Já é por demais sabido que o País não nutre pela ASAE um "carinho" especial. Também não é novidade nenhuma que o País nunca nutriu qualquer afectividade, nem respeito, por qualquer acção que nos obrigue a respeitar as normas e as leis. Aliás, sempre foi nosso princípio elementar da nossa identidade nacional que Lei que é Lei tem que ser desrespeitada.À acção/actividade da ASAE, apelidada de fundamentalista, salazarista e "etc e tal", só resultou, como exemplos, um maior cuidado higiénico nos restaurantes, uma maior justiça e equidade nas transacções comerciais, etc.Agora... a nova polémica prende-se com a acção fiscalizadora da ASAE junto das IPSS (Instituições privadas de Solidariedade Social - vulgo Infantários, Centros Sociais, Centros Dias, ...). É sabido que estas Instituições socorrem-se inúmeras vezes da solidariedade individual e comunitária, garantindo assim a sua sobrevivência. É igualmente sabido que o Estado tem reduzido os apoios, criando dificuldades acrescidas em áreas que seriam da sua responsabilidade e que estas instituições acabam por colmatar (sendo de cariz religioso ou não).Tive a minha filhota, durante 7 anos, integrada num Infantário/ATL. Não tenho qualquer razão de queixa, bem pelo contrário. Sempre me senti seguro e confiante em relação aos cuidados que lhe foram prestados, desde auxiliares a educadoras. Mas será sempre assim?Com que direito estas Instituições, sob a capa da solidariedade e da acção social, se podem dar ao "luxo" de não cumprir com as mais elementares regras de higiene, segurança, cuidados alimentares, cumprimento de normas ficais?Só por que vivem da e fazem caridade? E os seus "utentes", não tem o direito a alimentação no prazo e em condições, à segurança nas instalações, a serviços de e com qualidade e a que o que pagam tenha o fim apropriado?Ninguém deve, nem pode estar, acima da lei (nem mesmo o fumador do primeiro-ministro).Agora... que também se percebe alguma preocupação por parte do presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade Social (CNIS): e ao sector público (instituições tuteladas pelo estado) também vai ser exigido mesmo?A ver vamos...
18 maio 2008
12 abril 2008
Apontamentos...
Crónicas dos Arcos
Bloco de Apontamentos…
Primeira folha.
Já por diversas vezes afirmei que entendo necessária uma fiscalização eficaz, mas mesmo tempo consistente, racional e coerente, sobre toda a actividade económica em Portugal. Mas a qualquer preço? Óbvio que não.
Há que ter no rigor e eficácia interventivas, a mesma dose de racionalidade e ponderação. As leis existem, devem ser cumpridas, mas, as mesmas devem ser aplicadas em função de realidades muito concretas. As leis devem servir os cidadãos (e, consequentemente, o Estado) e não subjugar os mesmos.
Considerar que uma inofensiva máquina de “brindes ou chocolates”, à porta de um café ou de um simples restaurante, constitui um grave atropelo à lei que normativa o jogo de “sorte ou azar” (comparando a qualquer máquina ou actividade de um casino) só revela, não a grandeza, mas sim a pequenez da estrutura deste país. Agir punitivamente só porque a criança, ao colocar uma moeda de 1€ na máquina, não sabe o brinde que lhe sairá, é de um exagero e irracionalidade interpretativa da lei que começa a preocupar.
É o mesmo que agir fiscalmente sobre uma caixa de multibanco (tecnicamente, ATM) só porque ao pretender levantar 30€ não sei se sairão 3 notas de 10€ ou 1 nota de 20€ e outra de 10€. Já para não falar que, chegados ao fim do mês (face à crise), pode-se ter o azar de não ter saldo e não haver nota nenhuma. Isso é que é jogar com a sorte...
Segunda folha.
Parece ser agora consumada a alteração significativa da língua portuguesa, face ao Acordo Ortográfico.
Curiosamente, contrapondo necessidade de afirmação e preservação da língua nacional (cada vez mais mal tratada), assistimos à sua reestruturação e reformulação morfológica e gramatical (por exemplo, no caso da conjugação do verbo haver com a proposição “de”, por força da supressão do hífen: “hão-de” pode ser substituído por “hão de”) de uma forma pouco lógica e, acima de tudo, pouco reformativa no que seria o essencial e natural da evolução linguística. A língua é a identidade de um povo. O que se verifica neste Acordo é, não um aproximar de identidades, mas sim a subjugação de uma identidade (brasileira) sobre as outras, com claros prejuízos para a língua portuguesa. E isto passa a ser um “fato”.
Terceira folha.
Por mais dividendos políticos que se possam auferir da situação criada em torno do chumbo do Tribunal de Contas face ao plano que a Câmara Municipal de Aveiro preparou para o saneamento financeiro do município; por mais críticas que se possam dirigir ao Tribunal de Contas e por mais esforços, engenharias e estratégias financeiras que se tenham de desenvolver como alternativa… a realidade é só uma: há muitas empresas que esperavam ver liquidados os valores a que têm direito por serviços prestados à autarquia; há muitas famílias de trabalhadores dessas mesmas empresas que ficam preocupados; há uma cidade que vê reduzida a esperança no investimento no seu desenvolvimento; há empresas municipais em risco; há todo um Concelho que perdeu. Ou seja… podem-se fazer todas as conjunturas, os “dejá vu” que quisermos, mas há só um facto: todos os aveirenses ficaram a perder.
Quarta folha.
Nunca o espírito olímpico foi tão posto em causa e contrariado como nos dias de hoje. A chama olímpica, mais de que um símbolo de união e fraternidade entre os povos, tem sido uma verdadeira “chama da polémica e da contestação”.
Sendo certo que atropelos aos direitos humanos, à liberdade dos povos e ao direito à sua independência, existem no quatro cantos do mundo, não deixa de ser um facto que é reconhecido à China um triste e infeliz papel nesta realidade, contribuindo (e muito) para o seu agravamento.
Contrariando as vozes que defendem que o desporto não deveria ser manchado por acções políticas, entendo ser perfeitamente coerente que, dentro do espírito dos Jogos Olímpicos se promovam as acções de protesto e alerta para o legítimo direito à auto-determinação e independência do Tibete e para a realidade dos direitos humanos na China.
09 abril 2008
Uma moedinha pode ser crime!
Já por diversas vezes afirmei que entendo necessária uma fiscalização eficaz, mas mesmo tempo consistente, racional e coerente, sobre toda a actividade económica em Portugal. Mas a qualquer preço? Óbvio que não. 
Há que ter no rigor e eficácia interventivas, a mesma dose de racionalidade e ponderação. As leis existem, devem ser cumpridas, mas, as mesmas devem ser aplicadas em função de realidades muito concretas. As leis devem servir os cidadãos (e, consequentemente, o Estado) e não subjugar os mesmos.
Considerar que uma inofensiva máquina de “brindes ou chocolates”, à porta de um café ou de um simples restaurante, constitui um grave atropelo à lei que normativa o jogo de “sorte ou azar” (comparando a qualquer máquina ou actividade de um casino) só revela, não a grandeza, mas sim a pequenez da estrutura deste país. Agir punitivamente só porque a criança, ao colocar uma moeda de 1€ na máquina, não sabe o brinde que lhe sairá, é de um exagero e irracionalidade interpretativa da lei que começa a preocupar.
É o mesmo que agir fiscalmente sobre uma caixa de multibanco (tecnicamente, ATM) só porque ao pretender levantar 30€ não sei se sairão 3 notas de 10€ ou 1 nota de 20€ e outra de 10€. Já para não falar que, chegados ao fim do mês (face à crise), pode-se ter o azar de não ter saldo e não haver nota nenhuma. Isso é que é jogar com a sorte...
27 janeiro 2008
Por uma religiosidade "limpa"
A ASAE decidiu inspeccionar uma missa na Sé de Lisboa para verificar as condições de higiene dos recipientes onde é guardado o vinho e as hóstias usadas na celebração. Depois de sugerir ao cardeal que se assegurasse que as hóstias têm um autocolante a informar a composição e se contêm transgénicos, embaladas individualmente, e que o vinho deveria ser guardado em garrafas devidamente seladas, os inspectores da ASAE acabaram por prender o cardeal já depois da missa. Repararam e constataram que D. José Policarpo não procedia à higienização do seu anel após cada beijo de um crente.A ASAE decidiu encerrar a Sé até que a diocese de Lisboa apresente provas de que as hóstias e o vinho verificam as regras comunitárias de higiene e de embalagem, bem como de que da próxima vez que cardeal dê o anel beijar aos crentes procede à sua limpeza usando lenços de papel devidamente certificados, exigindo-se o recurso a lenços descartáveis semelhantes aos usados nos aviões ou nas marisqueiras, desde que o sabor a limão seja conseguido com ingredientes naturais. Sabe-se ainda que a ASAE inspeccionou igualmente a sacristia para se assegurar que D. José, um fumador incorrigível, não andou por ali a fumar um cigarro, já que não constando nas listas dos espaços fechados da lei anti-tabaco as igrejas não beneficiam dos favores dos casinos, pois tanto quanto se sabe o inspector-geral da ASAE nunca lá foi apanhado a fumar uma cigarrilha.
Com a devida vénia ao Miguel Marújo
23 dezembro 2007
Preso por ter ...
Se até há bem pouco tempo nos indignávamos pela falta de higiene e segurança de tantos restaurantes, agora apontamos o dedo ao “excesso de zelo” de quem cuida da nossa saúde (ASAE).
Se há bem pouco tempo éramos, pura e simplesmente, burlados através de publicidade enganosa, contrafacção de produtos, adulteração de equipamentos e nem conseguíamos reclamar, agora que existe quem faça por nós tal trabalho, mesmo sem pedirmos, achamos que dão cabo da economia, do sustento de muitos (mesmo que à custa da fuga ao fisco e dos nossos impostos).
Somos claramente um país de ingratos.
Há algum tempo atrás, ninguém sabia a quem recorrer e onde o fazer para reclamar o que tinha por direito. Agora insurgimo-nos com aqueles que, escrupulosamente e ao abrigo da lei, apenas se limitam a defender os direitos comerciais e de saúde pública dos cidadãos. Mesmo sem pedirmos ou nos queixarmos…