“Debaixo dos Arcos” foi, e ainda é, o primeiro blogue não virtual de Aveiro. Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada": o centro do mundo...
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23 outubro 2005

Oficialmente Élio é Presidente da Câmara!

A Assembleia Municipal e o Executivo Camarário tomaram ontem (22.10.05) posse das suas funções.
Na passagem do testemunho, Alberto Souto alertou Élio Maia para os perigos relacionados com o exercício da "governação local", coincidindo essas palavras com as eventuais razões da sua derrota eleitoral:
- a recessão económica (agravada pelas políticas sociais e laborais do governo PS e o seu reflexo, a nível nacional, nestas eleições);
- a voracidade noticiosa (que felizmente transmitiu à opinião pública e expôs à critica aveirense projectos e investimentos mal planeados e irracionais, que desacreditaram o último executivo);
- o descrédito na política e nos políticos (claramente com responsabilidade destes últimos, pelas promessas não cumpridas, pelos "casos" de falta de ética e responsabilidade política e social, pelo desrespeito pelo cidadão).
Por outro lado, Élio Maia ao receber o testemunho do presidente cessante, confirma a sua fidelidade às suas convicções eleitorais:
- "gestão ao cêntimo";
- contenção e rigor nas contas (liquidação de dívidas);
- "tratamento de choque" sobre as finanças (redução de despesas).
Para além destes aspectos económicos (que começam a denotar uma excessiva preocupação pelo deficit camarário), as outras opções chave caracterizam a aplaudível preocupação social, a aproximação da câmara aos munícipes e ás freguesias.
No entanto, Aveiro precisa de mais "vida para além do déficit"!
Precisa de relançar-se como pólo central ao nível político, social e económico. Precisa de rigor no investimento e um forte plano de desenvolvimento, sustentado num urbanismo racional e numa mobilidade e acessibilidade que crie qualidade de vida e riqueza (social e económica). Refira-se que Aveiro é o terceiro concelho do distrito com maior taxa de desemprego.
Não basta poupar e racionalizar as contas. É muito pouco!
Aveiro tem que saber gerar projectos de desenvolvimento bem planeados, estruturados e racionais. Senão... corremos o risco (sentimento já por diversas vezes tornado público) de estagnarmos durante estes 4 anos que se seguem.
E o esforço desenvolvido para a tão desejada mudança, saiu em vão!
A ver vamos.

15 outubro 2005

The Day After (parte II): As segundas palavras!

"Vão operar-se 'grandes rupturas com os gastos da Câmara'." Assim inicia a entrevista ao Diário de Aveiro (14.10.2005) do presidente-eleito da Câmara Municipal de Aveiro: as segundas palavras após o 'combate' eleitoral do passado (ainda bem recente) Domingo.
A extensão da entrevista e o maior número de questões colocadas (e obviamente de respostas), comparativamente com a entrevista anterior do JN (11.10.2005), tornam mais claras algumas ideias que tinham sido abordadas nas 'primeiras palavras' após a vitória eleitoral, dando-lhe uma forma mais concreta e realista:
  • as razões da vitória (para muitos, principalmente para muitos do PS quer local, quer nacional, totalmente inesperada), que se exprimiu por uma maioria na Assembleia Municipal, na Câmara e o na maioria das Freguesias (10 em 14);
  • a preocupação com as contas, gastos e e rigor na gestão da câmara, desta vez, com noções mais concretas como a reavaliação de investimentos, a redução de despesas, a reavaliação e reestruturação das empresas municipais (ou pelo menos de algumas);
  • a aproximação da câmara aos munícipes atarvés de acções concertadas com as Freguesias;
  • a afirmação de medidas concretas para a valorização da cultura: A Casa das Artes e do Conhecimento;
  • a (re)valorização industrial e económica do concelho, com a procura de mais investimento e uma relação sólida com a Universidae - Carta Empresarial;
  • e alguns exemplos de preocupações com projectos já antigos e esquecidos, como por exemplo, a pista de remo em Cacia - Rio Novo do Principe.
Por outro lado, continuou a faltar transportar para a realidade, concretizando princípios e ideias (mais ou menos abstratas), as preocupações referidas com o Planeamento e notou-se ausência de referência a um aspecto vital nas cidades modernas (pequenas ou grandes) que é a sua Mobilidade e Acessibilidade.
Não basta referir a experiência (que é por muitos reconhecida) de 16 anos à frente da Junta de S.Bernardo, independetemente do mérito na valorização e crescimento daquela localidade. A Câmara é um projecto muito mais envolvente. Resumir o Planeamento a muros mais ou menos desalinhados ou fazer crescer Aveiro para Sul (o que parece óbvio, porque a norte temos água...) tendo apenas como referência a A16 esquecendo a realidade rural daquela extremidade concelhia, não são ideias muito concretas e abrangentes.
Esperemos pelo papel da Sociedade de Reabilitação Urbana e pelo (re)aproveitamento do Projecto POLIS...

12 outubro 2005

O vencedor é... Élio Maia! The day after: as primeiras palavras.

"Hoje, as pessoas podem pensar que é fácil falar, mas desde o dia que disse 'sim' que estava convencido que ia ganhar as eleições" [sic] - Élio Maia ao JN de 11.10.05.
Na sua primeira entrevista (oficial ou não) como presidente-eleito da câmara municipal, realce para duas vertentes chave:
a) a preocupação com a questão orçamental e financeira da câmara (provavelmente uma preocupação generalizada da maioria dos autarcas face ao investimento público e financiamento municipal): cortes nas despesas, reorganização dos recursos humanos municipais, melhor coordenação e planeamento de investimentos e actividades do município.
b) aproximação entre câmara e o munícipe: descentralização de serviços, menores encargos com taxas e licenças, referendos locais, eventuais redefinições de serviços municipais (como a referência feita à empresa do teatro e à Policia Municipal), mais reuniões públicas.
Interessantes as duas maiores preocupações do próximo executivo, porque, se bem executadas, vão claramente criar novas formas de actuar e estar na Câmara (desde o seu executivo aos funcionários no seu todo) e a sua relação com os munícipes e mesmo com os demais agentes económicos.
No entanto, denotaram-se as faltas de referência, penso que importantes, ao Planeamento Urbano e Mobilidade, Acção Social e Educativa e à Cultura (esta útlima parece-me ausente do perfil dos 5 eleitos da coligação CDS.PP / PSD.PPD).
Quanto ao Estádio Mário Duarte, espera-se que esta preocupação camarária não se torne em obsessão e esquecimento de prioridades masi relevantes para Aveiro. Mas já agora uma seguestão: se existir capacidade legal para reverter o dossier "Mário Duarte", poderá ser uma execelente alternativa a redefinição do pormenor da zona e edificar aí um novo pavilhão do Sport Clube Beira Mar, que bem precisa.

11 outubro 2005

No (re)Rescaldo das Autárquicas

Independentemente do que já muito (bem ou mal) se falou sobre as últimas eleições, acrescento à "fogueira" mais estas larachas:
PSD - 158 presidências da câmara (20 em coligação com CDS.PP)
PS - 109 presidências da câmara
coligação PCP/PEV (CDU) - 32 presidências da câmara
CDS.PP - 1 presidência da câmara
BE - 1 presidência da câmara
Independentes (incluindo os indiciados judicialmente) - 7 presidências da câmara

comparativamente a 2001:
PSD - 159 (+1) presidências da câmara (17 em coligação com CDS.PP)
PS - 112 (+3) presidências da câmara
coligação PCP/PEV (CDU) - 28 (-4) presidências da câmara
CDS.PP - 3 (+2) presidência da câmara
BE - 1 presidência da câmara
Independentes (incluindo os indiciados judicialmente) - 3 (-4) presidências da câmara

Agora os factos históricos:

Em 2001, o então primeiro ministro António Guterres "assentava arraiais" na Internacional Socialista, abandonando o país por considerar que os resultados eleitorais autárquicos espelhavam o sentimento dos cidadãos em relação à actuação do seu (des)governo.
Quatro anos volvidos, o actual primeiro ministro José Sócrates vem "sacudir a água do capote" e continuar a "enfiar a cabeça na areia" ou a "tapar o sol com a peneira", esquecendo-se que - à excepção de mui piquenos casos bem específicos (gondomar - felgueiras - oeiras) - o eleitorado reagiu ao ambiente social que se vive (mais descontentamento, manifestação pública e frustração social nestes pouco mais de 6 meses de desorientação governativa, do que no período do, para o Dr. Jorge Sampaio, primeiro-ministro "a prazo" Santana Lopes).

Vir afirmar que estes resultados não são um claro cartão vermelho ao governo (amarelo já pedia o secretário geral da CDU) faz-me lembrar o árbitro do Portugal-Liechtenstein ao não ver o 1º penalti do jogo (aquele da defesa do defesa).

Esta república rosa não tem rumo: umas vezes dá jeito, outras não... a maior parte das vezes talvez!!!