“Debaixo dos Arcos” foi, e ainda é, o primeiro blogue não virtual de Aveiro. Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada": o centro do mundo...
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18 abril 2012

Um país em “festa”…


Publicado na edição de hoje, 18.04.2012, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Um país em “festa”…

Já conhecíamos a, já esquecida, expressão do “porreiro, pá”!
A semana passada ficou marcada, nas correspondentes sessões da comissão parlamentar de educação, por um novo paradigma sobre a gestão de dinheiros públicos e por uma nova expressão: “uma festa”.
Foi esta a expressão resumida da ex-ministra da Educação quando ouvida no parlamento, em sede de comissão da educação, a propósito da Parque Escolar. Para sermos mais precisos, Maria de Lurdes Rodrigues afirmou que “o programa da Parque Escolar foi uma festa para o país. Uma festa, disse a ex-ministra, para as escolas, para os alunos, para a arquitectura, para a engenharia, para o emprego e para a economia.”
Mas o que a ex-titular da pasta da educação não referiu é que esta festa teve (ou tem) um custo que comporta o efeito contrário ao desejado: hipotecar o futuro da educação nos próximos 20 anos, pelo menos.
Ninguém de bom-senso e boa-fé questionará a importância da requalificação do parque escolar nacional. Ninguém, independente de terem ou não filhos em idade escolar, colocará em causa que a qualidade de ensino e aprendizagem também dependem das condições físicas onde a experiência e o saber são transmitidos.
O que está em causa nesta “festa” amarga para o país e para a educação/ensino das crianças e dos jovens é o facilitismo com que tão facilmente se cai no despesismo, na megalomania, na falta de sentido prático e na ausência de consistência entre a realidade e a necessidade equilibrada e sustentada. Porque não é só o investimento desmesurado que está aqui em causa (aliás, algo que é comum a todos os processos de parcerias público-privadas onde o Estado é sempre o “perdedor” e a “presa”). São também os consequentes e elevados custos de manutenção que tornam o sistema insustentável.
Mas há ainda outra realidade que importa reflectir. A total ausência de responsabilidades, para além das políticas (e, normalmente, manifestadas apenas nas urnas) em todo este processo.
É que a “festa” que a ex-ministra da Educação tão calorosamente denominou refere-se a dois relatórios claramente negativos (Tribunal de Contas e Inspecção-geral das Finanças) onde são apontados alguns alguns actos de gestão da empresa responsável pela modernização das escolas como actos “incompreensíveis" e "injustificáveis". Tais actos levaram a uma derrapagem orçamental superior a 200% quando apenas estão requalificadas 205 das 332 escolas previstas (para além de serem apontados incumprimentos legais no valor de 500 milhões de euros). E isto é uma “festa” ou como adianta ainda a ex-governante um claro exemplo de “boa prática de gestão”. Mesmo que o relatório do Tribunal de Contas tenha detectado um aumento superior ao triplo de um orçamento inicial de 940 milhões de euros, terminando em 3.168 milhões. Aliás, é de facto o espelho do cuidado que há na gestão dos bens públicos em Portugal: segundo a Parque Escolar a derrapagem orçamental deveu-se, em primeira instância, ao facto de projecto ter sido estruturado apenas em estimativas. O que só traduz a velha máxima da boa gestão pública: “faça-se e logo se verá como se paga” (ou não).
Infelizmente, a responsabilidade, mais uma vez, acabará por morrer solteira. E quem vier atrás que feche a porta.
Siga a Festa!!!

11 novembro 2011

Cortar ou não Cortar...

Nos dias que antecederam o arranque do debate, discussão e votação, na generalidade, do Orçamento do Estado para 2012, e já hoje durante o primeiro dia da actividade parlamentar debruçada sobre o tema, o confronto governo-oposição (entenda-se, PS) centrou-se na questão das almofadas orçamentais e na eventual eliminação de um dos anunciados cortes nos 13º e 14º meses de vencimento, para os funcionários públicos e para os pensionistas.
Enquanto o PS descobriu uma folga de cerca de 900 milhões de euros, o ministro Miguel Relvas e hoje o primeiro-ministro Pedros Passos Coelho afirmavam que o Orçamento é realista, concreto e não tem malabarismos (por lapso, Passos Coelho, no debate parlamentar, diria ‘malabarices’ – logo aproveitado por Francisco Louçã para desdobrar em malabarismos e aldrabices). Portanto, não existem as tais “almofadas” ou “travesseiros” tão reivindicados por António José Seguro.
O que me preocupa neste momento, enquanto decorre o confronto parlamentar e a respectiva aprovação, é se o OE2012 está estruturalmente elaborado para o cumprimento da meta do rigor orçamental (5,9%) imposta pela União Europeia e contida no memorando de entendimento da ajuda externa com o FMI, BCE e UE.
É que se assim for, prefiro mil vezes, durante os próximos dois anos (2012 e 2013), fazer o sacrifício (algo que muitos dos portugueses ainda não compreenderam ser necessário, impérios e urgente face à realidade de falência e de ausência de dinheiro no Estado) de prescindir de receber o 13º e 14º meses de vencimento (sim, sou equiparado a funcionário público). Isto porque prefiro ter a segurança do cumprimento das medidas e dos objectivos, do que, como diz o PS (e sabemos, pela experiência recente dos últimos seis anos, o que são as contas e os números do PS), usar a dita “almofada” para que possa usufruir ainda de um dos subsídios, mas mais tarde (2014) poder correr o risco de incumprimento, de não ter havido alguma salvaguarda para eventuais crises externas, e perder mais do que dois meses de vencimento.
Até porque, e seria de esperar que o PS pudesse argumentar nessa linha, o Governo PSD-CDS demonstrou já, em poucos meses, algumas inconstâncias e recuos que manifestam alguma fragilidade política e alguma falta de firmeza e convicção. Isto no que toca à questão da necessidade de implementar medidas que reduzam a despesa (gordura) do Estado.
Veja-se o caso da Reforma Administrativa Local que deixa de fora a parte mais importante que seria a fusão e eliminação de municípios (tal como previa o documento da Troika – lá fora nem sabem o que são freguesias) e a reforma eleitoral autárquica com o reforço do papel das Assembleias Municipais e os Executivos “monocolores”; conhecendo-se o endividamento dos municípios, o despesismo e megalomanismo de obras municipais, não faz qualquer sentido que o Governo tenha recuado no tecto de endividamento para os 125%, promovendo um aumento considerável de despesa; e mais recentemente na inclusão da cláusula de excepção (ou seja, sempre e tudo) na contratação de recursos humanos nas autarquia; entre outros.
Não será com dois passos à frente e um à rectaguarda que se endireitará o país.

Imprensa:

23 agosto 2011

Um país surreal...

Isto não existe. Não pode existir. É mau demais para ser verdade.

Facturas de 6,78 milhões 'encontradas numa sala' do IDP (revelação do ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas na Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura. fonte: jornal Sol).

Estamos num país de loucos e poucos de nós nos damos conta disso, por mais atentos que estejamos.
Enquanto não se passar da responsabilidade política (sufrágio universal) para o justiça e responsabilidade criminal (com uma justiça séria e isenta), casos destes não serão, infelizmente, únicos.
Um verdadeiro país da "república das bananas"...

03 agosto 2011

Uma chamada rapidinha... um colossal disparate!

Não está em causa o confronto político-partidário, nem se o acto foi cometido pelo partido A, B ou C.
Há muitos processos e formas de descobrir ou contabilizar (mesmo que em tempo) os procedimentos do INEM.

Efectuar uma chamada para o INEM (em plena audição parlamentar), apenas com o intuito de verificar se o Presidente do INEM falava verdade ou não, para além do ridículo, é de uma estupidez inqualificável.
principalmente quando um dos grandes problemas do sistema e do serviço são as ocorrências com as falsas chamadas.

Joana Lopes - Deputada PSD
O facto ocorrido hoje, na Assembleia da República, é, no mínimo, um tremendo disparate e uma clara falta de bom senso.

31 julho 2011

O que é nacional é bom.... mas caro!

Publicado na edição de hoje, dia 31 de Julho, do Diário de Aveiro.

Cambar a Estibordo...
A semana em resumo…


A semana foi marcada, essencialmente, pelas novas medidas das relações laborais (a proposta de redução do números de dias de indemnização a que um trabalhador terá direito em caso de rescisão da relação labora – para já de 30 para 20 dias) e pelo anúncio feito pelo Ministro das Finanças sobre a necessidade de se proceder, este ano ainda, a dois orçamentos rectificativos, por forma a clarificar as contas públicas e a permitir o cumprimento das metas orçamentais definidas no programa e acordo com a ajuda externa.

Mas o “arranque” semanal incluiu ainda outra vertente ou faceta económica.

Na segunda-feira, o grupo parlamentar do PSD, onde se incluíam os deputados eleitos, nas últimas legislativas, pelo círculo eleitoral de Aveiro, Ulisses Pereira e o líder da bancada, Luís Montenegro, apresentou, na Assembleia da República, um projecto de resolução, de recomendação ao Governo, com o objectivo de promover e incentivar o consumo de produtos nacionais, a começar pelo exemplo do Estado.
Em traços gerais, a fundamentação do projecto baseia-se, face à realidade económico-financeira que o país atravessa, na necessidade de se criarem mecanismos, políticas e estratégias que desenvolvam, de forma sustentada, a economia nacional através do consumo de produtos portugueses, nomeadamente a agricultura e o “degradado” mundo rural.
No fundo, este projecto de resolução vem na linha do pensamento expresso numa parte do discurso de Cavaco Silva em Castelo Branco, no dia 10 de Junho, quando o Presidente da República apelou à aposta e reabilitação da agricultura nacional.
Não resta qualquer tipo de dúvida que a sustentação e os objectivos da proposta social-democrata fazem todo o sentido e é, em traços gerais, um projecto de interesse nacional e uma forma inequívoca da criação de riqueza, de desenvolvimento económico e de empreendedorismo.
Mas há um senão!
Nada poderá parecer mais demagógico ou, na prática, inconsequente se as medidas e as políticas/estratégias a implementar não contemplarem evidentes incentivos e estímulos à competitividade dos produtos nacionais face ao mercado externo. E não me refiro apenas à questão da qualidade, deveras importante, mas sim às questões relacionadas com custos de produção, sistema de distribuição e preço final do produto.
É que de nada valerá a promoção e o incentivo se os produtos nacionais forem mais caros que os oriundos das importações ou da concorrência do mercado comunitário.
Sejamos pragmáticos. Face à realidade financeira dos cidadãos e das famílias, como resultado das medidas de restrição, os baixos salários, o desemprego e o impacto dos impostos, não resta ao consumidor preferir produtos mais baratos, independente da sua origem (já para não falar que é sempre discutível o factor qualidade, face à sua subjectividade).
Terá sempre mais peso a opção que recaia sobre a necessidade da maioria dos portugueses terem de fazer/acertar as difíceis contas domésticas e pessoais no final de cada mês.
Se preferirem numa linguagem mais “terra-a-terra”, na hora de “contar os tostões” os portugueses vão optar pelo produto mais barato.
Só com uma valorização da produção e da distribuição, permitindo uma maior flexibilização dos preços finais, será possível que os produtos nacionais sejam mais competitivos e, com isso, mais apetecíveis aos consumidores, criando uma dinâmica eficaz na economia nacional: melhor economia, mais investimento nacional, maior empreendedorismo como alternativa laboral, e mais emprego.

Uma boa semana…

05 julho 2011

"Arrenúncia"?!... Não havia necessidade


créditos: Daniel Rocha - Público
"Arrenúncia" expressão portuguesa, faz parte da tradição de um dos jogos mais populares de Portugal – a Sueca, e que significa, de forma linear, a necessidade “atirar a toalha ao chão” por não haver alternativas para ganhar o jogo.
Tal e qual como em alguns casos da política nacional.
E que Fernando Nobre tão bem soube dar expressão: Fernando Nobre renuncia ao mandato de deputado fonte: jornal Público). Chegando ao “cúmulo” de informar apenas, segundo a informação recolhida pelo Público, os serviços de apoio da Assembleia e não há bancada parlamentar (embora tenha informado Passos Coelho).
Sobre este “triste” episódio político ainda do tempo da campanha eleitoral e que, pensariam muitos, teria terminado, em sede parlamentar, com o chumbo eleitoral da candidatura de Nobre ao lugar de Presidente da Assembleia da República, no primeiro dia dos trabalhos legislativos, já me debrucei aqui e aqui.
No entanto, a decisão de renúncia ao mandato parlamentar para o qual foi eleito pelo povo (e logo como cabeça de lista no círculo eleitoral de Lisboa), embora seja uma questão do fórum pessoal e, pasme-se, de alguma coerência com o que havia afirmado durante a campanha eleitoral (só se manteria no Parlamento se fosse eleito Presidente da Assembleia da República), não deixa de ter uma relevância determinante… e se quisermos ir mais longe, aqui sim (ao contrário do que sucedeu na sua não eleição) algum reflexo político-partidário.
Até porque, face a todas as circunstâncias e incidentes, este é uma machada na imagem e credibilidade da democracia, dos políticos, dos partidos e das próprias instituições (por exemplo, a AMI).
E a razão, ou fundamentação, é de uma simplicidade, se quisermos, perversa: Fernando Nobre não quer saber de política, dos partidos (mesmo que tenham sido estes a dar-lhe a “mão” – apesar de tudo o BE em 2005 e agora o PSD), das Instituições e, no caso, do papel e do simbolismo do Parlamento. Mais grave… não quer saber da própria democracia já que, pura e simplesmente, deitou ao lixo todos os votos que foram depositados, pelo povo, em seu nome. Política, megalomanias, ânsias do poder… é mistura explosiva e, normalmente, faz estragos.
Com tudo isto, ficou claro a suspeição de muitos, incluindo a minha: Fernando Nobre só tinha um propósito em todo este processo: levar a cabo uma agenda política própria: 1º apostar num partido ganhador; 2º ser eleito deputado; 3º ser eleito Presidente da Assembleia da República; 4º marcar o seu mandato como tal; 5º ganhar projecção para nova candidatura à Presidência da República.
Por fim, Fernando Nobre refere na carta remetida à Presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, que “é com alguma tristeza que me afasto das funções de recém-eleito deputado, mas estou certo e ciente de que serei, como já referi, mais útil aos portugueses, a Portugal e ao mundo na acção cívica e humanitária que constitui a minha marca identitária”.
Se assim é para quê isto tudo?! Com dizia o “outro”: não havia necessidade!

30 junho 2011

Primeiro embate Parlamentar!

fonte: SIC Notícias on-line
Pedro Passos Coelho, agora na qualidade de primeiro-ministro e o novo governo tiveram a sua primeira prova de fogo com o primeiro embate Parlamentar e a discussão do Programa do XIX Governo Constitucional (para além de contar com o apoio da coligação - maioria parlamentar, deverá contar com a abstenção do PS e os votos contras do PCP e do BE).

Se do ponto de vista da discussão na Assembleia da República, pode-se classificar como positiva a primeira prestação do Governo.

Do ponto de vista da relação com os cidadãos, entendo que não começou bem... mas isso será tema para o "Cambar a Estibordo", para a edição de Domingo, dia 3 de Julho, do Diário de Aveiro.

20 junho 2011

Breves NOBRES notas...


O arranque dos trabalhos desta nova legislativa foram marcados mais pela eleição do Presidente da Assembleia da República (segunda figura na hierarquia do Estado) e menos pelas eleições ou nomeações dos líderes de bancada, ao ponto do BE ter nomeado Luís Fazenda como líder parlamentar da bancada bloquista e muito poucos terem dado por isso.
E este processo, como se previa e já o tinha referido, não teve o desfecho que muitos outros esperariam, a começar por Pedro Passos Coelho e pelo candidato ao lugar: Fernando Nobre.
E é em Fernando Nobre que reside a questão e o problema.
Alguns colegas da comunicação social teimam, pessoalmente de forma errada, em vincar um eventual problema de relação e entendimento na recente coligação PSD-CDS.
A coligação existe enquanto governo, não há, pelo menos de forma pública, qualquer outro tipo de negociação. Teoricamente, os dois partidos deverão suportar a coligação governativa. Teoricamente…
Mas este acontecimento nada tem de problemático ao nível da coligação, até porque era conhecida, desde de sempre, a posição do CDS e que foi expressa no quadro das negociações governativas. Aliás, para quem ainda esperaria a eleição de Fernando Nobre (que precisaria de 116 votos), ela só poderia acontecer com alguma “boa vontade” de oito votos, por exemplo, socialistas.
Por outro lado, afirmar que isto é uma derrota pessoal para Passos Coelho é ter uma visão muito redutora da questão.
A derrota aconteceu quando Fernando Nobre foi apresentado como cabeça de lista do PSD pelo círculo de Lisboa.
Porque quem saiu verdadeiramente derrota e quem originou este aniquilamento político foi o próprio Fernando Nobre pelas palavras proferidas ainda durante a campanha eleitoral quando o candidato à presidência da AR resolveu divulgar publicamente o convite pessoal e directo que lhe foi feito por Pedro Passos Coelho. Aí sim, criou algum embaraço ao líder social-democrata e ao partido, e aniquilou quaisquer ténues possibilidades de ser eleito.
O que, diga-se de passagem, é um alívio para Passos Coelho, para a coligação, para o PSD, para a Assembleia da República e para o País.

16 junho 2011

Um caso muito Nobre...

Fotografia © Rodrigo Cabrita / Global Imagens - Edição do DN de 18.04.2011
Não me vou pronunciar sobre a personalidade de Fernando Nobre, nem sobre o seu percurso enquanto médico ou responsável e fundador da AMI.
Não me vou pronunciar sobre questões de carácter de pessoas que não conheço e com as quais nunca privei, nem é isso que está em causa.
Mas como disse, sempre desde o primeiro momento, Fernando Nobre é um total e inexplicável erro de casting nestas eleições legislativas, na campanha do PSD, como cabeça de lista por Lisboa e na declarada candidatura ao cargo de Presidente da Assembleia da República, por curiosidade tão somente a segunda figura na hierarquia do Estado Português.
A acrescentar a todos estes factos, Pedro Passos Coelho e o PSD arriscam-se a iniciar esta legislatura com uma "pedra no sapato".
Já foi muito difícil perceber a inclusão de Fernando Nobre nas listas do PSD... por tudo o que ele afirmou, convictamente, sobre os partidos, os políticos e o próprio poder. E estamos a contextualizar uma realidade de apenas há quatro/cinco meses atrás.
Como se tal não bastasse o anúncio público da candidatura de Nobre ao cargo de Presidente da Assembleia da República, pelas razões já apontadas, e pelo facto de Fernando Nobre nunca ter tido qualquer experiência parlamentar, nem político-partidária ou pelo facto da eleição para o desempenho daquelas funções ser da responsabilidade da Assembleia da República através de voto secreto e resultado da vontade própria dos deputados eleitos.
Este problema revela outra questão. O desprezo, o desrespeito, a falta de consideração e a desvalorização do principal órgão do Estado e da Nação: a Assembleia da República.
A haver justiça... Fernando Nobre não é eleito por rejeição livre dos deputados (a começar pelo CDS).

11 fevereiro 2011

Um despropósito político...


O Bloco de Esquerda, pela voz do seu coordenador Francisco Louçã, referiu na sessão de ontem da Assembleia da República que, no próximo dia 10 de Março (no dia imediato ao da tomada de posse do Presidente da República), o seu partido apresentará uma Moção de Censura ao governo socialista. Resumidamente porque José Sócrates não aceitou o repto lançado pelo líder bloquista de apresentar, no parlamento, uma Moção de Confiança.
Um enorme tiro no pé. Ou melhor… nos dois pés, simultaneamente.
Principalmente porque foi de um desespero político desastroso, de total inocência política, perfeitamente fora de timing e de força contextual.

(fonte fotográfica: DN)
Além disso, Francisco Louçã cai, em menos de uma semana, em total incoerência. Quando o Partido Comunista coloca uma eventual apresentação de uma moção (sem a confirmar em pleno), Louçã clama a todos os ventos que a moção é despropositada e inconsequente. Borrifando-se completamente para o que afirmou publicamente em relação à proposta do PCP, vem agora contrariar-se e publicitar a sua Moção.
Segundo erro… uma Moção não se publicita, apresenta-se no momento certo, discute-se com forte argumentação e projecta-se o futuro (consequências). Publicitar, com um mês de antecedência, o que se vai fazer é deitar por terra qualquer factor surpresa, permitir aos outros partidos a construção de uma eficaz oposição, e é correr, desnecessariamente, o risco das condições que fundamentaram a publicitação da moção se alterarem.

Por outro lado, e mais relevante, a forma como Louçã anuncia a moção só tem duas consequências óbvias: ou o PSD deixa passar a moção, provocando eleições antecipadas, o que lançaria sobre o Bloco de Esquerda o fantasma histórico do que aconteceu ao PRD em 1987; ou, pelas afirmações de Luís Fazenda após o anuncio de Louçã (como que a tentar minimizar os estragos evidentes) onde é afirmado que a moção é contra o governo e contra a direita, a moção é rejeitada (hipótese mais provável) o que só vem reforçar a posição do governo e de José Sócrates, e o papel de oposição, nomeadamente, do PSD.

Portanto, Francisco Louçã jogou politicamente muito mal, tal como o fez nas presidenciais. Ficou refém da sua própria posição (do próprio veneno). Mas pelos vistos não apreendeu nada… E tão amigos que eles eram há um mês atrás!!!!

17 abril 2010

Sócrates vs Louçã

Tenho que reconhecer (e nada de começarem já a chover comentários politicamente incorrectos), neste caso particular, que Louçã tem razão.

De facto José Sócrates está mais "soft", menos acutilante e menos agressivo... (na opinião do Coordenador do Bloco de Esquerda, José Sócrates "está mais manso"). É do desgaste governativo e do horizonte financeiro nos poder colocar ao lado da Grécia (ou seja, o fim...).

E digo que acho o Primeiro-ministro mais "soft", precisamente pela resposta que este deu a Louçã: "manso é a tua tia, pá".

Ora bem... quem é cagaréu de gema, aveirense de todos os costados (e mais alguns), ou mesmo, quem abraçou esta cidade de corpo e lama, sabe muito bem que, em AVEIRO, quem é "manso é corn**".

Muito soft que está José Sócrates...

Ou seja, o Parlamento continua um palco de virtudes (e vicissitudes, também)...
Mas, ainda, concordando com Francisco Louçã: o país continua... mal, mas continua.

12 dezembro 2009

Alteração Institucional

A Assembleia da República dá o exemplo, mas engana-se na quadra festiva.
Troca Natal pelo Carnaval.
E os deputados viram...

24 julho 2009

Despedidas Democráticas

Não são as minhas... Não precisam de fazer já uma festa!
Manuel Alegre, o político, deputado e poeta, despediu-se, ontem da Assembleia da República.
É indiscutível que Manuel Alegre representa a democracia, a luta pela liberdade, o direito à livre expressão e à cidadania.
Também é inquestionável, goste-se ou não, que Manuel Alegre personaliza, entre outros, a raíz do socialismo.
No entanto, é unânime que Manuel Alegre personaliza o melhor da essência da política, da sua missão e responsabilidade social. Isso é inegável!
Pena que esse sentido de missão (ou mesmo de "vocação") se venha a perder, cada vez mais, na política e nos políticos portugueses.

05 julho 2009

Voltando à "vaca fria" (II)

A Assembleia da República deve ser um espaço nobre, soberano, representativo da nação e do estado.
A Assembleia da República deve ser um espaço de virtude.
A Política deveria ser uma arte, cultura, respeito e dignidade. Deveria ser um serviço e um exemplo.
A Assembleia da República virou circo e espectáculo de revista à portuguesa.
A Política está perfeitamente descredibilizada e longínqua do cidadão.
Mas não é só por gestos... é por omissões e por palavras.
É indesculpável a atitude do ex-ministro Manuel Pinho (o do fim da crise, da mão-de-obra barata, da China, da velocidade na auto-estrada, etc, etc, etc).
Mas porque razão se desculpou e se manteve em funções, por exemplo, o deputado José Eduardo Pereira do PSD que usou todo o dicionário que sabia no confronto com o deputado Afonso Candal?!
E outros tantos casos de falta de respeito institucional e parlamentar?!
Até nisso se vê que na política, nos partidos e na Assembleia da República, dignidade, coerência e democracia é algo que não abunda.

Voltando à "vaca fria" (I)

Por uma questão de coerência.
Se os resultados das europeias tivessem sido outros...
Se a imagem de Sócrates não tivesse sido abalada...
Se a pressão interna, no PS, não fosse considerável...
Será que Sócrates tinha demitido Manuel Pinho (por causa do gesto na AR)?

25 abril 2009

Hoje! Parte II

Já passaram 35 anos após aquela madrugada de 74 (25 de Abril).
Muitos anos passaram. Muita coisa mudou e foi mudando o país.

Mas os discursos solenes continuam os mesmos. Em vez de se falar de liberdade, de democracia, de desenvolvimento, faz-se campanha eleitoral, oposicionismo partidário. E é disto que os portugueses estão cheios.
Ninguém, naquele hemiciclo fala de responsabilidade, de sentido ético ou de verdadeira política.
Salvou-se (curiosamente ou não) o discurso do Presidente da República.
E desta vez (excepção estranha para o PCP) foi unânime a opinião dos outros partidos - do CDS.PP ao BE, passando pelo PSD e PS. Até o deputado inconformado com a vida, Manuel Alegre.

07 dezembro 2008

Como se esvazia um Partido.

Se ainda restavam dúvidas a alguém, eis como as mesmas são esclarecidas.
O PS, apesar de tudo e contra tudo, só por uma hecatombe ainda não deslumbrada, é que perderá as eleições.
Numa oportunidade política única, inteligentemente agendada e previsivelmente capitalizada pelo CDS e, consequentemente, pela Direita, eis que o PSD demonstra claramente o seu estado de "espírito", a sua (in)capacidade de ser alternativa e revela o que tem sido o seu sentido prático como oposição: esteve por um fio a suspensão da avaliação de professores (o que com muito esforço e lutas os sindicatos não tinham conseguido), resultando numa eficaz e verdadeira moção de censura ao governo Sócrates. Isto com o "apoio" de seis irreverentes deputados do PS.
Mas tudo acabou por ir "água abaixo", por causa do PSD: 30 deputados ausentes da Assembleia.
Para além da inegável falta de sentido de responsabilidade, uma autêntica falta de sentido político.
Assim, até eu era reeleito.

18 maio 2008

A culpa é os POLÍTICOS!

A culpa é os POLÍTICOS, dos GOVERNANTES, dos PARTIDOS. Poto final.
É pelos comportaments destes (pela falta d ética, de responsabilidade e derespeito) que os portugueses - e não só os jovens - cada vez se afastam mais da política.
E deveria ser aos políticos que o Presidente da República devia ter pedido mais empenho, atitude e sentido de estado (em vez de preocupado em reunir com os jovens).
E a razão é bem simples:
Edição on-line do SOL de 16.05.08: "No debate parlamentar de quinta-feira a bancada do PSD, que conta com 75 deputados, nunca teve mais de 25 presentes, mas o registo de presenças apresenta apenas seis faltas. (...) O debate foi sobre políticas de família e tinha sido marcado a pedido do PSD. Na bancada, contudo, nunca chegaram a estar mais de 25 deputados, apesar de os sociais-democratas terem 75 lugares. A votação dos seis projectos apresentados pelo PSD foi adiada por se encontrarem no plenário poucos deputados."
E a culpa é da falta de conhecimentos histórico-polítcos dos jovens?
Enfim...