“Debaixo dos Arcos” foi, e ainda é, o primeiro blogue não virtual de Aveiro. Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada": o centro do mundo...
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11 junho 2009

As europeias e a Avestruz.

Ainda no rescaldo das eleições europeias do passado dia 7...
Se é certo que o acto eleitoral em causa pretendia, exclusivamente, eleger os 22 deputados que representarão (espera-se) Portugal em Bruxelas, também não é menos verdade que a campanha, o sentido de voto dos portugueses e os resultados verificados têm tudo a ver menos com o Parlamento Europeu. Na prática foram muito poucos os portugueses que votaram conscientemente para a eleição europeia.
E este é um facto, somado ao desaire do PS nestas eleições (derrota à direita, à esquerda e na abstenção), que o Primeiro Ministro José Sócrates não pode esconder, por mais que o tente.
A verdade é que nenhum partido da oposição "exigiu" a demissão do governo (a tão curto espaço de tempo das legislativas, era perfeitamente surrealista).
Mas a verdade é que estas eleições foram marcadas pela insatisfação para com o governo. E quem o determinou foi uma campanha arredada do tema EUROPA (por todos os partidos) e o voto expresso dos portugueses.
A este facto acresce ainda a insatisfação dentro do próprio PS, com uma abstenção demasiado elevada, em grande parte provocada pela necessidade de muitos socialistas marcarem, também, a sua posição de desagrado: entre o votar PS contrariados, muitos, mas muitos mesmo, optaram por não votar.
Por mais que José Sócrates se esforçe por contrariar o óbvio, o que é certo é que estas europeias não foram mais do que umas "primárias" para Setembro (legislativas).
Mesmo que nessa altura o contexto possa ser diferente... resta saber se para melhor ou pior.

07 junho 2009

RESUMO ELEITORAL

Está perfeitamente actual o que escrevi no Diário de Aveiro, há uma semana atrás e que está referenciado no post anterior.
"Para PS e PSD a disputa eleitoral resume-se à imagem de umas eleições primárias. Se o PSD se aproximar, em intenções de voto, do PS, relança o combate político para Outubro e relança a hipótese de ser alternativa governativa. Se o PS marcar a sua diferença, poderá ganhar alento para retomar a suplicada maioria."

Mas há mais...
A Abstenção "votou" para o Parlamento Europeu.
Quem exerceu o seu direito de voto, votou como primárias para as Legislativas de Outubro.
As contas... cada um faça as suas!

29 maio 2009

A europa absentista

Publicado na edição de ontem (28.05.09) do Diário de Aveiro.

Sais Minerais
A Europa absentista.

Este é um verdadeiro ano político.
Por força desse facto, um ano eleitoral mas também eleitoralista. E eleitoralista, no pior do seu conceito.
Não bastava a iliteracia política da maioria dos portugueses, para entrarmos e assistirmos àqueles ciclos onde muito se fala, pouco se aprofunda ou concretiza, onde “ganha” quem falar mais alto (em bom português: “quem berrar mais alto”).
E não se trata de uma análise redutora, mas sim a (triste) constatação da realidade.
Facto: Campanha Eleitoral – Europeias 2009.
O que se discute ou o que está em causa?!
A eleição de 22 deputados (por força do alargamento da União Europeia, foram “perdidos” dois deputados) para a representação nacional (ao caso, portuguesa) no Parlamento Europeu.
E neste sentido, a discussão da importância da Europa, o que significa estar ou não estar no contexto europeu e a zona euro, o funcionamento das suas instituições, a participação dos cidadãos, o impacto político, social, cultural e económico da União Europeia nos países, deveriam ser a preocupação principal dos partidos e dos políticos (acrescida de algumas Instituições e Presidente da República) e o objectivo primário deste período eleitoral. No entanto, o que assistimos, neste arranque de campanha, é um desfilar de conteúdos, propostas e contexto vazios.
Para uns, principalmente PS e PSD, a campanha trava uma “luta” na relação de forças (poder e oposição), numa conquista percentual de votos, mesmo que os conteúdos e as formas se situem nos ataques vazios e na demagogia.
Para outros, concretamente PCP e BE, o uso do espaço da campanha eleitoral resume-se à crítica governativa, ao tão implorado “cartão vermelho” como se estivéssemos perante as eleições legislativas. Como se fosse secundário que, em algumas acções, os governos estão condicionados ao que os deputados europeus eleitos decidem nos lugares de Bruxelas.
Para PS e PSD a disputa eleitoral resume-se à imagem de umas eleições primárias. Se o PSD se aproximar, em intenções de voto, do PS, relança o combate político para Outubro e relança a hipótese de ser alternativa governativa. Se o PS marcar a sua diferença, poderá ganhar alento para retomar a suplicada maioria.
Em qualquer dos casos, somando as acções e intenções (da direita à esquerda) o que fica por debater e discutir é o verdadeiro sentido das eleições, o que está em causa em cada voto e cada cruz assinalada, os objectivos fundamentais deste acto cívico.
Discute-se o paralelo, o superficial, o virtual e irreal. Não se discute o papel da Europa, os seus impactos, alternativas, princípios e valores…
À boa maneira portuguesa, não se discute. Fala-se muito; grita-se ainda mais!
Também à boa maneira portuguesa, a política e os cidadãos continuam de costas voltadas, distantes e desgarrados.
Curiosamente, neste processo, a excepção à regra têm sido as minorias (os partidos e movimentos ditos pequenos) que “sofrem” a ausência de espaço e representatividade.
Também, à boa maneira lusa, o maior partido português é o Partido Português do Absentista, por culpa dos próprios partidos e políticos.
No dia 7 de Junho… VOTE!
Ao sabor da pena…