinado.
José Sócrates deixou uma imagem "pálida" e "desgastada" no seu discurso. Mais propagandista do que realista, agarrado ao passado dos outros (nomeadamente de Paulo Portas e Manuela Ferreira Leite) e à “obra” que refere ter realizado, a verdade é que esqueceu, na maioria dos casos, que quem está a ser “julgado” é precisamente a sua governação e não os “fantasmas” dos outros partidos. Não consegui descolar da sua principal opositora (Manuel Ferreira Leite). Pelo contrário, valorizou a imagem e mensagem da líder do PSD, ao ponto de transformar os valores das sondagens que, em Junho, lhe eram favoráveis, para um claro empate técnico, no arranque para a campanha oficial.
Ao expor e valorizar, quase que exclusivamente, o trabalho realizado, foram poucas as referências a propostas para o futuro, tentando apagar a imagem de uma governação demasiadamente exposta e confrontada na rua, pela contestação social.
E o espelho desta realidade foi a forma como terminou o seu debate com Ferreira Leite. Dizer que se ganhar as eleições os ministros serão substituídos (e foi mesmo isso que foi dito) é o mesmo que querer dizer e transmitir a imagem de que o Governo falhou, não prestou um bom trabalho ao país. É, claramente (mesmo que sem intenção), transmitir aos cidadãos uma clara falta de confiança.
Quanto a Manuela Ferreira Leite, os debates, mesmo que não ganhos (o que não significa que tivessem sido perdidos), serviram para demonstrar uma evidente imagem de seriedade, de confiança, de rigor. Transmitiu a sua mensagem de forma frontal e realista (como a preocupação com as PME’s, a economia, a educação e o estado social), clarificando, de uma vez por todas, que não haverá lugar à privatização da saúde, nem da segurança social. Manteve um discurso coerente e coeso (já que muitas vezes parecia mais que era a governação do PSD que estava em causa e não a do PS), e nem mesmo as “gaffes” do IRC/IRS ou a questão das SCUT’s ofuscaram a posição, partilhada pela maioria dos portugueses, em relação às obras públicas (caso TGV), aos impostos, economia, saúde e educação.
Manuela Ferreira Leite assumiu, num espaço que lhe é mais favorável do que o “improviso do momento ou da rua”, passou a mensagem que queria, não saiu derrotada em nenhum confronto e acabou por ser a surpresa de todos os debates (mesmo que o mais visto tenha sido o de Paulo Portas com José Sócrates).
A 27 de Setembro logo se verá o rumo do país e por quanto tempo.
Ao sabor da pena…

12 setembro 2009

Final dos Debates.

Os debates televisivos chegaram ao fim... Começa agora o "circo" da campanha. As emoções, a agressividade, a confiança, a conquista e consolidação de eleitorados. Também as promessas que ficarão ou não por cumprir.
Em relação aos debates, a minha conclusão é que não serviram para conquistar indecisos mas sim para consolidar que já decidiu.
Paulo Portas foi, em alguns momentos, bastante seguro e incisivo.
Manuela Ferreira Leite, para quem a via como o "elo mais fraco" foi a maior surpresa: passou a mensagem que queria, não saiu derrotada em nenhum confronto e acabou por ser a surpresa de todos os debates.
Francisco Louçã foi o menos feliz no confronto das ideias e propostas.
Jerónimo de Sousa falou apenas para dentro do PCP. O mais inseguro e menos preparado para os confrontos.
José Sócrates deixou uma imagem "pálida" e "desgastada" no discurso. E penso que não terminou bem. Dizer que se ganhar as eleições TODOS os ministros serão substituídos é o mesmo que querer dizer e transmitir a imagem de que o Governo falhou, não prestou um bom trabalho ao país. É, claramente (mesmo que sem intenção), transmitir aos cidadãos uma clara falta de confiança.

01 setembro 2009

Análise via Twitter.

Visão, on-line e através do twitter, da entrevista do Primeiro-Ministro, José Sócrates, à RTP 1 (hoje).
mparaujo: RT @AnaCatarinaSant: PM a falar sobre os erros que cometeu ("cometi imensos, imensos") é enternecedor...
mparaujo: RT @pauloferreira1: Coisas verdadeira/te importantes: branqueamento dos dentes superiores?
mparaujo: RT @RitaMarrafadeC: GRANDE JUDITE!!
mparaujo: Eh pá. Boicoteeee... desligaram o microoooo à Judite. Não há direito!
mparaujo: RT @ademarmarques: Só fico é sem perceber porque é que o PM não espera ganhar com 70% dos votos, neste país maravilhoso que deixa.
mparaujo: Mas só para os 18 anos.... RT @InesSerraLopes: O "inove social" e a "conta poupança futuro" são as primeiras decisões de José Sócrates.
mparaujo: RT @luispedronunes: Grande Sócrates: "A minha primeira? dou-lhe duas" se for assim no sexo...
mparaujo: RT @InesSerraLopes: Há uma escolha a fazer. Só há dois partidos que podem ganhar as eleições: PS ou PSD. Já fui tão claro quanto a isso...
mparaujo: AHHHHH Já chegaram os duzentos euros.....
mparaujo: PM quer discutir os problemas do país. Judite Sousa não deixa. Mas quando lhe faz alguma pergunta sobre o país... NICLES!!!!
mparaujo: RT @InesSerraLopes: José Sócrates, em grande forma - talvez se arrependa de dar tanta importância e tanto tempo de antena a MFL - mostra medo.
mparaujo: RT @RitaMarrafadeC: O olhar amenizou-se. Até sorri... estou surpreendida!!
mparaujo: Aiii... agora a Judite passou-se: "Olhos nos Olhos"?????
mparaujo: Quando é que vem a "pérola" dos 200 euros por cada nascido...???
mparaujo: RT @luispedronunes: DELICADEZA PORRA.
mparaujo: RT @JMF1957: "Não tivemos delicadeza com os professores" Iol, Iol
mparaujo: @AnaCatarinaSant RT @JMF1957: José Sócrates não responde às perguntas que lhe são feitas, para variar...
mparaujo: RT @P_S_G: Sócrates: alguns 'dos meus melhores amigos são juízes'!
mparaujo: Essa da redução do insucesso escolar é de morrer a rir. Confunde-se facilistismo, banalidade do ensino, com qualificação e mérito...
mparaujo: José Sócrates tem uma visão diferente da familia de MFL. Não é para procriar... é para receber dinehiro... apenas uma questão económica!
mparaujo: RT @CarlosLima7: socrates a citar o publico. o homem ta mesmo diferente.
mparaujo: @LucianoAlvarez :-)) Surpresaaaaaa, não é?! Afinal o Jornal é mesmo REFERÊNCIA. (a prpósito da exibição da notícia do jornal Público).
mparaujo: RT @LucianoAlvarez: José Sócrates com uma cópia de uma página do @Publico não mãos.
mparaujo: José Sócrates governa um país que não é o NOSSO PORTUGAL....
mparaujo: Pronto... lá vêm as queixinhas... E então se as coisas estão a melhorar, JS pede para governar nas dificuldades?!
mparaujo: Sócrates tem uma atitude diferente de Manuela Ferreira Leite... só não sabemos é se é melhor ou pior!
mparaujo: Ora... vamos lá ouvir... sem estragar o jantar que estava uma delícia (modéstia à parte).
mparaujo: @Lmalopes Vamos ver é se Judite de Sousa consegue manter o "apertanço" até ao fim...