“Debaixo dos Arcos” foi, e ainda é, o primeiro blogue não virtual de Aveiro. Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada": o centro do mundo...
Mostrar mensagens com a etiqueta Cultura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cultura. Mostrar todas as mensagens

16 junho 2007

In Memorium... 16-06-2007

Recordemos David de Jesus Mourão-Ferreira, falecido há precisamente um ano.
Escritor, poeta e romancista, foi também director do jornal A Capital e director-adjunto do O Dia. Foi igualmente político, desempenhando em 76-78 e 79 o cargode Secretário de Estado da Cultura.
Da sua poesis destaca-se:
1954 - Tempestade de Verão (Prémio Delfim Guimarães)
1967 - A Arte de Amar (reunião de obras anteriores)
e da sua Narrativa:
1959 - Novelas de Gaivotas em Terra (Prémio Ricardo Malheiros)
1980 - As Quatros Estações (Prémio Associação Internacional dos Críticos Literários)
1986 - Um Amor Feliz (Romance que o consagrou como ficcionista valendo-lhe vários prémios)

26 dezembro 2006

Aveiro. Que identidade cultural?!

Publicado na edição n.º 4 (Dezembro de 2006) da Revista Cultural da Câmara Municipal de Aveiro - Pontes & Virgulas.
 
Aveiro. Que identidade cultural ?!

Um dos princípios da prevenção baseia-se na educação do indivíduo, por forma a ser mais fácil a assimilação de mecanismos de antecipação dos riscos.
Este processo educacional, tem muito mais impacto se for consumado nas crianças e adolescentes, para que, quando adultos, sejam conscientes dos princípios preventivos ensinados. Estão enquadradas neste conceito as campanhas de prevenção rodoviária, de educação ambiental - como a reciclagem, a percepção dos sectores de segurança - polícia, bombeiros, protecção civil, etc.
Por outro lado, a identidade e a herança culturais de uma determinada região, p. ex. o Concelho de Aveiro, é o resultado de uma evolução no tempo da sua cultura e património, bem como a maior ou menor determinação para a receptividade às influências externas, a alterações e ao aumento da diversidade.
Esta realidade tri-dimensional (cultura, património e identidade), evolucionista nos tempos, traz mudanças para as quais a memória colectiva não está, na sua maioria, preparada. Não por incapacidade de assimilar as novas vivências (antes pelo contrário), mas sim pelo facto de não memorizar as antigas. O moliceiro e os ovos-moles, vão, com o passar dos tempos, coexistindo com as BUGA e as novas tecnologias.
A memória histórico-patrimonial e a memória cultural vão perdendo os seus contornos existenciais: à grande maioria dos aveirenses (naturais ou assimilados) já nada dizem as referências de identidade cultural como o sal e a sua importância histórico-económica, a ria, o Museu Santa Joana e a sua história, o rico património religioso aveirense, a Arte Nova, o sector cerâmico, já para não referir a diminuta relevância (limitando-se ao comercial e turístico) dos moliceiros e dos ovos-moles.
Da história civilizacional da Cidade e do seu Concelho, já nem a memória escrita nos diversos documentos e publicações produzidos cativa, desafia e desperta os aveirenses. Perde-se no tempo e no bairrismo dos mais velhos (e pouco mais que estes) os nomes que fizeram a história de Aveiro: desde a Condessa Mumadona e Santa Joana até Vale de Guimarães, passando por Aires Barbosa, Alberto Souto, Artur Ravara, Homem Cristo, Jaime Magalhães Lima, Evangelista Lima Vidal, José Estêvão, Lourenço Peixinho, Mário Sacramento, entre muitos outros, referindo-me aos que, eventualmente, seriam os mais conhecidos.
A cultura e a civilização aveirense, excluindo uma minoria que tende cada vez a ser mais minoritária (os mais idosos, os técnicos e agentes culturais e os historiadores), já não se “vive”.
Nas escolas, promove-se a prevenção rodoviária e o ambiente. Não se ensina a cultura e a identidade aveirense. Esta não sai dos gabinetes e dos museus.
Dizia Jaime Magalhães Lima que “Aveiro tem essa virtude: a afeição pelas cousas e pelas pessoas transforma-se entre a sua gente em religião”.
Magalhães Lima perdeu-se no tempo. E Aveiro perdeu essa virtude e, hoje, essa religião conhece outros deuses. E, porque a cultura não gera riqueza económica, descuidando-se a sua capacidade de produzir riqueza social e desenvolvimento, Aveiro perde no tempo a sua identidade.

01 dezembro 2006

O restaurador

1 de Dezembro de 1640. Mais para o mal do que para o bem, Portugal libertava-se da sua ligação a Espanha, retomando a sua condição de nação/reino independente.
D. João IV ascendia ao lugar de Rei de Portugal.
Seria por ele que Nossa Senhora da Conceição era proclamada padroeira de Portugal.
Seria no seu reinado que surgiria a mais velha aliança do mundo: Portugal - Inglaterra.

05 outubro 2006

Nacionalidade - Monarquia - República

Zamora - 5 de Outubro de 1143
O Tratado de Zamora. Reconhecimento da soberania portuguesa (confirmada pelo Papa Alexandre III em 1179) e confirmação do título de Rei de Portugal a D. Afonso Henriques.
Assim nascia PORTUGAL, pela mão monárquica.
Porque será que teimosamente esquecemos a data do nosso nascimento?!

A 3 de Outubro de 1910 estalou a revolta republicana que já se avizinhava no contexto da instabilidade política e do descrédito da monarquia.
A 5 de Outubro o Governo rendia-se, os republicanos proclamavam a República e D. Manuel II era exilado. Terminava o reinado monárquico, sem que isso signifique acabar com um infimo sentimento afectivo pela coroa e pela realeza.
No entanto, mudava o regime, mas continuava a instabilidade social, a corrupção (que vigora até hoje), a crise política provocada por quase 50 anos ditaturiais.

07 setembro 2006

Terras de Santa Cruz

A 9 de Setembro de 1822 - o Grito do Ipiranga e a Independência do Brasil.
D. Pedro I - Proclamado Imperador. "Independência ou Morte".


Hoje, corrupção ou mudança.

03 setembro 2006

Literacias...

Serviço público literário e gratuíto.
Acabou de sair da mesinha de cabeceira a recente publicação do Juiz espanhol Baltasar Garzón, sobre o terrorismo e o crime organizado e o seu combate político e jurídico.
Conhecido pelas suas "lutas" contra a ETA e pelo processo do ex-ditador chileno Pinochet.
O livro intitula-se "Um mundo sem medo".
Fica aquém das expectativas de quem pretende ler esta obra à busca do pormenor político, jurídico e das inúmeras investigações que os processos relatados deveriam ter tido.
Ficam alguns dado curiosos, mas muito superficiais.
Restam portanto as convicções um homem que conheceu por dentro todos os meandros do terrorismo e do crime organizado, numa visão ás vezes a "roçar" a utopia do mundo, da socieadade, da justiça e da política.
É interessante a forma de abordagem dos temas, através de um "diálogo"(!) escrito com os seus filhos.
O juiz Baltasar Garzón, hoje dedica-se a consultadoria na ONU e à defesa dos povos indígenas, nomeadamente no México.

08 agosto 2006

Zenith Quartet - Deslumbramentos!


Descoberta de sons ímpares.
Por todas as razões que possam imaginar. E por mais uma: Porque são bons. São muito bons.
Ainda “frescos”… mas já maduros.
Um dos excelentes quartetos de jazz, quase exclusivamente luso, que em Barcelona descobriram a capacidade de produzirem momentos únicos.
ZENITH QUARTET.
Um nome a não esquecer.
Um quarteto composto por saxofone, guitarra, contrabaixo e bateria.
O seu reportório é constituído por standards de jazz, música popular portuguesa e originais.
Referências musicais para Cole Porter, Charlie Parker, Thelonious Monk, John Coltrane, Wayne Shorter, Carlos Paredes, entre outros.
3 anos de muito jazz, entre casinos, centros culturais, hóteis, bares, clubes de jazz, quer em Portugal, quer em Barcelona.
Oportunidade única para nos deliciarmos com excelentes sons, num projecto que dá pelo nome de 5 Colors e outros excelentes temas, donde ressalta a espectacularidade da recriação de Verdes Anos de Carlos Paredes.

Amanhã – dia 9 de Agosto, Casino da Figueira da Foz.
Quinta feira – dia 10 de Agosto – 22:00 Hm em Aveiro, no Mercado Negro.
A não perder.
Serviço Público
contacto em Portugal: João Monteiro - 962 806 690

03 agosto 2006

Serviço Público

Aveiro tem 3 eventos que são a referência nas amostras anuais, mormente o repeito por todas as outras festividades e actividades culturais e comerciais que por cá vão dando vida à Cidade.
No entanto, face à perda da sua característica cultural e histórica que os anos se encarregaram de remeter ao menosprezo, a Feira de Março vai perdendo o seu fulgor.
Por outro lado, como o sector agrícola tem particularidades muito específicas e realidades muito variáveis, a AgroVouga foi "sofrendo" as consequências desses factos, na maioria dos casos resultado da instabilidade no sector e concretamente na vertente saúde animal.
Assim resta a necessidade de não descurarmos uma das nossa maiores riquezas e oferta: o Artesanato e o Turismo.
Esta tem que ser uma aposta forte se quisermos tornar Aveiro numa das boas referências a eventos anuais no País e uma forma de "comercializarmos" a marca Aveiro e a sua Região.
FARAV 2006
5 a 13 de Agosto - Parque de Exposições de Aveiro

XXVII - Feira de Artesanato da Região de Aveiro
XIX - Mostra Nacional e Internacional de Artesanato
I - Mostra Nacional de Gastronomia Regional

Horários
Recinto Exterior
I Mostra Nacional de Gastronomia Regional
11h30-01h00
FARAV
De 2ª a 6ª - 17h00-24h00
sábado e domingo - 15h00-24h00

Curiosidade (e talvez o senão)
Preço: 1,5€ todos os dias

10 julho 2006

E porque não em Portugal?!

Portugal tem uma democracia (que muitos consideram muito recente e nova) assente em alguns anos (14 anos) acima da maioridade (32 anos).
São anos e experiências suficientes para uma maturidade democrática e política que ainda não conseguimos consolidar. Quer na sociedade civil, quer na elite política.
E é curioso verificar que, apesar da não empatia com este (des)governo de Bush, o exemplo vem das "bandas" da terra do Tio Sam.
O governo norte-americano, tem disponível ao público AQUI, com um acesso interessantemente alargado, documentos históricos, sociais e políticos (não confidenciais do ponto de vista de segredo de estado) para consulta, não só dos americanso como de todos os que, através do acesso à net, se interessarem por curiosidades do nosso tempo e da história do mundo, extremamente importantes (como esta).
Cá em casa, resta-me a minha velhinha enciclopédia juvenil (obrigado pais), a dicciopédia da Porto Editora, o meu diccionário Houaiss e a Wikipédia.com.
Porque a Torre do Combo, continua fechada a mil e uma chaves e para um número infimo de previligiados historiadores.
Muito pouco e pobre, para quem lutou por um país mais livre e democrático, em 1974/75.

09 julho 2006

In Memorium... 09-07-2006

Nem só de futebol e de samba vive o Brasil.
Há também a Bossa Nova... Havia também o inconfundível "peso" cultural de Vinicius de Moraes.
Após 9 de Juho de 1980, resta-nos a memória da "Garota de Ipanema" - "Eu sei que vou te amar" - "Ela é carioca" - "Insensatez".
Como a vida é feita de projectos e de memórias, lembramos os contributos conjuntos com Tom Jobim, Baden Powel, Chico Buarque, Elis Regina e, principalmente de forma inseparável, com Toquinho.

02 julho 2006

In Memorium... 02-07-2006

Embora goste bastante de ler, nunca fui um "apaixonado" pela poesia.
A razão prende-se com questões de motivação e formação.
No entanto, entre algumas referências do meu real imaginário literário, há a memória de Sophia de Mello Breyner Andresen (6.11.1919 - 2.7.2004)
Entre poesia, contos, ensaios e artigos, recorda-se o seu primeiro trabalho "Poesia" - 1994 até ao seu derradeiro escrito (curiosamente) "Primeiro Livro de Poesia" - 1991.

23 junho 2006

Bandeirismo...

Recentemente foi polemicamente instaurada a guerra à bandeira publicitária.
Constitucionalmente, a bandeira nacional (adoptada pela implementação a República a 5 de Outubro em 1910) é um dos símbolos – a par do hino, representativos da soberania nacional.
Mas este facto, em si, que significado tem?!
Entre 1974 e 2004, que impacto e significado teve a bandeira portuguesa no sentimento nacional e patriotismo dos portugueses?!
Para além de “enfeitar” edifícios públicos, o Palácio de Belém, a Assembleia da República e a frente do carro presidencial, que simbologia e referência é para cada um dos portugueses?!
Goste-se ou não, o futebol e, concretamente, o Euro 2004 restituiriam uma forte ligação emotiva e simbólica com a bandeira nacional o patriotismo e a essência do colectivismo.
Se assim foi, se isso representou um reencontro dos portugueses com os seus símbolos e o seu colectivismo nacional, porquê tornar a criar um distanciamento absurdo entre o “sagrado simbolismo” e o povo por ele representado?!
Se, por exemplo através do desporto, se consegue criar esta empatia entre o ser-se português e a vontade de o exprimir através do hino e da bandeira, que constrangimento patriótico poderá existir se a bandeira tem ou não publicidade?!
Torna-a menos portuguesa?! Denegride o país?! É ofensivo?!
As referências expressas não são nacionais?!
Porque é que será menos digno a divulgação de um produto ou marca portuguesas através da bandeira nacional e não o é a colectânea de assinaturas dos jogadores de futebol no mesmo símbolo?!
A expressividade patriótica não deveria ser “retida” e “amordaçada” por um constitucionalismo desenraizada do sentimento das pessoas.
Ser português também é isto: ser livre na expressão emotiva dos seus símbolos.

Actualização (comentário tornado mais visível em jeito de esclarecimento)

Caro Amigos
Permitam-me uma pequena reflexão para esclarecimento. Não sou contra a publicidade na bandeira, como também não sou a favor.
Neste caso a minha posição é claramente um Nim, ou, nem sim nem não, antes pelo contrário. Se a bandeira tem num canto inferior o nome de um jornal, de um hipermercado ou supermercado do bairro, ou se diz "Amo-te Portugal" ou se vem assinada pelos jogadores da selecção, não me parece que isso denegrida a sua imagem, que desprestigie a nação ou a nossa soberania.
O que temos é muito mau hábito de generalizar, banalizar e dos excessos.
A questão para mim passa por outro lado. É ou não verdade que os portugueses (aqui e lá fora) assumiram muito mais o seu símbolo nacional, criando com ele um melhor relacionamento e empatia?!
É ou não verdade que face a esta onda (no caso concreto relacionada com o futebol, mas poderia muito bem ser por outra razão nacional), uma grande maioria de casas e portugueses tem guardada uma bandeira pronta a usar numa qualquer causa nacional?!
Esta é para mim a melhor razão.
Em 30 anos de democracia, digam-me, antes do Euro 2004, em quê e onde é que os portugueses assumiram um patriotismo tão forte e uma ligação à bandeira e ao hino tão emotiva?!
Quantas crianças de muita tenra idade (e dou o exemplo da minha filhota) cantaram o hino nacional, antes de 2004?!
E isto não me parece vulgarização, mas sim compromisso nacional.
Pena é que esta reacção relacionada cm a publicidade na bandeira, não tenha sido levada a cabo, com a venda no comércio chinês, de tantas bandeiras adulteradas nos castelos, nas quinas, etc.
Cumprimentos patrióticos

20 junho 2006

Literacias

Pelo serviço público... e a pedido do ilustre Pé de Salsa.
Terminada a leitura do "Nome de Toureiro", do chileno Luis Sepúlveda.
Primeira conclusão: excelente.
Pela escrita expressionista de um verdadeiro contador de "estórias".
Um livro excelente, que nos retrata racionalmente o final da II Guerra, a Guerra Fria, a Queda do Muro, a ligação controversa e sombria da velha Alemanha com a América do Sul, o autoritarismo, o comunismo sul americano, os meandros obscuros dos secretismos pós-guerra.
Um romance realista, retratado de uma forma envolvente.
Qual código ou pseudo-código.
Há formas muito mais interessantes de tornar a realidade, "ficcionadamente" romanceira.
A não perder, numa livraria perto de...

11 junho 2006

Cada cabeça... cada democracia!

A afirmação da inutilidade da motivação para o hábito da leitura, vindo do prémio nobel da literatura, é de bradar aos céus.
Agora, nas comemorações do falecimento de Vasco Gonçalves, conseguimos ouvir outra expressão abismal, pela boca de Saramago: nada resta do 25 de Abril de 74. Nem a democracia é fruto da revolução.
Pois é...
A democracia do martelo e da foice de Saramago não existe.
Depois da liberdadede Abril de 74, veio a verdadeira democracia de Novembro de 75.
E é esse o feliz legado que hoje vivemos: a democracia que o povo escolheu.

08 junho 2006

Grande Prémio

Há sempre na atribuição de um prémio e em relação ao respectivo premiado, a incerteza do prémio ser correctamente atribuido e o premiado ser, de facto, o melhor ou dos melhores.
Mas há igualmente situações em que a clareza das circunstância é tal que não restarão quaisquer dúvidas, quer no que toca ao prémio, quer no que respeita ao galadoardo.
É, nem mais nem menos, o caso concreto: Francisco José Viegas.
Pessoalmente considero uma das referências culturais dos nossos dias.
Pela escrita, pela inteligência e pela capacidade.
Francisco José Viegas, foi premiado, pela Associação Portuguesa de Escritores, com a sua obra "Longe de Manaus".
O prémio corresponde ao facto de ter sido escolhido como vencedor do Grande Prémio Romance e Novela de 2005, entre 90 títulos a concurso.
Para além de escritor, Francisco José Viegas é igualmente o responsável actual pela Casa Fernando Pessoa, apresentador de programa na televisão e escreve regularmente no Jornal de Notícias.
Para além disso, é um ferveroso bloguista:
Debaixo dos Arcos, com admiração e satisfação, envia os sinceros PARABÉNS.

04 junho 2006

Contributo para o PNL

O meu actual contributo para o Plano Nacional de Leitura.
À mesinha de cabeceira... Depois da excelente revelação A Sombra do Vento.
Um Mundo sem Medo (sensivelmente a meio) do conhecido juiz Baltasar Garçon está longe de confirmar expectativas na abordagem ao mundo do terrrismo e das influências nas instituições.

O Nome de Toureio, do chileno Luis Sepúlveda (no início). Uma visão interessante sobre as ideologias autoritárias, curiosamente remanescentes na América do Sul e Latina, tendo como pano de fundo o amor e a cobiça.

Leitura obrigatória

Foi anunciado, no passado dia 1 de Junho, o Plano Nacional de Leitura.
Objectivo muito mais alargado do que uma mera questão política. Estimular a sociedade portuguesa, desde os mais novos aos mais velhos, ao hábito da leitura. Ler como combate à iletracia, ao analfabetismo.
Ler como saber, como desenvolvimento, como forma de participar activamente.
È bom que esse estímulo se reflicta igualmente no estímulo ao acesso aos livros e à literatura.
Estranha é a posição do prémio nobel da literatura – Saramago. Para quem este projecto é demagogia e (pasmemo-nos) para quem ler é um processo de minorias.
Ou seja escrever é só para o ego de alguns (poucos) que nada mais sabem fazer do que folhear uns livritos.
É o que merecemos na nossa esfera intelectual. São os ares de Lanzarote.
A leitura deveria ser obrigatória desde o primeiro ciclo do ensino básico.
A ortografia deveria ser uma preocupação primária do nosso ensino, fosse qual fosse a área de aprendizagem (letras ou ciências).
A escrita e a palavra deveria ser um bem precioso e a proteger. Mesmo que necessariamente estimulado.
Com naturalidade já nos basta o fado e o futebol.

28 maio 2006

Do fundo do meu baú...

Muito antes da cidadania do ilustre ex-candidato Manuel Alegre, já nos finais da década de 80 e princípio da de 90 (entre 198 e 1993) fiz parte de uma núcleo de cidadania, aparte de partidarices (embora político), mas com verdadeiro sentido cívico e social: Nova Geração!
Havia igualmente, nessa altura, uma publicação (gratuita) na qual participei igualmente (de corpo e alma) e da qual (entre outros artigos) resultou este texto (ainda escrito à máquina - hcesar - que (re)descobri em papéis "perdidos". Obviamente sobre Aveiro.
PENSAR AVEIRO
Olhar a cidade, meditá-la, sentir o seu constante pulsar num mar de mutaões físicas, sociais e culturais, é simplesmente viver o dia a dia duma história que vamos construindo, mais ou menos, conscientemente.
Já nos séculos XII e XIII, Aveiro tinha um peso e papel importantes na economia portuguesa, no que respeita à produção salineira e ao seu contributo na área das pescas.
Hoje... já longe de um passado recente, onde (muitas vezes em filmes kodak) recordamos o sal e o marnoto, o moliço e o moliceiro, onde o ovo mole é rei... Aveiro é ainda fruto de quem a ela se dedica de copo e alma, de quem o sangue ou o espírito de "cagaréu" e "ceboleiro", na sua maior parte das vezes votados à indiferença dos olhares do poder central, vai construindo o progresso e desenvolvimento que vão fazendo desta cidade uma terra à CEE (na altura) plantada.
O mesmo sol, mar, ria, bairrismo das gentes da beira mar que se mantêm, há longos séculos, a par de um concelho que, indiscutivelmente, conhece des 1976 - primeira eleições autárquicas - um futuro prometedor nos campos social, económico, cultural e político, constituem um exemplo quase único dum contributo autárquico, de exemplar trabalho, no progresso global do país.
Se 1992 coloca importantes e difíceis desafios a Portugal, Aveiro que sempre soube preservar a sua identidade cultural, construída com o enorme fluo migratório que acolheu dentro de um espírito quase maternal, reflecte, já hoje, a forma cabal de como é possível conqusitarmos, em comunidade, o lugar na Europa que a história de quihentos nos conferiu.
É esta a cidade que pensamos...
Preferida desde nobres (a exemplo da nossa padroeira) até ao mais simples e comum dos cidadãos, a antiga Alavarium continua a construir a sua história, com as suas gentes e os seus costumes. Gentes com o espírito de luta inerente a quem o mar encontra a sua expressão máxima de realização pessoal e o costume sempre democrático de, quase por intuição natural, saber colocar nos desígnios da cidade mãos de homens capazes de um trabalho pautado essencialmente pelo sentido comunitário, humanista e social, em prol do progresso e desenvolvimento que todos reconhecemos.
Aveiro é o que dela formos fazendo.
A cidade é o que dela pensarmos...

25 maio 2006

O Código secreto...

Quanto mais se mexe na "dita"... mais ela cheira!
Um velho ditado, que (de tão velho) continua perfeitamente actual.
A propósito da polémica (!) em torno do filme baseado no Romance de Dan Brown - O Código da Vinci (que já li), é de louvar a atitude da Igreja (salvo raras e pontuais excepções), no seu sentido abrangente e das suas "cúpulas". A liberdade de crer ou não crer, está na capacidade de fé e de convicção de cada indivíduo. Não se impõe. Esclarece-se e ensina-se. Crê-se e pratica-se.
Não é, por isso, um livro de ficção que, após a demonstração teológica e histórica dos seus argumentos, irá abalar a fé dos crentes.
A Igreja tem aliás hoje, mais com que se preocupar do que com livros de ficção e romance. Por mais bem escritos e até de leitura interessante que possam ser.
Numa sociedade cada vez mais aberta, mas vulnerável, solicitadora e inconsistente, a preocupação da Igreja deve ser o da re-envagelização, a começar pela própria europa.
Reenvagelizar, tornando-se mais viva e mais na vida.
Mas tinha de haver um senão.
Com uma necessidade estupidamente vital, a Opus Dei tinha que vir a terreiro, demonstrar toda a sua "opolência" teológica, uma estranha necessidade de sobrevivência. Numa demonstração de força e poder no seio da Igreja, a Ordem teria tido mais a ganhar ignorando do que criticando o que não havia a criticar, a não ser no imaginário de uma tela cinematográfica. Reforçando apenas o poder crítico dos seus críticos. Reforçando a ideia generalizada do sombrio, do obscuro que reveste a sua existência.
Aliás é curioso verificarmos que nem a Opus Dei, nem alguns sectores mais conservadores da Igreja, tiveram a mesma reacçõ aqunado das caricaturas dinamarquesas. Então, onde está agora o princípio da liberdade de expressão?!
E resultado...
Após o fracasso exibicional no festival de Cannes, o filme Código daVinci, bateu o record nacional de audiências (nem o Crime do Padre Amaro ou a Paixão de Cristo): em 4 dias 215.840 espectadores (uma média de 53.960 espectadores diários).
Quem ganhou...
o Dan Brown e a indústrai cinematográfica.

21 maio 2006

Para os mais distraídos.

Já abriu a Feira do Livro em Aveiro.
Num espaço priveligiado... num espaço que proporciona um melhor mediatismo, uma melhor visibilidade e uma acessibilidade maior.
Num espaço que Aveiro necessita promover e que urge culturalmente rentabilizar.
O Rossio.