“Debaixo dos Arcos” foi, e ainda é, o primeiro blogue não virtual de Aveiro. Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada": o centro do mundo...
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22 maio 2008

A não perder...

Pequenina, mas com coisas interessantes. Vale a pena a visita.
ISCIA (junto à Guarda Fiscal, perto do Parque de Exposições de Aveiro). APAREÇAM!


Até ao dia 18 de Junho - dia da Tertúlia sobre Liberdade de Expressão.

04 maio 2008

Hoje também é dia...

Dia Internacional da Comunicação Social.

Por uma informação ética e deontológica, socializadora e transformadora das comunidades.
E principalmente, por uma informação LIVRE.

25 abril 2008

Em pleno 25 de Abril

Volvidos, claro, os 34 anos do "após".

Curiosa a entrevista ao Expresso de José Alberto Carvalho, director de Informação do canal estatal.

E acresce a curiosidade pela sustentação ao que escrevi, no passado dia 20 de Abril, neste novo "espaço público" de cidadania - "A Censura terminou?".

19 março 2008

Desculpas?! Só agora?!

Enquanto dois jornais britânicos do Grupo Express Newspapers foram condenados pelo Tribunal de Londres ao pagamento de uma indemnização de 700 mil euros, outros dois jornais - O "Daily Express" e o "Daily Star", também do mesmo grupo, vieram publicamente (com manchete de 1ª página), pedir desculpas a Kate e Gerry McCann, por terem noticiado um eventual envolvimento na morte da pequena Madie.
Mau jornalismo... sem dúvida! Mediatismo britânico quanto baste.
É também o jeito que dão 700 mil euros ao fundo que já deve ter "batido no fundo"
E já agora... desculpas Portugal e à PJ nacional, eram bem vindas. Dispensadas de indemnização.

24 fevereiro 2008

Modéstia à parte...

A SND (Sociedade para o Design Jornalístico) premiou o Expresso considerando-o um jornal "gentil e gracioso", "audacioso e irreverente". As "infografias surpreendentes", as "fotografias poderosas" e o "design limpo".
Daí até à manchete "Melhor no mundo não há" vai uma grande falta de humildade e um excesso de presunção. 

01 fevereiro 2008

O Tal Canal

Publicado na edição de ontem (31.01.2008) do Diário de Aveiro.

Crónicas dos Arcos
O “Tal Canal”.

No final do ano de 2007 e já durante este mês de Janeiro, por diversas vezes e distintas ocasiões, foi-se discutindo, embora de uma forma muito superficial ou em círculos muito restritos, o projecto do governo de criar (por concurso público) um novo canal de televisão generalista, em regime aberto (não pago para o utilizador). Isto é… mais um canal de televisão.
Nos dias de hoje, é indiscutível a dimensão da actual “sociedade da informação”, que muitos atribuem já a denominação de “sociedade da comunicação” (por forçado peso das novas tecnologias nesse processo comunicacional).
Não deixa de ser um facto irrefutável de que a Comunicação Social tem um papel privilegiado e fundamental (para não dizer o ou um dos mais importantes) na socialização das comunidades, no seu desenvolvimento e estruturação, bem como na promoção do conhecimento.
Não seria possível concebermos o conceito de sociedade e de vivência comunitária, se não existisse o processo comunicacional.
Daí que a responsabilidade seja acrescida no desempenho deste papel socializador das comunidades. E quanto mais esta sociedade evolui, se transforma, se estrutura, se dinamiza, mais fulcral é o papel da comunicação social nessa socialização das comunidades e no desempenho da sua função de consciência social.
Assim, na sociedade actual o público forma a sua própria opinião, as suas convicções, a sua realidade social em função da informação que recolhe dos meios de comunicação social de massas.
Competindo directamente e em muitos casos sobrepondo-se claramente à acção social da escola, da família, da religião, os meios de comunicação têm uma capacidade intrínseca de dinamizar alternativas e movimentações sociais capazes de provocar alterações nas estruturas individuais e colectivas da sociedade, ao nível social, económico, político, cultural e até mesmo histórico.
Veja-se o recente caso da demissão do Ministro da Saúde e a contestação às políticas implementadas ou a implementar nesta ara social tão sensível (mesmo que a mudança ministerial dificilmente vá alterar o processo).
Assim, pode-se clarificar e simplificar o papel dos media na sociedade com duas vertentes: a de “vigiar” (controlando as acções governativas nacionais ou locais e das estruturas do estado e da sociedade) e a de “educar” (permitindo espaços de discussão, partilha e assimilação, através da informação e das mensagens divulgadas).
Mas estas duas “imagens” do papel de socialização dos media são, muitas vezes e com forte relevo, invadidas por um “ruído” que limita e influencia igualmente a actividade dos meios de comunicação. O peso que os grupos económicos e políticos exercem sobre o emissor tem regulado a sua forma de actuar e transmitir a mensagem, alterando e condicionando igualmente os seus efeitos junto do indivíduo, do grupo ou da estrutura social.
Daí que, infelizmente, o debate se tenha centrado penas na questão economicista que a concorrência de um novo canal provocará nos três (ou quatro) já existentes. Mas esta é a lógica do mercado. Reduzir a questão apenas à sobrevivência (de qualquer modo importante e significativa) económica é extremamente redutora para uma temática mais abrangente.
E o público?! E a oferta da programação?! E a qualidade informativa?!
E esta é que me parece ser a questão fundamental.
Num país da dimensão como a nossa, com o nível de aculturação e a iliteracia existentes, a existência de mais um canal de televisão reflectirá uma maior socialização dos indivíduos e das comunidades?
Conseguirá, de facto, ser alternativa à qualidade (boa ou má) existente?! Ou, pelo contrário, significará maior quantidade de “lixo” informativo?!
Portugal não tem um sector social, cultural e político capaz de gerar quantidade informativa que justifique o acréscimo de mais um espaço televisivo (compare-se, por exemplo, ao que acontece no sector da imprensa escrita). Como dizia um professor de comunicação do ISCIA, "aumenta a oferta dos órgãos de comunicação, mas aumenta igualmente a informação deficiente, incoerente, sem rigor ou qualidade".
Este é o verdadeiro problema: a quantidade raramente é sinónimo de qualidade.
Assim progride a nação. Assim cresce a sociedade.

29 novembro 2007

Pela Liberdade...

Publicado na edição de hoje (29.11.07) do Diário de Aveiro.

Crónicas dos Arcos
Em defesa do direito à liberdade de expressão.

A comunicação social não é, nas diversas excepções que nos últimos tempos se vêem transformando em regras, um poço de virtudes.
É notório, em casos que vão sendo amiudamente comuns, a ausência de rigor informativo, as violações do Código Deontológico e do próprio Estatuto do Jornalista (seja o antigo ou o novo), a pressão exercida nos profissionais pela fragilidade dos contratos laborais, o excessivo peso dos valores económicos no meio comunicacional, os atropelos aos direitos e preceitos legais, a falta de cuidado linguístico e a defesa da língua, (…).
Mas, por outro lado, não deixa de ser um facto irrefutável de que a Comunicação Social tem um papel privilegiado e fundamental (para não dizer o ou um dos mais importantes) na socialização das comunidades, no seu desenvolvimento e estruturação, bem como na promoção do conhecimento.
Não seria possível concebermos o conceito de sociedade e de vivência comunitária, se não existisse o processo comunicacional.
Daí que a responsabilidade seja acrescida no desempenho deste papel socializador das comunidades.
De tal forma que tal princípio e valor é defendido no artigo 19º da Declaração Universal dos Direitos do Homem, no Artigo 10º da Convenção Europeia dos Direitos do Homem e nos Artigos 37º e 38º da Constituição da República Portuguesa: Liberdade de Expressão, de Informação e de Imprensa.
São, por isso mesmo, valores fundamentais garantes da defesa dos direitos, liberdades e garantias de qualquer cidadão.
No entanto, mesmo que absoluto (embora basicamente absoluto seja apenas o direito à vida, porque inviolável), é válido e coerente encontrarmos limites ao exercício do direito de expressão e de informação, nomeadamente quando em confronto directo com outros valores, também eles fundamentais, como o caso da reserva à intimidade da vida privada, salvaguardado o interesse público (a existir, claro).
Já poderá ser questionável que as limitações à liberdade de expressão e de informação sejam sustentadas num controlo e manipulações políticas, governativas ou, até mesmo, institucionais. Numa clara tentativa de não tolerarem a liberdade de informação total, suportando o princípio de que a vida social se move num mundo e teias de secretismos.
E esta “afronta” eminente ao direito fundamental de expressão e de informação merece, da parte de todos os que estão ligados, pelas mais diversas e díspares funções, à comunicação social (sejam profissionais, alunos, docentes, estudiosos, analistas, etc.), uma especial atenção e um urgente sentido corporativista em defesa dos valores elementares e primordiais.
É, pois, de louvar e aplaudir os recentes depoimentos e comunicados públicos do Conselho de Redacção da RTP, do Sindicato dos Jornalistas (para quando uma Ordem?) e do Conselho Deontológico em defesa de José Rodrigues dos Santos e no processo que o confronta com o Conselho de Administração da RTP.
Até que ponto, pode um vínculo contratual ser mais importante que a liberdade consagrada na Constituição?
Até que ponto desmascarar o que é contra-natura, anti-ético e formas camufladas de censura e controlo informativo, deve ser condenável?
Nas ditas “liberdades” conquistadas em Abril de 74, onde está, neste momento, o respeito pelos valores fundamentais, garante das liberdades individuais consagradas?
Se as afirmações proferidas pelo mediático e respeitado jornalista, um dos rostos mais visíveis da comunicação (independentemente de não ser o meu preferido), para além do carácter grave (e, por isso mesmo, não descuidáveis), não tivessem fundamento, seria necessária tamanha operação cosmética na RTP? É no mínimo estranho que, antes do final da comissão de gestão na Administração da televisão pública e quando tudo fazia prever uma continuidade do exercício de funções, o Dr. Almerindo Marques, com toda a capacidade de gestão empresarial que se lhe reconheça, tenha sido nomeado e tomado posse no cargo de Presidente da Administração das Estradas de Portugal. Como que se pretenda, com tal facto, esconder a realidade divulgada e “abafar” as repercussões públicas de uma posição de “força” a tomar contra o profissional.
Mas nesta realidade, não está apenas em causa o confronto com os princípios ético-deontológicos de uma individualidade, mas sim uma forma clara de censura, de obstrução à natureza própria da existência comunicacional, de limitações graves ao exercício e ao direito de liberdade de expressão e informação.
O asfixiar ou controlar a capacidade que o jornalista tem de proporcionar um considerável fluxo de informação, mensagens e conhecimento à sociedade.
E quanto mais esta sociedade evolui, se transforma, se estrutura, se dinamiza, mais fulcral é o papel da comunicação social e do jornalista, na socialização das comunidades e no desempenho da sua função de consciência social.
Pela liberdade…

10 outubro 2007

Rescaldo do fim-de-semana

A meio da semana ainda badalam os estilhaços das leituras e "desabafos" do fim-de-semana na imprensa nacional.
Retrato a quatro dimensões deste rectângulo à beir-mar plantado.
Foto 1
Ficámos a saber que os casos de pedófilia envolvendo crianças da Casa Pia não parou.
Foto 2
Através do socialista João Cravinho, é preocupante o crescendo da corrupção no nosso sistema político.
Foto 3
Através de um dos jornalistas mais meiático e, provavelmente, mais conceituado, descobrimo que o canal público de televisão (que deveria ser de e para todos) afinal não é isento e serve de arma informativa do governo.
Foto 4
Depois de "bestiais" passaram a "bestas" para voltarem a serem os "maiores". A imprensa britânica (ou alguma) revela que afinal a PJ Portuguesa está no bom caminho da investigação do caso Madie.
Cantando e rindo...

28 setembro 2007

A Emenda é sempre pior que o soneto.

A propósito do post anterior, leia-se (no canal oficial da SIC) a explicação e justificação para o sucedido.
É no mínimo inconsistente e despropositada, para além de revelar uma completa falta de respeito e de humildade.

Desculpas perfeitamente esfarrapadas.

27 setembro 2007

Triste. Muito Triste...

É o que temos, mesmo sem o merecermos.
A Informação e a Comunicação Social deste país é uma lástima, é deplorável, triste, enfadonha e do pior que existe. Razão têm, neste aspecto, os ingleses.
Não há critérios rigorosos, prioridades válidas, conceitos jornalísticos e informativos com qualidade.
A INFORMAÇÃO portuguesa não presta.
Espero daqui a dois anos poder contribuir para mudar (e muito) o estado triste da "coisa".
Nunca gostei de Pedro Santana Lopes. Acho-o arrogante, sem perfil político e responsável pela queda (e grave) do CDS.PP após a sua fraca prestação governativa.
Mas tenho de reconhecer publicamente. Ontem ADOREI Pedro Santana Lopes.
Triste serviço comunicacional e informativo prestado pela SIC-Notícias. Bateu claramente no fundo, entrou para o Guiness pela porta mais pequenina e pela negativa no que diz respeito à qualidade de informação.
Como é que é possível que se interrompa a entrevista que estava a ser transmitida em directo com Pedro Santana Lopes para transmitir a chegada a Portugal de José Mourinho, como se jornalisticamente e mesmo para a maioria dos espectadores isso tivesse alguma relevância ou constituísse uma fonte de informação preciosa (e eu até gosto do Mourinho).
Parabéns pela atitude de Pedro Santana Lopes em abandonar a entrevista e a estação.
Haja respeito. Haja qualidade e verdadeiro jornalismo.

10 julho 2007

É isto o chamado serviço público?!

Alguém pode fazer o favor de me explicar com que critério jornalístico e de serviço público a RTP transmitiu em directo, em horário nobre, com toda a pompa e circusntância um debate entre os candidatos à Autarquia Lisboeta (que apenas representa cerca de 5% da população portuguesa)?
É isto o chamado serviço público? Porque não usaram o canal 2? Com que direito usaram os meus impostos para tal feito?!
Como se as eleições autárquicas em Lisboa tivessem interesse para a restante maioria dos portugueses.
É a velha mania que Portugal é Lisboa e o resto é paisagem.
Por mim... que ganhe o pior. Era bem feito.

03 junho 2007

Mediático Imediato

Vem este a propósito das palavras, como sempre eloquentes, do ilustre Terra & Sal, ao comentar o post anterior.

De facto, o ser humano (pelo menos o português, mas penso que é condição universal) tem uma avidez desmedida pelo trágico, pelo macabro, pela infelicidade. No caso luso, esta é uma das características da nossa identidade nacional, como nos diz Eduardo Lourenço: o fado, o destino, a tragédia.
Em pleno século XXI ainda continuamos a ser (para muitos, orgulhosamente) o país dos coitadinhos.
E é em torno desta mistificação da nossa existência que a vida de muito boa gente vai desfilando no dia-a-dia. E se a tragédia tem a potencialidade de tomar proporções mediáticas e de realce público e global, então mais facilmente “afiambramos” a questão.
Infelizmente, como em tudo na vida, esta triste realidade provoca óbvios e legítimos sentimentos de revolta e frustração, a quem, nas mesmíssimas condições, não foi dado o devido destaque e importância.
Foi este um dos aspectos que me interessou focar e demonstrar no post (e artigo no Diário de Aveiro) anterior.
Mas há um outro lado que importa referir e analisar de forma mais abrangente.
E o papel dos media neste contexto? Qual a sua capacidade ou vontade de criar fluxos de informação que gerem verdadeiro conhecimento, sem entrar em mediatismos, populismos e uma informação sem credibilidade?
Esta é outra vertente que pretendi abordar no meu post/artigo anterior.
A comunicação social de hoje, nomeadamente a portuguesa, vive, no meu entender, uma crise de identidade e de afirmação muito grande. Pelo menos uma afirmação que não caia no facilitismo, no populismo ou na mediocridade.
No caso concreto da criança inglesa, os media portuguesas não souberam ser impunes a uma pressão externa (dos media ingleses); não souberam ser isentos na abordagem de uma problemática que já teve casos semelhantes em Portugal e não foram tão exaustivamente abordados (nem apoiados); não souberam ser dominantes, do ponto de vista cultural, por forma a exercer uma capacidade informativa e educativa junto da população; e não foram capazes de não ser influenciados pelo receio do impacto negativo que o caso teve, tem ou poderá vir a ter, numa região que, do ponto de vista turístico, é a mais privilegiada do país.
Infelizmente, é este o cenário dos media que vivemos hoje no nosso país. Um país que vive, no campo da comunicação e da cultura, na triste realidade da “Bela e o Mestre”, dos Big Brothers e afins.
Por outro lado, era já altura de os meios de comunicação social terem a capacidade de promoverem uma país culturalmente mais forte.
Esta incapacidade de afirmação, “receio” de não serem isentos, num mundo globalizado como o do dia de hoje, é preocupante.
Qualquer meio de comunicação social, britânico ou americano (como exemplo), tem a sua tendência política e o seu princípio editorial baseado na finalidade de informar claramente, sem ter que ser “hipocritamente” isento ou imparcial.
Qualquer americano sabe que ao comprar ou ler um Washington Post ou um New York Times está a receber informação ligada ao sector Republicano ou Democrata.
Qualquer britânico que compre e leia um jornal inglês sabe que está a receber informação ligada aos Trabalhistas ou aos Conservadores.
Em Portugal vive-se uma hipocrisia e uma camuflagem desta vertente, obrigando a que os jornalistas sejam muito mais pressionados (até mesmo por questões contratuais e laborais) pelo peso economicista da sustentabilidade dos media.
É já altura para que o Jornalismo em Portugal possa ser visto, lido e ouvido de forma coerente e que seja, de facto, um motor cultural para o desenvolvimento social do país.

31 maio 2007

Então e os outros...

Publicado na edição de hoje (31.05.07) do Diário de Aveiro.

Post-its e Retratos
E os outros...


Amanhã celebra-se mais um dia Internacional da Criança.
Nestas coisas das celebrações pontuais e efémeras fica sempre a sensação do vazio estrutural e estratégico que questões importantes e essenciais deveriam merecer outra atenção e envolvimento.
Por outro lado, é relevante referir que falha igualmente, nesta alturas, um mediatismo necessário à projecção da temática, a que não pode ser alheia a responsabilidade do papel da comunicação social.
Há 28 dias desapareceu, numa pacata localidade algarvia, uma criança inglesa (Madeleine McCann) de apenas 4 anos de idade, sem que até hoje se tivessem encontrado responsáveis ou devolvido a criança ao seio familiar.
Independentemente de podermos questionar a negligência dos seus pais, pelo facto de a terem deixado sozinha enquanto foram jantar, o que não podemos deixar de referir é o triste “circo” montado em volta do caso.
É inquestionável que qualquer vida humana que se encontre em perigo ou que desapareça, principalmente a mais indefesa (como uma criança de 4 anos), merece todo o nosso respeito, bem como todo o esforço possível para a resolução da sua situação.
Mas então o que poderá ser colocado em causa neste caso, que, infelizmente, começa a ser banal nos dias de hoje?
Primeiro, o facilitismo dos seus pais e a inconsciência de se deixar uma criança de 4 anos abandonada em casa.
Segundo, a mediatização do caso pela comunicação social que não soube ter, em nenhum momento, uma racionalidade que se exigia, nem um respeito por um número de crianças portuguesas que há mais de 16 anos continuam desaparecidas, para desespero das suas famílias.
No caso concreto da comunicação social portuguesa é lamentável que a paixão e o sentimentalismo tenha ultrapassado o rigor jornalístico lógico, numa tentativa de gerar audiência e da concorrência com a imprensa estrangeira. Lamentavelmente, a imprensa lusa nem sequer se preocupou em defender uma honra nacional ou, eticamente, a verdade dos factos quando foi, estupidamente, colocado em causa, pela imprensa britânica, o trabalho da Polícia Judiciária. Como se o reino de Sua Majestade fosse exemplo em situações idênticas.
Se o caso se passasse num outro local qualquer de Portugal que não o Algarve, se a criança fosse de outra nacionalidade (portuguesa, africana, de um país do leste) ou se os seus pais fossem de condição simples, humilde e sem recursos, qual seria o mediatismo e a cobertura jornalística? Já para não referir os recursos que seriam colocados para a resolução da situação.
Se o Algarve não fosse turisticamente dependente da comunidade britânica residente e visitante, a pequena Madeleine teria a mesma projecção? Se o desaparecimento da criança tivesse ocorrido em território inglês, a comunicação social britânica (e a portuguesa) teria tido o mesmo espírito sensacionalista?
Que o digam as famílias e a memória dos casos do Jorge Sepúlveda (1991) - Cláudia Sousa - José Teles (1998) - Rui Pedro (1998) - Rui Pereira (1999) - Sofia Oliveira (2004) - Ana Santos.
Onde esteve a comunicação social, o empenho das entidades públicas, o apoio da comunidade local, regional ou nacional? Restam às famílias destas crianças a esperança e a memória, frias e cruas.
Depois, é racional e óbvio que qualquer pai e mãe encontrem todas as formas e recursos que possuam e tenham disponíveis para reaver os seus filhos. É também compreensível que a comunidade se envolva emotivamente em casos desta natureza, principalmente com crianças tão pequenas. É pois, natural, todas as movimentações e manifestações que se desenvolveram.
Mas já não me parece tão racional e lógico que a atitude não seja idêntica (pelo menos) para com todas as outras crianças e os outros casos portugueses. Quantas reacções opostas foram demonstradas em outros casos que ocorreram em Portugal, ao ponto de os primeiros juízos a serem formulados serem no sentido de se criticarem os pais, de os julgarem na praça pública, de se afirmar que “o mais certo era terem vendido a criança” ou expressões semelhantes, como muitas que foram ouvidas, por exemplo, aquando do desaparecimento do bebé do Hospital de Penafiel. Ah pois! Os pais em causa não eram médicos, eram portugueses e muito pobres, claro…
Por outro lado, como católico, apraz-me verificar a preocupação que a comunidade cristã (local e nacional) colocou no caso da Madeleine.
Irrita-me profundamente, como crente, que, em relação às crianças portuguesas que mencionei e que, ao fim de 16 anos, continuam desaparecidas, não se tenham acendido as mesmas velas e efectuado as mesmas vigílias ou orações. É que como católico ainda acredito que também delas é o “Reino dos Céus”.
E já agora, como português, devolvam o Algarve a Portugal.

11 janeiro 2007

O Poder dos Efeitos

Publicado na edição de hoje (11.01.07) do Diário de Aveiro.


Post-its e Retratos
O Poder dos Efeitos…

Chamam-lhe o quarto poder. Um poder hoje questionável, se em si mesmo livre para influenciar e exercer o seu domínio, ou, por outro lado, subjugado também ele a interesses externos. Refiro-me ao poder dos media. Mas…
É incomparável a qualquer outro momento da história universal o facto de, na sociedade actual, ser possível a qualquer indivíduo um acesso quase que incondicional e ilimitado a uma quantidade infinita de informação sobre o mundo. Hoje, lê-se, ouve-se e fala-se de política, de ciência, de cultura, da guerra e da fome, da economia, da educação, do trabalho, das pessoas e dos espaços, de uma forma global e consciente através da acção dos meios de comunicação de massas. Mas este subsídio social tem um “preço”: poder e influência.
Há muito tempo e ainda nos dias de hoje, se discute os efeitos da comunicação social, atribuindo, nomeadamente à televisão pelo seu mediatismo, mas igualmente à rádio e à imprensa escrita, um conflito entre o que significa a liberdade e o dever de informar e transmitir uma determinada mensagem e a sua consequente repercussão no receptor e os seus efeitos.
As teorias sobre os efeitos dos media na sociedade e a sua capacidade de revolucionar e alterar comportamentos, quer individuais, quer comunitários, são substanciais, reflectindo posicionamentos do ponto de vista do emissor e outras ao nível do receptor, contrariando-se, sobrepondo-se ou simplesmente complementando-se com o evoluir do próprio tempo e do conhecimento.
Existem, no entanto, teorias da comunicação de massas que contemplam um alcance mais abrangente e objectivo, relacionado com a sua capacidade de vincar o seu papel socializador e a sua vertente construtora social da realidade colectiva e individual.
Esta realidade comunicacional contempla duas questões importantes no processo socializador: Quais são os efeitos que a comunicação de massas gera e que impacto produzem na sociedade, seja ao nível individual, social, cultural e político e, até mesmo, histórico?!
Tomemos, como exemplo, a televisão; obviamente pelo seu mediatismo e impacto directo no receptor (pela transmissão simultânea de imagem dinâmica e palavras).
Ainda hoje se discutem os efeitos que provoca na sociedade este dinamismo simultâneo da imagem e da palavra, da visão e da audição, da capacidade de intervir no momento exacto e no local preciso.
São as crianças influenciáveis pela televisão?!
São os adultos influenciáveis nos seus comportamentos, convicções e posições?!
De entre as várias teorias dos efeitos da comunicação há as que demonstram esta capacidade de influenciar e condicionar os receptores, com há as que defendem o oposto, como é o caso da “Teoria dos Usos e Gratificações” que entende que ao receptor é permitido “utilizar” a mensagem consoante as suas necessidades, emoções e convicções.
Daí que a comunicação, em especial a televisão, tenha adaptado a sua capacidade de intervir na sociedade, de forma a moderar os seus efeitos e a ajustar-se às necessidades individuais e colectivas das pessoas, mantendo a sua aptidão de produzir efeitos.
Mas mesmo com a “obrigatoriedade” de informar, transmitir e recalcular a realidade, a televisão tem tido, nos dias de hoje, algum cuidado na forma como comunica, nomeadamente no que se refere à transmissão de imagens, seja ou não em directo.
Mas assim sendo, como é possível explicar a morte de 7 crianças e adolescentes, com idades compreendidas entre os 9 e os 15 anos, dos mais díspares locais do globo (Estados Unidos - Índia - Paquistão - Argélia - Arábia Saudita - Iémen) ao imitarem ou “reproduzirem” o enforcamento de Saddam Hussein?!
Se podemos discutir a relevância da informação veiculada pelas televisões (já para não falar no acto em si, que me parece sem qualquer motivo de discussão, a não ser a crítica), não podemos deixar de salientar que este “quarto poder” a que me refiro (televisão, rádio, imprensa escrita) há já algum tempo que vai sendo destronado do seu “trono” por um meio de comunicação de massas (de muitas maiores massas) que dia-a-dia se torna mais real, acessível, ilimitado, descontrolado (mesmo que ultravigiado), anárquico, para o qual todas as teorias que quisermos usar, adaptar ou inventar, ainda não determinaram o seu verdadeiro alcance, a sua vulnerabilidade, os perigos e virtudes do seu uso, a sua vertente comunicacional: a Internet.
E este meio, sem regras e com uma resistência “assustadora” ao controlo, é hoje o mais importante agente socializador, estimulando efeitos nas estruturas sociais e no indivíduo, capaz de produzir alterações comportamentais, sociais, culturais e históricas que os ditos meios de comunicação tradicionais já deixaram de criar ou que sentiram necessidade de se reestruturar.
Disto a sociedade tarda em tomar consciência. Consciência em factos tão simples como o uso de um telemóvel, um computador e um fio (ou já nem isso)… e claro, sete mortes.
A comunicação mudou. O poder dos efeitos dos media transformou-se.
Depende do indivíduo e da sociedade a forma como os deverá usar.

23 outubro 2006

Quase na maioridade.


17 anos de rádio - Parabéns Aveiro.FM

A Rádio Aveiro FM assinala hoje 17 anos de existência.
A 23 de Outubro de 1989, a Rádio Regional de Aveiro iniciou as suas emissões radiofónicas, pautando-se pela melhoria da realidade informativa da região, pela independência e pela defesa dos valores de Aveiro.

No dia 5 de Dezembro, terá lugar no Teatro Aveirense, a habitual Gala Anual da Aveiro FM, onde serão homenageadas as individualidade e entidades que se distinguiram ao longo de 2006.

12 outubro 2006

New Look. Very Well!

O Diário de Aveiro On-Line tem uma nova imagem e novas funcionalidades.
Mais atractivo. Menos pesado. Mais fresco e com mais conteúdo disponíveis(!).
Parabéns pela mudança e pela coragem em o fazer.
De certeza que aproximará o jornal dos seus já habituais e de novos potenciais leitores.
Faltará, com certeza, afinar algumas "coisitas". É que não consegui obter nada dos links lá indicados.
Por outro lado era interessante:
1. Disponibilizar os artigos de opinião, na net (desde de que devidamente autorizados pelos seus autores).
2. Criar um fórum de comentários às notícias e, porque não, aos artigos de opinião (com a devida permissão proprietária).
Mas para já, está melhor.
Parabéns!

03 setembro 2006

Surpresa?! Porquê?!

O Independente fechou.
Publicou este fim-de-semana a sua última edição.
Pessoalmente era um facto que estranhava ainda não ter acontecido.
O jornal foi um projecto político-jornalístico surgido de um desafio (a uma boa mesa) de Paulo Portas a Miguel Esteves Cardoso.
E é verdade que durante alguns anos resultou.
Foi diferente, soube ocupar um espaço próprio e priveligiado, soube impôr-se a um "hsitórico" Expresso.
Cometeu erros, como todos os jornais, mas teve um peso e um papel determinante na vida política portuguesa, concretamente no tempo do governo do prof. Cavaco Silva.
Foi claramente, independentemente de se gostar ou não, uma referência jornalística e política (não partidária, ressalve-se) à época.
Mas com a saída dos seus dois fundadores, com a passagem muito discreta de Constança Cunha e Sá e do esforço de Inês Serra Lopes em revitalizar a irreverência do "Indy", o que é certo é que o jornal perdeu, nessa altura, identidade e objectividade.
Ou seja, entrou em coma.
Bastava esperar mesmo pelo seu encerramento.
O interessante do processo poderá residir no seu timing.
Assistimos à reentré política, com tudo o que isso possa significar de político e de jornalístico e, curiosamente, ao aproximar do lançamento de um novo semanário - O Sol (dessidências do Expresso).
Paz à sua alma... Ponto Final!

08 agosto 2006

Estrategicamente deficiente. Politicamente errado.

Sempre fui adepto das chamadas terapias de choque.
Desde que coerentes e racionais, sempre entendi que a melhor forma de chamar a atenção, de promover uma opinião, de sensibilizar e educar civicamente, de apelar para uma causa, é criar uma sensação de "mal-estar", de desassossego, de dúvida, de alguma inquietude conscienciosa, através de mensagens e imagens chocantes.
No entanto, tal perspectiva só faz sentido se congruente com o objectivo final e com a temática em discussão.
A problemática da segurança rodoviária é um assunto que deveria ser constantemente discutido, perspectivado, planeado e fiscalizado.
A quantidade de mortes que se verificam anualmente nas nossas estradas assume contornos preocupantes e “estupidamente” absurdos.
Justifica-se portanto uma acção de todas as entidades directamente ligadas ao sector, por forma a serem criados mecanismos reguladores, fiscalizadores, sensibilizantes e educativos.
Mas todas as entidades… estatais e privadas.
Não apenas o Ministério da Administração Interna.
Não apenas um sector governativo que se assuma exclusivamente como “salvador da pátria” ou o centro de toda a sabedoria.
Não pode… nem nunca será capaz de o ser.
A prova está na campanha de sensibilização para a mortalidade infantil nas nossas estradas.
O que tem o avião a haver com o automóvel?! Sabendo-se que o transporte aéreo é o mais seguro!
Que impacto tem, a não ser no descrédito e na desvalorização do transporte aéreo, a relação entre o número de crianças que falecem nas nossas estradas com um avião cheio das mesmas?!
As crianças até estão todas satisfeitas por viajar no avião. O avião caiu?!
E o dinheiro que foi investido em tão errado sentido estratégico?!
Não daria para assegurar outras facetas da prevenção rodoviária, como acções de rua, nas praias, nas escolas, noutro tipo de sensibilização publicitária?!
Estrategicamente deficiente. Politicamente errado.

22 maio 2006

Orgulhosamente...

Estou verdadeiramente eufórico e feliz.
Não que me tenha contecido, pessoalmente, algo de extraordinário. Para além de me sentir mais ternurento (é da idade recente).
Mas estou de facto contente pelo que li hoje no Público.
O meu saudoso amigo António Marujo, ilustre jornalista do Público, foi distinguido, pela segunda vez, com o prémio de Jornalista Europeu de Religião do ano.
Este prémio, insituído desde 1994 é atribuído aos trabalhos jornalísitcos no campo da religião, de forma objectiva, imparcial e ecuménica.
Aliás atributos que reconheço no António há muitos e muitos anos.
Curiosa a expressão pública de uma dos júris: "Esta é a autêntica escrita sobre religião, mais do que a escrita ligada à Igreja, e é da melhor qualidade", afirmou um dos juízes do prémio, para quem o jornalista do PÚBLICO "não é fascinado pela Igreja, mas por algo mais profundo, que é o mistério da religião em si".
Ao António Marujo um enorme abraço.

05 março 2006

Fantasmas

Eu não acredito em fantasmas, mas que os há "házeos".
Paulo Portas vai regressar à ribalta política. Da mesma forma que entrou nela, destronando Manuel Monteiro da liderança do CDS.
O meio chama-se "media" e o método, a "liberdade" de cargos políticos que lhe permita opinar sobre tudo, sem constrangimentos políticos.
O programa chama-se O estado das Artes. A arte de ser actor político.
Se eu fosse Ribeiro e Castro, preparava-me para ir à bruxa. Não vá o diabo tecê-las.