“Debaixo dos Arcos” foi, e ainda é, o primeiro blogue não virtual de Aveiro. Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada": o centro do mundo...
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01 janeiro 2011

2011 vai ser um ano que...

Passados os festejos, sanados os excessos, voltar à realidade.
Valerá a pena tanta euforia em tão poucas horas?!

Entrámos em 2011... estamos no primeiro dia do ano em que:
- aumentam os impostos;
- aumentam os preços;
- diminuem as deduções fiscais;
- alteram-se as reformas;
- pagamos mais pelo mesmo ou por menos;
- aumenta o desemprego e a incerteza empresarial;
- aumenta a instabilidade social, a pobreza e a fome;
- não sabemos se o FMI regressa;
- não sabemos se o Governo aguenta;
- não sabemos se Cavaco Silva (tendo como certa a sua reeleição) aguenta a pressão e a tentação de demitir o governo;
- não sabemos onde vai parar o défice público (para alguns, nem sabemos onde irá parar o euro)...
Mas celebramos euforicamente a despedida de 2010 e a entrada em 2011... PARA QUÊ?!

Como disse hoje Paulo Ferreira (editor de economia da RTP) no Twitter: "Em 2010 chegou a factura e em 2011 vem o recibo".

Esta passagem de ano (2010 para 2011) faz-me lembrar a velha (velhissima) anedota da visita a jardim zoológico: explicava o tratador das hienas que estas eram um animal peculiar: comiam fezes de outros animais, procriavam uma vez por ano e "riam" muito. Ao que uma das crianças da visita questionou: se comem a m**** dos outros e fazem sexo uma vez por ano, riem de quê?!"

O mesmo me apetece perguntar: rimos e celebramos euforicamente o quê?!

Que 2013 chegue bem depressa... pelo menos!

07 dezembro 2010

Sem muitos comentários...

Como diz a tradição popular: "contra factos não há argumentos!"
E os factos só demonstram que a nossa situação, em parte, é o reflexo da política do governo...
Entre 19 economias europeias e respectivos responsáveis governativos, "Teixeira dos Santos é o 4.º pior ministro entre 19". (fonte: DN on-line)

26 novembro 2010

Quem avisa...

É por demais evidente a pressão externa (seja da União Europeia, seja da Alemanha, seja dos próprios mercados - já que a taxa de juro não baixa dos 7% - seja igualmente por desejo de muitos dos portugueses) para que Portugal recorra ao fundo de emergência europeu e aceite a presença do FMI para regular as finanças nacionais.
Acresce que a edição alemã do Financial Times afirma hoje: "Depois da Irlanda, vem Portugal. Palavra de jornal alemão. De acordo com a edição de hoje do Financial Times Deutschland,  o Banco Central Europeu e a maioria dos países do Euro estão a pressionar o Governo de José Sócrates para pedir auxílio ao fundo de resgate europeu e ao FMI."DN on-line) (fonte:
Se é certo que a realidade da Irlanda, com a banca totalmente falida, não é a mesma que a de Portugal, o mesmo não significa que a realidade económica, financeira e social portuguesa seja melhor que a irlandesa. Esta é uma verdade que é preciso não escamotear.
E as respostas que surgiram por parte do Governo Português, da União Europeia e de Durão Barroso fazem recordar realidades futebolísticas: quando um Presidente afirma que o treinador, em situação de crise, tem 200% da confiança da direcção, normalmente, passadas duas semanas está despedido.
Portanto... mais vale prevenir que remediar.
E quem nos avisa, nosso amigo é!

21 outubro 2010

Orçamento: A questão essencial…

Publicado na edição de hoje, 21.11.2010, do Diário de Aveiro.

Cheira a Maresia!
Orçamento: A questão essencial…


Do ponto de vista político-partidário resta ainda a incerteza quanto à viabilização do Orçamento de Estado para 2011. O mesmo será dizer que termos de aguardar, para já pelo impacto que as condições de viabilização resultantes do Conselho Nacional do PSD terão no PS e no Governo, e, por outro, o retorno ao PSD das reacções socialistas e do executivo da nação.
Desde que o tema do Orçamento entrou mais fortemente na agenda política que muitas vozes vêm defendendo o “sentido de Estado”, sem no entanto definirem claramente o que tal significa: se tal significa uma viabilização orçamental, mesmo que isso significa aprovar um Orçamento que afunde ainda mais o País, para além de ceder à pressão dos mercados e política financeira europeia (o que leva a uma entrega “de mão beijada” da nossa autonomia e soberania, cada vez mais debilitadas); ou se, por outro lado, a exigência do “sentido de Estado” tem a ver com a responsabilidade política, com a coerência de convicções e discursos, com a capacidade de afirmação de alternativa ao actual estado caótica da nação (com a consequente promoção do maior valor democrático que reside na opção de escolha e no poder de decisão, por via do voto, do povo português).
É que o tal apelo ao sentido de estado já foi, por dois partidos com assento parlamentar, anunciado e afirmado… PCP e BE já revelaram o seu “sentido de Estado”: “CHUMBO”, clarificando as suas políticas e convicções.
Caberá agora ao PSD assumir de demonstrar aos portugueses a sua condição de alternativa governativa, não correndo o risco de “pagar” o ónus de uma factura que não é a sua e com a qual discorda: um péssimo Orçamento que deixará o País num estado caótico.
E porque este Governo já demonstrou não ter capacidade de diálogo, de cedência, de humildade política suficiente para aceitar opções alternativas na gestão do País. Já o demonstrou enquanto maioria… confirma-o enquanto minoria parlamentar.
Apetece ter o atrevimento humorístico (mesmo que os tempos não sejam de brincadeira) de transpor a realidade para as recentes eleições brasileiras: “Não vote no ‘tiririca’ (orçamento), porque pio que tá já num fica”…
Mas a questão orçamental não é só um confronto político-partidário. É, de facto, uma questão de sentido de Estado: a necessidade de salvar o País e de pensar, de uma vez por todas, nos portugueses.
Naqueles que vêm os seus salários serem reduzidos; a diminuírem as prestações sociais; a ver o Estado repelir as suas responsabilidades sociais; a diminuírem as deduções ficais; a aumentarem os impostos; aumento dos preços… a piorar a sobrevivência financeira das famílias.
Naqueles que sentem, nos seus rendimentos, nas suas poupanças, na sua gestão financeira familiar, um Estado fixado e vidrado num objectivo estratégico: a mera captação de receitas para alimentar despesismos governamentais. Veja-se, a título meramente exemplificativo, a mais recente inovação da actualização da listagem portuguesas de taxas: o aumento em 30% da taxa de televisão/radiodifusão.
Naqueles que, diariamente, sentem um Estado cada vez menos justo (os sacrifícios não são repartidos com justiça), menos harmonizado (crescimento das disparidades sociais), e menos transparente (por exemplo, em 2010, Finanças estão a cobrar mais IRS do que o devido pelo facto das tabelas de retenção na fonte estarem inflacionadas).
Isto resultará em impactos sociais diversos mas, claramente negativos, como o aumento incontrolável da contestação, do crime e da violência.
Se do ponto de vista político-partidário, entre um péssimo orçamento é preferível não ter nenhum, salvando o País de um naufrágio “titânico”, a questão essencial da aprovação ou não do Orçamento de Estado para 2011 será, no entanto, outra: e quem salvará os portugueses do seu eminente naufrágio?!
Porque mesmo com a aprovação do Orçamento, o (des)Governo de José Sócrates não tem condições para governar.

20 outubro 2010

A ler os outros...

Independentemente do Orçamento ser viabilizado ou não, de ser negociado ou não...

A não perder uma leitura atenta por este excelente artigo de Pedro Santos Guerreiro, Director do Jornal de Negócios.

"A multiplicação das taxas"...  Mexe? Tributa. Respira? Taxa. Atrasa? Multa. Foge? Caça. Contesta? Penhora.

02 outubro 2010

Pinoquices...


Em recente entrevista à RTP 1, o Primeiro-ministro, José Sócrates afirmou que em 2011 não será preciso um novo plano de austeridade, face às medidas de austeridade agora aplicada.
No que nos diz respeito, agradecemos porque mais aperto que este já ninguém aguentaria.
Por outro lado, também não queremos que o nosso Primeiro-ministro passe o tempo com "apertos no coração", até porque é conhecido o estado da nossa saúde (encerramento de centros de saúde, listas de espera, preço dos medicamentos, etc.).
Mas será que alguém ainda acredita em José Sócrates...
É que ainda há poucos meses atrás, em Maio - na aprovação e implementação do PEC II - o mesmo Primeiro-ministro garantia que as medidas então tomadas na altura (por exemplo o IVA a 21%) eram as necessárias,  suficientes e e dispensariam um novo aumento de impostos nos próximos dois anos...
Dois anos muito, mas mesmo muito, curtos...
Em 2011 logo se vê, se ainda for o Primeiro-Ministro! 

22 agosto 2010

150 anos do Tratado de Paz, Amizade e Comércio - Japão/Portugal

A propósito das celebrações dos 150 anos do Tratado de Paz, Amizade e Comércio entre Japão e Portugal, segundo informação da Agência Lusa, o embaixador japonês em Portugal defendeu a importância de "reanimar o significado do tratado de 1860, que constitui a base das relações bilaterais entre o Japão e Portugal".
Na óptica do embaixador nipónico Akira MIWA, relembra-se um relacionamento histórico que está a ser "um pouco esquecido por Lisboa".


Entendo a preocupação diplomática do Senhor Embaixador do Japão, mas não compreendo a sua admiração: se Portugal até de si próprio e dos seus compromissos internos se esquece quanto mais dos compromissos com os outros.

01 junho 2010

Manias independentistas...


PT rejeita proposta de compra da Vivo feita pela Telefónica. (fonte SIC Noticias)

É preciso gritar bem alto: OS ESPANHÓIS SÃO NOSSOS AMIGOS!
E é bom relembrar que cerca de 45% dos portugueses são a favor de uma nova "ibérica"!

14 abril 2010

Direitinho do Facebook

A melhor expressão para espalhar a estupefacção pela capacidade que Portugal tem em ultrapassar as crises financeiras, ao ponto de não termos dinheiro para "mandar cantar um cego", mas há muita "alta velocidade" em se conseguir encontrar uns "trocos" para emprestar aos gregos.
EU NÃO QUERO EMPRESTAR DINHEIRO À GRÉCIA, ELES QUE VENDAM A TAÇA DO EURO 2004.

17 março 2010

Programa Empobrecimento do Cidadão!

Não posso estar mais de acordo com o Ministro da Economia - Vieira da Silva.
E 100% de acordo... sem qualquer dúvida.
O PEC não é só contenção, é também crescimento...
Claro que sim, Sr. Ministro.
Cresce: o desemprego, o endividamento familiar, a carga fiscal, o nível de vida, o desapoio social... tudo cresce com este PEC.

11 março 2010

O Desespero político...

O Ministro das Finanças - Teixeira dos Santos - classificou hoje, na Assembleia da República, a proposta para inscrição no Orçamento do Estado de cinco milhões de euros para pagar remunerações dos presidentes de junta, como "money for the boys".
O que o Senhor Ministro não consegue é lidar com a crítica, com propostas alternativas e construtivas, com a realidade, as necessidades e prioridades do país. À semelhança do seu líder, a prepotência e a arrogância não têm limites.
Para além do facto de Teixeira dos Santos não perceber o significado de eleições democráticas dos eleitos locais (os da oposição e, pasme-se, os do próprio partido).
Por menos, já houve Ministros a arrumar as secretárias e a apresentarem a demissão ou a serem demitidos.
Mas enfim...

25 janeiro 2010

À margem negocial (parte 2)

Os ganhos e as perdas da Negociação do OE2010.

É sabido que este OE2010 não é apenas vital para o PS e para o Governo…
Nesta fase, uma antecipação de eleições legislativas seria politicamente grave e complicada de gerir para o PS (falta de argumentação), para o PSD (conflitualidade interna e consolidação do seu eleitorado) e para o CDS (responsabilidade do chumbo e risco de perda de eleitorado).
Daí que o Governo e o PS tenham percebido que a dramatização, perseguição e pressão políticas não seriam a melhor argumentação.
Tendo como base a advertência presidencial (que serviu para aumentar a sua popularidade e relançar uma eventual recandidatura) da necessidade de diálogo e negociação, a bem da nação, governo e oposição (a da direita, necessária à aprovação do Orçamento) encetaram negociações para análise, avaliação e sentido de voto.
Mas quem marcou mais pontos?!
No “confronto” entre os três partidos, José Sócrates (e o Governo/PS) podemos afirmar que são os vencedores: não só aprovam o orçamento com as abstenções (mais ou menos construtivas ou estratégicas) do PSD e CDS, como mantêm as bandeiras mais importantes das políticas e medidas orçamentais, tendo ainda a oportunidade de retomar a polémica das finanças regionais.
Para o CDS, o resultado é a consolidação dos resultados eleitorais de Setembro de 2009, marcando uma imagem de partido com inclinação para ser poder. Não rejeitando a oportunidade de tornar públicas as suas perspectivas em relação a temas importantes no OE (fiscalidade, impostos, investimentos, financiamentos, tecido empresarial, reformas, rendimento mínimo, entre outros), a verdade é que o esforço apenas garantiu “direito de antena e visibilidade mediática”. Porque, conforme o post anterior, as principais medidas não foram cedidas pelo Ministério das Finanças, ao ponto de ser necessária um encontro entre Portas e Sócrates.
Após tanto esforço, uma “abstenção construtiva” sabe apenas a “um lavar de consciência”. Nem sim, nem não… antes pelo contrário: Nim!
Quanto ao PSD há um mistério estratégico difícil de perceber… Deixou-se antecipar pelo CDS que foi marcando pontos na opinião pública, e não produziu (nem Manuela Ferreira Leite, nem o líder da bancada social-democrata, Aguiar Branco) qualquer esclarecimento de intenções e objectivos negociais, nem marcou qualquer posição sobre as diversas áreas e vertentes do OE2010. Limitou-se, incompreensivelmente, a aguardar passivamente o desenrolar dos acontecimentos ou a apresentação do Orçamento, para marcar posição.
Apenas a indicação de uma possível (quão esperada) abstenção. Acho pouco para o maior partido da oposição… Uma batalha perdida?
Quem sabe…

25 julho 2009

Um EXCELENTE proposta.

Não é comum uma comissão de trabalhadores ter uma perspectiva de gestão e de sustentabilidade do futuro da sua empresa.
Existe estrutura, Know-How, Logística (Plataforma e ligação ferroviária) e Acessibilidades perfeitas, bem como estratégica geográfica.
Haverá condições melhores?!
Aveiro só ficaria a ganhar.

12 abril 2009

Fora do Tempo...

Poder-se-á, por questões políticas e técnicas, questionar ou aceitar as opções que levaram a celebração do contrato de empréstimo.
Mas o facto é que o mesmo foi conseguido e liquidadas dividas de muitos (repita-se... muitos) anos.
Não se percebe muito bem a relevância temporal (nem os critérios jornalísticos) de uma notícia referente a 2007.

20 dezembro 2008

Já tão perto

Publicado na edição do dia 18.12.2008 do Diário de Aveiro.

Sais Minerais
Já tão perto…

Aproxima-se a passos largos o final do ano de 2008. Restam apenas duas semanas.
Como é mais do que óbvio, por força da calendarização gregoriana, com o avizinhar do final de 2008, regressa mais um ‘novo’ ano.
Para além disso, a azáfama da quadra natalícia que, por mais crises anunciadas (ou vividas) ‘obriga’ a um quotidiano completamente alterado e alucinado, vai diluindo a perspectiva cinzenta, para não dizer negra, de um ano de 2009 perfeitamente caótico, recessivo e problemático a nível financeiro e social.
Mesmo que em muitas situações a crise seja motivo para posições e opções financeiras e comercias, no mínimo, duvidosas e pouco claras (a crise serve de “capa” e “desresponsabilização”), o que é certo é que ela existe, está presente, é uma realidade e veio para ficar.
Pior… o ano de 2009 vai ser, segundo apontam todos os índices, as referências e os “entendidos na matéria”, o ano mais grave.
A esta vivência natalícia que vai ‘amolecendo’ o espírito, as emoções e, até mesmo, a razão, acresce a ilusão das medidas que vão sendo adoptadas e anunciadas e que tocam muito directamente os cidadãos e, particularmente, as suas finanças domésticas: a sucessiva baixa da taxa de juro de referência (Euribor) e, por exemplo, o desagravamento do preço dos combustíveis. São, aparentemente, processos de combate à realidade económica mundial, pelo menos a Norte-Americana e a Europeia.
Mas será assim?!
Na prática, a diminuição do valor da taxa de juro, com repercussões, por exemplo, no crédito à habitação própria (e que alguns peritos em economia e finanças ousam apontar previsões para valores a rondar os 0,00%) será significativa e relevante?!
É que as descidas das taxas de juro, por si só, não resolverão a situação (mesmo que tal afirmação pareça algo do género “pobres e mal agradecidos”). Apesar da ‘moeda corrente’, para a maioria dos cidadãos, ser as queixas relacionadas com os encargos financeiros domésticos com as casas, parece que a solução desta crise não passa apenas pelo baixar das taxas de juro.
Se é verdade que as mensalidades referentes ao empréstimo à habitação poderão baixar e com algum significado, também não o é menos que o dinheiro ‘aforrado’ (poupança) valerá menos e renderá muito pouco.
Por outro lado, se a descida dos preços dos combustíveis e do valor das taxas de juro potenciam alguma sensação de melhoria financeira, nomeadamente a doméstica, é também um facto que assistimos ao agravamento da taxa de desemprego e à diminuição do poder de compra. Ou seja… os juros e as despesas mensais reduzem, mas aumenta a impossibilidade ou a dificuldade em haver dinheiro nas famílias para fazer face a esta certeza da crise e da vida.
E nada melhor para ilustrar esta realidade, já muito próxima, do que nos lembrarmos das mais recentes notícias: em 2009 a electricidade sofrerá aumentos na ordem dos 4,9% (o dobro da inflação prevista), o pão, o arroz e as portagens são alguns exemplos da subida do custo de vida. E não se espere que se fique por aqui.

Ao sabor da pena… e um Feliz Natal, para todos!

23 novembro 2008

Não vale a pena tapar o sol com a peneira

Para aqueles que ainda acreditam em propagandas, em ilusões demagógicas ou ara os que vivem "noutro mundo".
A crise chegou, é real e toca a muitos (par não dizer quase todos).
A prova está aqui (fonte: Diário de Aveiro).

07 novembro 2008

Compreender o incompreensível.

Publicado na edição de ontem (6.11.2008), do Diário de Aveiro.

Sais Minerais
Compreender o incompreensível.
Entre a teoria e a realidade, entre os conceitos e princípios e a factualidade da aritmética financeira doméstica da maioria dos cidadãos no final de cada mês, vai uma longa e incompreensível distância.
Os conceitos financeiros (de forma similar ao direito) são uma espécie de linguagem rodeada de simbolismo, figurismo e “secretismo” que imitam, ao mais comum dos mortais, o acesso e a compreensão ao que move hoje, o mundo: o dinheiro.
Por convicção, entendo que Estado deve ter uma função reguladora e uma intervenção social na sociedade: educação, saúde, justiça, segurança, emprego…
Mas também deve primar pela justiça social e a equidade.
É, por isso, incompreensível e de difícil aceitação a intervenção do governo no caso BPN, obrigando todos os portugueses a um “esforço” e contributo (os “nossos” impostos), através da Caixa Geral de Depósitos para “camuflar” os erros inaceitáveis (por isso, puníveis) de alguns, para quem a avidez se sobrepôs ao dever profissional.
Acresce o facto de não se poder aceitar, pelo menos de ânimo leve, a displicência e a não prontidão de qualquer acção por parte da entidade reguladora do sector: o Banco de Portugal.
Assim, é inexplicável a intervenção do Estado numa entidade privada como o BPN, quando são inconsequentes ou inexistentes as acções do Governo nos casos de inúmeras empresas que fecham as suas portas, deixando tantas famílias em desespero e tantas pessoas no desemprego.
Por outro lado, demonstrando uma necessidade clara de justificar politicamente esta acção junto do BPN, o último Conselho de Ministros (sessão extraordinária) vem determinar a vontade do governo em liquidar, a muito curto prazo, as dividas do Estado, apesar de nos últimos anos ter tido “ouvidos de mercador” a tantas solicitações recomendações nesse sentido.
E não deixa de ser preocupante (e se quisermos, revoltante) para o cidadão, esta opção pela intervenção na banca privada, quando não se assiste a qualquer intervenção do governo para minimizar a constante subida dos encargos familiares com o crédito à habitação, apesar das descidas das taxas de referência europeias.
Além disso, é no mínimo curiosa esta vontade repentina, em plena crise, que leva o governo a se predispor a ajudar as Câmaras Municipais, depois de ter colocado tantas entraves e recusas ao esforço dos Municípios em solucionar as suas obrigações financeiras, principalmente para com as empresas, associações e freguesias.
Por último, nesta crise dos mercados que determina uma incerteza em relação ao futuro e espalha o espectro de uma recessão a uma escala internacional, o Governo apresenta um Orçamento de Estado, para 2009, onde se regista o maior aumento salarial dos últimos anos, o maior aumento da despesa e do investimento, apesar da contradição com toda a aumentação e fundamentação que justificaram, em anos anteriores, uma limitação ao proteccionismo social.

Ao sabor da pena…

02 novembro 2008

O que é Nacional

nem sempre é bom...
O Governo prepara-se para "nacionalizar" o BPN (fonte TSF).
Enquanto a faixa esquerda (por exemplo o PCP) rejubila de alegria por haver "mais Estado", é grave que esta situação tenha o "compadrio" do Governo, dos Partidos Políticos com assento Parlamentar e do próprio Presidente da República (mais preocupado com o "queijo dos Açores" do que a justiça social e a economia deste país).
Se não, vejamos:
1. Se não fosse a "Crise", ainda hoje o BPN continuaria a fazer negócios bancários duvidosos, a comprar quintas e vinhos, arte e a manter as suas contas paralelas em "offshores".
2. Tudo isto com a conivência do Banco de Portugal. Com a mesma passividade no caso BCP. Só quando a bomba rebenta é que a entidade que deveria regular a banca actua. Tarde e a más horas.
3. Porque razão o Estado tem o"dever" de intervir nas instituições bancárias e de crédito privados?! Não são empresas como as outras?! Porque é que o Governo não intervém igualmente nas empresas que estão constantemente a encerrar, colocando centenas de milhares de pessoas no desemprego, todos os meses?!